Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

28 de Setembro de 2015, 08:53

Por

Não há nada a fazer, tenha paciência

Portugal não tem cura, é uma piolheira, a política é um manicómio e a elite, de alto a baixo, é uma bosta, já se sabe. Mas há um homem para nos relembrar todas as semanas essa evidência. Assinalo a grandeza deste preclaro salvador e desbarreto-me perante ele. Veja o leitor ou a leitora o inventário dessa luminosidade.

Ele, o Dr. Vasco Pulido Valente, começa por cima quando pergunta se alguém, que não ele, nos pode salvar. Ora, ele sabe que, em Belém, “o dr. Cavaco exibe a cada passo, até nos mais pequenos pormenores, a sua incapacidade para o cargo em que infelizmente o puseram. (…) O sr. Presidente da República devia daqui em diante observar um silêncio penitente e total, com o fim meritório de não assanhar a crise que ele consentiu e em parte criou.”

Assim, “hirto e rígido, o dr. Cavaco, apesar de 20 anos de poder, nunca verdadeiramente percebeu o que era a política, como não percebe o enorme problema que a sua obstinação criou ao país (e estará) a partir de Janeiro oficialmente morto e a partir de Fevereiro instalado no admirável conforto do Algarve e da reforma.”

Enterrado o presidente, que não nos salva, restam talvez o primeiro-ministro, o governo ou os partidos.

Mas é evidente que “o desdém hoje comum pelo primeiro-ministro, que nem chega a ódio, vem do facto prosaico de que as pessoas não o levam a sério. A diatribe pueril e errada sobre os jornalistas e os comentadores não excitou ninguém. É o que se espera da criatura.”

Enterrado o presidente, sai o primeiro-ministro, também não nos salva. Sobreviverão o governo e os partidos?

Nunca, o governo e os partidos são insondáveis na sua baça estupidez. “Informado ao pormenor sobre os malefícios de Pedro Passos Coelho, de Paulo Portas, da sra. ministra das Finanças e de mais meia dúzia de ‘notabilidades’ sem consequência, o cidadão comum não percebe os propósitos do Governo ou da oposição. As futilidades que os chefes trocam na rua, na televisão e no Parlamento não lhe servem de nada.”

Por isso, o governo só procura fugir da sua obra e esconder-se dos indígenas. “Resta que o futuro dos génios que nos pastoreiam parece duvidoso. O primeiro-ministro arranjará com certeza um lugar condigno. Pires de Lima e Paulo Macedo também. Alguns voltarão a um escritório de advogados, que é uma boa maneira de continuar na política à socapa. A maioria ficará depenada e só. E mesmo que Portas se retire para Caxias-Colombey, não pode contar que o ponham em Belém daqui a vinte anos.”

Enterrado o presidente, defenestrado o primeiro-ministro, disperso o governo, esquecido o vice-primeiro-ministro, ignorados os partidos, o que sobra em Portugal, quem nos salva?

Ninguém nos salva? Alto. O Dr. Vasco Pulido Valente, num raro mas assinalável momento de humildade, descobriu outro que, como ele, ainda nos pode salvar. Apresente-se o salvador:

“Mas nada chega à indiferença olímpica de Miguel Beleza. Pensa Beleza que ‘saia’ a Grécia ou ‘saia’ Portugal, isso teria ‘pouca influência’ na zona euro. E acredita, evidentemente, que a bancarrota da Grécia não iria provocar grandes sarilhos cá por casa. O dr. Miguel Beleza é um sedativo na berrata estabelecida. O que me permitirão descrever como a ‘economia institucional’ anda muito nervosa. A ‘economia de esquerda’ (?) fala em ‘carnificina social’ e em ‘retrocesso’ da civilização. O português comum esvoaça no meio da barafunda. Só o dr. Beleza pachorrentamente dá o seu passeio e consegue aguentar a trepidação alheia. De quem Portugal precisa é do dr. Beleza e não do bando de excitados que se esganiça por este pobre país, sem saber o que pensa e o que quer. Deixem de pensar em desgraças. O dr. Beleza sabe mais do que nós. Não tirou um curso na Lusófona; tirou um doutoramento no M.I.T..”

Só que o homem é pasmado, indiferente, olimpicamente indiferente, pachorrento até – mas é doutorado no MIT, o que eleva a indiferença olímpica às latitudes de Boston. Sabe tudo e não faz nada, “consegue aguentar a trepidação alheia” com o seu silêncio distante, mesmo que sinta o português, coitado, a “esvoaçar no meio da barafunda”. Por isso, a verdade é esta: nada, nem este salvador sedativo, “nenhum homem – ou mulher – inteligente e cordato se meteria voluntariamente nesta sopa turva”. Um sarilho que os indígenas nem conseguem perceber.

Pululam conversas de café e candidatos presidenciais avulsos pois, “fora isto, que não é pouco, aparecem quase dia a dia ajuntamentos com um papel na mão, que pretendem promover causas sem sentido, a roçar a pura idiotia, e se manifestam por aí com o vocabulário e a ênfase de uma religião apocalíptica. Claro que a desagradável tendência para a exibição (e a exposição) explica uma parte substancial deste amor romântico pelo espectáculo. A peonagem obscura da sociedade portuguesa descobriu de repente que a política era um bom caminho para a ‘fama’; e a crise, naturalmente, produziu a sua própria colheita de ‘famosos’.”

Nada. Nem presidente, nem primeiro-ministro, nem vice, nem ministros, nem os seus partidos, menos ainda os seus candidatos, ninguém nos salva, nem o pacato doutorado no MIT.

A bem dizer, só sobra o Vasco, o próprio Vasco, tão só que dá pena, ele que foi governante com o presidente “hirto e rígido”, deputado com o partido “que ninguém leva a sério” e apoiante de candidatos presidenciais tão pululantes nesse “amor romântico pelo espectáculo”.

Bem sabe portanto do que fala, o que é o melhor elogio que se pode fazer a um áugure. É por isso que tanto estimo a prosa do Vasco, homem previsível e até fácil: sabemos sempre o que ele vai escrever, limita-se a confirmar a sua certeza sobre esta choldra piolhosa que se tornou uma barafunda e uma berrata.

Alguém tem que segurar o leme deste triste país, senão para o dirigir, pelo menos para o lamuriar bem lamuriado.

 

Comentários

    1. Neste blog não se favorecem ofensas: então Paulo Portas não é chique? e Passos não é chique? Não admitimos aleivosias.

  1. A solução é beber, no mínimo, meia garrafa de whisky antes de ler o VPV.
    A partir daí (desse mínimo) estamos em casa! É sempre a abrir, tudo fácil, tudo côr-de-rosa. Até nos rimos!

  2. VPV escreve muito bem. E não só no “Público”. Adorei “Glória”(com Camilo e Ana Plácido: não é um romance, é um livro de História), “Paiva Couceiro”. Do alto do último piso de uma torre de Carnide, mesmo junto à Catedral do Consumo que dá pelo nome de Colombo, VPV, ácido, com um toque de aristocrata(pelo menos na correcção da escrita) observa o mundo. Como se estivesse na Costa Vicentina, no Cabo Sardão, a observar o mar. Sabemos o que ele é politicamente. Mas gostamos da sua prosa. Eu confesso-me seguidor das crónicas do homem. Até 6ª. Feira, o mais tardar.

    1. Concordo.
      E recomendo, do nosso regime liberal séc XIX, Os Devoristas.
      Está lá quase tudo o que temos visto no nosso brave new country XX/XXI.
      A bem do Regime.

  3. Caro Francisco Louçã:
    É certeira esta sua analise sobre VPV. Contudo, tem que reconhecer que o homem muitas vezes tem razão nas suas analises, apesar da sua linguagem ser do tipo “muito á bruta”. Mas Eça também não o foi? E olhe, que em termos ideologicos, estou nos antípodas do VPV.
    Mas veja, depois do “Lapsos” Coelho e “sus muchachos”, qualquer um pode ser o salvador da pátria, mesmo o Pulido Valente.

    1. Sim, de acordo. Tem muitas vezes argumentos sólidos e leio sempre com gosto. Só registo o irredentismo da exasperação sem alternativas e o discurso da decadência, algo contraditório com a sua própria participação política como deputado, governante e apoiante de governantes e candidatos presidenciais.

    2. Desiludiu-se? Ou foram os cabelos brancos que o exasperaram? Seria um bom tema, as ilusões de Abril de 1974 e o seu choque com as realidades. Para muito boa gente o choque foi logo em 1975, mas esses falam pouco. Outros, por seu lado, não se cansam de falar!

    3. Concordo consigo.. Também leio VPV com muito gosto, sejam os seus artigos como os seus trabalhos enquanto historiador. Na minha opinião, a lógica do discurso de VPV nem pode ser inserida na linha de um certo catastrofismo de gráficos excel na TV, nos quais o país só tem um destino e uma alternativa: estampar-se contra a parede. (sabe a quem me refiro, presumo). Talvez concorde com o facto de que VPV, relativamente ao Dr cavaco (como ele o gosta de tratar), sempre foi um mordaz critico desde o tempo em que ele era primeiro-ministro. Também é verdade que a prosa de VPV tem como ponto de partida seus ódios pessoais, que são imensos.

  4. Vamos lá fazer a apologia de Vasco Pulido Valente e já agora de Alberto Gonçalves, que escrevem os dois muito bem. Não são simpáticos, não. Não são politicamente correctos, não. Não esperam a salvação da pátria nem o salvador da pátria, também não. Vasco Pulido Valente tem ainda pelo menos um defeito extra, é um anglófilo empedernido, para quem a Europa nem sequer existe – na verdade ele escreve “Europa”, com aspas. Só que quando se trata de enrolar em pão ralado e pôr no óleo a ferver uma das tristes figurinhas lusitanas, um qualquer neo-conselheiro Acácio, VPV e AG atingem um brilho que não está ao alcance do comum dos tugas, nem do comum dos mortais. E concluo com uma citação, não de nenhum dos dois, mas que vem a propósito: «A minha ambição seria pintar a sociedade portuguesa, tal como a fez o constitucionalismo desde 1830 – e mostrar-lhe, como num espelho, que triste país eles formam – eles e elas». Mudando a data de 1830 para 1975, nada mudou, e VPV e AG são dois bons espelhos com que podemos contar. O de 1878 que citei chamava-se José Maria Eça de Queiroz.

    1. Deixe-me então defender VPV. Comparar com Alberto Gonçalves parece-me um excesso excessivo.

    2. Vasco Pulido Valente abusa das aspas, que não são argumento, como argumento. Alberto Gonçalves não conhece outro. É uma diferença entre muitas.

  5. «…uma barafunda e uma berrata.»…berrata? Gostava mesmo de saber o significado (e desculpe a ignorância do macaco:)). O velho vasco usa a lingua como uma verdasca amargurada, fora isso, é um patusco …

  6. Não o leio normalmente, mas a impressão que retiro é que o pior de tudo não é todo o mal que o Vasco Pulido Valente tem a dizer de tudo e, com agravado entusiasmo, de tudo português, o pior é mesmo tudo o que passa de aplauso no bombardeamento, como é o caso do Tratado Orçamental.

    1. Sim, creio ser um europeista algo céptico, mas amarrado à obediência. Como sabemos, não é o único.

    2. Espero que o Francisco Louçã encontre um momento neste seu espaço de crónica para analisar outra categoria de “obediência”, a “obediência” de Esquerda. Na minha opinião, é muito mais subtil e importante, difícil de escrutínio e resposta, e coloca muito mais dificuldades ao debate público e, sobretudo — porque é o que importa mesmo, — à vitória de alternativas à Austeridade.

    3. Obrigado pela sugestão, mas se há coisa que tenho feito, é contestar a obediência à austeridade, ao Tratado Orçamental, a Merkel, a Hollande e a quejandos.

    4. Sim, Francisco Louçã, mas tresleu-me — eu nunca diria que sabe, mas não é de todo a primeira vez. Clarifico então: sugeria-lhe que analisasse a “obediência” de Esquerda numa ou mais crónicas, nas diversas formas que toma mesmo em partidos à Esquerda do PS. Penso que é um fenómeno importante porque me parece ser uma das maiores razões do estilhaçamento da Esquerda em Portugal, em muito o contrário do que aconteceu há quinze anos com o nascimento do projecto do Bloco de Esquerda. Isto é a meu ver péssimo para a Esquerda em Portugal.

  7. Confunde-se o autor com o escritor.
    O Cepticismo é a atitude do escritor, uma forma de se aproximar, de comunicar com o leitor. É campo comum de escrita e leitura.
    O retrato que faz é rico de humores. Lê-se devagar, mastiga-se e até se repete. A realidade, é a mesma para todos nós.
    O artista não se distingue por aquilo que retrata, mas pelo retrato.

  8. VPV tem uma virtude salvífica, só uma, escreve admiravelmente. O seu problema e que ele há muitos anos que e velho, profundamente velho (e nem sequer venerando, como o do Restelo). Nao acredita no futuro porque não vai fazer parte dele…

    1. Que motivos tem o Prof. Louçã a invejar um inútil daqueles que nunca editou livros de economia e todo um passado duvidoso?

    2. Como já deverá ter reparado, tenho lido com atenção as suas crónicas, que aprecio e considero – como já tive ocasião de expressar – um exercício de cidadania. Aprecio, sobretudo, a sua frontalidade e honestidade intelectual, e daí o meu comentário. Pareceu-me que desta vez tinha sucumbido ao seu lado emocional, em prejuízo da racionalidade que tem caracterizado as suas análises. Quanto ao VPV, considero-o um homem inteligente e, por vezes, com enorme lucidez, não obstante estar muitas vezes em desacordo com o que escreve. No caso em apreço, penso que aquilo que o VPV escreveu revela mais certo estado de espírito do que propriamente uma ideologia. O VPV, parece-me a mim, não crê na possibilidade de redenção do povo português; por vezes dou-lhe razão, penso que o povo português não merece ser salvo. De resto, basta olharmos para as sondagens para chegar a essa triste conclusão: depois de 4 anos a ser governados por uma quadrilha de traidores que faria corar Junot, lá vão os portugueses depositar o seu voto nos seus próprios verdugos.

    3. Caro Carlos Augusto, desconhecendo, embora, o que significa esse ‘passado duvidoso’, o VPV é um historiador, doutorado em Oxford, e o texto a que estamos a aludir não é de economia. Inveja foi, porventura, palavra mal escolhida, embora não me pareça que o FL precise de advogado de defesa

  9. Sei que vai fazer valer o seu direito a escolher o tema das suas diatribes mas, ainda assim, quero dizer-lhe que há sempre duas opções para um mesmo significado; por um lado o silêncio; por outro a possibilidade de não acrescentar nada ao silêncio. Se Vasco perdeu os dotes da prosa e se repete continuamente, não encontro razão para que outros se distingam na prosa assim repetida… Estamos num tempo em que as mentes estão abertas às ideias novas; O período eleitoral, se melhor coisa não faz, pelo menos coloca as consciências em alerta e abre-as a algum discernimento. Por isso importaria não perder tempo com chafurdices de mau gosto (como são estas interpretações do óbvio), sendo exponencialmente mais produtivo que se aproveite este tempo para lançar bóias de salvação aos cidadãos (como construir algo em que possamos acreditar) enquanto o sistema se afunda, às mãos de a quem já nem a prosa vale. Seria de bom augúrio que, perante o descrédito da capacidade dos partidos em levar por diante a construção de barreiras aos avanços da finança e dos seus malefícios, que alguém ousasse propor alterações aos princípios que governam este estado das coisas, algo que comece na base e não no cume, pois é assim que as coisas mudam, sem tudo se desmoronar. Como fazê-lo? Seria um bem melhor assunto para tanta prosa.

  10. Das coisas mais bem escritas que já li em crónicas. Só espero que este exercício sacerdotal do nosso Vasco, todas as semanas, seja imortalizado, como espécie rara que é, transformando-se numa autêntica arte pedagógica ao serviço da comunidade. A política ficaria mais rica e as próximas gerações estariam mais capacitadas para uma forma única de interpretação de fenómenos políticos.

  11. Algumas sumidades intelectuais alfacinhas veem Portugal através da montra do gambrinus.Bastava sair da zona de conforto e visitar os flamingos da reserva do estuario do Tejo para terem uma perspectiva mais solar de Portugal.Não sei é se os flamingos ficariam muito contentes com estes “indigenas”…

  12. Vasco Pulido Valente é o característico saloio que foi ao estrangeiro e depois volta para repetir eternamente que “lá fora é que é”. Para se perceber a criatura é necessário conhecer o fenómeno de onde faz parte: o do pacóvio que foi “lá fora” e depois vem construir uma casa com telhado para a neve, e janelas “tipo fenêtre”. VPV é a versão universitária desse saloio.

    A criatura é o exemplo da miséria cultural da “elite da mediocridade instalada” da parvónia lisboeta. É ignorante ao ponto de não saber que “a técnica é a falta de arte dos medíocres”. MIT é um centro de invenção de lixo, forma alquimistas do lixo sob o lema característico desses boçais: “a vida é má e nós vamos fazer melhor que a vida… com quinquilharia de feirante”.

    É necessário ter em conta a pobreza cultural de onde vem estas criaturas. A “elite da mediocridade instalada” é um grupo de saloios que fazem parte barbárie cristã, a tal que é ignorante ao ponto de acreditar que pode existir uma monarquia e uma democracia ao mesmo tempo (como no RU), que confunde um parlamento com um lugar mal frequentado por boçais aos berros uns aos outros (como no RU), que o atraso cultural milenar dos anglo-saxónicos (e restante barbárie germânica) desapareceu por um qualquer milagre redentor desses pré-históricos.

    Estudar história em Oxford é o mesmo que ir estudar algas marinhas para o interior do Sahara. É, por isso, normal que a criatura demonstre a miséria cultural que é, e de onde vêm. Neste fim de semana, no artigo “Portugal não tem cura”, inventou que o centro e norte da europa é civilizado. Esqueceu-se de dizer quando é que essa barbárie se tornou civilizada. A criatura não sabe sequer que a civilização – a vida na civitas e assente no civismo – é o resultado da religião dos manes. Uma religião que a barbárie nunca teve, nem conhece. Mas para VPV “bacalhau basta” diz civilização como os outros dizem “fenêtre” e “poubelle”. Porque “lá no estrangeiro é que é”.

    1. Ainda há alguém mais Vasco Pulido Valente do que o próprio Vasco Pulido Valente. Não sei se é consolação se é destino.

    2. A religião dos manes… As coisas que um Happycure nos diz… E a religião dos manos, não serve? Ah, e também há os manás!

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