Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

6 de Outubro de 2015, 11:56

Por

A história nunca se repete, é bom que saibam

Acossados, alguns dirigentes políticos reagem como se esperaria: para pensar o futuro, viram-se para o passado. Não há caminho mais seguro do que o que já foi percorrido, nem prognóstico mais garantido do que o que já foi verificado, pensarão com os seus botões.

O PSD imagina-se como Cavaco Silva em 1985, esperando que um ano ou dois de governo eleitoralista sejam suficientes para desencadear a vitimização que o transporte de novo a uma confortável maioria absoluta.

O PS imagina-se como Passos Coelho em 2010, apoiando os PECs de um governo frágil, até ao dia em que o poderá derrubar e pedir os votos de um país farto até aos cabelos.

Estão todos enganados.

O PSD porque vai pagar já a falsificação imprudente das contas de 2015 e os seus calotes, a começar pelo Novo Banco. Condenar a herança do antecedente é muito interessante quando o antecedente não é o mesmo Passos Coelho. A vitimização de si próprio parece estratégia arriscada, alguém pode reparar.

O PS porque, arrastado para o abraço do bloco central, apoiando agora o que durante a campanha eleitoral prometeu fulminar, voltando às “abstenções violentas”, deixa um vazio que alimenta a tese da sua própria impossibilidade como alternativa.

E o PSD e o PS estão enganados ainda por uma outra razão. É que Berlim e Bruxelas estão agora no mapa, o governo português já não é português e é pouco governo, quem manda não permite recreios. Nem há margem para o governo empossado em generoso comité pré-eleitoral (perde o PSD), nem há campo para concessões quanto ao plano europeu de desmantelamento dos serviços públicos (perde o PS).

PSD e PS estão a apostar todas as fichas em como a história se repete. Nem 30 nem cinco anos depois isso é verdade.

Os partidos que querem ganhar tempo para si estão irresponsavelmente a perder tempo para Portugal e esperam que ninguém dê por isso.

Foi assim que PSD, PS e CDS tiveram a mais baixa soma de votos das últimas três décadas. Com as suas escolhas actuais, eles são a garantia do agigantamento da crise do regime.

A solução bloco central, calculista e cínica, vira as costas ao país. A única questão é se Portugal vai descobrir a marosca.

Comentários

  1. Gostava imenso de conseguir ter mais abertura para dialogar com o Prof. Francisco Louça; gostava mesmo de o convidar para almoçar e beber uma cerveja. Percebo perfeitamente a facilidade que é iniciar o dia, uma vida, dedicada a uma certa forma de olhar o mundo e os outros através de uma qualquer corrente ideológica ou filosófica. O homem, qualquer um, procura encher o seu coração com algo que o satisfaça e faça crescer. Até aqui tudo bem, só não entendo como é possível persistir durante tantos anos procurando o mesmo vício, as mesmas histórias, o mesmo olhar não verdadeiro. Deixamos de ser nós mesmos a olhar o real mas é um pensamento que nos corre na mente. Por isso há que saber bem avaliar se o copo está meio cheio ou meio vazio, se devemos dar dinheiro ao pobre ou ajudá-lo a construir o seu presente, se existe o bem ou se tudo é ilusão e relativo, etc

  2. Gostava imensso de conseguir ter mais abertura para dialogar com o Prof. Francisco Louça; gostava mesmo de o convidar para almoçar e beber uma cerveja. Percebo perfeitamente a facilidade que é inciciar o dia, uma vida, dedicada a uma certa forma de olhar o mundo e os outros através de uma qualuqer corrente ideológica ou filosófica. O homem, qualquer um, procura encher o seu coração com algo que o satisfaça e faça crescer. Até aqui tudo bem, só não entendo como é pssível perssistir durante tantos anos procurando o mesmo vício, as mesmas histórias, o mesmo olhar não verdadeiro. Deixamos de ser nós mesmos a olhar o real mas é um pensamento que nos corre na mesnte. Por isso há que saber bem avaliar se o copo está meio cheio ou meio vazio, se devemos dar dinheiro ao pobre ou ajudá-lo a construir o seu presente, se existe o bem ou se tudo é ilisão e relativo,,etc

  3. Penso que a posição dos Partidos, seja qual ela for, deve ter em conta a mensagem que foi transmitida pelos portugueses nas eleições. E esta parece-me clara apesar da aparente divisão : os portugueses não estão com a coligação e estão com a coligação. Parece contraditório, mas não é.

    1. Não estão com a coligação porque uma clara maioria de votos e de deputados foram dados a projectos que, de uma forma ou de outra, não querem a austeridade tal como ela foi praticada nestes quatro anos. É do interesse da coligação ter consciência disto se quiser durar. A verdade é que, tendo em conta apenas os Partidos com assento parlamentar, existe 1.000.000 de votos a mais do que na coligação. Se a coligação não tem em conta os portugueses, como não teve nos últimos quatro anos, depressa terá uma forte contestação social que a deitará abaixo, agora que perdeu a maioria absoluta.

    2. Estão com a coligação porque, apesar de tudo, os resultados mostram que os portugueses viram na coligação os únicos com condições mínimas para governar. E aqui é a esquerda que tem de questionar-se a razão pela qual, apesar do aumento de votos e de deputados, os resultados deram como vencedor a direita. Parece-me que a razão é simples : a direita está unida num projecto comum (bem… comum… dependendo dos humores de Paulo Portas) face a uma esquerda dividida e atomizada.

    Concluindo. Actualmente não existe real alternativa à direita e quando falo de alternativa, falo de alternativa que possa governar. Por outras palavras, essa alternativa apenas existirá se a esquerda unir-se, se o PS e o BE juntarem-se à mesma mesa e pensarem o que querem para Portugal (a abertura recente da CDU é apenas o resultado da constatação desta possibilidade de união entre PS e BE que tornaria a CDU dispensável à esquerda enquanto sempre se viram como o seu princípio motor. Finalmente, estão em pânico). Não é apenas a esquerda que precisa desta união : é a própria democracia portuguesa. É melhor a esquerda ganhar consciência do facto que dividida ela não representa uma alternativa credivel e assim não conseguirá ganhar eleições nos próximos tempos, deixando os portugueses com uma única hipótese : a direita.

    Que venha esse projecto alternativa e que, finalmente, tenhamos uma escolha crítica (no sentido grego do termo Krisis) a fazer!

  4. A adesão popular ao Bloco nada tem haver com atributos estéticos ou comportamentais de Catarina Martins… Deve-se à confiança depositada na defesa do estado social e pelo facto de pela primeira na história pós 25 de Abril a elite econômica deixar de passar por comissões parlamentares com a arrogância altiva de quem determina quem é ou não eleito e de quem ou não emprega… Costa, Bava e Granadeiro são a justificada importância do Bloco, aliás como o é o debate ou medidas concretas que contribuam para a reforma da Segurança Social que mantenha a coesão e solidariedade geracional tendo o estado como ferramenta fundamental na distribuição da riqueza, e essa poderá ser a grande acção governativa do Bloco num governo de esquerda!

  5. Oh Francisco Louçã, deu-lhe para rogar pragas aos nossos partidos da alternância? Será um augúrio, ou será um desejo? A mim parece-me que o seu erro é imaginar que o povo está muito preocupado com Portugal. Pela taxa a que voltaram a emigrar, é duvidoso. Eu teria votado na Troika, se estivesse no boletim de voto que me deram.

    1. E acho que fazia muito bem! Gostos não se discutem.
      Agora quando diz que um português quando sai de portugal é por não estar preocupado com o país…. eu bem sei que os mercados estão em alta, mas beber de manhã é sinal perigoso.

  6. F, de perdedores no reza la historia ou todos são generais depois da vitoria, é preciso ver os resultados com calma eu sou um derrotado . O arco da governação a definhar sem dúvida, deixaram na campanha promessas que gora vão esfumar-se com o primeiro orçamento, Bloco, CDU, a crescer é uma boa noticia. Estas eleições foram decididas pelas provincias a norte de Lisboa, e no interior norte de Portugal é li que a direita tem os seus bastiões que a tiram para 38, .., caso contrario teriam perdido para o PS, é nas grandes cidades de Lisboa, Porto e Setúbal que o o PS ganha, caso contrario perderia para a coligação, de qualquer modo eu me atrevo a dizer que o frente heterogeneo contra a austeridade ganhou, é um erro confundir como uma votação de esquerda, não porque o povo socialista não seja de esquerda e não defenda a escola publica, acceso a saúde respeitar as pensões, não porque não sofra pela austeridade, mas porque delega as suas expectativas num partido que é de centro, que sabe que para ganar votos e poder tem que colocar no programa o complemento de idosos, a proteção social, a retórica da defesa da escola pública, um partido que acredita no sacrosanto poder de mercado par aconseguir bem-estar, santa iniciativa privda, mas que tem na sua pegada programática as PPP, as privatizações de serviços públicos, que deu de mao beijada as hospitais privados a ADSE. O PS é um partido de esquerda moderno europeia, que ja viu implodir o PS italiano, o Pasok, que tem como hermano um partido da casta corrupta de Espanha, e por isso que apresurou-se a ser responsavel e a fazer contas do que deixa passar no programa e orçamento para ganhar eleições antecipadas, entretanto o povo que mais ordena ja votou, ouviou as promessas, na natural creença dos que mantem a expectativa de que é uma enfermedade passageira, mas as contas são rastreadas por Berlin, nada de conversas, as reformas continuam. Uma nota de perplexidade, no sistema de um homem um voto, votam e decidem eleitores que pouco contribuiram para o ajuste tal como os eleitores que pagam o ajuste, dando o mesmo poder de decidir de quem paga pelo ajuste mas que vota contra a austeridade, um eleitor de bragança ou viseu, que não paga quase IRS vota pela coalição, um eleitor de lisboa que paga 800 euros de irs ao mes, que teve cortes que se conhecem, vota pela oposição, temos uma democracia onde a direita tem um apoio eleitoral excesivo em zonas muito pouco afectadas pela austeridade e brindadas com prendas eleitorais , dando poder de decisão sobre todo o pais, como eu compreendo os independentistas catalaes, que geram riqueza e pagam impostos para a Espanha rentista, é preciso repensar a geografia política de Portugal.

  7. Quando se forma uma coligação, em confronto com a restante comunidade, isso pode significar que os membros dessa coligação não estão interessados em dividir o bolo com os demais. Se, como demonstram os resultados das eleições, os membros dessa coligação em acordo com o PS na prossecução das políticas em cima da mesa, representam cerca de 44% dos eleitores inscritos, vemos como um sistema democrático pode ser bem pérfido e cruel.

  8. Tenha cuidado, Professor. Tem toda a razão, a História nunca se repete exatamente. Mas às vezes repete-se, com variações, primeiro como tragédia, depois como farsa. E deve tomar atenção a isto em particular se espera para o BE o mesmo que sucedeu ao Syriza na Grécia. Eu devo dizer que decidi não votar no BE quando assisti ao debate entre Catarina Martins e António Costa e este perguntou a Catarina Martins quanto custariam as nacionalizações advogadas pelo BE e como tencionava pagá-las. Catarina Martins respondeu que através dos dividendos das empresas (durante 20 anos, assumo eu) ou recorrendo ao pelo do cão, como fez a Fosun, isto depois de Mariana Mortágua ter passado o tempo a criticar esse comportamento. Chama a isto um Partido preparado para governar? Uma Alternativa sem Estratégia não é Alternativa, como o exemplo do Syriza amargamente demonstrou…

    1. Curiosa justificação do voto no PS, mas aceito com gosto. Como aqui não é espaço para acantonamentos partidários, fica a sua reflexão. Mas nada disse sobre a possibilidade de o PS aceitar o governo das direitas e o seu orçamento, como noticia o Público. Suponho que isso seja uma tragédia ou uma farsa.

    2. Gosto muito quando dizem: “Não me podes fazer o que eu gosto que os outros te façam.” . É como o ladrão ir queixar-se à esquadra que foi roubado pela pessoa que ele roubou. Sem perdão.

    3. A meia-idade já me permite constatar que não há organizações perfeitas, empresas perfeitas, pessoas perfeitas.
      Portanto naturalmente a Catarina Martins dificilmente será uma pessoa perfeita.

      Continuo no entanto a achar o BE quase perfeito porque sabe ter entre os seus uma panóplia de pessoas do mundo real.

      Não considero que as pessoas militantes do PS, do PSD e do CDS sejam do mundo real porque há muito tempo que estão a viver acima das suas possibilidades, com as ajudas que os seus amigalhaços lhes vão dando. E não são seguramente nada perfeitas.
      Posso dar um exemplo real de uma grande impreparação de um candidato a deputado tido como o “especialista” de educação que esteve recentemente num debate com outros colegas seus de outros partidos. Posso dizer que o candidato do PSD foi o que mais asneiras disse, menos noção da realidade tinha de entre os outros 4 candidatos (do PS, CDU, BE e LIVRE) que estiveram presentes nessa sessão.
      De impreparados está a política cheia. Basta estarmos dentro das questões e ver como o governo respondeu nos últimos anos: justiça (CITIUS), ciência (caos nos concursos FCT, ciência em crise), educação (colocações o ano passado), haverá concerteza mais exemplos mas para mim estes bastam.

  9. “(..)O PSD porque vai pagar já a falsificação imprudente das contas de 2015 e os seus calotes, a começar pelo Novo Banco. (..) ” Achei estranho que tenha saído o aumento do défice em 2014 uma semana antes das eleições. Pensei que tinha sido uma falha da coligação não ter conseguido atrasar a noticia. Na realidade, pode-se revelar um golpe de génio. Uma vez que a totalidade do investido no novo banco já foi incluido no défice de 2014, quer dizer que qualquer retorno no novo banco, mesmo com perda para os contribuintes, vai contar positivamente para o defice desse ano. Ou seja, se o novo banco é vendido por 2 mil milhoes, mesmo que seja bastante menos que o montante lá posto, esse valôr vai diminuir o défice to ano em causa. (Estou a assumir que qualquer aumento de capital futuro é menos do valor de venda).
    Ou seja, no meio da campanha essa discussão acabou por não ter grande impacto porque Bruxelas apressou-se a dizer que “não valia”, e agora teoricamente existe um activo que pode baixar o défice artificialmente em 2016. vamos lá ver se nessa altura Bruxelas também diz que “Não vale”.

    1. Naturalmente meu caro. A menos valia paga-se com emissão de dívida + juros. É sempre bom quando isto acontece, não haja a mínima dúvida. Brilhante.

  10. Portugal vai descobrir a marosca? Se ao fim de 40 anos ainda não descobriu, não é agora que “não há alternativa” que vai descobrir. O povéu até vai descobrir, quando forem aos seus bolsos. Mas isto é só até os bombos da festa das campanhas eleitorais tornarem a ribombar, aí tudo se esquece novamente. Já dizia a minha avó: Com papas e bolos se enganam os tolos…

  11. PSD, PS e CDS tiveram a mais baixa soma de votos das últimas três décadas, mas ainda foram 70%, o que quer dizer que Portugal ainda está longe de descobrir a marosca. Os portugueses só irão descobrir quando estiverem desesperados, mas se calhar já vai ser tarde, como na Grécia. Circo haverá sempre, pão é que é mais difícil. Nestas questões, a história repete-se sempre e por isso é que sempre existiram e existirão revoluções.

  12. O actual Governo é apenas de gestão, ainda os resultados eleitorais definitivos não foram publicados, ainda a AR não está constituída para se pronunciar e já “Bruxelas quer projeto de Orçamento do Estado para 2016 até dia 15”, OE que o PS já está disponível para aprovar, enquanto afia facas para uma nova guerra intestina que permita à direita governar. Aliás, fiel ao regime de protectorado, psd/cds eliminaram a “República Portuguesa ” dos documentos oficiais. São apenas o “Governo de Portugal”. Com elevado “sentido de estado”: o de cócoras.

  13. Pelos vistos, o BE (com 500,000+ votos) e o PC (com 400,000+ votos) querem governar Portugal. A coligação tem TODA a legitimidade para governar, com mais de 2 milhões de votos. E a ala “segurista” do PS (com 15 deputados) já se prontificou para negociar com a coligação a aprovação do orçamento 2016. A solução BE+PC vira as costas ao país. A única questão é se Portugal vai descobrir a marosca.

    1. Sou assaltante declarado! Eu sou a favor do governo de maioria absoluta de esquerda. Não temos legitimidade nenhuma porque somos assaltantes. Louvo o seu entusiasmo na luta pela sua causa e agradeço a chamada de atenção.
      Legitimidade temos todos meu caro, em decidirmos as nossas acções e em receber as consequências que elas motivaram. Nada mais simples.
      Por exemplo voçê acha legítimo que os 99 deputados do PaF se aliem aos 5 do PSD e aos 15 iluminados do PS para formar governo. Legítimo. Como legítimo também teria sido se esses 15 iluminados tivessem esclarecido os seus legítimos interesses pós-eleitorais junto do seu eleitorado, e nao virando as costas a estas pessoas. Pelo menos o BE e a CDU sempre disseram que estariam legitimamente pré-dispostos a chegarem a um entendimento (com condições) com o PS após as eleições. Legítimo. Tudo legítimo.

    2. O Sr.Armando B. Silva, foi informado por algum “Segurista” mais Passista do que Passos Coelho. Nada me surpreende que um ou outro desse grupo pense nisso…
      Não morro de amores pela prática do Pcp/Be ( tem sido muito pouco confiáveis) António Costa pode tentar saber o que finalmente querem!! Antonio Costa, pode tentar a experiência da CML, se não resultar, os Portugueses ficarão a saber que não podem contar com eles .
      Ficou muito claro destas eleições, a total oposição dos Portugueses à governação da direita , assim como vai ficar provado que Pedro e paulo são dois mentirosos compulsivos. Aguardem mais umas semanas

  14. Um dado importante é que o “socialista” holandês já disse que a austeridade é para continuar… logo a estabilidade irá rapidamente para as malvas.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo