Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

2 de Julho de 2015, 08:35

Por

Do que Sampaio da Nóvoa não precisa mesmo

novoaAntónio Nóvoa é por hoje o candidato mais expressivo na oposição aos personagens do governo das direitas. Mas ainda estamos muito longe das eleições presidenciais e as primeiras e raras sondagens (Eurosondagem e Católica) demonstram que uma parte importante da população, porventura metade, nem conhece o candidato. Têm conclusões muito diferentes (38% numa e 11% noutra), mas as perguntas são diversas e nada directas. Isto era de esperar e não constituirá uma decepção para a campanha. Tem muito pela frente.

Não se sabe sequer qual será o quadro das eleições. Marcelo pode candidatar-se e será o mais forte nome da direita, mas depende em primeiro lugar da derrota de Passos e Portas; ele é um dos interessados nessa derrota. Rio fez que avançou e recuou e ainda pode querer fazer uma corrida de velocidade para se antecipar a Marcelo mas, se o PSD-CDS, a magnífica PAF, forem derrotados, perde o espaço para as presidenciais. Durão Barroso está à espreita e Cavaco Silva pressioná-lo-á todos os dias, mas a sua habilidade fica-se pela apresentação de um livro de Miguel Relvas, não se lembrou de mais: fora de jogo.

E na esquerda faltam os candidatos. O PCP e o Bloco precisam de apresentar as suas propostas, porque só assim responderão ao país e, se houver vários candidatos de direita e populistas, só assim contribuirão para uma viragem na segunda volta.

Face a este cenário, Nóvoa tem que se mexer depressa e muito. Não pode cometer erros.

Primeiro erro que não pode cometer: não pode oscilar politicamente, tem que ter um discurso sustentado para enfrentar a primeira volta. Ainda não sabemos qual é esse discurso, mas há sinais. Têm mostrado uma forte sensibilidade social e cuidado democrático, que é a força do candidato. Tem uma motivação cultural que é rara e tem um olhar atento sobre as pessoas, que conta e muito (e vai ser atacado por causa disso). Ao mesmo tempo, o que disse sobre Europa é interessante, mas não incide sobre o presente: convocar um referendo perante novas putativas concessões de soberania é o que todos prometeram e nenhum cumpriu, no entanto não resolve nem o problema da Parceria Transatlântica que terá que assinar (o PS prometeu aprovar) nem o do funesto cumprimento do Tratado Orçamental. Como não se pode agradar a gregos e troianos, terá que escolher e ficar firme na sua escolha.

Segundo erro que já cometeu: preferiu começar com um apoio (um pouco envergonhado) do PS. Fez mal, amarrou-se. Tentou depois libertar-se declarando, à saída de uma convenção do PS (!), que também aceitaria convites para ir a reuniões semelhantes do PSD e do CDS. Não era a sério, pois não?

Terceiro erro que não deve deixar que se cometa: a actual declaração de apoio de um partido é um presente envenenado. Ainda mais se for um partido que não pesa. Um partido pode precisar dessa boleia, se as sondagens o desmerecerem: colar-se a um candidato presidencial mais abrangente pode parecer-lhe útil, mas diminui o candidato. Nóvoa não quer passar uma campanha com a imprensa a dizer que é o candidato de um partido com menos de 2%. Isso está a levá-lo a agravar o erro, multiplicando declarações pouco credíveis (se me convidarem, vou à universidade de verão do PSD, ou estou à espera do apoio de partidos de direita), que toda a gente tomará por graças. E um candidato não deve ser engraçado nem muito menos ser encurralado por escolhas de agenda que não são as suas, que o obrigam a perder-se em justificações atrapalhadas.

Quarto erro que não pode cometer: entregar a gestão da campanha ao improviso ou a grupos, permitir que se instale a ambiguidade por vontade de contentar todos. A campanha presidencial é do candidato, dirigida por ele, ele é que vencerá ou perderá e terá todo o custo político e pessoal nas mãos. Não se pode improvisar e precisa de uma mensagem e uma direcção claras e clarividentes.

António Nóvoa faria bem em evitar estes quatro escolhos.

Comentários

  1. “E na esquerda faltam os candidatos. O PCP e o Bloco precisam de apresentar as suas propostas” – Porque não se candidata o Francisco Louçã? Eu, apesar de ser PCP, votava em você, quer o PCP o apoia-se ou não.

    1. Obrigado pela sugestão e pela cordialidade. Já afirmei e publicamente que não serei candidato nestas eleições presidenciais. Haverá certamente bons candidatos e candidatas e espero sentir-me be representado.
      Acha mesmo que essa pose tem graça?

  2. Este candidato segue uma tendência muito em moda: o “jackpot” eleitoral. Há quem lhe chame uma nova àrea política muito em moda no Centroesquerdão: a Esquerdeita. Até teria hipóteses, em abstrato, de ser bem sucedido na função de candidato mas não é assim. Não estamos num país qualquer, deve ter cuidado, até porque tem tem adversários de aço e a imprensa impressa não perdoa. Para começar, vai saber-se, em breve, de fonte segura que este senhor se esqueceu de pagar a água em janeiro de 2005 e só liquidou a conta passado três dias, depois de receber um duro telefonema da EPAL, e acompanhada de duríssimos juros de mora!; depois, que uma empregada de uma senhora que tem um filho que é jornalista no “Mirone” viu que estacionou o carro com uma roda em cima do passeio em maio de 2007!; e que uma vez, num conhecido restaurante de Lisboa, coçou a orelha com o dedo mínimo da mão esquerda, sendo flagrado em flagrante pela D. Paula Bobone que, prontamente, denunciou o facto na “Caras”! Será que terá a mínima hipótese de angariar apoios á direita? Contra um homem com raízes siderúrgicas, apoiado pelo Clube Balsemãoberg? Francamente…

  3. do que nós(eleitores) não precisamos é de intrigas e tretas como a do joão miguel tavares que “afere” o carater presidencial deste candidato pelo simples facto de ser um candidato de “esquerda”.na mesma ordem de ideias não consigo ver um colunista de “direita” que ponha os olhos em cima do marco antonio costa(atenção ,não é o antonio ou o irmão ou o socrates).a intriga de baixo nivel(que faz furor no observador) é que não interessa para nada.não é com “intrigas” que alimento os meus filhos…

    1. “não é com “intrigas” que alimento os meus filhos…” – Mas há muitos que alimentam.

  4. Francisco Louçã: Candidato à Presidência ou livre apoiante da “convergência”?

    Lançar o tema da Presidenciais antes das Legislativas, tendo em conta que as eleições destas ocorre antes daquelas, pode até parecer um pouco fora de contexto, sobretudo quando os partidos políticos estão empenhados na apresentação das suas proposta de governo. E, se Francisco Louçã fosse líder do BE, estando no imediato concentrado na próxima eleição, porventura quereria discutir publicamente o assunto das Presidenciais mais adiante ou depois das Legislativas – para não dispersar forças ou distorcer prioridades políticas, e, dessa forma, não confundir a atenção do eleitorado…
    Mas, da forma como expôs o argumento em “defesa” do candidato Sampaio da Nóvoa, leva-me a crer que ao colocar as Presidenciais como assunto debatível na actualidade (desanuviando até um pouco a negra “nuvem grega”), e após apresentar os «Programas dos Partidos», este tema poderá ter outra utilidade. Pergunto: O que poderá motivar Francisco Louçã a dar tão importantes “conselhos”, entre escolhos e abrolhos, a Sampaio da Nóvoa?
    1. Na qualidade de ex-líder do Bloco, Louçã é sempre um candidato “presidenciável”, sobretudo se houver dispersão de candidaturas e votos à esquerda a uma primeira volta – e aqui, mais do que eleger um Presidente, o importante seria marcar o posicionamento partidário junto do eleitorado [o que, diga-se em abono da verdade, tem “desvirtuado” o sentido do sufrágio directo da eleição!]. Mas será que avançar na corrida para Belém está entre as prioridades do nosso estimado “bloguista” Francisco Louçã?
    2. Porém, como já referiu Marcelo Rebelo de Sousa, a candidatura de Nóvoa pode “fazer uma abrangência à esquerda [porque] está entre o PS, PC e BE, não está entre PS e PSD”. Para o também “presidenciável” professor Marcelo, a utilidade desta candidatura está em gerar “entendimentos à esquerda”, e até, num cenário de vitória, em “viabilizar governos minoritários à esquerda”. “As pessoas pensam que o PS minoritário tem que ir buscar entendimentos com o PSD. Com um presidente que cobre a esquerda toda o filme é outro”, acrescenta.
    (Vide: http://www.publico.pt/politica/noticia/para-marcelo-sampaio-da-novoa-cobre-a-esquerda-toda-1691453 )

    Ora, é precisamente neste ponto de “abrangência à esquerda”, identificado por Marcelo, que o tema se torna aqui porventura relevante para Louçã. Quererá com isto o ex-líder bloquista relançar o sempre pertinente debate sobre o “entendimento à esquerda”, com vista a uma convergência entre partidos para um alinhamento pré e/ou pós-Legislativas – tomando aqui como mote, ou possível denominador comum, o apoio da candidatura de Sampaio da Nóvoa?
    Porventura, estará Louçã a adiantar-se, e ao escrever sobre Presidenciais tem na verdade os olhos também postos nas próximas Legislativas – e nas várias configurações de Governo que daí poderão sair, tomando a putativa “utilidade” da eleição de Sampaio da Nóvoa como charneira à viabilização de um governo minoritário de esquerda (como argumenta o “comentador Marcelo”); ou, no reequilíbrio de poderes, entre a reeleição de um governo de direita e um presidente mais interventivo alinhado à esquerda (neste caso para malogro do “candidato Marcelo” que, na perspectiva de Louçã – “depende em primeiro lugar da derrota de Passos e Portas”)? Em ambos os cenários, Sampaio da Nóvoa parece ser para já, à falta de outros nomes, o candidato melhor posicionado… mesmo que o catedrático seja figura relativamente desconhecida do “eleitorado”!
    Ou, pelo contrário, está Louçã a medir terreno para o lançamento de outras candidaturas – dado que “o PCP e o Bloco precisam de apresentar as suas propostas”? E, no discorrer do tema, pergunto ainda: Estimado Louçã, escreve na ponderação de uma candidatura à Presidência ou como livre apoiante da “convergência” entre as esquerdas?

    A Sampaio da Nóvoa, e a outros candidatos, gostaria de ver debatido em campanha outros 3 temas:
    1. Interno – Que destaque político deve ser dado ao envelhecimento demográfico, à desertificação do interior e às assimetrias sociais e regionais? Por que “roteiros” se norteará Sampaio da Nóvoa – e outros?
    2. União Europeia – a) O que fazer com este «euro»? Persistir numa permanência precária, arriscar uma saída não desejada ou apoiar a reconfiguração da zona monetária, passando da filosofia da “moeda única” ao conceito “moeda comum”? b) Que futuro tem Portugal na Europa? Avançar na integração europeia, tendencialmente “federalista” (reforço do “centralismo burocrático”), ou melhor defender a concertação entre Estados e consolidar a legitimidade democrática das “soberanias” nacionais? Aqui, a questão do recurso ao “referendo” é bem colocada por Sampaio da Nóvoa…
    3. Externo – Como melhor articular a integração europeia com o maior destaque a dar à CPLP – e para que serve a CPLP?; Quais as prioridades da política externa portuguesa, fora da UE – ex. nas relações bilaterais com Angola [Lembram-se da “intromissão” polémica do PPE, Martim Schulz, a propósito da visita de Passos Coelho a Luanda? “Passos Coelho apelou ao Governo angolano a que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio”, Fev 2012], Brasil e Mercosul, EFTA, EUA, China, etc? E qual o papel a desempenhar pela Presidência?…
    Abraço fraterno.

  5. Desta vez, concordo com boa parte do que Louçã escreveu.

    “… convites para ir a reuniões semelhantes do PSD e do CDS. Não era a sério, pois não?” Claro que era a sério. Sampaio da Nóvoa é um homem sério.

    “… a actual declaração de apoio de um partido é um presente envenenado.” Claro que é. O pior que lhe pode acontecer é deixar-se enredar nas fantasias dos syrizas portugueses.

    1. Mas podia ter a decência de recomendar aos seus candidatos, Pedro Lemos, seja o Rio, o Marcelo ou o Durão, que apresentem um dia as suas ideias.

    2. Caro Louçã, nem imagina como me diverte que tenha caído nessa de argumentar com adivinhas. Nem imagina como me diverte não esclarecer as adivinhas. Bem, só duas dicas para que possa especular mais um pouco, se quiser. Nas próximas eleições, as legislativas e as presidenciais, não votarei em candidatos syrizas. Sampaio da Nóvoa não está excluído nas presidenciais, escutarei muito atentamente o que ele tiver para dizer.

    3. Caro Louçã, hoje acordei bem disposto e vou responder ao seu comentário de 2-jul 11:59 de maneira que, espero, seja mais esclarecedora. Nestas coisas das ideologias, sou essencialmente agnóstico. Uma das poucas coisas em que acredito é que a democracia imperfeita em que vivemos é muito melhor do que as alternativas. Por causa do meu agnosticismo, a minha participação na democracia consiste sobretudo em votar. Ao votar escolho, imperfeitamente, de entre os candidatos sérios e de bom senso, se conseguir identificar algum. No meu índice de seriedade e bom senso, os syrizas, cuja principal proposta consiste em pedinchar, ameaçar e insultar quem ajuda, estão mal cotados. Sampaio da Nóvoa está bem cotado. E mais não digo.

  6. Nóvoa “Tem uma motivação cultural”, mas é só motivação, porque é um ignorante. Não destoa da restante corte política em termos de analfabetismo, ignorância e atraso cultural. O país vai mal porque a corte de analfabetos que o governa é um grupo de toscos idiotas, com vistas curtas e subserviências longas.

    Nóvoa é analfabeto ao ponto de não saber sequer da incompatibilidade cultural entre a democracia e o cristianismo. A figurinha deu uma conferência sobre democracia e demonstrou o seu analfabetismo sobre democracia ao ligar a democracia com o cristianismo (uma teologia anti democrática). Não sabe sequer que a cristandade só acedeu às heresias (do grego hairesis, que quer dizer literalmente eleição livre) a contra gosto devido à revolução francesa. Os cristão são analfabetos ao ponto de não saberem sequer que a sua religião é contra a democracia. Obviamente que Nóvoa está a candidatar-se num país medieval, de uma europa atrasada e completamente bárbara, onde a população é analfabeta como cristãos ou, pior, é mesmo cristã. Cristã e herege (o que elege) tal o grau de atraso e analfabetismo que vigoram na idade média feirante actual.

    Nóvoa é mais uma demonstração do atraso cultural e profundo analfabetismo, que reinam por estes tempos. Brincar às eleições é um passatempo da barbárie, que vive em mercado (regime onde manda quem tem dinheiro) e elege os capatazes dos feirantes que mandam em todos.
    As práticas da civilização são demasiado exigentes em termos culturais para uma plebe analfabeta e delinquente como a cristandade. Obviamente que um gado formatado a adorar um deus delinquente (que criou um inferno para se impor pela delinquência), que adora os delinquentes feirantes, glorifica a delinquência mercantil, nunca irá ter o civismo mínimo para ter uma democracia e muito menos candidatos que saibam sequer o que é uma democracia.

    Sampaio Nóvoa precisa mesmo é de ir estudar qualquer coisinha sobre democracia, num local fora da universidade que saiba o que isso é, para não demonstrar o seu analfabetismo de forma tão explicita. Mesmo para a cristandade, para quem qualquer idiotice ignorante serve para os convencer, Nóvoa é muito mau.

    1. A exibição do insulto deve satisfazer o autor. Todos são analfabetos, mas “eppicuro” é tão brilhante que se esconde detrás de uma alcunha.

    2. A escola pública foi extinta por imposição dos cristãos no século IV. O que é que acha que resultou da ausência da escola? Como é que chama ao que resultou de dezasseis séculos de completo analfabetismo? Nóvoa é, ou foi, um docente universitário e apresenta o grau de ignorância que se observa. Como é que chama à população resultante de mil e seiscentos anos de completo analfabetismo? Chama de civilizados e cultos? É insulto chamar o ignorante de ignorante?

      Sem escola pública digna desse nome não há cidadãos, há cristão e demais crentes em teologias, ideologias e afins analfabetismos.

      Se eu tiver oportunidade de dar uma palestra convido-o a vir, caro Louçã.

    3. Não vou a palestras onde tenha que entrar com venda. Não tem noção do grau de arrogância que exibe alegremente?

    4. Bastas vezes estou longe de concordar com Francisco Louçã, mas pelo menos, dele, há sempre uma reflexão a fazer e algo a aprender.
      Não me custa admitir, que este sr. eppicuro, deve ser, de facto, uma pessoa deveras culta e sabedora. Leu os livros. Estudou. Estudou tanto, e é de tal maneira pesporrente, que com a sua retórica, é capaz de dizer tudo e o seu contrario, que vai parecer sempre tão eloquente quanto vazio. Gostava de saber aquilo que o sr., aparenta, e só aparenta, saber. Mas Deus, os deuses, ou alguém (deixo ao seu critério) me livre de parecer tão ridículo. E intelectualmente analfabeto.

    5. Sem querer entrar no despropósito desta “picardia”, que foge ao tema da candidatura de Sampaio da Nóvoa, há uma breve observação que pretendo fazer sobre o “cristianismo” – mencionando o testemunho de Gandhi.
      Isso, leu bem – Mahatma Gandhi – que não era cristão, mas teve grande interesse pela figura de Cristo, e em particular pelo Sermão do Monte. Gandhi, ainda um jovem advogado estabelecido em África do Sul, interessado pela mensagem dos Evangelhos (trad. “boa-nova”) pretendeu assistir a um culto numa igreja anglicana em Durban – tendo-lhe então sido negada a entrada por ser “kaffir” (termo pejorativo dado à minoria indiana). Este trato rude por parte dos ignorantes crentes religiosos anglicanos, a somar a outras atitudes discriminatórias e segregacionistas da poderosa e imperial elite britânica, branca, culta e civilizada (como a recusa de hospedagem no Grand National Hotel de Joanesburgo, a agressão por desrespeitar editos que estipulavam a circulação nos passeio ou em carruagens exclusivos para brancos, em Pretória; ou, ainda, as objecções no registo da associação de advogado, etc.) motivaram a formação de consciência política de Gandhi – primeiro, ainda em África do Sul, na integração plena da comunidade indiana no Império Britânico, depois, no regresso à Índia, pela Independência da União Indiana. A cristandade perdeu assim. pela ignorância mais um culto “cristão”, mas o mundo ganharia um prestigiado activista político hindú (e conhecedor da boa-nova de Cristo)!
      Um pormenor quase desconhecido na biografia de Gandhi é a correspondência que manteve com Leão Tolstoi. E o que tem Tolstoi de relevante nesta história? Numa fase amadurecida da vida, escreveu sua obra-prima – «O Reino de Deus está em vós», 1894. Nesta obra notável publicada na Alemanha, após ter sido banida na Rússia, o autor prossegue nas duras críticas que faz ao conservadorismo e elitismo da Igreja Ortodoxa russa – porém, o mais relevante é a sua tese de “desobediência civíl”, motivada por princípio de “não-violência” – isto na reinterpretação que faz dos Evangelhos, em particular a partir do Sermão da Montanha (ex. defendendo a recusa do “cristão” em “desobedecer” ao recusar em alistar-se no exército ou em participar em actos coercivos que atentem à dignidade humana, conduzidos em nome do monarca / Estado). Ora, a “não-violência” e a “desobediência civil” é também a pedra angular na resistência e luta pacifista de Gandhi ao Império Britânico.
      Cristo não é de esquerda ou de direita! E podemos bem dizer que Cristo é maior que o “cristianismo”!
      Logo, se por uma lado sempre sobressai a posição “elitista” e “conservadora” das hierarquias das Igrejas, fechadas na sua ortodoxia religiosa; do outro sempre tivemos homens de fé dispostos a apregoar a via “desapossada”, “libertária”, ou até “revolucionária”, que inspira a própria vida Jesus e a leitura dos Evangelhos. E, dento do Catolicismo, bem podemos dizer que a par da obediência da Igreja a Roma, sempre coexistiu um outro tipo de “catolicismo” de vivência “popular” e origem sincrética – como vimos nas fraternidades das festas do Divino e no culto medievo do Espírito Santo!
      Não pretendo aqui alargar-me nas várias correntes, movimentos, heresias, gnosticismo e igrejas do cristianismo (e aqui, reflectindo sobre a literacia, poderíamos até desenvolver o significado da reforma protestante no livre acesso à interpretação das escrituras, ou ainda abordar a «ética Protestante e o espírito do capitalismo», tema caro a Max Weber)…

      A colagem que Epicuro faz do perfil de Nóvoa ao «cristianismo» – e à aparente “incompatibilidade” deste com a democracia – não só é desprovida de sentido, como revela uma atitude dada ao preconceito e à discriminação intelectual. Para mais, importa atender de que se não há «cristianismo» sem a Cristo, mais divulgação [e manipulação] da fé e das várias crenças religiosas que lhe são devotas; já Cristo, nas múltiplas abordagens histórica, filosófica e até espiritual, podem muito bem dispensar a teologia, os dogmas, os ritos e a hierarquia das muitas igrejas e correntes religiosas do «cristianismo» – e disso deu testemunho Gandhi e Tolstoi, entre muitos intelectuais e activistas políticos.
      Noutros casos, foi a inspiração espiritual e religiosa a motivar a acção política – dois breves nomes: William Wilberforce (abolicionista britânico, evangélico convertido), Martin Luther King (pastor, activista contra a segregação racial), entre outros.

    6. Caro Louçã, não percebi essa sua “venda”.

      Caro filipe “Bastas” é suficiente para se perceber que não é “intelectualmente analfabeto”, é mesmo literalmente analfabeto. Faça um favor a si mesmo, não leia o que eu escrevo, não é para si. Sempre não tem cultura para perceber, porque é que lê?

      Como pode ver, caro Louçã, estar livre de filipes, Fernandos, Figueiredos e afins é o resultado de uma higiene que exige estar fora do alcance dessas criaturas. Imagine que me apareciam filipes e Figueiredos nas palestras, já viu o tempo que se tinha de perder com eles? Se não houver um centro comercial perto como é que nos livramos dessa cristandade? A liberdade é uma coisa que não se troca pela atenção dos boçais.

    7. Preciso desesperadamente que me mande a lista dos boçais para eu estar atento. Até agora, só sei que o meu mestre Eppicuro não figura nessa lista e que o resto da humanidade é suspeita de merecer tal distinção.

    8. Sr “Eppicuro”, tendo lido atentamente o seu comentário, e sabendo eu que segundo os últimos dados disponíveis, somos 10.372.241 habitantes, quero agradecer o mesmo, pois estou farto de falar, e debater com os 10.372.240 (sim,às vezes falo comigo próprio) restantes Portugueses!

      Finalmente encontrei o génio Português que procurei incessantemente durante toda a minha vida, és tu, Eppicuro! Obrigado, eu sabia que essa pessoa existia, só não sabia que eras tu!

      Parabéns!

      PS: Pertencendo ao universo dos 10.372.240 de Portugueses ignorantes, peço-te que, por favor, me envies o teu email (o teu nome nem é preciso!), para entrar em contacto contigo, no sentido de me instruíres a ser um ser como tu, ou pelo menos tão inteligente (as minhas desculpas, mas nasci Português, logo ignorante!).

      Com os melhores cumprimentos, fico a aguardar a tua resposta, que será certamente tão “sábia”, como o teu comentário…

    9. Caro Louçã a boçalidade é uma característica decorrente da insalubridade cultural. Por exemplo, os romanos inventaram o cristianismo para fazer face à 1ª guerra judaico-romana (66 – 73), promovida por um movimento messiânico criado entre os judeus para expulsar os romanos. Os romanos responderam ao movimento messiânico judaico dizendo que eles tinham razão, que o messias já tinha vindo e se chamava Jesus (um indivíduo conhecido pelos desacatos num templo e que já tinha morrido há décadas) e que a “boa nova” era que os judeus deviam pagar os impostos aos romanos (“a César o que é de César”) e “dar a outra face”… aos romanos.

      Acreditar num pedaço de contra informação, de uma guerra acabada, é uma demonstração do atraso cultural e da completa falta de uso do cérebro (característica dos boçais). Repare que nunca se perguntaram como é que no meio de um discurso divino dos judeus aparece, do nada, a menção ao César romano, o invasor, e a favor desse invasor.

      Como é normal nos boçais, não têm (nem querem ter) conhecimentos do que aconteceu, nem fazem a integração do cristianismo no contexto de onde surgiu… enfim. E claro, apelam à crença como é característico de todos os mentirosos, porque a mentira só funciona se acreditarem nela. A crença é necessária ao mentiroso e não ao boçal que acredita nela. A boçalidade é necessária para as teologias funcionarem, de outra forma a inteligência humana elimina as teologias naturalmente.

      A boçalidade é o resultado da insalubridade cultural. Tal como na primeira idade média não davam atenção à higiene física e morriam de infecções, hoje não dão atenção à higiene cultural e temos infecções de delinquência produzida por indivíduos que padecem de crenças vindas da insalubridade cultural instalada.

      As teologias, como as ideologias e afins invenções (de quem não tem pejo em mentir: os cleros) são um problema de saúde pública, que determinam comportamentos insalubres nas populações, como se verifica na história do cristianismo e restantes religiões Abraâmicas (teologias do deus delinquente). De onde é que acha que vêm os comportamentos desumanos que observamos na história dos boçais?

      Portanto a questão não são os boçais, mas o que determina a boçalidade nas pessoas, e que está na base da pandemia que se verifica.

      Quando der uma palestra convido-o a vir sem venda, caro Louçã. Se é que consegue retirar a venda do analfabetismo universitário.

    10. Caro Louçã, era um prazer, e uma diversão, tê-lo como representante desses que dizem que a economia se rege pela “lei” do feirante e do freguês, e que economia é uma grande feira, à boa maneira da ignorância medieval em vigor.

      Não enxerga o analfabetismo que representa pois não?

    11. Acho que o “Eppicuro” não percebeu ainda que se torna um motivo de chacota neste blog. Não é possível encontrar um exemplo mais alucinante de arrogância intelectual. Mas, claro, todo o resto do mundo é analfabeto. Tem sido uma diversão ler os seus comentários, cada um é sempre mais hiperbólico e caricato do que o anterior. Continue por favor, neste mundo temos pouco com que nos divertirmos.

    12. Caro Louçã porque não retribui a minha participação no seu blog com a sua participação numa palestra minha?
      Eu animo o seu blog o senhor anima uma palestra minha. Diversão paga-se com diversão.

      Vai vir ou vai ficar a dever?

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