Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

14 de Novembro de 2015, 12:01

Por

A monstruosidade

parisOs atentados em Paris não são um acto de guerra. São uma monstruosidade. Atacar populações civis não é guerra, é cobardia e é abominável.

As vítimas são sempre todos. Os muçulmanos de Paris ou quem não tem religião. Quem assiste ao jogo de futebol ou quem o ignora. Quem gosta de Hollande e quem o detesta. Quem sabe onde é a Síria e quem nunca olhou para um mapa. Quem acolhe os refugiados do Afeganistão e quem tem medo deles. Todos.

Mas, se as vítimas são todos, então esta acto não é guerra, é fuga.

Sei que o mesmo se pode dizer de outros bombardeamentos de populações civis. Tem sido assim no Iraque como na Síria. Foi assim na Líbia e no Afeganistão. Não é o facto de não haver câmaras de televisão que contem os mortos ou mostrem o sofrimento que diminui a monstruosidade. Sei que o mesmo se deve dizer dos ataques de Erdogan contra as cidades curdas. A monstruosidade.

É precisamente a reivindicação da humanidade contra a monstruosidade que exige, por isso, a inteligência da resposta. Em nome da sociedade e da democracia, o combate ao terror deve erradicar as suas cumplicidades, os seus negócios, as suas armas, os seus fanatismos, as suas bases e as suas ligações, os seus mandantes e os seus agentes. A cultura do ódio é o contrário da inteligência e exigência da humanidade. Basta de criar guerras para justificar as guerras.

A guerra infinita nunca vence. Também nunca perde. Excepto para as vítimas. Todos, agora, contra a monstruosidade.

Comentários

  1. O caro Francisco Louçã escreve bem intencionado mas um tanto equivocado. Quiçá problemas e consequências de uma mente aprisionada nos limites do politicamente correcto, modelo de filtração da realidade que não consta que jamais tenha promovido rigor ou probidade intelectuais. Trata-se, de facto, de um tipo muito específico de guerra: guerra santa islâmica ou jihad, precisamente concretizada segundo a formulação decorrente da conjugação islamicamente canónica de corão e hadites (relatos de ditos e feitos de Mafoma) e seguindo escrupulosamente de perto o exemplo do próprio profeta da referida ideologia. O caro Francisco Louçã demonstra um desconhecimento grave, e no caso pouco responsável, das fontes fundamentais do islão. Nunca seremos capazes de enfrentar este tipo de guerra e de monstruosidade – são aspectos coincidentes – se não formos capazes de o compreender competentemente, coisa que o caro Francisco Louçã não tem aparentmente, pelo menos do que até agora se pode constatar,sido capaz de promover. Essa incapacidade de compreender custar-nos-á caro.

    1. Se acha que o terrorismo é o produto do Islão, estou à espera que seja o Manuel Barros a declarar a guerra religiosa. Mas isso em que é que o diferencia dos selvagens que fizeram a mortandade de Paris?

    2. Compreender competentemente não significa aceitar!
      A recusa de algo não implica a sua incompreensão, mas, sim, a sua não aceitação.
      É verdade que existe um tipo muito específico de guerra – a guerra santa – que, todavia, não se resume à Jihad, pois as Cruzadas também o foram por mimetismo com o contacto com um Islão que, durante 500 anos antes destas, invadiu metade do mundo cristão.
      Lutemos por uma “Jihad Maior”, por uma luta do indivíduo consigo mesmo, pelo domínio da alma.
      Se compreendessemos competentemente o que se passou em Paris, estaríamos irritando Alá.
      “Aquele que morreu, mas não lutou no caminho de Alá nem expressou alguma determinação por lutar, morreu como morrem os hipócritas.»
      (Sahih Muslim 2:4696)
      Em Paris não houve nenhuma tentativa de conquista, mas, sim, de vingança.
      Maomé nunca falou em suicídio como forma de luta nem nunca a tal apelou.
      Em Paris não houve luta, mas cobardia.
      Perdoai-lhes Alá, pois eles demonstram um desconhecimento grave de Ti!

    3. Lá está o mestre de propaganda a revelar-se, o seminário maoista a vir ao de cima. À falta de melhor argumento, reduz-se o interlocutor a um patusco mandante da guerra religiosa, um mau selvagem por contraste com os bons, que o caro Francisco Louçã, eventualmente, muita estimará.
      E, no entanto, este terrorismo é de facto um produto específico do islão, uma consequência natural de certos aspectos do mesmo, até, e esse é o verdadeiro problema, caro Francisco Louçã. Não perceber isto é perceber muito pouco.
      A responsabilidade elementar do opiniativo é a de estudar e conhecer minimamente aquilo sobre o qual se fala. São simplesmente falsas, gratuitas, feitas por quem não se deu ao cuidadinho de conhecer minimamente a matéria, as afirmações do género das que o terrorismo islâmico «usa abusivamente a capa do islão», etc.
      O assassinato brutal de quem quer que ousasse criticar ou satirizar o islão ou o seu profeta, a violação sistemática de cativas, a chacina de tribos inteiras, o terror e a tortura como armas de uma guerra implacável de expansão ideológica – a jihad – têm total correspondência nas fontes islâmicas – alcorão, hadites (relatos dos feitos e ensinamentos de Mafoma recolhidos por muçulmanos pios segundo regras de extremo rigor na verificação da respectiva veracidade), sira (biografia do sujeito).
      Estas acções – assassinatos, estupros, chacina, terror, tortura – estão, portanto, em perfeito acordo com o exemplo e os ensinamentos do profeta do islão e com o alcorão, o que vale para esmagadora maioria dos muçulmanos e não apenas para essa categoria mitológico-jornalística do “fundamentalista”. É capcioso e desonesto pretender que a esmagadora maioria dos muçulmanos têm uma relação com os textos fundadores da sua ideologia/religião, uma amplitude de hermenêutica e exegese, idênticas, por exemplo, às dos cristãos e judeus que lhes permita um distanciamento crítico e uma avaliação ética, e não apenas jurisprudencial, dos mesmos.
      Para a esmagadora maioria dos muçulmanos (90 e muitos por cento), o alcorão é um ditado literal do Alá para ser entendido no seu sentido mais imediato. Todas as palavras que nele se contêm não podem ser ignoradas e têm de ser tomadas no seu sentido mais simples e directo. Islão significa submissão total, no sentido da relação senhor/escravo, ao ditado do deus. O alcorão contém diversíssimas passagens de incitamento a uma violência brutal e sanguinária – por ex.: Qur’an, Sura 5 (the Table Spread) verse 33.
      A solução prescrita no islão para preenchimento de dúvidas resultados das inúmeras contradições do alcorão é o recurso ao exemplo de vida de Maomé, tido como o exemplo de máxima perfeição humana, de acordo com os relatos dos seus feitos e ensinamentos recolhidos por muçulmanos pios nos hadites. Ora, esta solução é, na verdade, catastrófica.
      É que nos hadites não são poucos os relatos que descrevem a violência implacável e bestial de Maomé e que o revelam como um verdadeiro facínora. A mero título de exemplo: (Bukhari) (assassinatos) Volume 4, Book 52, Number 259; Volume 4, Book 52, Number 270. Ou violação de cativas e escravatura sexual: Book 8, Number 3373; Book 8, Number 3432: (cf. sura iv. 24)”.

      (Bukhari)
      Volume 4, Book 52, Number 259:
      Narrated Abu Huraira:
      Allah’s Apostle sent us in a mission (i.e. am army-unit) and said, “If you find so-and-so and so-and-so, burn both of them with fire.” When we intended to depart, Allah’s Apostle said, “I have ordered you to burn so-and-so and so-and-so, and it is none but Allah Who punishes with fire, so, if you find them, kill them.”

      Volume 4, Book 52, Number 270:
      Narrated Jabir bin ‘Abdullah:
      The Prophet said, “Who is ready to kill Ka’b bin Al-Ashraf who has really hurt Allah and His Apostle?” Muhammad bin Maslama said, “O Allah’s Apostle! Do you like me to kill him?” He replied in the affirmative. So, Muhammad bin Maslama went to him (i.e. Ka’b) and said, “This person (i.e. the Prophet) has put us to task and asked us for charity.” Ka’b replied, “By Allah, you will get tired of him.” Muhammad said to him, “We have followed him, so we dislike to leave him till we see the end of his affair.” Muhammad bin Maslama went on talking to him in this way till he got the chance to kill him.

      Ou violação de cativas e escravatura sexual:

      Book 8, Number 3373:
      Abu Sa’id al-Khudri (Allah be pleased with him) reported: We took women captives, and we wanted to do ‘azl with them.We then asked Allah’s Messen- ger (may peace be upon him) about it, and he said to us: Verily you do it, verily you do it, verily you do it, but the soul which has to be born until the Day of judg- ment must be born.

      Book 8, Number 3432:
      Abu Sa’id al-Khudri (Allah her pleased with him) reported that at the Battle of Hanain Allah’s Messenger (may peace be upon him) sent an army to Autas and encountered the enemy and fought with them.Having overcome them and taken them captives, the Companions of Allah’s Messenger (may peace te upon him) seemed to refrain from having intercourse with captive women because of their husbands being polytheists.Then Allah, Most High, sent down regarding that: “And women already married, except those whom your right hands possess (cf. sura iv. 24)”.
      O xeque Munir e os seus correligionários sabem muitíssimo bem que o próprio Maomé fez a mesmíssima coisa e pior do que fizeram os ignóbeis assassinos do Daesh. Este tipo de acções estão, portanto, em perfeito acordo com o exemplo e os ensinamentos do profeta do islão e com o corão. Os relatos dos Hadith nos quais se descreve como Maomé mandou assassinar implacavelmente e com requintes de malvadez aqueles que se lhe opuseram, especialmente caricaturando, através de poemas e canções jocosas, a sua ignorância crassa das escrituras sobre as quais pretendia dar lições são o desmentido tremendo das aleivosias do xeque Munir quando este diz que os brutais assassinatos em França não nada têm a ver com o islão e que Maomé era um exemplo perfeito de homem pacífico. Aliás, um dos mais notórios assassinatos levados a cabo pelos esbirros de Maomé foi o de uma mulher chamada Asma Bint Marwan (cf. Ibn Ishaq, Ibn Sa’d, Ibn Isham e Al Tabari), apunhalada no sono enquanto segurava um bebé lactente por um discípulo cego do dito chamado Umair, porque tinha composto versos satíricos sobre Maomé. Quando Umair levou a Maomé a notícia do assassinato, Maomé exclamou para os outros sequazes: “contemplai um homem que ajudou o Senhor e o seu profeta. Não lhe chameis Umair o cego, mas antes Umair o que vê bem.” Isto é o verdadeiro islão, sem disfarces. Portanto, não é por acaso que o islão é, frequentemente, por todo o lado, a “religião” (diríamos com mais propriedade a ideologia) do ódio. Enquanto os muçulmanos não enfrentarem criticamente esta realidade, o islão permanecerá intrinsecamente terrorista. E este é um ponto básico.
      O xeque Munir e os seus correligionários sabem tudo isto muito bem mas fazem-se de sonsarrões manhosos, perante a inanidade analfabronca dos seus interlocutores.
      Não se quer dizer com isto que se deva diabolizar ou perseguir os muçulmanos, mas apenas que a ideologia que professam é uma ideologia com muitíssimos aspectos perigosamente afins do nazismo.
      A impotência judicativa de Francisco Louçã é o espelho de uma época e da ideologia que domina avassaladoramente o Ocidente e que, apesar das aparências, se aproxima extraordinariamente da estupidez e da degradação humanas, pelo menos deste tipo de islão (é duvidoso que haja outro): uma ideologia que se constrói na abolição de hierarquias de valor, na diluição de estratificações morais, na ausência de considerações cuidadas e judiciosas sobre o bem e o mal, sobre a justiça e a injustiça, que anseia pelo nivelamento, que precisa desesperadamente, sob pena de auto-anulação, de afirmar que o islão tem o mesmo valor que tudo o resto. Uma ideologia que é incapaz de compreender o grau de anulação da consciência, o deserto ético, que o islão significa, o totalitarismo desumanizante que a sua submissão total representa, o seu potencial terrorista intrínseco.
      É realmente necessário, caro Francisco Louçã, pôr um fim a esse racismo perverso de tratar os muselmanner como inimputáveis e passar a assacar-lhes a responsabilidade de uma relação crítica com os seus textos fundamentais. Isso já seria o início de qualquer coisa. E, já agora, caro Francisco Louçã, queira, por favor, apontar um único líder muçulmano, de autoridade reconhecida, capaz de explicar cabal, honesta e frontalmente as passagens corânicas e os hadites que citei e que seja capaz de as colocar num contexto que elimine a sua abjecta imoralidade. Um único.

    4. Tanto ódio religioso, Manuel! Isso já deu uma Inquisição, é difícil de perceber porque quer repetir a guerra religiosa. Mas fica sempre a pergunta: então o que é que o distingue a si dos fanáticos que critica?

    5. Interessante e revelador, Francisco. Mais da sua paisagem intelectual e moral do que da minha, quer-me parecer. Com que então exigir que os muçulmanos tenham uma relação crítica e ética com os seus textos fundamentais como condição sine qua non para um verdadeiro diálogo, de igual para igual, é uma manifestação de ódio miserável? E é assim que se cumpre o mínimo do apreço pela liberdade crítica, já nem falo em exigência de verdade e de comunicação real?
      Não perceber que a Inquisição, muito mais do que com ódio religioso, tem a ver com totalitarismo e real politik, pela qual se percebe que o Francisco denota tanto respeito, também se me afigura, desculpe lá, crasso. Ainda não percebeu que não é preciso repetir guerra religiosa nenhuma, que há uma ideologia, com um grupo muito vasto e representativo de sequazes, que está, e sempre esteve desde o século VII, em guerra «religiosa» permanente – jihad – com tudo o que lhe é estranho e que o Francisco cabe neste último contingente?
      Não vou ao ponto de sugerir que o Francisco seria capaz de fazer o mesmo que os criminosos – não são monstros, Francisco – terroristas islâmicos deste último ataque em França – e tantos outros, pelo mundo fora, África etc., que são simplesmente omitidos, varridos para debaixo dos tapetes opinativos. Seria um golpe baixo e não tenho razões para o crer, pelo contrário. Mas responsabilizo-o e à ideologia politicamente correcta de que é paladino pela proliferação impune deste tipo de mal. Responsabilizo-o precisamente na recusa da reflexão crítica e ética, no desprezo leviano por um magma cultural cheio de coordenadas valiosas e preciosas para um melhor entendimento da dignidade da humanidade e que perante a barbárie muçulmana enfrenta o genocídio.
      E é pena, porque o Francisco Louçã contrasta brilhantemente com a mediocridade cultural e intelectual da nossa classe política. É este pendor khmer vermelho, os truques à Pol Pot que deitam tudo a perder. E que fazem pensar no que seria se o Francisco fosse poder. Que espécie de fox-trotsky dançaria o país e todos nós?

    6. Mau gosto absoluto. Responsabiliza-me pela “proliferação do mal”, “Pol Pot”, “não vai ao ponto de sugerir” que eu sou um assassino? Ficamos mesmo por aqui. Para uma conversa é preciso dispensar o talibanismo. Lamento que nem o consiga nem o queira. Passe uma boa semana.

  2. Quando eu for grande quero ser actor de teatro, porque descobri que gosto de pegar na «deixa» Aqui, ao ler o comentário de sérgio plágio, senti mais uma vez essa queda. Não me quero fixar na incoerência de quem escreve bonito sobre linhas onde nada é dito, porque até essa de «estar no lugar errado à hora errada» deve ter sido tirado dum holograma que os ventos lhe trouxeram do outro lado do atlântico; nem essa de concordo consigo, mas você está errado. assim à Pinochet: «ni es esto ni esteotro, antes todo por lo contrario» O que eu quero mesmo é atentar na deixa: «UMA COISA DE CADA VEZ, POR FAVOR» faltou-lhe dizer: – a triagem deu pulseirinha vermelha a este caso, não queira, professor Francisco Louçã atrapalhar a urgência… … sissinhô

  3. Não consigo aceitar estas afirmações categóricas e geladas em cima do acontecimento, sobre o que devemos sentir ou como devemos responder a este grau de violência, sem uma palavra sobre o sofrimento atroz das pessoas (muitos jovens) que estavam naqueles sítios à hora errada, que perderam amigos e familiares, que presenciaram o horror absoluto. Até me identifico com a leitura que faz da situação, mas neste momento transforma-se num sermão deslocado. Uma coisa de cada vez, por favor.

    1. Sermão? Lamento que aproveite este momento fazer sugestões agressivas. Não sei o que lhe falta na palavra “monstruosidade”.

    2. Em resposta ao texto e comentários anteriores penso que de facto é impossível sentir “monstruosidades” de uma única maneira!… Será sempre impossível! Cada pessoa reage de sua maneira conforme a sua experiência de vida! Vamos colocando as possíveis respostas a estas “monstruosidades” e não apenas uma só… O meu ponto de vista é de que se trata realmente de uma “quase” guerra!… Simplesmente porque o outro lado não vai parar e também porque na realidade estes indivíduos “têm/vestem” pele de assassinos e seguem as suas regras copiadas da Idade Média… e com isso até acham que vão alcançar o céu! Enganam-se! O Céu assim como a Terra é de todos! Temos de reaprender a viver todos juntos e com isso/por isso a nossa vida está realmente a mudar um pouco (sem querer dizer no entanto que sinto medo… até porque não o sinto!) apenas acho que é necessária uma resposta à altura e no meu ponto de vista a guerra tem de estar presente… Até porque uma guerra tem regras e a deles… não tem nenhuma!

    3. Não sei se o Sr. Pelágio já ouviu falar do Professor Donald Kessler (do filme “Mars Attacks” do Tim Burton.) Confesso que estava à espera que o Louçã fosse parecido. Não é: há alguns artigos no Público desse género, mas o Louçã não cai em trivialidades (pelo menos tenta ser racional e em grande medida consegue).

  4. INFELIZMENTE – TUDO ISTO CAUSA DOR E SOFRIMENTO !!!
    A loucura continua à solta. A actual Humanidade tarda em dar o braço a torcer, reconhecendo o que está mal, para mudarmos de rumo, i. é, mudando também de terapêutica social, politica, e avançarmos com uma nova intervenção, visando um – Mundo Global – melhor a começamos por “isolar” os grandes males da politica universal no planeta, visto como um todo e para todos! Mas ainda hoje pensamos, que há um mundo para os bons e outro para os maus, infelizmente!
    Estamos todos no mesmo barco, pois este facto real deve ser mantido como central e primário, quando reflectirmos sobre temas da globalização nas várias áreas, que têm provocado guerras ou problemas na ordem mundial, pense nisto.
    Para os que partiram deste mundo vitimas deste atentado, peço a Deus que lhes dê o eterno descanso e Glória, paz às suas almas…
    Infelizmente tudo isto é loucura, ninguém ganha com o terrorismo como método de reivindicação, para nada! O que aconteceu em Paris, podia acontecer em qualquer outro canto do mundo, era na mesma, e simplesmente um acto infeliz de loucura normal isolada, embora cíclica, não sendo mais do que uma afronta no mundo, mas repito, ninguém ganha com tudo isto, nisto estamos certos!!!
    Djarama. Filomeno Pina.

  5. Penso que há que fazer uma distinção entre «islão» e «islamismo»; o islão é uma religião com inúmeros crentes e vertentes, a esmagadora maioria dos quais são gente pacífica. O «islamismo» ou «islamo-fascismo» como o apelidou Slavoj Zizek, é um movimento político extremamente perigoso, com derivações totalitárias que assenta na negação das maiores conquistas do ocidente: a separação entre estado e religião, tolerância religiosa, liberdade de expressão (mesmo que para dizer apostasias ou disparates) e combate à violência de género, entre outros.

    O Ocidente tem vivido em negação dessa realidade sob a cobertura de uma «liberdade religiosa», «relativismo cultural» e «respeito pela diferença» quando estas ideologias não são religiosas, não são cultura e não têm lugar numa sociedade democrática.

    Por outro lado, as inúmeras «madrassas» e escolas corânicas que têm vindo a propagar e divulgar essas ideologias, autênticos centros de recrutamento, lavagem cerebral e radicalização, têm inúmeras ligações à Arábia Saudita, uma monarquia de tal modo absoluta a ponto de o nome do país derivar da família que lá governa, assim como ao Irão e Líbano.Para quando uma intervenção militar forte nestes países que corte o problema pela raiz?

    1. Proibir uma religião não parece admissível considerando as leis de todos os países europeus. Acha mesmo que é sensato?

    2. Proibir uma religião não é sensato, nem será sensato proibir as escolas corânicas a menos que elas se pretendam substituir às escolas da República em que se formam os cidadãos. Ninguém admitiria em França (espero!) uma escola “cristã” em que se ensinasse o criacionismo.

    3. A resposta de Francisco Louçã a Raul Pissara contém uma deturpação capciosa mas crucial, possivelmente reveladora da tarimba em agrupamentos políticos muito versados em propaganda: Raul Pissara não propõe a proibição de uma religião, mas a proibição das escolas corânicas.

    4. Como é que leva a sério esse argumento? Proibem-se as escolas e não a religião? Proibe-se a catequese mas não as missas? É mesmo para ser levado a sério?

    5. Simples: faz-se o mesmo que com a proibição de propaganda nazi (não sei se se recorda). Isto claro que não implica qualquer necessidade de proibir que as pessoas tenham as ideias mais extravagantes, criminosas inclusivamente. Caro Francisco Louçã, o seu problema é falta de imaginação, ou será outro?

  6. Subscrevo esta análise do Francisco Louçã. É muito fácil ceder à tentação fácil da vingança, mas o ocidente tem que ser bem mais inteligente que isso.

    Nunca me esquecerei do que disse Ghandi: “olho por olho e dente por dente, e a humanidade acabará toda cega e desdentada”

  7. Em vez de tentarem explicações sociológicas baseadas em relações de causalidade entre meio social e comportamentos, talvez fosse melhor abandonarem esses domínios e entrarem nos da Psicologia. Quando Anders Breivik assassinou 100 pessoas na Noruega foi exatamente isso que se fez. Porque não também nestes casos? Creio que seria muito mais útil para perceber porque é que essa gente atribui justificações pretensamente lógicas para ações ilógicas e baseadas nos sentimentos. Mais do que um fenómeno social, com causas na miséria, o terrorismo islâmico é um problema comportamental, transversal a todas as classe sociais muçulmanas, e que afeta certos indivíduos do ponto de vista psicológico. Certamente que a violência dos vídeo jogos, que as nossa crianças e adolescentes consomem com tanto prazer, tem muito mais a dizer sobre o fascínio que o Estado Islâmico exerce sobre as pessoas que recruta, do qualquer explicação sociológica sobre a origem social dessa gente. Basta ver como eles filmam as imagens das decapitações, toda a sua mise-en-scene, para percebermos de onde copiaram o modelo. Isto é só um exemplo. Não procuremos interpretar de forma lógica, ou sociológica, as ações não lógicas, que até são as mais comuns entre os seres humanos. Leiam Vilfredo Pareto.

  8. “Sei que o mesmo se pode dizer de outros bombardeamentos de populações civis. Tem sido assim no Iraque como na Síria. Foi assim na Líbia e no Afeganistão. Não é o facto de não haver câmaras de televisão que contem os mortos ou mostrem o sofrimento que diminui a monstruosidade” Mas este hipócrita apoiou a intervenção da NATO na Líbia…

    1. Para a Líbia, rapidamente e em força!
      14 de Março de 2011 por Bruno Carvalho
      Hoje, não é tanto com a notícia de que o governo se prepara para reduzir o IVA para o golfe que estou chateado. Como disse uma amiga, os tacos não servem só para jogar e a preços mais baixos sempre podem servir para outras coisas mais relacionadas com a política. Mas, hoje, estou mesmo chateado é com a notícia que sai no La Republica em que o Bloco de Esquerda aprovou ao lado da maioria do Parlamento Europeu, e da extrema-direita, uma resolução que abre caminho à intervenção militar na Líbia.

      Adenda: Miguel Portas, Rui Tavares e Marisa Matias votaram a favor da resolução na generalidade. Na especialidade, Rui Tavares foi mais longe e aprovou o parágrafo 10 com o seguinte texto: “Salienta que a UE e os seus Estados-Membros devem honrar o seu dever de protecção, de modo a salvar a população civil da Líbia de ataques armados em larga escala; assinala que nenhuma opção prevista na Carta das Nações Unidas pode, por conseguinte, ser descartada; solicita à Alta Representante e aos Estados-Membros que se mantenham disponíveis para uma decisão do CSNU sobre novas medidas, incluindo a possibilidade de uma zona de exclusão aérea destinada a impedir o regime de atacar a população civil; sublinha que as medidas adoptadas pela UE e pelos seus Estados-Membros devem ser conformes com um mandato das Nações Unidas e assentar numa coordenação com a Liga Árabe e a União Africana, incentivando ambas as organizações a conduzir os esforços internacionais;” http://5dias.net/2011/03/14/para-a-libia-rapidamente-e-em-forca/

    2. Notável. A acusação era de que eu tinha apoiado a invasão da Líbia. A “prova” é um texto que Rui Tavares, mas não Miguel Portas nem Marisa Matias, terá aprovado e que refere formas de evitar ataques a população civil. Nem mais uma palavras sobre a “invasão” que eu, Francisco Louçã, teria apoiado. Sabe, a partidarite dá nisto: ouve-se numa reunião de célula e acredita-se, e vai daí meia bola e força. Um pouco de tino ajudaria a desgraduar o sectarismo.

  9. Parece que foi encontrado um passaporte Sírio (quase-intacto e legível) que pertencia a um refugiado que entrou pela Grécia em Outubro. Para cúmulo, foi encontrado no corpo de um dos bombistas-suicida.

    Se foi ‘plantado’ ou não é uma questão a estudar pelas autoridades.

    No entanto, é claro o apelo à reacção e ao ódio étnico e religioso. A atitude a tomar deverá ser precisamente a contrária.

    Porque o objectivo do terror costuma ser a obtenção de uma reacção pré-definida.

    1. Essa já parece a do BI de um dos terroristas do atentado de 11 setembro que apareceu nos escombros reduzidos a pó…

    1. Li o artigo que nos indica. É preciso ser simplista, ou ingénuo, para crer que o problema do islamismo radical radica na pobreza. Há muitos franceses pobres, que vivem nos mesmos bairros das periferias das cidades, muçulmanos, cristãos, judeus ou simplesmente sem religião, e não matam nem andam aos tiros, nem tão pouco enveredam pela criminalidade ou o radicalismo religioso ou social. Todos têm as mesmas condições materiais, mas uns fazem e outros não o fazem. Não retire ao Homem a noção de culpa e de responsabilidade, por favor. Artigos como esses são simplesmente insultuosos e de um sociologismo primário. Bin Laden era pobre? Não, era milionário.Uma vítima da sociedade!

    2. “Bin Laden era pobre? Não, era milionário.Uma vítima da sociedade!” – Era grande amigo da família Bush…

    3. José Manuel Ferreira, não retire ao artigo o que efectivamente ele diz. Posso explicar de forma argumentada o meu comentário e o interesse do artigo, se assim o desejar e solicitar com civismo. Em todo o caso, aconselho-o a reler o artigo e a ler o dossier de que o artigo faz parte, não se arrependerá.

    4. P.S) António Florenço, só mais uma nota ao meu comentário em baixo: os serviços de informações europeus não conseguiram fazer um perfil rigoroso do jihadista europeu. São homens entre os 18 e os 35 anos, mas existiam cada vez mais mulheres entre os 15 e os 25 anos. Nota importante: estamos a falar essencialmente de jovens que representam todos os estratos sociais, com predominância para a classe média. A questão da pobreza ou desemprego nesta questão. São gente de todas as classe sociais.

    5. José Manuel Ferreira, está perfeitamente no seu direito de tresler, penso apenas que seria bom que se informasse e, ao discutir, que informasse. Por exemplo:

      http://www.theguardian.com/world/2015/nov/14/france-the-secular-seat-of-europe-to-lose-so-many-to-radical-islam
      http://www.publico.pt/mundo/noticia/o-que-e-o-estado-islamico-1690458
      http://www.liberation.fr/planete/2015/11/14/un-kamikaze-ne-se-radicalise-pas-seul_1413489

      E deste último artigo, uma entrevista com Farhad Khosrokhavar, cito:

      “Il y a en Europe des poches de pauvreté qui s’idéologisent. Le phénomène existait auparavant par exemple aux Etats-Unis, dans les ghettos noirs où plus d’un quart des hommes étaient à un moment ou à un autre passés par la prison. Mais ce n’est plus le cas outre-Atlantique depuis longtemps. En Europe en revanche, dans ces poches de pauvreté, cette radicalisation contre la société se fait au nom de l’islamisme. Il y a un sentiment de victimisation et l’adhésion à une cause collective qui permettent le dépassement d’un stigmate de marginalisation. Un élément nouveau apparaît avec de plus en plus d’évidence : la radicalisation de jeunes venant des classes moyennes, de familles musulmanes ou non.

      Parmi les volontaires partis ces derniers temps pour le jihad en Syrie ou en Irak, 25% à 30% sont issus de ces milieux, et le pourcentage de jeunes filles et jeunes femmes est très élevé – plus de 3 %. Ce phénomène peut s’expliquer en partie par le déclin du politique et la recherche d’utopie, mais plus encore par la peur du déclassement social et de l’avenir. Donc on se raccroche à la première utopie totalisante qui passe. Jusqu’ici, on n’a pas vu de tels profils dans les attentats commis en France, mais c’est parce qu’ils ne sont pas encore opérationnels.”

    6. António Florença: Até há alguns anos, o islamismo radical atingia sobretudo os jovens oriundos dos meios sociais pobres, mas hoje já não é isso o que se passa. Em 2014, em França, um estudo do Centro de prevenção contra as derivas sectárias trouxe à luz alguns dados que permitem saber um pouco mais sobre o potencial candidato à jihad ou desfazer algumas ideias feitas. Enfim, mais um estudo e estudos há muitos e para todos os gostos…

      Dos cerca de 1000 jovens da amostra, 84% provinham de famílias de classe média ou superior e 16%, das classes populares. Somente 5% já tinha cometido atos de delinquência anteriormente, e 40% haviam conhecido estados de depressão, anorexia, isolamento, etc. Outra curiosidade: 80% provinha de famílias ateias e só 20% de famílias católicas ou muçulmanas, com crenças ou práticas religiosas.

    7. Como explicar que cidadãos europeus, nascidos em liberdade e em terra onde a laicidade é razão de Estado, se sintam atraídos pelo Estado Islâmico? Creio que para a resposta a esta questão servem de pouco categorias de análies como meio social de origem e tão-pouco melhores políticas educativas, por exemplo. Estamos a falar de religião, e de irracionalidade, a que todos, ricos e pobres, podem sucumbir ao contágio, desde que dêem o passo para o fanatismo político ou religioso. Nos anos de chumbo do terrorismo europeu nos anos 1970, quem eram os terroristas? Filhos família e burgueses altamente intruídos. O fanatismo, religioso ou político, a todos pode contagiar, sem distição de classes ou origem social. Estamos a falar de processos cognitivos aos quais a Sociologia tem pouco a dizer. É claro que dizer isto é assustador porque é assumir que para combatê-los só mesmo eliminando-os, à força ou à bomba.

    8. Não é assustadora, José Manuel Ferreira, é uma monstruosidade. E dada a falta de dados objectivos e argumentos sólidos que a caucionem, é uma derrota da inteligência.

    9. Abdelhamid Abaaoud, o cabecilha dos atentados de Paris, nasceu numa família bastada. Estudou num colégio, em Uccle, no sul de Bruxelas, um dos melhores da zona onde o pai fez questão que fosse educado. Diz o pai acerca da família onde Abdelhamid Abaaoud creceu: «tínhamos uma vida muito boa, uma vida fantástica».

  10. É preciso coragem. Um murro na mesa.

    Eu proponho que a Síria e Iraque, sejam já declarados pela comunidade internacional, países sob obediência espiritual ao Aiatola xiíta do Irão (não confundir com liberdade religiosa), á semelhança da Commonwealth, em que países independentes têm como chefe de estado a Rainha de Inglaterra.

    Que nunca mais os sunitas milionários do golfo, e os países satélites como a Turquia, e os aliaeos ocidentais, ousem meter a pata na Síria e Iraque.

    1. É preciso é que o ocidente se deixe de hipocrisias de vender armas aos terroristas e de se andar a imiscuir em países que não lhes pertencem pelo interesse do petróleo e do domínio geo-estratégico.

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