Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

16 de Novembro de 2015, 08:55

Por

Câmara Corporativa

Jorge Sampaio terá demorado dez dias a ouvir 17 personalidades e entidades sobre se devia ou não indigitar Santana Lopes como primeiro-ministro, depois do abandono de funções por Durão Barroso. E é este o exemplo que foi desenterrado pelos arautos de Belém para justificar o curioso roteiro de Cavaco Silva nos últimos dias.

Há no entanto três diferenças suficientemente relevantes em comparação com a situação actual.

A primeira é que havia então maioria no parlamento com Durão Barroso e que essa maioria declarava (já depois foi o que se viu) que apoiaria Santana Lopes. O inédito da situação não perturbava a maioria parlamentar e o seu governo.

A segunda é que não tinham passado seis semanas desde as eleições e não havia, pior do que um simples governo de gestão, um governo chumbado pela maioria parlamentar. Dez dias são em todo o caso menos do que 43, que é o que já levamos desde as eleições que retiraram a maioria a Passos Coelho e Portas.

A terceira é que o Presidente não tinha remetido para o Parlamento a decisão final, como agora aconteceu: ao indigitar Passos Coelho, que se antecipava que seria chumbado pelo parlamento, Cavaco Silva declarou, em obediência constitucional, que esperava agora a decisão parlamentar, que já conhece desde 3ªf, há seis dias. Ao contrário, a decisão de Sampaio só dependia de si.

Pode-se imaginar que esta demora do Presidente Cavaco Silva tem como razão única o facto de nunca ter incluído este cenário nos seus quadros perfeitos e exaustivos. Por isso, terá apelado à cisão na bancada do PS, e falhou. Terá depois esperado um fracasso das negociações do PS com a esquerda, e falhou. Não lhe resta portanto mais nada e está a procurar no vazio.

Com o majestoso pré-anúncio de Marques Mendes, Cavaco Silva encontrou entretanto um subterfúgio: mobilizar uma vasta câmara corporativa de entidades e procuradores, que fazem fila no salão de entrada do palácio para dizerem de sua justiça e opinarem sobre o futuro da Pátria, repetindo o que toda a gente adivinha.

Como se isso não bastasse, manteve ainda uma visita de dois dias à Madeira, onde vai apadrinhar empresas e alcançar feitos significativos como a visita à Vinhos Barbeito Lda, já hoje, entre outras proezas.

Quarta feira voltará ao serviço no Palácio de Belém e continuará a receber as delegações da câmara corporativa. Já estaremos então no 46º dia depois das eleições.

Esta atitude pode ser analisada a partir de várias interpretações. Simples mesquinhez é uma: o Presidente não admite um governo com alianças à esquerda e, não tendo alternativa, prolonga a angústia da dúvida. Outra será que, nas vésperas de ser eleito um novo presidente (ou presidenta), Cavaco Silva compreende que esta é a última decisão que ficará registada nos livros de história, e toda uma vida e carreira para acabar a dar posse a Costa dependente da esquerda é muito desespero.

Eu prefiro outra interpretação: o Presidente não sabe mesmo o que fazer, só sabe o que não quer (um governo Costa) ou que não lhe permitem (um governo Passos e Portas em gestão).

Por isso, toma a indecisão que lhe resta nos momentos difíceis em que era precisa uma decisão: escolhe dizer ao país que o último a sair feche a luz.

Comentários

  1. É a primeira vez que observo o cronista de um artigo dignar-se a responder aos distintos comentadores de opinião por aqui. Desde o meu ponto de vista é uma atitude que honra o espírito democrático, responsabiliza cada um de nós pelo que aqui escreve, e dá-nos a noção de que não vale tudo. As opiniões tem todas o mesmo valor quando expressas de “boa fé” (embora não aprecie termos religiosos) e quando bem fundamentadas.
    Obrigado caro Francisco Louçã, gostaria que mais cronistas lhe seguissem o exemplo…

    1. Pelos vistos quem ganhou por poucochinho foi o Passos/Portas que não chega para governarem. O Costa perdeu por muitos e permite-lhe governar como o fez a anterior legislatura.

  2. “o curioso roteiro de Cavaco Silva nos últimos dias.” – O “Titanic” a afundar e o “capitão” põe a banda a tocar no convés…

  3. Sou dos que pensam que quando voto exprimo um desejo, uma vontade, faço uma escolha. Ora bem: o povo votou e fez maioritariamente uma escolha: votou maioritariamente na Coligação. Em eleições não se vota contra, vota-se a favor de eleger um partido e um decorrente governo. Portanto o PR. se queria respeitar o voto popular, nunca teria podido fazer outra coisa senão indigitar Passos Coelho como PM. Este teria que formar governo e apresentar o respetivo programa na AR. E ele teria que ser discutido e, se os partidos representados no Parlamento fossem honestos, teriam tentado ver onde é que havia pontos de encontro e pontos a negociar. Nem sequer se deram a esse trabalho. Já estavam “com ela fisgada”, como diz o povo, nada valia a pena. Bateram e rebateram na tecla de que era “perda de tempo”, como dissseram várias vozes de deputados, imagine-se! O que temos de ouvir de gente paga por nós para debater no hemiciclo. Uma vergonha! Seguiu-se depois uma estranjeirinha de acordos e acordozinhos, tudo muito em segredo, tudo muito cozinhadinho, mas afinal a montanha pariu um rato porque do(s) acordo(s) relevam dois ou três pontos de truz: a subida de 5 cêntimos por dia nas pensões (uma fortuna) e a subida do salário mínimo para 600 euros lá para daqui a 4 anos (se Bruxelas deixar, se… se…). Pelo meio, claro, a cereja em cima do bolo, que é o que realmente interessa ao PS: os senhores do BE e do PCP que nem se atrevam a pensar votar moções de censura e muito menos de rejeição.Tudo na forma, mesmo que o PS esteja a fazer asneira de alto gabarito. Lindos meninos! Grandes democratas, que estão lá não para defender o povo mas para fazer de papel passado o jeitinho ao amigo de hoje, inimigo de ontem, (um ontem bastante recente, diga-se, coisa de um mês).

    1. O problema é que não votou maioritariamente na coligação. A direita não tem maioria. Teve a oportunidade de formar governo e foi chumbada pela maioria.

    2. Eleições constituem a forma de tomar decisões colectivas. As motivações e expectativas de cada eleitor só têm interesse para o próprio, para a formação da sua vontade e inteção de voto, e a sua função termina quando o eleitor deposita o seu voto na urna. A partir daí é impessoal, objectivo – passou a ser estatística. E é para ser assim mesmo. A democracia e o o seu mecanismo fundamental – as eleições – existem para que as decisões colectivas se sobreponham aos estados de alma necessariamente presentes em cada sujeito. O resultado pode ser desgradável para uns e agradável para ouros. Mais habitual ou mais surpreendente, como o destas eleições. Mas isso já não tem interesse nenhum. O resultado é o que é e as motivações e expectativas, repito, já não contam para nada. Os arranjos a que um resultado eleitoral dá origem são todos legítimos e sérios porque são o resultado de uma transformação de vontades e motivações individuais numa expressão estatística, objectiva, previamente aceite por todos os que são eleitores. Por isso, querer obter uma intenção de um resultado eleitoral entretem muito mas é em si mesmo um acto falhado. O que passou a importar é obter uma solução de entre as possíveis e não aquela que cada um acha que devia ser e que pode nem caber nos arranjos possíveis.

    3. João Ramos
      Para que serve esse “missal” todo, se demonstrou com isso ser um desconhecedor das regras democráticas?
      Está a pensar que aqui somos todos campónios e, da política, nada percebemos?
      Engana-se!…
      Comece por ler a CRP e depois cale-se muito caladinho e nada diga.
      Eu votei em quem me representa na AR e estou muito bem representado. Eu e a maioria dos portugueses!
      Ao que parece, você está deveras mal representado e ainda não percebeu isso. Ou melhor, não quer aceitar essa derrota. Mas vai ter de engolir o sapo.
      Perdeu e nós (os que votamos na esquerda ganhamos). Se não gosta, meta o nariz no lugar adequado, mas não venha para aqui fazer figurinhas tristes e lamentáveis.
      Viva a democracia, abaixo aqueles que a rejeitam!

  4. Cavaco e a páf previram este cenário, sim. Não sejamos ingénuos. Os bitaites em período eleitoral dados quer pelo PS (nem que venham marcianos aprovo o orçamento da páf – António Costa) quer pelo BE (a tão discutida piscadela de olho de Catarina Martins) faziam prever isso mesmo. Estava longe de ser uma hipótese absurda. Mesmo Passos disse para os portugueses terem cuidado não fossem acordar com um governo que não escolheram. Cavaco não vai dar posse a um governo de Costa com a esquerda e vai atirar o país para um governo de gestão. Cinquenta dias passaram e mais passarão, até que os seis meses não pareçam uma eternidade tão distendida no tempo. Entretanto gere-se a conta corrente: vende-se a TAP e outras se seguirão como “coisas que vêm de trás”. Como diz o próprio Louçã, Cavaco não quer ficar na história como o presidente que depois de permitir o “pleno da direita” empossa um governo maioritariamente de esquerda. As estratégias de dilação servem para isso: para que o acordo da esquerda ao não se concretizar institucionalmente (na actividade do parlamento) comece a abrir brechas – como aliás já está a acontecer com a estratégia de desgaste mediática e com a incerteza (deliberada) gerada por Cavaco. Vocês parecem esquecer duas coisas fundamentais na estratégia cavaquista: primeiro, foi o homem que manteve um tabu ad nauseam sem se desmanchar; segundo, ganhou uma maioria absoluta depois de o deporem. Tabu e hipótese da maioria nas próximas eleições presidem às intenções estratégicas de Cavaco.

  5. É compreensível o nervosismo à esquerda… a verdade teima em não se mostrar.
    As hostes andam excitadas, correm o risco de se descontrolarem, reagirem e suicidarem…

    Já todo o Portugal percebeu que o suposto “acordo de esquerda” não é mais do que uma fraude travestida de “programa” e que, quanto mais o tempo passa, mais visíveis se tornam as lacunas dum acordo sem verdade.

    Caro professor, independentemente de existir legitimidade constitucional para nomear um governo de esquerda, acredito que a atitude presidencial estará relacionada com a inexistência de um acordo sólido que garanta uma legislatura séria, credível e duradoura.
    Portugal precisa de escorar os seus alicerces para garantir o futuro, não precisa de “embustes” mensais de 60 cêntimos que ponha em risco a sustentabilidade da sobrevivência dos mais desfavorecidos e provoque o caos através da derrocada do “edifício social”.

    Diz a sabedoria popular que o tempo é bom conselheiro e efectivamente tem sido pela acção do tempo que os portugueses vão tomando consciência da fragilidade de uma farsa que conveniências teimam em abençoar.

    1. Finalmente alguém que explica a posição do presidente. O tempo é bom conselheiro, de facto, vamos para cinquenta dias.

    2. Caro Professor, afinal parece que ainda estamos dentro dos prazos…e não me recordo de ouvir tantos protestos!!!

      Caso1.
      2011: governo de gestão do PS, depois da demissão de José Sócrates, durou quase três meses, seguido de eleições e formação de um governo de maioria absoluta:
      -23 de março: demissão do governo.
      -3 e 17 de maio: assinaturas dos documentos do resgate com o FMI, BCE e Comissão Europeia, pelo governo PS e ainda pelo PSD e CDS/PP.
      -21 de junho: tomada de posse do governo PSD-CDS/PP.

      Caso2.
      Em 1987, o X Governo Constitucional, liderado pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva, foi derrubado a 3 de Abril com a aprovação de uma moção de censura ao Governo apresentada pelo PRD.

      O XI Governo Constitucional, também liderado por Cavaco Silva, tomou posse cerca de quatro meses e meio depois, a 17 de agosto. As eleições legislativas antecipadas aconteceram a 18 de Julho. O executivo entrou em plenitude de funções 28 de Agosto, depois do debate do programa de Governo na Assembleia da República.

      Vá lá professor, igualdade também é um dos pilares da “Democracia”.

    3. Sim, estes dois exemplos é o que o PSD pôs hoje a correr para defender Cavaco Silva.
      Mas não têm nada que ver com a situação actual, pois não? São longas esperas antes de eleições e até à tomada de posse do novo governo. Não são DEPOIS de eleições. Percebe a diferença, não percebe, Luma? Vá lá, ignore por um momento o seu partido, pois estou certo de que não acha bem quase cinquenta dias depois das eleições e o Presidente a brindar na Madeira com o Vinho Barbeitos, ou acha?

    4. “acredito que a atitude presidencial estará relacionada com a inexistência de um acordo sólido que garanta uma legislatura séria, credível e duradoura.” – Ahahahahahahahahahahaha… E o governo da PàF é sólido? Que argumento tão rebuscado para disfarçar o carácter antidemocrático deste governo…

    5. “Mas não têm nada que ver com a situação actual, pois não?”

      Caro professor, parafraseando Francisco Louçã, diria “depende da perspectiva”.
      Mas como depender as justificações da perspectiva é promover a arbitrariedade, dir-lhe-ei que o momento actual também é de excepção e que poderia resumir-se a um suposto conluio de esquerda para, subvertendo valores e princípios democráticos, usurpar o poder.

      Vivemos realmente uma situação de excepção em que se deve ter em conta uma ”leitura” cuidadosa dos dados disponíveis e, acima de tudo, considerar as respectivas consequências nas opções a assumir quer internas, quer externas. A ansiedade nunca foi boa conselheira.

      “Vá lá, ignore por um momento o seu partido…” acredito que a virtude estará ao centro, local ideal para ajustar o melhor dos dois lados.
      Independentemente das minhas opções parecerem-lhe divergentes, não significa que me reveja em um qualquer movimento político organizado. Parece irreal, eu sei.

    6. Caro lj

      A parte mais interessante do seu comentário é aquele ahahahah…, provavelmente um esgar de dor porque, se for sério e tiver memória terá bem presente que, apesar de difícil, a legislatura anterior terá sido iniciada num país falido e descredibilizado por políticas de esquerda e terá terminado, de acordo com todos os índices, numa situação bem mais favorável.

      Por outro lado, o “programa de governo” da PaF foi o que recolheu maior número de votos nas últimas eleições livres e democráticas, como tal legítimo.
      Qualquer outro “programa” adaptado às conveniências duma qualquer “confraria”, além de derrotado carece de verdade e legitimidade para ser imposto como resultado eleitoral. Democracia não é imposição, democracia é verdade, é seriedade.

      Mas a insinuação é sobre a solidez dum governo PaF, certamente devido a uma minoria relativa no parlamento.
      Como não faço futurologia não seria sério garantir qualquer resultado mas, como não vejo a política de forma clubista ou tribal, penso que, pelos interesses de Portugal (e não pela conveniência de alguns) pudessem todos juntos, contribuir para o aumento dos tais índices e consequente melhoria de qualidade de vida.

      O hoje, o agora, o imediato… não garantem o futuro, destroem-no.

  6. Só não Vê quem não quer, que existe uma manobra para que se acabe com a democracia em Portugal. declarar que partidos legais, representados na SR não prestam para governar prova isso mesmo. O resto são balelas.

  7. O comportamento do Sr.Presidente da Republica, do meu ponto de vista não está correcto.Depois de ter analisado previamente todos os cenários possíveis não se compreende mais este longo período para reflexão.

  8. Pois eu prefiro outra interpretação: o Presidente está a preparar-se para, conjuntamente com o governo demitido e com todos os poderes que contam na UE (e estão todos nas mãos do Partido Popular Europeu), criar as condições para uma nova intervenção da troika com um novo resgate e novo memorando.
    Hão-de encontrar uma estratégia de comunicação que justifique que o éden anunciado antes da campanha eleitoral afinal já não vem; as agências de rating por causa da instabilidade política actual e futura imaginada vão todas (mesmo aquela pequena canadiana) vão classificar a dívida pública como “lixo”; o BCE vê-se impedido de ajudar a banca portuguesa e aceitar títulos de dívida portuguesa como “colaterais” e aí é preciso o tal novo resgate.
    Nessa altura, o Cavaco indigitará António Costa para formar governo…

  9. Chamar Câmara Corporativa aos membros da Concertação Social – estrutura que tem previsão constitucional – é uma coisa que só lembra ao Senhor Professor Doutor Francisco Louçã. E a ideia – que é ofensiva e antidemocrática – nem sequer é da sua autoria. Muito triste, muito triste mesmo.
    Esta gente está por tudo. Daqui a 6 meses – nas próximas eleições legislativas – voltaremos todos a falar. Espero que O Professor Doutor Francisco Louça – quando a PAF voltar a vencer as eleições, desta feita com uma maioria absolutíssima – venha aqui pedir desculpas expressas ao Povo Português por esta imensa fraude que está a patrocinar !!! Será que é pessoa para isso ??? Não o creio !!! É a mesma pessoa que afirmou que o fim da Zona Franca da Madeira dava 7500 milhões de euros todos os anos: a ZFM esteve fechada durante 2011 e 2013 e a receita com IRC não aumentou um cêntimo. Vergonha, vergonha, vergonha !!!

    1. Tudo errado. Cavaco não está a ouvir só os membros da concertação social (e porque é que havia de ouvir os membros da concertação social, já agora?). Está a ouvir uma lista mais vasta de representantes de interesses vários. Não se lembrou de o fazer para indigitar Passos. Quanto à antecipação dos resultados eleitorais futuros, a fé no seu partido é sempre uma coisa bonita. Quanto à ZF MAdeira, o que cita é falso. O que está nos Orçamentos de Estado é que a receita em IRC que é perdida em benefício fiscal na ZFM tem andado à volta de 1000 milhões de euros.

    2. Lá diz o camarada Jerónimo de Sousa: “É mais fácil apanhar um mentiroso do que um coxo”, Senhor Professor Doutor Francisco Louça.
      Aqui vai o link com as suas declarações.
      http://www.jornaldenegocios.pt/arquivo/o_meu_orcamento/detalhe/justifica_se_a_manutenccedilatildeo_da_zona_franca_da_madeira_em_tempo_de_crise.html
      E quanto à evolução das receitas de IRC em 2011, 2012 e 2013 – estão clarinhas no site da DGO – http://www.dgo.pt
      VERGONHA, VERGONHA, VERGONHA !!! E é tão ruim e maldoso que não se retrata !!!

    3. Um pingo de seriedade. As declarações estão registadas, referem-se a perdas orçamentais em quatro anos. Perdas orçamentais, percebeu as palavras? São perdas fiscais registadas no Orçamento de Estado, contas feitas por todos os governos, incluindo os do seu partido. Mas registo com emoção que é uma defensora do offshore português, cara “Elvira”. As empresas que pagam menos de um quarto do IRC das suas concorrentes agradecem e a si só lhe ficam bem esses sentimentos.

  10. Afinal o Presidente da República não tinha estudado todos os cenários. Nunca, Cavaco Silva e os seus assessores previram que o PS, o BE, o PCP e o PEV, mesmo em maioria no Parlamento, se pudessem entender e viabilizar um governo à esquerda, com outras políticas, que não a de cega austeridade como as que Pàf (PSD/CDS) defendem e o PR apoia.
    Agora cheio de dúvidas, Cavaco Silva não se importa de arrastar o país para uma instabilidade de que só ele pode ser responsabilizado. Afinal, o homem que raramente tem dúvidas e nunca se engana, ENGANOU-SE e logo no momento em que um engano desta dimensão não podia suceder.

  11. Na verdade parece-me que Cavaco Silva perdeu completamente a ligação à realidade e vive num mundo imaginário, em que só admitiu uma saída: um Governo PSD/CDS. O mesmo mundo “imaginário” e “paradisíaco” de Pedro & Paulo, de repente despertos para um “pesadelo”. Mas Passos Coelho já hoje esclareceu que “Portugal terá novo Governo daqui a duas semanas” Mas … qual o vero significado de afirmar “Estamos num tempo muito peculiar também aqui em Portugal, mas por razões diferentes. Melhores razões do que Paris” ? O que estará na forja,na manga ou na cartola?

  12. Voltou a Câmara Corporativa. Sem “Grémios” mas com organismos altamente representativos. Como aquele da “Federação das Empresas Familiares”, que me deixou um bocado perplexo. O que representam a mais que os outros organismos empresariais ou patronais? As empresas com famílias lá dentro? As empresas em que “tudo é uma família”? As famílias que são donas de empresas, tipo Espírito Santo? As empresas que são muito conhecidas e, por isso…familiares? Para além destes temos os supersubsidiados da CAP, convenientemente engravatados a debitar um discurso do tipo “se a esquerda for para o poder haverá sucessivas pragas de gafanhotos, os tomates vão mirrar e até as abóboras vão sofrer de raquitismo”, ou os “jackpoters” das CCP, que gostariam de ver os salários subir para venderem mais, mas não para os seus empregados, porque são custos. E o “Forum para a Competitividade” dirigido por um tal Ferraz que nunca sai de cima e é corporativo desde pequenino.
    Mas há mais um cheirinho de “antes do 25”: é a recuperação por Passos Coelho do conceito de “reviralho”: uma expressão inventada pela propaganda salazarista e pela PIDE para denegrir os que combatiam pela democracia. Nada de admirar, para quem quer transformar a PaF numa espécie de União Nacional.

  13. Independentemente do tema e contexto, sempre que colegas falam uns dos outros fica sempre a dúvida se não existirá rivalidade, papers que gostariam de ter escrito e não escreveram ou prémios que gostariam de ter ganho e não ganharam. Sei que Cavaco Silva ganhou vários prémios na área das finanças.

    Nada disto retira mérito ao Louçã mas fica sempre a sensação de que são rivais. Ou então o Cavaco deu aulas ao Louçã e ele pode não ter gostado das aulas.

    É pena e ocorre em muitas áreas, colegas a denegrirem-se. OK, já gastei tempo nisto e nem sou da área da ‘Economia’ (para mim é inexistente).

  14. «(…) A legitimidade para governar é política e vem da vontade do Povo expressa através do sufrágio.» 24-09-1975

    «A dignidade de Portugal – de Portugal renovado e democrático – não pode ser ofendida nem pelo desespero de reaccionários, nem pela impaciência de pretensos vencedores.» 25-10-1974

    «Sou estruturalmente antipresidencialista e sempre entendi que, em Democracia, a política deve ter no Parlamento a sua razão e o seu objectivo.» 29-11-1979

    «A Assembleia da República tem de vir a ser consciência política visível deste Povo, tornando-se num espelho fiel das necessidades e anseios, das suas dificuldades e esperanças e, ao mesmo tempo, no centro impulsionador da acção colectiva.» 04-06-1976

    «Não podemos esquecer que não há políticos sem eleições e que não há políticos sem governantes, sem os votos, e quem os dá é o Povo e ao Povo o deve ser apresentado.» 02-04-1978

    «(…) É preciso que as eleições sejam de facto escolha, que as pessoas quando votam, como acontece na maioria dos países, saibam que votando em determinado partido escolhem determinado Governo (…)» 19-05-1979

    «(…) Se as lutas políticas e as divergências partidárias são o próprio dinamismo da democracia, não podemos esquecer que, nas alturas de crise nacional, os partidos e os seus militantes têm que sobrepor às divergências partidárias a convergência democrática, pois é a salvação nacional que o impõe.» 18-05-1977

    «(…) Todos os partidos que dêem, pelo seu programa e pela sua acção concreta, garantias de respeito pela ordem democrática, devem ser admitidos a participar em quaisquer eleições e na vida política do País.» 24-09-1975

    «É aos partidos que compete propor as vias políticas que a democracia pluralista deve seguir para servir o povo.» 25-10-1974

    «(…) A economia marca prazos à política – é verdade. Mas também é verdade que, fora do quadro da estabilidade política, a resolução dos problemas económicos é impossível (…).» 13-05-1979

    «Não se pode – porque é ilegítimo e anti-democrático – escravizar o regime democrático a um qualquer esquema económico-social, a uma opção ideológica.» 21-05-1978

    «O monolitismo ideológico, as verdades indiscutíveis, os princípios absolutos são sempre artificiais e por isso impostos pelo autoritarismo que os gera e aplica ferreamente, dizendo-se guardião da Pátria e defensor do bem comum quando na realidade a si próprio se defende pela repressão generalizada”. 03-02-1973

    «A concepção tecnocrática do exercício do poder tende ao autoritarismo, com redução dos parlamentos a meras câmaras de eco das iniciativas governamentais e de amplificação da excelência das medidas delas constantes.» 24-02-1973

    «Se se limita a concepção de liberalismo ao campo exclusivamente económico e se tem como liberal aquele que preconiza a abstenção do poder político em relação ao campo económico e ao campo social, nesse sentido não sou liberal.» 15-12-1971

    «Uma política económica e uma política social tem de ser uma política de programa, de desenvolvimento, e não pode ser uma política de contenção e de estrangulamento.» 03-08-1977

    «Porque a política para nós nada significa se não representar a melhoria das condições de vida concretas do povo português.» 28-04-1979

    «A crise pode ser vencida: basta que o Povo queira e que as instituições democráticas respeitem a sua vontade.» 16-10-1977

    Francisco Sá Carneiro (1934-1980)
    «(…) As pessoas têm de ser julgadas com objectividade em relação àquilo que fizeram toda uma vida e não em função de uma óptica deformante de determinada opção que fizeram num dado momento.»

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