Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

16 de Julho de 2015, 11:17

Por

O Consenso de Berlim, ou o que não pode ser tem muita força

O acordo imposto pela cimeira europeia à Grécia vai colapsar, agora ou depois. Porque o que não pode ser tem muita força.

O acordo é inviável economicamente e é inviável politicamente. E, pior do que tudo, é uma ameaça feia contra a Europa.

É inviável economicamente, porque o agravamento da austeridade numa economia com tal nível de desemprego e de desestruturação produtiva conduz a muito curto prazo a efeitos sociais que são insuportáveis. É inviável financeiramente, porque não pode garantir o fluxo de rendimentos que assegure o mágico pagamento de uma dívida colossal: um país em recessão tão profunda não pode garantir um saldo primário de 3,5% ao longo de uma eternidade. É complicado diplomaticamente, porque não estava nada pensado e ainda ontem ninguém sabia como se poderia envolver o mecanismo europeu de estabilidade e dar as garantias suficientes aos países não-euro. Finalmente, é inviável porque a dívida é insustentável, o que pode levar o FMI a excluir-se do negócio, apesar de a própria Lagarde ter aceite este fim de semana assumir um papel essencial na troika do terceiro resgate. O acordo é irrealista e nunca se poderá concretizar.

O acordo será ainda inviável porque os seus dispositivos são atamancados e irrealistas: para adaptar as palavras de Cavaco Silva, os 50 mil milhões de propriedade pública grega que seriam hipotecados para depois serem privatizados não existem. Não podem portanto resolver o problema da liquidez e da recapitalização dos bancos, que tem que ser uma operação de curtíssimo prazo.

Entenda-se bem, o que isto quer dizer é que nem este plano funciona nem o euro pode jamais permitir a recuperação de economias deficitárias.

Depois, o acordo é inviável politicamente. Passado no parlamento grego, com uma votação humilhante – porque o governo perdeu a maioria e só sobreviveu com o voto dos seus adversários – arrisca-se agora às vicissitudes de outros parlamentos difíceis ao longo dos próximos meses, da Finlândia à própria Alemanha. E cada dia se registarão novos percalços. Haverá crises na Grécia, onde a maioria do comité central do Syriza rejeita o acordo. Haverá quem note que isto é uma punição, um Tratado de Versalhes. Haverá crise noutros países, onde a sede de vingança e a xenofobia anti-grega se tornou o discurso do poder e o modo fácil de recolher votos.

O que isto quer dizer é que na União Europeia e, em particular na zona euro, não são permitidos governos de esquerda e políticas de esquerda.

Inviável económica e politicamente, este acordo coloca então dois problemas à Europa. O primeiro é que, fracassando, agravará as dificuldades da resposta europeia à sua mais grave crise desde a criação do euro. Ou seja, vai tudo ainda piorar. O segundo problema é que a União Europeia não pode sobreviver a uma hegemonia alemã e à terraplanagem ideológica e política que transforma os outros governos em parceiros juniores desta nova ordem. E esse é o problema de fundo para os próximos anos: Merkel desistiu de parcerias, ignorou o equilíbrio e a pose, desprezou os países de baixo e declarou que toma posse do mundo europeu. Agora há uma nova lei na Europa: o episódio da expulsão de Varoufakis da reunião do Eurogrupo é aterradora, porque ele pediu um parecer jurídico que fundamentasse a exclusão de um Estado membro e foi-lhe dito, depois de um confrangedor intervalo de pânico, que o Eurogrupo não tem existência legal e por isso faz o que quer. Vai ser assim a União Europeia.

E isso tem consequências.

A mais grave será o acumular de tensões nacionais. Se a União sabe que a democracia em cada país é uma ameaça, então reforçará o “governo europeu”, como sugere o triste Hollande e Merkel agradece. A fórmula é continuar a fazer tudo como antes, mas pior.

Acresce que este novo mapa tem um efeito político: reforça a hegemonia da direita e do centro, o Arco de Berlim que vai dos partidos de direita aos partidos socialistas. Uns dirão então, como Francisco Assis, que o centro deve virar o mais depressa possível à direita, no caso para evitar a contaminação: “Durante cinco longos meses projectaram-se na acção do Governo Syriza expectativas verdadeiramente miraculosas. O resultado está à vista – a Grécia está numa situação calamitosa” (oh Assis, então não foram os governos do PASOK e da Nova Democracia, com a prestimosa ajuda da Alemanha e da França, que falsificaram as contas públicas gregas e impuseram a austeridade que destruiu a Grécia?).

Em consequência, este cisma europeu vai deslocar uma parte da esquerda para posições de cepticismo (o exemplo inglês é talvez o mais revelador) e para a busca de alternativas, e só há uma, a saída do euro. João Cravinho, por exemplo, não poupou as palavras: “A Grécia não sai do euro, mas está morta. Mataram-na. A única coisa que não fizeram foi enterrar o cadáver”. Tem razão, difícil de compreender é haver quem, depois disto tudo, ainda possa dizer que pode haver soluções “multilaterais” para a dívida ou um putativo e miraculoso consenso europeu para corrigir a austeridade, ou mesmo que se pode negociar com Schauble e chegar a um entendimento que não seja a sua lei, desde que se seja “firme”.

Consequentemente, o mesmo caminho dos acontecimentos vai arrastar outra parte da esquerda para o Consenso de Berlim, com o argumento de que os acordos de austeridade impostos à Grécia já eram a prova de que “a crise do euro começou a acabar” ou que o que precisamos é de mais poder para as autoridades europeias e mais governos como o de Hollande. Ou até sugerindo que, com um governo Costa, o nosso país deixaria de ser “um aliado das imposições do Governo alemão” – só que Hollande e Costa aprovaram as propostas de Schauble e Merkel para a humilhação da Grécia e esta bomba ao retardador contra a Europa (como bem assinala Daniel Oliveira).

A vida é assim: o que não pode ser tem muita força. A impossibilidade política, económica e financeira deste resgate da Grécia já é um terramoto na Europa. E ainda mal começou.

Comentários

  1. Caro Louçã, o senhor é professor catedrático numa universidade pública portuguesa, o que talvez já seja suficiente para o colocar entre os 5% da população com maiores rendimentos. Sendo, assim, um dos cidadãos mais ricos de Portugal e sendo socialista, seria de esperar que estivesse disponível para reduzir os seus rendimentos (por aumento de impostos e/ou redução de salário) para ajudar a acertar as contas públicas. Na sua opinião, qual é a redução que um salário de 5000€/mês deve ter para ajudar a acertar as contas públicas?

    Tendo os trabalhadores alemães salários médios bastante inferiores a 5000€/mês, por qual razão devem os trabalhadores alemães transferir para Portugal (e para a Grécia) parte dos seus rendimentos para acertar as contas públicas portuguesas (e as gregas) quando os portugueses (e os gregos) ricos não parecem disponíveis para contribuir?

    Acha que, se insultarmos muito os alemães (capitalistas, selvagens, nazis, rodinhas, coxo,…), eles vão intimidar-se e dar-nos o dinheiro deles?

    Note que não estou a insinuar que o Louçã insultou, apenas citei alguns mimos que aparecem nos comentários neste blogue e também nos cartazes das manifestações na Grécia.

  2. Caro Sr. Louça,

    Relativamente o assunto grego, acho sempre que a gente autêntica de esquerdas, sempre deixa ficar a Merkel, Schauble e a UE, como os maus do filme, e eu penso que os gregos alguma coisa nao fixeram bem, mas creio que a autêntica gente de esquerdas e que detêm a única verdade universal, nao gosta de fazer qualquer autocrítica. A culpa é sempre dos capitalistas e o capital
    Com este comentario nao deve pensar que eu sou de direitas porque fica completamente enganado.
    Cumprimentos desde Espanha
    Peço disculpa pelo meu portugués.

    1. Sim, há imensas responsabilidades gregas. Por exemplo, o governo do partido irmão do Sr. Schauble colocou na Constituição grega que os armadores não pagam impostos.

    2. Boa resposta, falando de autocrítica, a culpa da direita. Lembre-se que na Grécia houve tambén governos de esquerda, e nao o fizeram melhor do que os outros, no fim, sao todos gregos, nao é? Nao tenhem remédio.
      Como vejo que gosta de julgar aos partidos irmaos do Schauble, num outro artigo pode falar das consequências das políticas dos seus camaradas na Romenia e na URSS no século XX, ficaría engraçado.
      Cumprimentos.

    3. Bastante rasteiro e ignorante. Os “camaradas” que eu respeitava estavam nas prisões da Roménia e nos campos de concentração da URSS. Não basta a pedrada para fazer uma conversa inteligente.

  3. O presente conflito ideológico de fundo na Europa, nas palavras de Donald Tusk…

    “I am really afraid of this ideological or political contagion, not financial contagion, of the Greek crisis. Today’s situation in Greece, including the result of the referendum and the result of the last general election, but also this atmosphere, this mood in some comments — we have something like a new, huge public debate in Europe. Everything is about new ideologies. In fact, it’s nothing new. It’s something like an economic and ideological illusion, that we have a chance to build some alternative to this traditional European economic system. It’s not only a Greek phenomenon.

    This new intellectual mood, my intuition is it’s risky for Europe. Especially this radical leftist illusion that you can build some alternative to this traditional European vision of the economy… My fear is this ideological contagion is more risky than this financial one.” (Donald Tusk, yesterday, Financial Times)

    1. Depois da segunda guerra mundial a europa viveu o período de paz mais longo e próspero . Houve muitas razões para isso, mas penso que a maior razão foi uma distribuição da riqueza mais justa e equilibrada, com a criação de uma classe média forte e próspera, juntamente com a valorização da força do trabalho. Com Reagan e Thatcher começou o retrocesso e até ao presente este retrocesso tem vindo a acelerar. Suponho que o senhor Donald Tusk seja um dos políticos que apoia este processo de retrocesso e que quando fala de ” traditional European vision of the economy” se está apenas a referir ao período post Reagan-Thatcher e não ao que existia antes. Tem medo que haja uma contestação desta visão e abrandamento deste retrocesso. Hoje em dia qualquer pessoa que contesta ou não concorda com este processo é etiquetado como “radical left”. Basta ver as estatísticas para perceber como a riqueza está a ser distribuída e perceber que este retrocesso é uma realidade.

  4. Sr. SCHAUBLE – O Ministro das Finanças Anarquista.

    – Sr. Schauble, dizem por aí que quis humilhar os gregos e até tem um plano para a Alemanha dominar a Europa, e fazer capitular a Grécia. Isto é verdade?
    – Mas… Eu sempre defendi a Europa e amo a Grécia! Além disso, o que seria da União Europeia sem a generosa participação da Alemanha? Que mal pode haver querer um alemão uma Europa com uma liderança firme e um euro forte?
    – Diz que ama a Grécia… Então não gosta do Syriza e dos radicais de esquerda. Não haverá por aí algum tipo de preconceito ideológico, Sr. Schauble?
    – De maneira alguma! Eu até confidenciei a Varoufakis as minhas ideais sobre o Euro e o futuro da Grécia… Acha que eu o faria se tivesse algum tipo de reserva para com eles?
    Esquerda? Direita? Ideologias? Dá-se-lhes demasiada importância… Vou confessar-lhe algo que nunca antes revelei. Sou ANARQUISTA!
    ‘- Essa é boa! Você anarquista! Em que é que você é anarquista? Só se você dá à palavra qualquer sentido diferente…‘
    ‘- Do vulgar? Não, não dou. Emprego a palavra no sentido vulgar.‘
    – Queira desculpar Sr. Schauble, mas não entendo…
    – Quer prova maior de “Anarquia” do que defender a saída da Grécia do Euro? A dívida grega é insustentável… toda a gente sabe disso. Então, o que fazer para libertar os gregos da dívida? Emprestar mais dinheiro? Não. Sair do Euro… saindo, logo haverá perdão de parte substancial da dívida…
    – Mas se assim é, por que não se faz logo a reestruturação da dívida? A Sra Lagarde também defende isso…
    – Ora aí está o cerne da questão… O perdão da dívida é incompatível com os tratados. Enfim, seria tudo melhor se não houvesse tanta burocracia… papéis, reuniões, acordos, cimeiras, tratados.
    – Mas, então, como explica o tal fundo de 50 mil milhões de euros. Diria que isso é um “confisco”, – deliberadamente um roubo! Para mais a Grécia não tem património para tanto…
    – Repare, esse é um montante “absurdo” precisamente para ser rejeitado pelos gregos. Ao contrário do que parece, o propósito desta proposta descabida é que sejam os gregos a decidir sair da espiral de recessão e dívida em que se meteram… Eu só quis ajudar a Grécia indicando o melhor caminho. Para mais, repare, no texto do acordo até constava um parênteses que abria a porta à saída – e essa premissa não consta no tratado de adesão à moeda única. Veja como tenho sido um verdadeido “anarquista”!
    – E ainda assim Tsipras aceitou a crueldade deste acordo! Humilhante…
    – Sabe, um problema comum das Esquerdas é a sua falta de coerência política. Passam grande parte do tempo a criticar o “capitalismo”, num populismo em defesa dos oprimidos, mas depois acabam sempre por ceder à pressão do “capital”. Contra isso nada posso fazer (para mais represento o quadrante político oposto).
    – Então é um anarquista democrata-cristão? Isso pode lá ser?
    – Podemos dizer que sim. Varoufakis também é a seu modo um “anarquista”. E veja como apesar das acusações que me dirigiu (propaganda para grego ouvir!) também sugeriu o caminho para a introdução de um “moeda paralela”, ainda sem admitir que a verdadeira solução – Anárquica – é a saida do Euro… Mas, pobre infeliz, acabou isolado pelo seu partido radical de esquerda.
    – E o Sr. Hollande, supostamente esteve ao lado da Grécia, defendendo a permanência…
    – Engana-se! Na verdade o Presidente francês nunca esteve ao lado dos gregos (embora lhe fique bem parecer o contrário). Defender a permanência da Grécia só porque sim, sabendo que tal situação é financeira e economicamente insustentável, é como dar um pouco mais de corda ao miserável que vai ser enforcado! Hollande, tal como a maioria dos políticos europeus, defende a “tirania”.
    – Tirania de quê, afinal?
    ‘- A tirania do auxílio. Havia entre nós quem, em vez de mandar nos outros, em vez de se impor aos outros, pelo contrário os auxiliava em tudo quanto podia. Parece o contrário, não é verdade? Pois olhe que é o mesmo. É a mesma tirania nova. É do mesmo modo ir contra os princípios anarquistas.‘
    ‘- Essa é boa! Em quê?‘
    ‘- Auxiliar alguém, meu amigo, é tomar alguém por incapaz; se esse alguém não é incapaz, é ou fazê-lo tal, ou supô-lo tal, isto é, no primeiro caso, uma tirania, e no segundo um desprezo. Num caso cerceia-se a liberdade de outrem; no outro caso parte-se, pelo menos inconscientemente, do princípio de que outrem é desprezível e indigno ou incapaz de liberdade.‘
    – Sr. Schauble, como explica então o plano de auxílio da troika e a imposição de políticas de austeridade. Isso não é uma forma de tirania?
    ‘- Você vê bem que este ponto era gravíssimo. Vá que trabalhássemos pela sociedade futura sem esperarmos que ela nos agradecesse, ou arriscando-nos, mesmo, a que ela nunca viesse. Tudo isso, vá. Mas o que era de mais era estarmos trabalhando para um futuro de liberdade e, não fazermos, de positivo, mais que criar tirania, e não só tirania, tirania nova, e tirania exercida por nós, os oprimidos [da crise do euro], uns sobre os outros. Ora isto é que não podia ser…
    Pus-me a pensar. Aqui havia um erro, um desvio qualquer. Os nossos intuitos eram bons; as nossas doutrinas pareciam certas; seriam errados os nossos processos? Com certeza que deveriam ser. Mas onde diabo estava o erro? Pus-me a pensar nisso e ia dando em doido. Um dia, de repente, como acontece sempre nestas coisas, dei com a solução. Foi o grande dia das minhas teorias anarquistas; o dia em que descobri, por assim dizer, a técnica do anarquismo.‘
    Então, concretizei que a melhor forma de libertar os gregos e preservar a moeda única, que também serve à Alemanha, seria propor a saída da Grécia do Euro!

    “TUDO MENOS ECONOMIA”. O texto acima é um diálogo de ficção entre Schauble, ministro das finanças que descobre ser “anarquista”, e um personagem anónimo – inspirado no conto “O BANQUEIRO ANARQUISTA”, de Fernando Pessoa [1922]. Alguns dos trechos deste diálogo são reprodução do conto. Aqui fica uma sugestão para a adaptação do conto original ao Teatro.

  5. “Vendas de automoveis novos em Portugal dispararam 30% no 1º sem 2015”
    HIHIHIHIHIHIHIHI ! Já falta pouco para a tragédia grega passar a fado fininho.
    Nada mudou.

    Ó Passos ! ÉS UM MÉSTRE ! O Antonio Costa vai herdar cá um menino ! Se calhar vai ser ele a pedir o 2º resgate à lá socrates!
    Eu até votava em ti para te lixar Passos se soubesse que o meu voto te dava a vitoria. Mas tenho-te um odio de morte que a caneta não conseguia atingir o boletim de voto. !
    Ah, a Merkel pediu-me par a vos dizer “Dankeshoen” pelo aumento das vendas de VW, Opel, BMW, Mercedes, Audi
    Aquela supressão da contribuição solidaria veio mesmo a calhar as fabricas alemãs

  6. Ó louçã a tua esquerda é uma anedota. Então o que queres que o tripas faça ?
    Até o gasoleo para gerar eletrecidade para manter os candeeiros acesos em atenas à noite é importado.
    Solidariedade ? tu andas a sonhar ? mas alguem dá alguma coisa a alguem neste mundo ? Uns trabalham para os outros paparem ?
    Tenho um familiar a viver em londres à decadas a papar do estado britânico sem nunca ter feito uma palha. Achas isso bem ?
    Toma juizo amigo.
    Os gregos ou vivem nas suias possibilidades ou deixam de ser gregos e vendem a alma ao diabo.
    Eu pessoalmente prefiro ser PORTUGUÊS e viver à luz de candeias de azeite que ser um escravo alemão…. mas não estou à espera, como tu que os alemães sejam solidarios e me atirem uns bocados de pão bolorento de vez em quando.
    Os gajos atiraram comboios de dinheiro para cá na CEE foi para tu abrires os mercados pare eles cá venderem tudo o que quisessem e manter o povo deles ocupado e próspero enquanto tu te endividavas para finjir que vivives ao mesmo ninvel que eles detentores da sabedoria e tecnologia.
    Toma juizo

  7. “O que isto quer dizer é que na União Europeia e, em particular na zona euro, não são permitidos governos de esquerda e políticas de esquerda.” – mas a culpa é do Syriza que andou armado em leão e teve uma saída de sendeiro… Como é possível ir à luta e pedir ao inimigo que lhe empreste as armas? Mais valia estar quietinho e ter deixado governar a Nova Democracia, ao menos não fazia figuras tristes e não destruia o projecto das esquerdas europeias, como o Podemos, por exemplo.

    1. Eles queriam atirar-se ao pescoço da merkel como leões.
      Mas depois acagaçaram-se quando perceberam que estavam a 24h-48h de voltar para a idade do bronze.
      É que os totos que votaram neles achavam isso muito bonito até ao momento em que as luzes se apagavam lá em casa e eles tinham de ir buscar a candeia de azeite da bis-avó para verem à noite.

  8. Podem bem todos os membros do “euro-grupo”, que como foi dado a conhecer nem sequer existência legal possui, limpar as mãos depois da trampa que fizeram.
    O seu comportamento foi mais próximo do comportamento dos mafiosos do que parceiros irmanados num projecto solidário comum.
    Como todos os economistas afirmam, a capitulação da Grécia e as medidas a que se obriga não irão resolver a profunda crise económica, financeira e social em que se encontra. Não resolverá o problema do endividamento, do desemprego, da pobreza, da economia.
    Esta Europa do euro comandada pelo capital financeiro não admite outro alinhamento que não seja o modelo único neoliberal que tudo subordina aos interesses do capital financeiro, dos bancos e das grandes empresas, dos seus proprietários e aliados políticos.
    Este modelo económico e social tenta e está conseguindo destruir, aniquilar o modelo social do “capitalismo social” saído do pós-guerra com o seu estado-social de desagravamento das desigualdades sociais, da educação e saúde universais e gratuitas e da protecção social no desemprego, na doença e na velhice.
    É um modelo com uma “economia que mata” como diz o Papa Francisco em que todos os recursos do trabalho, em que todos os recursos criados pela sociedade são tomados pelo capital financeiro.
    Trata-se da luta de uma classe privilegiada, reduzida em número mas detentora da riqueza financeira e económica e também do poder político, que pretende ampliar a sua riqueza apropriando-se da riqueza que é de todos e dos rendimentos da classe média e dos trabalhadores.
    E isto, nos tempos modernos, é novo no capitalismo. Regressámos ao tempo em que apenas é concedido aos trabalhadores o mínimo indispensável à sua própria sobrevivência. Em que à falta do subsídio de desemprego ou outros apoios sociais se lançam milhares de trabalhadores na pobreza.
    Engrossando agora o mundo do trabalho também a chamada classe média, funcionários públicos, professores, enfermeiros, etc, e muitos pequenos empresários depois do aniquilamento das suas empresas no combate desigual que mantiveram com as hipper empresas.
    A frente dos que estão a ser hoje explorados é o termo exacto, por uma minoria minúscula mas poderosa da sociedade, possuída de uma ganância desmedida, ávida de riqueza e poder, é demasiado ampla para que possa sentir-se segura num futuro próximo. A reacção de ódio que manifestou para com o governo grego demonstra-o. Ficou também claro que a democracia é incompatível com os seus desígnios.
    A Grécia provou-o agora, mas outras Grécias seguramente surgirão muito em breve.

    1. E que interessa isso ao povo desde que tenha crédito para ter um carro (alemão), um iPhone, uma tablet, festivais de Verão, bigbrothers, danças com as estrelas…? Isso é o que interessa, depois na velhice e doença isso logo se verá.

  9. O problema da Grécia era a sustentabilidade da divida e os desequilíbrios financeiros. Era, porque de há 6 meses para cá passou a ser uma luta esquerda-direita. Ou melhor, uma luta “um tipo de esquerda” contra tudo o resto. Fazendo contas por alto, parece-me que a Grécia já recebeu dinheiro para pagar toda a divida e juros mas no entanto a divida continua a crescer. Este acordo tenta mais uma vez obrigar a Grécia a ajustar os seus gastos e receitas, o que curiosamente já estava a acontecer no final de 2014, contra as previsões de muitos, no qual se inclui o Dr Louçã. Mas o Dr Louçã também fez este mesmo discurso da “impossibilidade” sobre o ajustamento Português, condimentado de necessidade de novo resgate e salpicado de espiral recessiva. Por isso tenho de colocar no mesmo cesto as suas previsões de inviabilidade ou que “vai tudo ainda piorar”.
    Não conheço nenhum exemplo no mundo em que as medidas de austeridade aplicadas a um país que necessita reequilibrar as finanças não tenham sido duras. São sempre. Mas continuo à espera que alguém demonstre que há outro caminho e até à data não o vi, e não é por opção politica que apoio este, é mesmo por constatação. Por muito que tenha doido, Portugal, Espanha, Irlanda, Chipre ou Islândia estão hoje melhor que há 4 ou 5 anos e a Grécia nem por isso.
    Estou contra a (auto) incapacidade dos gregos em resolver os seus problemas, não estou contra nenhum grego. Estou contra o Syriza e anteriores governos que não fizeram nem fazem as reformas (muito) necessárias, não estou contra governos de esquerda ou direita. A Grécia pertence à EU e ai deve continuar, mas a zona Euro obriga a regras que todos devem respeitar e penso que os gregos já começaram a acreditar nisso. Poderiam tê-lo feito há uns anos, mas a Europa deu-lhes mais uma oportunidade para acreditarem e penso que o irão fazer.

    1. Pois é. Temos um PIB inferior ao que tínhamos quando começaram as “reformas” e temos uma dívida maior. Não são previsões, são factos.

    2. Quem está à beira do incumprimento, com o deficit descontrolado, sem dinheiro nem para despesas primárias, que medidas podem ser aplicadas que não contraiam o PIB ? Emprestam-nos 78 MM€, fazemos de conta que esse montante não aumenta divida ?

    3. “sustentabilidade da divida e os desequilíbrios financeiros” – Dívida privada e não pública (Bancos e jogatanas com o dinheiro dos clientes); “parece-me que a Grécia já recebeu dinheiro para pagar toda a divida e juros mas no entanto a divida continua a crescer.” – Então impute essa responsabilidade ao PASOK e à Nova Democracia, pois o Syriza só lá está à pouco mais de 6 meses e nem tempo teve para governar a Grécia com esta contenda neo-lib; “ajustar os seus gastos e receitas, o que curiosamente já estava a acontecer no final de 2014” e “Por isso tenho de colocar no mesmo cesto as suas previsões de inviabilidade ou que “vai tudo ainda piorar” – Não é curioso nada, só prova a artificialidade do sistema, ou seja, se a Alemanha e o BCE quiserem (pelo menos a promessa), o buraco é enchido com dinheiro e os especuladores da dívida desistem. Quem alterou o rumo dos acontecimentos foi o Draghi e não os governos de Portugal, Espanha, Grécia…; “Não conheço nenhum exemplo no mundo em que as medidas de austeridade aplicadas a um país que necessita reequilibrar as finanças não tenham sido duras” – E que me diz da Alemanha depois da 2ª Guerra mundial?; “Mas continuo à espera que alguém demonstre que há outro caminho e até à data não o vi” – Abra os olhos (eu sei que os media apaniguados tudo fazem para o esconder), então e o caso da Islândia? É claro que isto é como os vícios, o desmame é sempre doloroso, mas a continuação do vício é pior; “A Grécia pertence à EU e ai deve continuar, mas a zona Euro obriga a regras que todos devem respeitar e penso que os gregos já começaram a acreditar nisso” – Pois é, continua-se a persistir no erro – é difícil largar o vício e isso paga-se, pois quem faz as regras são os “dealers” (Alemanha, França, Holanda…) e não os “viciados” (Grécia, Portugal, Irlanda…); “Poderiam tê-lo feito há uns anos, mas a Europa deu-lhes mais uma oportunidade para acreditarem e penso que o irão fazer” – Mas não foi a Europa (troika) que impôs as regras? você é mesmo inocente… A Europa deu-lhes outra oportunidade de quê, de eternizar a dívida? É melhor ver o documentário “Zeitgeist”, “O dinheiro como dívida” ou “La toma” (doc de Naomi Klein sobre a Argentina), no Youtube, para perceber a “bondade” dessa gente..

    4. “Emprestam-nos 78 MM€, fazemos de conta que esse montante não aumenta divida ?”
      Não, não aumenta a dívida porque o empréstimo foi utilizado para amortização da dívida, isto é trocou-se dívida por dívida.
      Só uma pequena parte desse empréstimo de 78.000 milhões de euros, cerca de 12.000 milhões de euros dos quais só 6.000 milhões de euros foram utilizados para a recapitalização de dívida constituem nova dívida. Os outros 6.000 ME estão nos cofres cheios da ministra.

  10. Estimado Francisco Louçã, sem querer desviar o tema principal do seu artigo, sugiro que analise a seguinte ideia “alternativa” lançada pelo economista Peter Koenig. Uma alternativa que pode valer 50 mil milhões de euros e muitas décadas de austeridade?

    – Onde pode a Grécia arranjar dinheiro para financiar a saída do euro?

    [Os dados que se seguem podem ser encontrados em «Greece – An Alternative to Troika Style Austerity», Global Research – por Peter Koenig, 12/07/2015, vide hiperligação abaixo]

    Principais tópicos: (tradução livre – não dispensa consulta)
    – Entre 2011 e o início de 2015 a Suiça desvalorizou 17% o franco em relação ao euro, potenciando dessa forma as exportações.
    – Durante este período o Banco suiço acumulou mais de 500 mil milhões de euros.
    – A Suíça poderia dar conceder uma grande parte destes fundos, dizem 350-400.000.000.000 CHF para a Grécia, a uma taxa de juros entre 0,5% e 1%
    – O fundo serviria como espécie de “Plano Marshall”, destinado a investimento e recuperação da economia grega.
    – A Suiça poderia ainda dar suporte técnico à conversão do Euro para a Dracma. Peter Koenig fala num gesto de “solidariedade” tendo em conta que os bancos suiços lucram com milhões de “oligarcas” gregos provenientes de evasão fiscal.
    – Apesar de não se conhecer a resposta da Suiça a uma proposta colocada deste tipo, bem como a reacção da UE, o autor não vê impedimentos legais na lei internacional.
    – Peter Koenig faz ainda referência a Oskar Lafontaine (antigo ministro das finanças alemão) que numa entrevista ao Der Spiegel terá assumido o falhanço do euro, sugerindo o retorno às moedas individuais alinhadas numa banda acordada de cambio [“snake”].

    Feito o diagnóstico. Em busca de soluções alternativas. Fará isto sentido?
    Se sim. Qual a disponibilidade da Suiça? Qual as oportunidades de crescimento económico para a Grécia? Qual a reacção da UE/Eurozona? Como montar um mecanismo de transição para o Dracma? Etc.
    Deixo à vossa análise e reflexão…

    Para mais, vide: http://www.globalresearch.ca/greece-an-alternative-to-troika-style-austerity/5462130

    1. Pois, isso é tudo muito bonito, mas a globalização afirmou ainda mais a consciência de classe… dos mais ricos (pertença de matilha), ao contrário do que queria e previa Marx – consciência de classe do povo trabalhador… (que não a tem e cada vez é pior com o vicio consumista). O povo vende-se por migalhas, ao contrário do poder financeiro e corporativo que até compra governos. Só quando uma classe intermédia de poder se sentir mal é que as coisas podem mudar, como foi, por exemplo, o 25 de Abril, que foi feito pelos capitães para defender a sua classe ou o fim das monarquias, quando a burguesia começou a ter poder económico. O problema da Grécia (dos gregos) é querer sol na eira e chuva no nabal, que é como quem diz: não querem fazer sacrifícios, mas também não querem sair da UE… Apesar de tudo, foi um povo que não se acobardou (ao contrário do povo português) e esgotou as alternativas… ou quase, porque parece-me que vem por aí a extrema-direita.

    2. Tas a ver Louçã, aqui é que podias berrar.
      A suiça não empresta, mas permitem-lhe vender aqui todos os produtos que quiserem livremente. Nestle, Swatch etc

      E que tal BANIR a importação de marcas suiças ?
      Ehhh os tugas até relichavam de raiva por não poderem dar mais o seu dinheiro aos suiços pelas barritas de energia tãããããõoo boas.

  11. Tsipras pode ser péssimo mas aguentou-se e ainda não se demitiu. Ele que faça desaparecer o grande cobarde…
    O incompreensível vem do cobarde da mota, um tal de varoufakis que mora numa mansão em Atenas e que fugiu assim que lhe foi conveniente. Será que o cobarde varoufakis vai ter problemas de liquidez como os gregos cuja casa incendiou? Não parece. Será que a grécia está morta para um homem com tão pouco carácter? Será que o varoufakis só tem 60 euros diários?

    1. Cobarde? Engraçado que lutar pelas suas convicções e não ceder a chantagens é chamado de cobarde… Eu diria que o contrário se chama de hipocrisia. Espero que o Varoufakis forme um partido de esquerda “verdadeiramente” radical e ganhe as eleições na Grécia, para poder mostrar ao imberbe do Tsipras que estar na política não é o mesmo que brincar com soldadinhos de chumbo. Varoufakis demitiu-se por não concordar com a capitulação do Tsipras (isto está documentado pelo próprio em entrevista).

  12. “Comecemos por reparar num singelo facto histórico: a extrema-esquerda, nas suas múltiplas manifestações, não só nunca aderiu ao projecto europeu como até, pelo contrário, sempre o anatematizou como uma construção típica das “democracias burguesas “ dominadas por uma lógica capitalista, por definição condenada à extinção devido à inexorável dialéctica da História. Não conheço um só caso em que tais forças políticas tenham exprimido a mais leve adesão ao projecto europeu na sua materialização concreta desde o pós-guerra até aos dias de hoje. Ao invés desta atitude a social-democracia, mau grado algumas circunstanciais resistências iniciais, contribuiu decisivamente para a consolidação de instituições assentes na partilha da soberania e na supressão de um esclerosado endeusamento do Estado-Nação. Esta diferença remete para uma intransponível fronteira doutrinária que não pode deixar de ter consequências no domínio da prática política, como efectivamente não deixou.” Francisco Assis, Público

    1. Não sei se o Assis precisa de “citadores”. Mas acho que está a ver mal o filme. Isto não é uma questão de extrema-esquerda. Ouça o que dizem Manuel Alegre ou João Cravinho sobre o ultimato do último fim de semana e, por favor, não chame a isto “projecto europeu”.

    2. O Assis é um infiltrado da direita no PS. Um capacho que subiu à custa do PS (veja as suas origens humildes) igual ou pior à Zita Seabra.

  13. Caro Prof. Louçã.

    A pergunta que deixo hoje é:

    Apesar dos bluffs de parte a parte, o Bloco de Esquerda vai continuar a apoiar o Syriza, mesmo depois deste golpe de estado, ou vai coerentemente cortar relações com aquele partido?

    Tsipras já se devia ter demitido na segunda-feira. E todos sabemos que este acordo só serviu para ganhar tempo, para a direita (PS, PSD e CDS) ganhar em Portugal e em Espanha…

    1. Isso perguntará ao Bloco. Não me compete responder, aqui só escrevo a minha opinião sem dependência partidária. Aliás, nem creio que esse tema seja o que importa.

  14. Caro Francisco Louça, é melhor ir com calma no que diz respeito à avaliação das consequências deste acordo.

    Ontem Lagarde admitiu que a dívida era impagável. Hoje mesmo, Draghi diz que a necessidade de reestruturação era óbvia.

    Sim, o acordo doeu. Sim, foi uma humilhação. Mas, tal como no xadrez, às vezes temos de perder uma peça importante para ganhar o jogo mais à frente.

    Talvez estes 5 meses não tenham servido para nada. Talvez tenham. Vamos esperar.

    Acho que é precipitado a esquerda à esquerda do PS aproveitar este acordo para renunciar completamente a uma via europeia. Logo agora que a grande reivindicação, a renegociação da dívida, está a tornar-se “mainstream”.

    1. Não aproveito nada nem altero o que tenho dito desde há muito tempo sobre a alternativa. Nem faço juizos precipitados, não me leu uma palavra com considerações pessoais acerca dos protagonistas. Mas considere que Tsipras explica ao palamento que estas medidas são prejudiciais para a Grécia. São mesmo.

  15. Atribui as culpas à Alemanha, mas parece que afinal o senhor Shauble desde o referendo (talvez antes) defende a saída da Grécia do euro como pode comprovar no artigo de hoje do Bloomberg(http://www.bloomberg.com/news/articles/2015-07-16/schaeuble-shrugs-off-greek-vote-saying-euro-exit-is-best).
    É contraditório com o que o Francisco Louça diz.
    Fazem, em coro com os seus camaradas, da Alemanhã o bode expiatório dos males criados pelo Socialismo. Não percebo bem porque. Talvez seja o reflexo do ódio ao passado nazi da Alemanhã infundado nos dias de hoje.
    Critica-se uns por lamberem as botas à Alemanha, mas esses críticos lambem as botas à Rússia ou Venezuela. Não passam de uns lambe botas, tenham ao menos a sabedoria para lamber as melhores botas. O Syriza pelos vistos lambeu as botas erradas.

    1. A terminologia é boçal, a política parece ser uma questão de lamber botas. Quanto ao “socialismo” como culpado da Grécia, lembro que o governo que falsificou as contas e os governos que afundaram a recessão eram do partido irmão do do Dr Schauble.

  16. A resposta à pergunta do Daniel Lobo é mesmo a do um milhão de dólares… logo também estaria muito interessado nela.

    Agora quanto às possibilidades futuras da esquerda europeia (esquerda não comunista, entenda-se) também tenho as mais sérias dúvidas quanto a estar em condições de construir uma alternativa isto porque:
    – A solução para países como a Grécia e Portugal só poderá estar numa saída do Euro
    – A saída só pode acontecer negociada e apoiada porque, se não, será uma tragédia grega ainda maior
    – A esquerda de que falamos é ela própria, julgo, europeísta, cosmopolita, e não está, ela própria, julgo, preparada para os sacrifícios que se iriam seguir a uma saída do euro mesmo que negociada.

    Perante tudo isto parece-me que, realmente… o que tem que ser tem muita força!

    E é realmente no que tem que ser que tá o busílis da questão!

    1. A saída pode e deve ser negociada, mas pode ser imposta se as negociações falharem. Foi o que demonstrei com todo o detalhe no livro que escrevi com Ferreira do Amaral, A Solução novo Escudo. Prosseguir a austeridade é que não é alternativa. Aliás, por este caminho a Grécia terá sempre que sair, e em condições piores.

  17. É mesmo assim.
    O processo que estamos a testemunhar, mesmo que haja algo que continue a escapar á opinião dos cidadãos (acho eu, sinto que algo está me está a escapar), recorda o fascista: “punir um para educar 100”.
    O terror somos nós, ou melhor, o terror é esta Europa em que muito acreditávamos.
    RIP.

    1. O processo que estamos a testemunhar, e que a Anna Rossi, diz recordar-lhe o fascismo, lembro-lhe que resulta de eleições livres e democráticas. Certamente que se a Europa fosse dominada por partidos da Esquerda Unitária Europeia, esta Europa seria outra; mas os europeus não querem. A esquerda esquece que a Europa é de direita, porque essa é a sua livre e democrática escolha. Querem outro sistema? Ganhem eleições.

    2. “A esquerda esquece que a Europa é de direita, porque essa é a sua livre e democrática escolha. Querem outro sistema? Ganhem eleições.” – Pelos vistos ganhar eleições não chega… com os ditadores como o nazista Shaüble, que tanto defendes.

  18. Olá Caro Francisco Louçã

    Como sempre assertivo e esclarecedor nas suas análises, todos fossem assim.Não posso deixar de colocar uma questão, sendo que não me importo nada que seja sucinto na resposta.
    Todos os que tinham expectativas face ao Syriza ficam de alguma forma decepcionados ao perceber que afinal não existia Plano B, no caso, sair do Euro.Sempre se pensou que Tsipras tinha essa jogada de bastidores em carteira e já bem estruturada.Contudo, não se passou assim.Daí que pergunte, se a Grécia saísse, protelando o pagamento às instituições até ter condições para isso, as suas receitas não seriam suficientes para sustentar o país? Não seria este o momento para o fazer?
    Parece-me que as consequências desta relativa capitulação do Syriza minam de alguma forma a possibilidade da restante esquerda europeia seguir alguns passos, na medida em que aparentemente no fim da linha o que existe é um muro de total inflexibilidade.E isso mais do que nunca, ter-se-à tornado no maior dos medos na opinião pública que vota.

    1. Quanto à primeira parte, acho que sim, e teria sido melhor quando havia uma reserva de divisas e um saldo positivo.

  19. O que não se permite na união europeia é o que se faz internamente em Portugal e grecia: taxar quem trabalha para dar a quem não produz e vive de subsídios (e a oligarcas também a bem da verdade).

    É absurdo achar que se pode desviar o dinheiro dos contribuintes alemães/norte da europa, para financiar governos de esquerda ou seja governos dos subsidios, promover o “não fazer nenhum”, promover as empresas e bancos à sombra do estado.

    Bravo Merkel, bravo Alemanha. Obrigado por nos defenderem da esquerda caviar.

    1. Finalmente alguém que aplaude Merkel. Não se esqueça do Schauble, ele merece.

    2. Engraçado, julguei ler que a ajuda e perdão da dívida grega está mesmo para acontecer e que a factura já vinha a caminho de Portugal. Quanto á narrativa da dívida ter sído feita pelos calões do gregos e portugueses, que só sabem mandriar (na Alemanha trabalham menos horas, logo o problema está nas chefias/lideranças, basta ver o quão bom é um trabalhador emigrante português) também parece que li que foram os bancos os causadores da crise e que empurraram as culpa$ para os estados. Larga a droga!

    3. Quando aparece essa graçola, penso sempre que se referem a pessoas de esquerda que eram pró-soviéticas. Mas às vezes parece que não é isso. Uma graçola é sempre uma graçola.

  20. O senhor professore não poderia dar um pulinho à Grécia para ajudar os sirisas a resolverem o problema?
    Tenho a certeza que em poucos minutos convencia o Alexis a dar o passo em frente

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