Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

16 de Setembro de 2015, 11:40

Por

Contas certas: o emprego que se perdeu e o desemprego que cresceu

nuno serra empregoTemos regularmente direito a uma sopa de números sobre o desemprego. Está tudo a correr bem, diz o governo. O INE é confuso, diz o governo. Portugal recuperou, acrescenta o governo.

Nuno Serra fez um trabalho detalhado sobre o emprego e o desemprego, pesquisando os números oficiais e olhando para os detalhes. Separou o emprego efectivo, os estágios que escondem o desemprego (cujo número disparou para 156 mil) e o subemprego registado (que aumentou em 36 mil pessoas).

Conclusão: há menos 370 mil empregos em Junho de 2015 do que em Junho de 2011. É claro que o emprego é o principal problema social, económico e financeiro. Sem respostas de investimento para criar emprego, de apoio de emergência aos desempregados sem subsídio e de ambição para reestruturar a economia, não há política de verdade em Portugal.

Comentários

  1. Essas contas “optimistas” do governo não levam em consideração 500 mil desempregados que emigraram. Se o resultado incluísse essas pessoas os números seriam bem diferentes.

  2. Mais uma pertinente observação de Francisco Louçã!
    Entretanto, se me permite, seria interessante fazer uma análise comparativa entre os dados da evolução do desemprego e a dinâmica da evolução dos SALÁRIOS. – Qual o número de trabalhadores a receber o salário mínimo? Qual o salário médio praticado e como tem evoluído? Qual o impacto das desigualdades sociais na redistribuição dos rendimentos? Qual o risco real de pobreza entre a população empregada (e não apenas entre desempregados e pensionistas)? Etc.
    Não dispondo desses dados, adianto:
    1. estima-se que 1 em cada 5 portugueses recebem o salário mínimo;
    2. Hoje o salário mínimo, fixado em 505€, vale relativamente menos do que em 1974 – ano da implementação do SMN.
    [1974: 3300 escudos ou 16.5€ em termos nominais – corresponde a uma valor real actual de 548€. A principal diferença é que em 1974 cerca de metade da população dependia do SMN].

    Combinando desemprego, emprego precário e baixos salários – pressionados ainda pela “desvalorização interna”, quão “dumping social” – temos então a receita explosiva para o agravamento do «desequilíbrio demográfico», penalizada pelo custo da população activa que sai, sobretudo se qualificada, e ainda pela fraca atractividade em atrair e disponibilizar oportunidades de emprego a imigrantes que queiram residir e permanecer no nosso país.

    Entretanto gostaria de aqui partilhar a opinião do prof. António FERRAZ – «Degradação dos salários e retrocesso laboral», Correio do Minho, 12/09/2015 – e que é uma interessante e lúcida critica ao “Pensamento Neoliberal”, entre nós assumido pela coligação do governo PSD/CDS – e que é também a receita da troika:
    «[…] E o que dizer da evolução dos salários em Portugal nos últimos anos? As estatísticas oficiais para 2014 (INE, GEE – ME) referentes aos três anos de intervenção externa não enganam, têm havido um claro retrocesso laboral: Aumento meramente marginal (1%) nos salários médios dos trabalhadores por conta de outrem a tempo completo; Mas, tendo em conta a inflação acumulada para aqueles três anos que foi de 2,8%, dentão houve um recuo significativo do poder aquisitivo (de compra) dos salários (“salários reais”) em 1,8%; A média do salário bruto dos trabalhadores por conta de outrem a tempo completo em 2014 foi de 1124,49 euros mensais, uma estagnação face ao ano anterior (variação de – 0,04%);
    A subida a partir de outubro de 2014 em 20 euros mensais do SMN (de 490,7 euros para 505 euros), depois de três anos de congelamento do seu valor nominal, fez com que aumentasse o peso dos trabalhadores que auferiram o SMN, de 13% para 20 % (entre abril e outubro de 2014)! A degradação salarial e o retrocesso laboral é assim uma realidade em Portugal […]»

    Fonte: http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=6995

  3. Portugal é o pais sobre intervenção financeira que menos gasta com prestações sociais segundo a OCDE.Por outro lado existe segundo as noticias vindas a publico,excedente nas contas da segurança social.Por outro lado e tendo em conta o pingue pongue da pre-campanha do passar culpas,o seguinte a dizer:foi o bloco centra ( psd,cds e ps) que levou Portugal á falencia e tambem foi o bloco central que chamou a troika para “limpar” divida bancaria.Tudo o resto são são “narrativas” inventadas nas sedes partidarias e vinculadas atraves da comunicação social “amiga”,a saber:CM,I,SOL,TVI,SIC e mirone.

  4. A verdade questão que se coloca aqui em França , e muito pouca discutida pelos políticos portugueses a propósito do emprego é : que tipo de emprego para à próxima década sabendo que a robotização vai transformar radicalmente o tecido produtivo de todas as economias ocidentais?
    Parece que a apostado deste Governo de competitividade pelos custos não será a mais adequada, devemo-nos também questionar sobre a difícil equação entre o estado social(as prestações sociais ) e a provável escassez dos empregos .

    1. A França arrisca-se-com as tendências actuais do mercado mundial- a depender economicamente do sector primário- Vinhos e agro-pecuária–e a ter que lutar por um lugar subalterno na indústra e serviços, embora tenha para vender planos do Airbus, TGV e Construção Naval. Para lá do Turismo e da inimitável Indústria de Luxo:Cosméticos, Perfumes e Alta Moda. Robots? Só para linhas de engarrafamento, meu caro. Ao contrário do cluster automóvel germânico, a um passo de liderar mundialmente o sector; esse sim, que emprega muitos robots para fazer as peças vitais dos carros…que não quer mandar construir nos países-satélites que lhe favorecem a competitividade e mais-valias gigantescas.

    2. Sim, Dr. Louçã sff dê uma vista de olhos aos vários trabalhos de Jeremy Rifkin a propósito de robotização. Refiro-me à bibliografia em si, não tanto às conferências (mas também).

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