Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

13 de Novembro de 2015, 09:06

Por

Um conselho a António Costa, Catarina e Jerónimo de Sousa: deixem-nos falar, isso para já basta

teixeira da cruzTem havido intervenções boas e más do ponto de vista da defesa do acordo PS-BE-PCP. No parlamento e nos dias seguintes, houve bons momentos e maus momentos. Em todo o caso, a expectativa é enorme, as propostas são sólidas e o caminho é difícil. Mas tenho uma sugestão para os dirigentes destes partidos: deixem a direita falar nos próximos dias e mostrar o que quer para Portugal. Isso para já basta e só teria vantagens.

Primeira vantagem: como os mercados se mantêm fora de jogo, para desgosto dos combalidos ministros que foram rejeitados, fica tudo às claras. O único factor de instabilidade e de perturbação é o retorcido sentimento de vingança da direita, que não perdoa ao parlamento a desfeita. A direita espuma de raiva e não o consegue disfarçar. Essa desorientação vai fazer com que acumule erros.

E os erros virão dos mais estadistas, dos mais tranquilos, daqueles cujo radicalismo vai chamar a atenção e chocar os mais fleumáticos.

Vejam Paulo Rangel, de cabeça perdida nos debates em Portugal ou a fazer queixinhas num plenário em Bruxelas perante um comissário aturdido. Vejam Luís Montenegro pelos Passos Perdidos a invectivar desabridamente a escolha de oradores dos partidos que se lhe opõem. Vejam Paula Teixeira da Cruz, inebriada com jogos lamentáveis no plenário do Parlamento a explorar a virtude do encazinanço. Vejam Diogo Feio, logo o mais sensato dos dirigentes do CDS, a exigir o incêndio, naquele estilo institucional do “eu só quero ver Lisboa a arder”, garantindo que votam contra tudo e o seu contrário, apareça o que for. E agora Passos Coelho, só faltava ele, a exigir uma revisão constitucional aventureira, desenhada para lhe salvar a pele, esperando (espera alguma coisa?) que o PS o ajude nesse mister.

O que estão a dizer a Portugal é que, perdendo a cabeça, nada mais lhes resta. Deixá-los pois exibirem a sua incontinência, a inflamação da direita só vai ajudar a reposicionar o governo como factor de estabilidade.

Segunda vantagem: como a motivação do ódio da direita é a sua sensação de perda do poder divino de que teria sido empossada, não tem forma de parar os seus manifestantes, que berram contra os “comunas” sem se darem conta de que não chegam a ser uma mão cheia e que entre eles e as mocas de Rio Maior, lá nos idos de 1975, vão muitos quilómetros e muitos anos. A direita fica ainda sem modo de dar sentido aos seus porta-vozes, que agora manuseiam essa ideia de boicote totalmente acéfalo, de terra gloriosamente queimada. Não haverá melhor forma para o PS de recuperar o centro do que deixar exibir a cultura desse “segura-me se não eu bato-lhes” que Portas e Passos ensaiam desde o dia em que foram despedidos.

Uma certeza podemos ter: o país, que é sereno como se sabe, não tem pachorra para essas garotices.

Comentários

  1. Como é possível a direita não esconder uma ansia incontida de poder… de lugares a distribuir lugares pelos amigo privatizando tudo o que podem. Veja-se a vergonha do ensino cooperativo e entender-se-á muita coisa. Como é possível o Coelho dizer que o povo elegeu o seu governo, não é assim sr. Passos o povo elegeu deputados que constituem o poder legislativo e deles é que emerge o poder executivo. Que tristeza ter de ser um simples cidadão a elucidar alguém que quer mandar no pais sobre o funcionamento do sistema politico. Eu nunca votei PS e desta vez votei precisamente na esperança de tirar estes neo-liberais de meia tigela do poder. Não dei o direito a ninguém de interpretar o meu voto e se soubesse antes das eleições que a coligação da esuqerda seria possível se pudesse teria votado duas vezes. Não comento este presidente, em quem votei, porque me abstenho de usar linguagem impropria.

  2. Um partido com maioria ou uma coligação que tenha a maioria, é uma coisa. Um partido mais minoritário do que o partido mais votado que forma governo com o apoio de partidos que ficam fora da governação é outra completamente diferente. Um governo resultante de uma maioria, deve reflectir essa maioria. Caso contrário é um governo “por procuração”, ou seja, um embuste. Além disso é inaceitável que o BE e o PCP fiquem comodamente instalados na “oposição” mesmo quando viabilizam um governo, a mandar recados da bancada e a chantagear esse governo. Se criticam quem governa, demonstrem que são capazes de fazer melhor, governando em conjunto com o PS. E se não forem, mudem de discurso ou calem-se de vez até terem uma verdadeira maioria.

  3. Ha uma máxima que diz que quem não estuda os assuntos não deveria ter direito à palavra.
    Se assim fosse e pela que dizem na maioria dos comentarios , poucos restariam.

  4. No conceito de democracia de Louçã, a direita serve para abanar a cabeça afirmativamente a todos os desvaneios da esquerda caviar, que como na grecia levará o país à falência. Salazar estaria orgulhoso desta crónica Louça.

  5. Eu diria que todos estes apelos são mais racionais do que parecem. Destinam-se a criar um falso cenário de crise política que permita que Cavaco não dê posse a Costa. Note que muitas das organizações convocadas a Belém (leia-se da Direita) são igualmente contra este acordo. Sem dúvida que isto permite separar as águas e mostrar que quem tem sede de Poder é a Direita e que o PS fez muito bem em ter dito não a esta gente. Mas, se Cavaco não der posse a Costa, vejo pelo menos uma vantagem. Isso obriga todos os candidatos presidenciais a definirem o que fazem se forem eleitos. Marcelo, em particular, começou por dizer que não queria dividir os Portugueses e criticou Cavaco, agora já anda a rabear a dizer que afinal tudo depende do acordo das Esquerdas, a seguir vai ter que dizer que dissolve a AR. Se o fizer, define-se como um fiel sucessor de Cavaco, serventuário da sua fação política, o que é ótimo, porque 2,7 milhões de votos são provavelmente suficientes para eleger um PR de Esquerda. Dito isto, e já que a Esquerda já fez o mais difícil, por que é que não se entende em relação a um candidato único, que eu julgo que só pode ser Sampaio da Nóvoa, com o respeito que tenho a Marisa Matias e a Edgar Silva, que creio não serem capazes de fazer mais do que o pleno dos partidos a que pertencem (Maria de Belém não deve fazer o pleno dos Seguristas dentro do PS)…

    1. Não há qualquer vantagem para a esquerda ou para o País num entendimento em torno de um candidato único. Pelo contrário, convém somar o maior número possível de votos à primeira volta para que Marcelo Rebelo de Sousa não a ganhe e para que se crie uma dinâmica de vitória na segunda volta para o candidato da esquerda.

    2. Caro José Luiz Ferreira, Lamento, mas discordo frontalmente de si. Nas últimas Presidenciais, a abstenção foi superior a 53%. A profusão das candidaturas à Esquerda terá a tendência a desmobilizar o eleitor médio, que as julgará um mero exercício de afirmação dos pontos de vista dos diferentes Partidos (com excepção da candidatura de Sampaio da Nóvoa, que é independente, e de Maria de Belém, que é um puro exercício de ‘anti-costismo’ no PS) e logo não muito relevantes. Pelo contrário, interessa à Esquerda dramatizar o cenário, sobretudo se, como eu penso, Cavaco se recusar a dar posse a Costa e mantiver Passos em gestão (todo o actual ruído destina-se a justificar tal atitude). Se as sondagens significam alguma coisa, o bloco das Esquerdas mantém-se largamente maioritário e portanto a solução de Governo PS+BE+CDU é mesmo a desejada da Maioria. Se a Direita se agarrar ao Poder, a Esquerda deve proclamar alto e bom som que a responsabilidade é antes de tudo do PR actual e que nas Presidenciais se joga a tentativa, através da eleição de um suposto candidato ‘moderado’, Marcelo Rebelo de Sousa, de reverter o voto popular, que é a tendência europeia nos Países da troika, fazer eleições até estas produzirem o resultado aceitável. Mais, se realmente a Direita tenta pressionar Marcelo ameaçando com um outro candidato, a Esquerda teria todo o interesse em mostrar que é capaz de fazer o caminho inverso e de se unir. O Acordo das Esquerdas é um Acordo Mínimo para um Programa de Governo Mínimo, mas todas as partes têm que mostrar Boa Vontade Máxima.

  6. Particularmente admiro o bloco de esquerda, foi uma vitória o que conseguiram nestas ultimas eleições. O que não admiro e acho uma afronta às pessoas que votaram no bloco de esquerda é o facto de se associarem ao PS quando sempre assumiram que não o fariam. É enganar as pessoas que votaram em partidos e não em coligações. E sim, foi um assalto ao poder, por parte do PS, a que o Bloco será sempre associado. Não é ético e sinceramente uma grande falta de respeito com os Portugueses. E neste momento quem ganha pontos no que respeita a ética é o sr. Passos, que terá o meu voto daqui para a frente.

    1. É verdade que o Bloco de Esquerda sempre foi contra uma aliança com o PS. Por isso mesmo se formou o Livre. Mas não é incoerência mudar de opinião quando as circunstâncias mudam, nem é enganar as pessoas dar-lhes ouvidos. E o que o PS, o PCP e o BE ouviram em todos os lugares por onde passaram durante a campanha foi o apelo insistente a que se entendessem. O acordo que fizeram foi-lhes de certo modo imposto pelas vendedeiras nos mercados, pelos populares nos comícios e arruadas, por centenas ou milhares de pessoas que se chegaram à frente para apertar a mão do candidato. E aconteceu o que raramente acontece: a voz do povo foi ouvida.

  7. P.S.D. – Populismo, Socialismo e Democracia

    – Recordando Francisco SÁ CARNEIRO, no tempo da juventude da nossa democracia em que o PPD/PSD era “social-democrata”…

    «(…) Se as lutas políticas e as divergências partidárias são o próprio dinamismo da democracia, não podemos esquecer que, nas alturas de crise nacional, os partidos e os seus militantes têm que sobrepor às divergências partidárias a convergência democrática, pois é a salvação nacional que o impõe.» Francisco Sá Carneiro, 18/05/77

    «Para nós, sociais-democratas, para qualquer político que encare a política como serviço do seu país, sem melhoria das condições concretas dos portugueses, não há política que valha a pena, não há especulações que justifiquem, não há cenários que motivem ninguém, e um caminho desses seria a ruína da própria liberdade e da própria democracia.» — Francisco Sá Carneiro, 20/06/79

    «Se ser populista é realmente, saber captar o sentido da realidade das pessoas e saber exprimir os seus anseios e as angústias, as suas frustrações e os seus desejos, então eu digo que ser populista é ser uma pessoa verdadeiramente democrática.» — Francisco Sá Carneiro, 2/4/78

    «A Assembleia da República tem de vir a ser consciência política visível deste Povo, tornando-se num espelho fiel das necessidades e anseios, das suas dificuldades e esperanças e, ao mesmo tempo, no centro impulsionador da acção colectiva.» — Francisco Sá Carneiro, 4/6/76

    «Uma verdadeira posição de esquerda exige o respeito pelos democráticos, pelas liberdades das pessoas e pelo interesse nacional. E para que este seja plenamente respeitado, é indispensável que a política interna do País não esteja subordinada à sua política internacional.» — Francisco Sá Carneiro, 25/02/76

    «Ser de esquerda é não atacar os outros apenas quando eles nos atacam a nós. É, no fundo, atacar sempre as ideologias que se opõem à autêntica justiça social e à democracia. Ser de esquerda, afinal, é ser eminentemente social-democrata.» idem

    «(…) Se as posições concretas podem mudar, o essencial mantém-se. E o essencial, para o PPD é a defesa da social-democracia como via realista e equilibrada para o Socialismo. Socialismo que é justiça, liberdade e igualdade.» Francisco Sá Carneiro, 28/01/1976

    «A social-democracia foi sempre o maior obstáculo ao comunismo, enquanto o socialismo-marxista, o social-marxismo do PS, é o seu aliado táctico natural, com quem busca um programa comum que nós não admitimos.» — Francisco Sá Carneiro, 14/01/76

    «A social-democracia não visa a manutenção encapotada ou hábil do capitalismo.» Francisco Sá Carneiro, 24/9/75

    «A concepção tecnocrática do exercício do poder tende ao autoritarismo, com redução dos parlamentos a meras câmaras de eco das iniciativas governamentais e de amplificação da excelência das medidas delas constantes» Francisco Sá Carneiro, 24/02/73

    «Se se limita a concepção de liberalismo ao campo exclusivamente económico e se tem como liberal aquele que preconiza a abstenção do poder político em relação ao campo económico e ao campo social, nesse sentido não sou liberal» Francisco Sá Carneiro, 15/12/1971

    «Um Estado não se governa como uma empresa, e as leis não podem ser encaradas como ordens de serviço por melhores que sejam» — Francisco Sá Carneiro, 15/6/71

    «Se formos eleitos teremos de ser efectivamente representantes, o que significa que havemos de exprimir a vontade da Nação, procurar realizar os seus anseios, corresponder aos seus objectivos»

    «Sou estruturalmente antipresidencialista e sempre entendi que, em Democracia, a política deve ter no Parlamento a sua razão e o seu objectivo.» — Francisco Sá Carneiro, 29/11/79

    «Para ser um partido de Poder, não é necessário ser partido de Governo — basta ser indispensável nas decisões de fundo.» — Francisco Sá Carneiro, 18/09/79

    Em súmula, para Sá Carneiro não havia dúvidas sobre o posicionamento político à Esquerda, não obstante a manifesta oposição aos partidos marxistas: “O centro, na dinâmica política, orientar-se-á sempre para a Esquerda numa linha progressiva, ou para um conservantismo de direita.” – 13/8/74
    Nós, Partido Social Democrata, não temos qualquer afinidade com as forças de Direita, nós não somos nem seremos nunca uma força de Direita.” – 21/5/78.

  8. Dr Francisco Louca,

    Compreendo que o PSD+CDS nao apoiem no parlamento o PS em todas as materias em este nao consiga o apoio do BE e PCP. Acho tambem aceitavel que o Dr Francisco Louca, e o PS+BE+PCP critiquem esta idea. Faz parte do jogo politico.

    No enatnto, se depois das proximas eleicoes, que devem ter lugar o mais cedo possivel, o Dr Antonio Coast continuar a ter condicoes para fazer um governo como o que propoe agora, ai a posicao do PSD e CDS deve mudar, e passar a actuar como de costume: aprovar se concordar; nao aprovar se nao concordar.
    Sou uma pessoa politicamente nao muito vincada eacho que razoavel, mas nao gostei que o Dr Antonio Costa nao tivesse informado os Portuguese de que poderia fazer isto. Causa-me um certo desconforto.

    1. A.Costa disse que não viabilizava o governo da direita. Disse que era responsável e que esse voto seria seguido da apresentação de uma alternativa.

      C.Martins disse eatar disponível para dialogar com base na aceitação de 3 exigências depois de dia 4: defender rendimentoa do trabalho e combater precariedade.

      Jerónimo criticou o PS caso continuasse as políticas de direita e sempre se mostrou disponível a uma soluçã patriótica e de esquerda. Fartou-se de repetir que era eleições para deputados e não para 1° ministro.

      Toda a esquerda fez o que prometeu aos seus eleitores: inviabilizar governo do empobrecimento e apresentar alternativa.

      Se não gostam dessa alternativa, daqui a 4 anos há eleições outra vez.
      Até lá, “it’s democracy, stupid”

  9. Fiquei a saber, por uma intervenção na caixa de cometários, que Marisa Matias afirmou que «não festejou o reveillon no iate do Dr. Salgado». E que ao afirmar isso «não está a fazer populismo». Nâo está a fazer populismos! Que desfasatez, a dessa mulher! Não me admiraria que venha a passar o de 2015, na casa do inenarrável Varoufakis, regada a vinho Chianti, com vista para a Acrópole, ou talvez para Nova Iorque, porque o Sr. entretanto recheou os bolsos com o que lhe pagam nas conferências, depois que passou pelo Governo grego, se aproveitou do prestígio aí adquirido, e levou a Grécia à ruina. Até a mulher, aproveitando-se da fama do cargo público do marido, não hesitou em andar por Coimbra e essa Europa fora a exibir as suas fotografias. Quem avio disse-me que eram uma porcaria. Não sei. De qualquer modo, todos ficámos a conhecer a pobreza desse homem e as suas idílicas imagens de amor congugal, através de uma dessas revistas cor de rosa, desta vez francesa. Mas entre a casa de Varoufakis e o iate de Ricardo Salgado, há uma diferença, que faz toda a diferença para esta gente da nova Esquerda que até se veste bem. É que uma é rica e amiga dos pobres, a outro é rico e não é amigo dos pobres. Já para não falar das contas chorudas, e pouco limpas, do Monedero em Espanha, o do Podemos. Quer Marisa Matias, quer Ricardo Salgado, fazem parte da classe dominante em Portugal. Ele, pelo menos assume-o, a outra quer fazer-se passar por uma pobre caixeira num super mercado. É só essa a diferença no que toca à vida privada. Dir-me-ão que a vida privada não é para aqui chamada. Eu acho que é. Estou como os britânicos: quando alguém salta para a vida pública da política que quero ver ter todos os seus trapos sujos areadas ao sol.

  10. Eu quero ver o governo PS empossado e quero que PSD e CDS votem contra tudo o que não estiver na linha política dos respectivos programas sob pena de traírem a confiança do respectivo eleitorado.

    Servirá também para colocar à prova a alegada legitimidade eleitoral e coesão do governo de esquerda; perdão, queria dizer do governo minoritário do PS acordado entre PS, BE, PCP e Verdes; perdão, queria dizer do governo minoritário PS tripla e individualmente acordado entre PS e BE, PS e PCP, PS e Verdes, Perdão, queria dizer do governo minoritário PS com as condições mínimas para ser empossado garantidas pelos 3 documentos de tomada de posição conjunta, com cláusulas de salvaguarda garantido a possibilidade de eventual derrube.

    Ou seja, servirá para atestar a existência da convergência à esquerda ou para desmenti-la e provar que a convergência apenas existiu na decisão de bloquear o governo PSD/CDS. Será clarificador. O argumento de que o PSD e o CDS se querem formar numa força de bloqueio irresponsável é uma inversão da verdade. A haver uma maioria de esquerda então não haverá condições para aqueles dois partidos funcionarem como força de bloqueio, se a esquerda não funcionar como uma coligação então a força de bloqueio terá sido a acção de derrube.

    A alegada coligação de esquerda tem que fazer prova de vida no parlamento. Todos os partidos de esquerda terão que se ver na circunstância parlamentar de assegurar as decisões do governo PS e com ele serem responsabilizados pelos actos de governo. O BE e o PCP fazem apelos à responsabilidade do PSD e CDS para se puderem escusar a votar favoravelmente medidas de governo PS e assim garantir a sua legitimidade para o protesto e a desresponsabilização governativa.

  11. Desculpe intervir mais uma vez,mas quem disse que “o PCP não lutou pela democracia enquanto esteve na clandestinidade durante a ditadura”? Este sim é o tipo de “raciocinio” que o Paf vai utilizar enquanto oposição? contra tudo e contra todos,ainda por cima mentindo,não cumprindo promessas? Sem duvida,neste momento o “espetaculo” do PAF,serve apenas e só para dizer que não estao nem nunca estiveram preparados para governar… em democracia.

    1. O PCP não lutou pela Democracia quando esteve na clandestinidade durante a Ditadura.Os comunistas lutavam sim, por uma sociedade sem classes, e por um regime político assente numa ditadura de partido único, uma ditadura de partido único, é bem que se diga. Entre a ditadura de Salazar, e os horrores da Rússia soviética, vá o diabo e escolha. E se hoje o PCP aceita a Democracia representativa não é porque tenham abjurado desse seu sonho. É porque não têm outro remédio, coitados, desde o 25 de novembro de 1975.

  12. Caro Jose Manuel Ferreira: “perante a evidência de uma recuperação económica da sociedade portuguesa, embora tímida, mas que salta à vista e que os números não desmentem” ora vamos la aos numeros:
    Divida publica 2011 (31/12): 174 MME (apx 100% pib) 2015 (31/5): 224 MME (apx 130% pib)

    ate podia ir procurar mais… mas usa o google e vai buscalos tu!

  13. Que bom senso!
    So foi pena ter-te faltado na hora das reunioes com a troika e tinhamos esquivado 4 anos de paf.
    Foi tambem pena ter chegado atrasado ao B.E. e com isso terem perdido a Ana Drago e o Tavares, que levavam anos a defender convergencia de esquerda como quem fala para as paredes, para agora ironicamente a mesma acontecer, ja sem eles…
    Enfim, bom senso faz sempre bem, mas o timing tambem teria sido importante!

    1. Percebo que precise de assinar “anódino” para sugerir que uma reunião com a troika tinha evitado o programa do memorando.

    2. As mudanças não acontecem quando os “iluminados” dão as suas opiniões ou fazem propostas num ou noutro sentido.
      Elas acontecem quando estão criadas as condições objectivas e subjectivas.
      E o entendimento para um Governo do PS com os outros partidos PCP e BE só reuniram estas duas condições no momento em que foram conhecidos os resultados das eleições !…
      No resto quanto ao ruído que direita tem estado a fazer ele visa sobretudo pressionar o PR seu amigo do peito para que ele não indigite Antonio Costa para formar o Governo que como já se viu e era esperado fariam toda a pressão interna e externa para conseguir desestabilizar o mais que puderem no sentido de criar o caos e acentuar a crise e daí conseguirem travar todo este processo em seu proveito.
      Cabe aos trabalhadores e aos verdadeiros Democratas defender Abril,a democracia,o cumprimento da CRP e colocar as forças de direita no lugar onde devem ficar que é na oposição porque não dispõem de maioria Parlamentar para governar.

  14. «Retorcido sentimento de vingança», «espuma de raiva», «exigir o incêndio», «exibirem a sua incontinência», «motivação do ódio da direita», «boicote totalmente acéfalo», «terra gloriosamente queimada», «pachorra para essas garotices», «encazinanço» – desconheço o significado desta última. Usando as suas próprias palavras, tem havido «bons momentos e maus momentos». Pelas transcrições que lhe apresento, este seu «momento» só terá, certamente, uma classificação possível.
    Não sou bloquista, socialista, social-democrata, centrista, o que quer que seja. Quero apenas que este país seja um país de gente livre, madura e responsável. Fico embasbacado com expressões como as que usa neste texto, reveladores, em meu entender, de uma visão primária do que deverá ser a vida numa sociedade moderna. E não, não me venha dizer que os outros é que (ou também) o fazem (esta missiva aplicar-se-lhes-ia de igual modo). Seja livre – se quiser ser engajé, seja-o, está no seu direito – mas tenho a certeza de que para expressar as suas opiniões, não precisará de fósforo e gasolina.

    1. Votar contra tudo? Não será mesmo “exigir o incêndio” e etc? Sente-se confortável com a estratégia de “votar contra tudo”?

    2. Não analisei aqui a gincana política, até porque «esse votar contra tudo» não passa, para já, de mera intenção (e não me parece que isso vá suceder.) Prefiro esperar para ver (aliás, na questão de votar «contra tudo», se quiser fazer uma análise independente, encontrará certamente muita matéria no partido de que faz parte). Chamei-lhe apenas a atenção para o uso de uma linguagem que considero perigosa. Estaria muito mais confortável, sem dúvida, com uma elite política (venha ela de onde vier, seja o que for) que manifestasse elevação, apego à causa pública e sentido de responsabilidade. Isso sim, deixar-me-ia confortável.

    3. A linguagem é importante, a acção é mais. Já tivemos direito a Miguel Relvas, Dias Loureiro e outros, não foi?

    4. «O homem é aquilo que ele faz de si mesmo» (Sartre). Como uma parte da sua «ação» passa por aqui, ou seja, pela linguagem, pela palavra, pela exposição pública, pela oralidade, facilmente linguagem e ação se entrelaçam e, no seu caso, a destrinça não será fácil. Não percebo é a necessidade que tem em chamar para aqui Relvas, Loureiros e afins, acrescentando ruído desnecessário.

    5. A conversa avança quando der a sua opinião. Refugiar-se em análise semântica não resulta. Portugal tem que escolher, não será?

    6. A minha opinião sobre o que escreveu já lha dei. Usa uma linguagem excessiva, como tentei evidenciar na primeira mensagem, caindo com tremenda facilidade (o que me espanta, porque tenho-o como uma pessoa instruída e culta) naquilo de que precisamente acusa os seus adversários (ou serão inimigos?) Tenha um bom fim-de-semana (sem ironia) e já agora, com ironia, sem «vinganças», «raiva», «incêndios, «acefalias», «garotices» e afins.

    7. Agradeço a atenção e o curioso paternalismo. Mantenho exactamente o que escrevi. Escrever que um primeiro ministro e um chefe partidário que anunciam que votam contra tudo comunicam uma “garotice” ou um discurso de “vingança” e de “incêndio” pode ser criticado porventura por ser demasiado cordato. Tenha também um bom fim de semana.

    8. Mas esse é o pensamento do seu bloco de esquerda, visto que, ainda não tinha sido dado posse ao governo da coligação e já ameaçavam com moções de censura. Não sabiam como seria o orçamento mas já estavam contra. E por último, os vários acordos entre os partidos da esquerda é, basicamente, estarem de acordo, ou seja contra tudo o que a coligação diz ou faz como diz “votar contra tudo”. Isto sim, meu senhor, é uma garotice, porque nem todas as ideias são certas, mas também nem todas são erradas e por isso devem ser analisadas uma a uma; Não tenho partido, voto em pessoas, e como bem sabe, nós, eleitores apenas elegemos os deputados e o que eu entendi depois destas eleições foi que a maioria dos eleitores votaram na coligação e no PS. Só lamento que só queiram interpretar da maneira que vos dá mais jeito, desrespeitando a maioria dos portugueses. “Eleições já.”

  15. “CONEJO O MUERTE”

    É o novo lema deste súbito e desesperado ‘empreendedorismo’ constitucional de Passos Coelho.

    Quanto mais tempo Cavaco Silva adiar o governo de António Costa, saído da maioria da Assembleia eleita há 1 mês (eleita exactamente pelo mesmo povo que elegeu Cavaco Silva), mais ‘ideias fantásticas’ e completamente á margem da Democracia e do Estado de Direito, sairá daquelas cabecinhas desesperadas do PSD e CDS…

    Felizmente, que a maioria dos eleitores que votaram no PSD e CDS, respeitam a democracia e as eleições, mesmo quando os resultados eleitorais não lhes são favoráveis.

  16. Única oportunidade de responder ao senhor Loução e de livremente expressar a minha opinião, mas foi-me negada.
    Cordiais cumprimentos,
    João Albuquerque

  17. Eu também tenho uma proposta de revisão constitucional.
    Proibir partidos da extrema esquerda,PCP e BE, à semelhança de partidos da extrema direita (fascismo).
    Estes partidos não aceitam o pluralismo democrático, são ditatoriais.
    O senhor Loução pode dizer e escrever o que quiser, porque esta pseudo democracia permite. Se o seu partido, ou PCP, estivessem no poder já não seria bem assim!

    João Albuquerque

    1. Caro João Albuquerque, deve imaginar que há mesmo pessoas em Portugal que foram presas pela ditadura que realmente existiu e que lutaram pela democracia. Talvez isso o ajude a pensar nas suas propostas de proibição dos seus adversários políticos.

    2. Francisco Louçã: o PCP não lutou pela Democracia quando esteve na clandestinidade durante a Ditadura.Nem parece de si, a quem eu tenho por uma pessoa culta e informada, afirmar semelhante coisa. Diga as coisa sem pejo: os comunistas lutavam sim, por uma sociedade sem classes, e por um regime político assente numa ditadura de partido único, uma ditadura de partido único, é bem que se diga. Entre a ditadura de Salazar, e os horrores da Rússia soviética, vá o diabo e escolha. E se hoje o PCP aceita a Democracia representativa não é porque tenham abjurado desse seu sonho. É porque não têm outro remédio, coitados, desde o 25 de novembro de 1975.

    1. Não, todos os ódios são irracionais. Mas há hoje um sector que garante que vota contra tudo. Eu fui deputados com governos de direita e jamais me passaria pela cabeça proclamar (ou aplicar) que ia votar contra tudo. É garotice.

    2. A sua intenção, e a dos seus, poderia ter sido essa, mas se eram intenções ficaram por isso mesmo, intenções, porque a vossa prática política pautou-se sempre, e sempre pelo bota-abaixo. Votaram sempre contra tudo. E não me vai dizer o contrário porque não temos a memória assim tão curta. Portanto, não se queixem. Infelizmente é mesmo assim a nossa democracia. O partidos são meras máquinas de conquista e conservação do poder. E o seu não é exceção. Até um défice nos 3% era uma mentira, mas agora já passou a ser uma verdade. Um taxa de desemprego nos 12% era uma aldrabice, mas seguramente que em Janeiro ou Fevereiro passará a ser um dado muito objetivo para o Francisco Louçã e os das suas bandas.

  18. Não sei bem onde termina o desnorte e começa o teatro de núvens e de sombras para esconder que um governo de gestão e demitido mas com a protecção do PR tenta a todo o transe ultimar “negócios”, em política de “factos consumados”, como os da TAP e do “Novo Banco”, entre outros, garantindo as “vantagens” daí decorrentes, na perspectiva neo-liberal.

  19. Eu também tenho uma proposta de revisão constitucional. É um aditamento ao artigo 187º. Passaria a ser o parágrafo 2: “Para os cargos constantes dos parágrafos 1 e 3, não poderão ser nomeados cidadãos cujos apelidos lembrem elementos da fauna ou objetos colocados à entrada de edifícios”.
    Absurdo? Ora essa! Cada um tenta a revisão que lhe convém! Para mim esta já representaria um verdadeiro salto civilizacional!

  20. Os que «berram contra os “comunas não chegam a ser uma mão cheia»? Acho que não está a ver bem as coisas. Dê uma vista de olhos pelas redes sociais. Ou, talvez seja mais simples, faça as contas à composição do Parlamento. Acha que 108 deputados são menos que uma mão cheia?

  21. Excelente conselho.já agora ,e para o fim de semana,recomendo o filme “Vêm aí os Russos,Vêm aí os Russos(1966)”,ou mesmo o “Os Sapatos Vermelhos” de Michael Powell.Acima de tudo,viver a vida,porque isto é uma passagem,para a outra margem.Ou a margem,de certa maneira.

  22. Estas suas palavras escritas demonstram bem que o radicalismo não está nas vozes que representam o BE e PCP e, também, da maioria do PS. O desespero nos dirigentes do PSD (também não acredito que todo o PSD se reveja nesta loucura!) atinge o extremo de exigir revisões constiticionais de emergencia para manter o status quo que vigora já faz 40 anos, neste regime.
    Dr. Louçã, não me refugio em nomes ficticios para poder escrever aquilo que penso, neste ou em qualquer blog, porque, simplesmente não é meu habito insultar ou inferiorizar alguém que não pense como eu . Não sou militante do seu partido, antes pelo contrario, mas é necessário reconhecer que a melhor leitura deste tempos está a ser feita pelos dirigentes do BE. A esquerda já não é só a classe operária, é também, gente que não vive apenas em bairros operários, mas também, em conjuntos habitacionais de classe média, que aspiram um pouco mais de justiça, transparência por quem nos governa e uma melhor distribuição dos sacrificios e dos beneficios a fazer e a obter. Bem.., as pessoas enganam, mas realmente não consigo imaginar a lider do BE e do PCP, ou mesmo a si, comandando derivas totalitarias com nacionalizações sumarias e expulsando capitais estrangeiros.
    A candidata à presidencia do BE ao afirmar que não festejou o reveillon no iate do Dr. Salgado não está a fazer populismo barato , mas está sim, a prometer mais transparencia e isenção por quem nos governa àqueles novos votantes do BE, se ela e outros assumirem responsabilidades governativas. Será muito bom para a nossa sociedade e nação (sejam portugueses de direita ou esquerda ou do defunto centrão) que esses anseios de transparencia, justiça, honestidade e desenvolvimento sejam satisfeitos por vós agora que se preparam para também governar.

  23. O António Costa deve urgentemente criar um grupo de trabalho para definir modos de articulação dos conselheiros sob pena de se atropelarem uns aos outros; talvez um comité informal de conselheiros.

  24. Até parece que está à espera do aplauso do PSD e do CDS… A Direita, advinha-se já, irá fazer o mesmo que a Esquerda fez nos últimos quatro anos. Depois de uma oposição gritona, acéfala e do mais primário bota abaixo – cega e mentirosa mesmo perante a evidência de uma recuperação económica da sociedade portuguesa, embora tímida, mas que salta à vista e que os números não desmentem – seguir-se-ão outros tantos anos de terra queimada pela oposição PSD, CDS. Onde é que fica o amor à verdade no meio disto tudo? Não sei. Seria desejável que a Direita mantivesse as maneiras, como teria sido desejável que a Esquerda tivesse tido outro comportamento, mas isso não vai acontecer. Aos maus modos de Catarina, a arruaceira, e de Jerónimo, o colérico, sucederão os maus modos de Passos Coelhos, o colérico e de Paulo Portas, o arruaceiro. Claro que com a desvantagem de estes não poderem contar com a ladrada da CGTP que lhes amplifique nas ruas os latidos. Catarina agora terá o comportamento de uma lady britânica à hora do chá – até já fala mais calma e lentamente! – e Cecília Meireles, poderá eventualmente brindar-nos por estes dias no Parlamento com a facúndia acintosa de uma peixeira no mercado da Ribeira. Preparemo-nos, é assim a vida parlamentar… Parece-me excesso de confiança, ou receio de quem já se sente acossado, e enfrenta pela primeira vez responsabilidades governativas, afirmar candidamente, qual Calimero acossado, que «a inflamação da direita só vai ajudar a reposicionar o governo como fator de estabilidade». Não menospreze as capacidades dos seus adversários e não peça o impossível, Francos Louçã. Nenhuma oposição ajuda um governo a posicionar-se como fator de estabilidade. E Por favor, não comecem a fazer-se de vítimas e a acusar os seus adversários de falta de educação, pois a vossa educação, e amor à verdade, quando estiveram na oposição, como sabemos todos, foi pouco ou nenhuma.

    1. “…Claro que com a desvantagem de estes não poderem contar com a ladrada da CGTP que lhes amplifique nas ruas os latidos…”.
      Não se preocupe com a “ladrada” da CGTP pois a PaF terá sempre como garantidas (entre muitas outras) as “ladradas” (mais finas pois possuir ‘pedigree’ é outra coisa…) de uma CAP, de toda uma imprensa alinhada (jornais, revistas, TVs e a esmagadora maioria dos seus “comentadores”) e de uma legião de ‘Kommissars’ (pergunte ao Pacheco Pereira que ele esclarece) que nas redes sociais fazem marcação cerrada a tudo o que seja opinião “desalinhada” – porque, como tem sido repetido, até à exaustão, “não há alternativa” às políticas da PaF… verdade com o selo de garantia do próprio Cavaco Silva.

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