Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

13 de Outubro de 2015, 08:53

Por

Que ninguém se afogue no Rubicão

O PS discute o que fazer depois das eleições, perante o quadro em que a coligação das direitas é minoritária. É um debate natural, perante as incertezas, as restrições e os constrangimentos que ninguém deve ignorar. Natural e difícil, portanto diverso, como se esperaria.

Há três atitudes que se destacam entre os observadores ou ex-protagonistas (dos protagonistas tratarei noutro artigo ao longo da semana).

Há a demissão: não quero fazer parte disto, não contem comigo. É a atitude de Sérgio Sousa Pinto, e é nisso apoiado pelo dirigente da UGT, Carlos Silva, além do óbvio Luís Amado, que ainda estava no governo Sócrates e já defendia um acordo com o PSD, tal como Francisco Assis sempre o fez.

Há o ultimato: ninguém passa a soleira da porta sem jurar fidelidade. É a atitude de Paulo Pedroso. Escreve ele: “É certo que a campanha eleitoral não deu ao BE e ao PCP um mandato claro para renunciar à renegociação unilateral da dívida nem para comprometer estes partidos com metas políticas compatíveis com a permanência de Portugal no Euro.” Não têm “mandato claro” mas devem renunciar à renegociação “unilateral” da dívida (curioso subterfúgio, porque o autor nada esclarece sobre se deve haver “outra” renegociação da dívida e, já agora, a haver, qual seria). Não sei se Pedroso acredita que um governo sério tenha margem de manobra financeira com a dívida pública a 130%. Se sim, parece ingénuo e ninguém pode levar a mal. Se não, podia contribuir para a solução.

E há finalmente a atitude mais curiosa de todas: um acordo com a esquerda é a “receita para o desastre” e é “brincar com o fogo” mas vamos a isso, que é legal e constitucional e ai de quem disser o contrário, tanto mais que “um entendimento de governo com o PCP e o BE na hipótese de a direita não ter maioria absoluta estava desde o início na equação pós-eleitoral do líder do PS”. É a opinião de Vital Moreira e só passaram dois dias entre uma posição e outra. No meio, “O PS não pode casar-se com a extrema esquerda parlamentar nem amantizar-se com o governo de direita. Será que é preciso um desenho para explicar?!”. Sim, um desenho dava jeito.

Portanto, isto está confuso. Um protagonista sai e passa a observador porque não pode ser. Outro observador apoia se não se fizer nada que incomode a Europa. E o terceiro diz que sim e que não, mas está disponível para nos fazer um desenho.

Se o Rubicão for ultrapassado, que ninguém se afogue porque seria uma maçada.

 

Comentários

  1. Na minha opinião, eleições. Isto assim cheira a golpada, A mobilização seria enorme e penso que a esquerda derrotada. Se estiver enganado, tenho pena mas aceito.

  2. Bem o PS é um partido de esquerda, ou não? desde muito novo que ouço dizer que sim! Então para dar inicio aqui à “narrativa” começo por dizer que quem tem uma costela direitista, não deveria militar no PS, mas sim no PSD ou CDS. Ah, mas não tinham emprego no PSD, pois amigos, têm que trabalhar para isso, assim como se infiltraram no PS, pois tentem um “Infiltrançozinho” no PSD, pode ser que lá tenham futuro e nem precisem andar contrariados. Mas dos infiltrados não vale a pena falar, vamos então a outras questões. Há anos que se apela aos partidos da esquerda para uma união contra esta direita radical que nos desgoverna, agora que finalmente os partidos de esquerda passam para segundo plano alguns pontos de divergência (normalíssimo, até um casal apaixonado as tem) qual é o drama? Mais importante que as ideologias dos partidos, que já não são o que eram (e em alguns casos ainda bem) são os seus lideres. Os partidos são o que os seus lideres e respectivas comissões querem e neste ponto está bem claro que António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, são pessoas para quem os princípios e a palavra valem, ao contrário de Paulo Portas e Passos Coelho que mentem descaradamente, princípios é coisa que nem uma “vaga ideia têm”, está nos jornais, nas televisões e nas promessas eleitorais, não há como desmentir. Todos os políticos como qualquer pessoa tem direito a mudar de opinião, não somos escravos da opinião. Quando por qualquer motivo achamos que estamos errados ou por outras circunstâncias se justifica mudar, não é por aqui que alguém morre ou perde a credibilidade. Os partidos de esquerda reviram as suas posições e estão e muito bem a tentar uma solução de proximidade entre eles para que não tenhamos tão cedo um governo de direita radical e este é que é o ponto importante. Toda a campanha destes três partidas centrou-se num desejo de afastar definitivamente o PSD e O CDS (o partido que anda há quarenta anos à boleia, vulgo oportunistas da politica) da governação desastrosa, particularmente António Costa, disse de uma forma bem clara que nunca se iria aliar ás políticas desastrosas de PSD/CDS, então o que é que estes cavalheiros que comentam ainda perceberam? Vamos lá ver, as acusações em tempo de eleições que todos os partidos fazem uns aos outros (embora eu não concorde com essa forma de abordagem) são na maior parte dos casos aquela coisa a que chamamos “caça ao voto” e há que desvalorizar isso, está dentro da actuação de campanha de votos desde a esquerda à direita e por isso mesmo, a levar a sério o que cada partido diz em campanha, não haveria coligações, nem acordos, nem coisa nenhuma, cada um concorreria sozinho e assumia os resultados, mas sabemos que não é assim. Fazendo uma análise dos resultados das duas uma, ou o PSD não teria mais votos que o PS e portanto perderia, ou com a diferença de 4,5% o CDS teria menos que a soma dos partidos que não elegeram nenhum deputado e para quem está nessa posição, parecem-me arrogantes demais. Parece aquela história do tipo com 70cm que quando sai com o amido de 2m incha o peito e não tem receio de ninguém a contar com o amigo, claro. Portanto, uma aliança dos partidos de esquerda é tão legitima com a dos de direita, feita antes ou depois das eleições, porque o que aqui está em causa é um País e a vida das pessoas, não são jogos da “playstation” e está provado e mais que provado que os partidos que nos desgovernaram nos últimos quatro anos, não têm o mínimo de sensibilidade para tudo isto. Conseguiram em quatro anos o facto extraordinário de: acabar com o sector que mais emprego directo e indirecto tinha em Portugal, a construção Civil. Conseguiram reduzir o vencimento de todos nós de tal forma que uma grande parte dos portugueses ao fim de um mês de trabalho, nem para alugar uma casa ganha (vergonhoso) conseguiram tirar dinheiro das reformas aos nossos pais e avós que contribuíram para o País com uma vida de descontos, obrigaram as pessoas a emigrar para poderem ter uma vida digna, separaram as famílias, queriam tirar 6% aos desempregados (ainda o fizeram durante 3 ou 4 meses, até ser considerada uma medida inconstitucional) que ainda recebem alguma coisa do fundo de desemprego (para o qual descontaram, caso contrario não teriam direito), aldrabam as contas dos numero de desempregados, obrigando dezenas de milhares de pessoas a frequentar cursos completamente desadequados que não servem para coisa nenhuma, para os retirarem das estatísticas, obrigam pessoas a trabalhar gratuitamente para poderem ter o seu subsidio de desemprego etc… o que estes governantes fizeram em quatro anos é notável, ninguém conseguiria ser tão incompetente e insensível a todas estas matérias como Passos Coelho e o Irrevogável homem dos submarinos.
    Já agora uma nota Final quando ao tema da moda, a Segurança Social. Fiz umas continhas aqui por alto e se os governantes deste País tivessem coragem para não dizer outra coisa, resolveriam este problema facilmente e como? Muito simples. Só a banca tem cerca de 17000 caixas multibanco, o que corresponde eventualmente a um numero idêntico de pessoas que foram dispensadas. Se cada uma destas caixas por estar a ocupar o lugar de uma pessoas contribuísse com a respectiva taxa para a segurança social teríamos em média 800€x33%x14 meses=3696,00€ por máquina multibanco, este valor multiplicado por 17000 maquinas dá a módica quantia de: 62832000,00€ (63 milhões de euros ano) se a isto fossem taxadas todos os outros dispositivos do género, portagens, maq. nos hipermercados etc… chegaríamos facilmente a 100 milhões de euros anuais de contribuições para a segurança social (coisa pouca) Portanto, Senhor Passos Coelho tem aqui uma forma de abater um milhões aos 600 que lhe falta, mas haveria muito mais a dizer sobre esta e outras matérias. Estou disponível para dar umas ideias a estes pensadores de fim de semana, que não pensam, copiam modelos, mas errados claro. Já agora e uma vez que me deu vontade de escrever por aqui umas coisa, mais uma frase que se houve em todas as bocas e mais outro” pensamento de fim de semana”, claro, e a frase é: “A segurança social tem o futuro ameaçada pela baixa de natalidade” errado!!! a segurança social está ameaçada é pela falta de emprego e apenas por isso. De que vale nascerem 3 milhões de bebés, se só há emprego para 10 mil (ou seja contribuem 10000 e vivem de subsídios e outros métodos duvidosos 29,99 milhões)?!?! Por outro lado onde há emprego há pessoas e garantidamente o País não terá falta de pessoas a contribuir para o desenvolvimento e para a segurança social se houver emprego.

  3. Meus caros compatriotas o nosso querido PAIS esta arrumado com todos esses parvos
    Que se disem politicos eles sao fortes com o dinheiro dos outros e d’à europa

  4. Meus compatriotas o nosso querido PAIS esta arrumado com todos esses parvos
    Que se disem politicos eles sao fortes com o dinheiro dos outros e d’à europa

  5. O PS tem muitos esqueletos no armário, juntamente com o PSD e CDS, logo os 2 (PS e PàF) são obrigados a entenderem-se. Já viram se o PCP e o BE, ao entrarem no governo, tivessem acesso às maningâncias feitas às escondidas por estes partidos e que agora lhes está vedado? Isso era a morte desses partidos ladrões e o PS não está interessado na verdade… espero que o Costa me surpreenda pela positiva.

  6. Em síntese de um lado temos os bons do outro os maus.
    Do lado bom, os responsáveis ,os eticamente irrepreensíveis,com um programa para os próximos 4 anos que os Deuses aprovaram mas que não conhecemos ,com a bênção da Europa e dos mercados,que servem Portugal e não se servem de Portugal.
    Do outro lado,os irresponsáveis ,os eticamente reprovados,sem programa,sem a benção da Europa e dos mercados, que se servem de Portugal e não servem Portugal
    Mas isto será assim tão simples ?

  7. Realmente, eu não sei se o PàF aguentará com tanto refugiado político do PS, alguns deles dinossauros falsos socialistas que estão no PS desde o PREC.

    É realmente triste ver que estes protagonistas ainda pensam que o PSD e o CDS ainda são “sociais-democratas-cristãos”, e que a esquerda são “perigosos leninistas moscovitas dos arredores da Amadora”.
    É triste ver que não se apercebem que Costa está a salvar o PS de uma extinção estilo Pasok ou PS francês, esquecendo o facto que o PS inglês e escocês que viraram á esquerda, até subiram no número de votos.

    E é triste ver os portugueses horrorizados com a sua comunicação social totalmente tendenciosa e a favor da direita.
    Ainda vamos ver esta notícia no Correio da Manhã:

    “José Sócrates apoia um governo de coligação do PS com o PSD/CDS… (continuação da notícia)… o Correio da Manhã deseja a José Sócrates e á sua família as maiores felicidades nesta hora tão difícil”.

  8. Lindo serviço! Vejam no que deu a reunião de Costa com o Bloco! A bolsa em queda! E já contaminou a Euronext e todo o resto da Europa! E o Mundo! Tóquio, Singapura, Bombaim, Austrália!..Alto lá! Dizem que é por causa das “perspetivas de abrandamento da economia chinesa”? Sim, mas o que é que o provocou? Ainda há três dias a economia na China ia de vento em popa! Foi a demissão so Sérgio Sousa Pinto provocada pela reunião com o Bloco! Sousa Pinto é seguido muito atentamente na China (lembro que, cada vez que intervém na Assembleia da República as televisões interrompem a programação para o meter no ar!). O Comité Central do Partido Comunista Chinês está reunido de emergência (com a presença de Catroga) para analisar a situação política em Portugal.Páre já com esses contactos, Sr. Costa! Quer o país às escuras? Francamente!

  9. Disclaimer: sou matricialmente de direita, mas não me revejo no governo PàF dado que o mesmo na realidade não fez qualquer reforma do Estado, ao não executar o “bom” do programa da Troika e ao se limitar, cegamente, ou a arrecadar receita “à força” ou a reduzir despesa apenas de forma meramente “aritmética”, sem mexer nos “poleiros” do Clientelismo e baixando o rendimento a quem depois lhe é exigida mais produtividade…
    Contudo, convém alertar os esperançosos de um governo de esquerda do seguinte: Portugal está absoluta e totalmente refém do que os mercados mandarem. Independentemente dos méritos e exequibilidade das propostas, a um governo de “esquerda” que se assome a procurar aliviar a austeridade, a falar de renegociação da dívida, ou qualquer outro tipo de medida que implique o retrocesso do que foi feito pelo “caseiro” dos interesses alheios, os mercados responderão com uma subida vertiginosa dos juros da dívida para por cobro imediato a essas veleidades, possivelmente lançando-nos num segundo resgate, com os resultados depredatórios que já conhecemos. Isso é certo e incontornável.
    Já não temos soberania e pouco ou nada há a fazer se não tivermos a coragem – e é preciso muita mesmo – para deixar a UE e o Euro e traçarmos o nosso próprio caminho, à imagem do que fizemos no passado (mal ou bem, fomos sempre “independentes”).
    Contudo, tal via implicaria prateleiras de lojas e supermercados vazias, filas para o combustível, anos e anos de inflação, … e não creio que a sociedade moderna amolecida pelos confortos e futilidades esteja formatada para aceitar tal esforço.

    1. Valter Duarte, espero enganar-me mas penso que o PS não está a considerar realmente uma “plataforma de governo” com a Esquerda, parece-me a mim estar apenas a usar a Esquerda para reforçar a sua posição negocial com a Direita, e é tudo. Veremos.

      Quanto à hipérbole horrífica e milenarista do seu último parágrafo, ela não tem nenhum sentido, a civilização não acaba com a saída do Euro, poderá mesmo revelar ser a única solução para quem deseja um Portugal moderno, democrático e justo.

    2. Valter Duarte, ao reler o seu último parágrafo e a minha resposta a ele, reparo que a hipérbole é sobretudo minha. Não tem grande importância, mas fica aqui a correcção.

    3. Se não aceitar de livre vontade, mais tarde vai ter que aceitar à força e aí é fazer as coisas em cima dos joelhos.

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