Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

27 de Junho de 2015, 10:44

Por

Xeque mate à dívida e à chantagem

Tsipras anunciou um referendo dentro de uma semana (uma semana! em Portugal poderia demorar mais de um ano) sobre o ultimato das autoridades europeias. Trouxe para o debate político e para a decisão democrática a questão fundamental: ou a Grécia ou a austeridade. É uma escolha de grande dignidade e de grande força. Era o que era preciso para vencer o impasse. Aleluia.

Durante a semana, o governo grego propôs cedências significativas. E foi-lhe exigido um plano desesperado de recessão, para chegar ao fim do ano sem um cêntimo e com mais desemprego e menores pensões. Ou seja, os credores quiseram provocar a queda do governo. Tsipras reagiu com firmeza, interrompendo meses de empastelamento negocial sem saída. Reuniu assim o partido, a maioria parlamentar e o apoio popular. Agora começou uma nova fase da decisão.

A dúvida é o que fará a União Europeia, ou seja, Merkel. Pode provocar já o colapso do sistema bancário grego e empurrar a Grécia para fora do euro, com uma catadupa de acusações e choques. Mas o custo subiu, porque seria uma provocação contra o direito de uma escolha democrática que ocorre dentro de dias. Pode esperar, mas Merkel sabe que tem todas as probabilidades de perder o referendo. O seu jogo ficou muito difícil.

 

 

Comentários

  1. O jogo de Merkel ficou mais difícil, mas o da esquerda, também. Muita gente votará amedrontada, com medo de um futuro ainda muito obscuro. Tsipras teria que ter uma oferta clara e que pareça crível. Será que é?

  2. Tsipras sobre o referendo em 2011: When Tsipras was asked by Greek journalist Nikos Chatzinikolaou about Greek PM George Papandreou‘s announcement of a referendum in Greece, he replied: “You know better than me that if the Greek Prime Minister himself tries to have the people face such dilemmas, the real default will be inevitable, and the Greek banks and the Greek economy will collapse before we even reach the voting booth. Just because of the possibility that the people may face such a dilemma, they might vote “No.”

    The current Prime Minister of Greece had then accused Papandreou of despair and had characterized his announcement of a referendum as a “disaster for the Greek economy” and a “harbinger of bankruptcy,” considering it a trick used by the Greek government in its effort to buy more time in power. And he had come into the following conclusion: “The most democratic way of expressing the popular will is elections, not a referendum.”

  3. Um Annus Horribilis?

    Quando ainda não chegámos sequer a metade de 2015, penso que é legítimo perguntar-nos já se este ano não se apresenta como um “annus horribilis” para a esquerda portuguesa. O desastre grego – já não há escapatória, só atenuação – provocado pela extrema-esquerda local, vem cair na pior altura possível para as esquerdas portuguesas, que já se imaginavam de volta à governação há um ano atrás, sonhando com uma estrada dourada até às eleições, como sendo um dado adquirido (só faltou Vangelis!). As sondagens, a muitos meses das eleições, e muito antes do desastre grego, não só dão a derrota ao PS, como o fazem muito antes do acto eleitoral, o que pressagia uma derrota estrondosa do PS, devido aos fenómenos habituais da usura do poder e da subavaliação eleitoral da direita (CDS). Não menosprezemos também o efeito psicológico da prisão de Pinto de Sousa no fim de 2014, e, sobretudo, a miserável não demarcação do PS dessa figura sinistra, antes e depois da sua prisão. Como se tudo isto não bastasse, temos a figura impagável de António Costa, que não convence realmente ninguém, seja à direita, ao centro ou esquerda, uma espécie de “Professor Martelo” à esquerda, de quem, apesar do seu prolongado currículo de governante e autarca, não se conhece uma só ideia ou realização que não seja a dupla rotunda do Marquês de Pombal. Se o ano continuar assim para a esquerda portuguesa, aparece como provável uma estrondosa derrota em Outubro, não por mérito nem da direita que temos nem do PSD, mas pelo imenso vácuo das “criaturas de Guterres” que apresenta de novo aos eleitores, e com o contributo involuntário do Syriza. Só me admiro de ainda ninguém ter proposto que o Syriza está ao serviço de Passos Coelho, porque, se assim fosse, não teria podido fazer melhor.

  4. A “decisão democrática” seria Tsipras ter declarado que iria referendar qualquer proposta final e não apenas esta que não concorda. Referir que tem apenas 36% dos votos e que esta decisão deve ser tomada por >50% da população, é uma justificação que aplica-se aos 2 cenários. Se a população aceitar a proposta da troika, Tsipras deve demitir-se e realizarem-se eleições antecipadas (afinal o programa com que foi eleito não poderá ser executado)? Porque Tsipras se opôs a proposta do Pasok de realizar o referendo em 2010?
    Quando diz que com a proposta da troika ” os credores quiseram provocar a queda do governo” , significa que anteriormente os credores quiseram fazer o mesmo com os governos da Nova de Democracia e do Pasok, segundo Tsipras a proposta segue a linha das propostas anteriores?
    Não compreendo este conceito de democracia quando diz ” Merkel sabe que tem todas as probabilidades de perder o referendo”. Que eu saiba os gregos têm toda a legitimidade para fazerem as votações e tomarem todas as decisões que quiserem, mas as mesmas só os vinculam a eles próprios e não os restantes países. Merkel não decidiu nenhum referendo na Grécia pelo que não o pode ganhar ou perder (aliás este referendo veio mesmo a calhar, vai permitir passar o ónus das consequências para o povo grego.). Merkel devia, se achar que não tem legitimidade para decidir (o que é estranho numa democracia representativa), realizar um referendo na Alemanha, para saber se os alemães estão dispostos a entregar mais dinheiro à Grécia e agir em conformidade (acho que sabemos qual seria o resultado do mesmo).
    Acho ridículo continuar com a história do lobo mau (Merkel), tenho a certeza que leu o referido pelo primeiro ministro da Eslováquia (não faz sentido pedir aos seus cidadãos mais sacrifícios para manter as reformas e nível de vida dos gregos que é superior ao da população da eslovaca), as declarações do representante de Malta (emprestou 177 milhões à Grécia), Irlanda, Itália (socialista), França, Espanha, Finlândia e até Portugal (este colosso que umas vezes anda às ordens da Europa e outras vezes sozinho consegue bloquear as decisões de todos os outros países do eurogrupo). Podíamos também falar das pressões que Lagarde está a sere sujeita no FMI pelo Brasil e México devido a possibilidade de incumprimento da Grécia, afinal estes países têm PIB per capita inferiores à Grécia (apesar da perda de 25% nos últimos anos).
    Por fim, que comentário às declarações de Tsipras em 24 de Junho no Twitter ” “A repetida rejeição de medidas equivalentes por parte de certas instituições nunca ocorreu antes – nem com a Irlanda, nem com Portugal”, é um elogio à capacidade negocial de Portugal e Irlanda?

  5. “Felizmente, a acreditar no que se ouve e lê, abundam por aí cidadãos generosos em cujos ombros recai a esperança da crise, da UE e da humanidade em geral. Essa abençoada gente, que em Portugal se confunde com a melhor parte do PS (a parte dos “valores”) e a ponderada extrema-esquerda, percebe que, pela suja lógica do capitalismo selvagem, os países que emprestam dinheiro têm o desagradável costume de desejar recebê-lo de volta, nem que seja parcial e espaçadamente, antes de emprestarem mais. E mais. E mais.” Alberto Gonçalves, DN

  6. E, não obstante, uma semana é tempo de mais – se atendermos à intransigência do eurogrupo em prolongar o prazo.
    Tudo muito incerto e confuso. Parece ser mais uma jogada política em falso do que xeque-mate. Talvez Tsipras não procure verdadeiramente a legitimidade democrática do voto popular para saber se recusa / aceita mais “austeridade” – para antes jogar com novos argumentos com que vem acusando, em sentido contrário, a falta de “cultura democrática” das instituições europeias (zona euro). E se o alvo é, mais uma vez, o centro político da Europa, contudo, talvez o propósito de realizar o referendo já não seja tanto falar para europeu ouvir; antes, num discurso dirigindo sobretudo aos gregos, jogar com o sentimento anti-europeu, enfatizado no falhanço das negociações, para assim poder legitimar politicamente o cenário cada vez mais provável saída!
    Mais, pergunto se a proximidade entre Tipras e Putin não terá outro objetivo – além da pressão geopolítica, ao querer implicar a Rússia, ou, ainda, o fornecimento de gás russo à Europa, via mediterrâneo – procurando alternativas de financiamento da economia grega no caso contingente de se concretizar a saída e dos gregos terem de emitir nova moeda?

    Ao estimado Francisco Louçã coloco ainda outra questão: de que modo o incumprimento da Grécia poderá ser comparável a dois outros episódios recentes, porém bem distintos no contexto socioeconómico e na abordagem – a falência de Detroit e a recuperação da Islandia?
    [Detroit era o epicentro da indústria automóvel da federação dos EUA… e um exemplo das deficiências do capitalismo. A Islandia é um pequeno, livre e isolado países, com moeda própria, que arriscou contrariar a “austeridade” sugerida pela UE – vide: http://m.jornaldenegocios.pt/news.aspx?ID=354771%5D

    1. Caro António Anchas, parece-me pelo que escreve que já dá por dinheiro contado a derrota da proposta da Troika nas urnas gregas. É fácil perceber que não é esse o estado de espírito na Europa, e até Christine Lagarde admite que poderá “renegociar” aquilo que já não deveria sequer ser válido daqui a uma semana. Sem Tsipras, de preferência! Eu confesso que não consigo ter uma preferência instintiva pelo sim ou pelo não no referendo dos gregos, porque o sim significa que vamos ter que continuar a aturá-los. Já se eles votassem sim e se emendassem a sério… Enfim, estes gregos são loucos!

    2. Sr. Liberal, desta vez concordo consigo – os gregos são loucos, sim. Embora, a loucura seja em boa verdade geral – e isso deveria preocupar-nos a todos!
      No comentário acima, expus a minha dúvida sobre a validade do referendo – pois, o voto, seja sim ou não, pode nada decidir, pela única razão de estar “fora de prazo”. E, assim sendo, servir a outro tipo de interpretações, ou manobras políticas, sobre as verdadeiras motivações de Tsipras em querer “permanecer” ou “sair” do euro – que, em boa verdade, essa sim, deveria ser a pergunta para a convocação do referendo…
      Abraço fraterno.

  7. “Qualquer país da União Europeia sabe que o projecto europeu implicou e continua a implicar a partilha de alguns poderes nacionais ao nível europeu. É essa a sua essência e é isso que o distingue de qualquer outra organização internacional. E é assim desde o início: o Tratado de Roma diz que a lei europeia se sobrepõe à lei nacional. Os países que quiseram aderir ao euro, fizeram-no de sua livre vontade. Para os bons e para os maus dias. A Grécia, como qualquer outro país europeu, exerce a sua democracia neste quadro de partilha de soberania que aceitou quando aderiu à Comunidade Europeia, assinou o Tratado de Maastricht e entrou na zona euro.” Teresa de Sousa

    1. “Não se entende a lógica dos procedimentos. Admite-se, e está mesmo certo, que a pertença ao clube da moeda euro imponha algumas condições. Uma delas, das mais importantes, diz respeito ao limite do défice excessivo que, neste caso, é de 3%. Cabe a cada governo definir a forma como não ultrapassa esse valor ou justificar, perante os parceiros, porque não o conseguiu. Está aliás escrito em tratado. Mas já não faz qualquer sentido que sejam os técnicos ou mesmo os políticos de outros países a dizer como se deve proceder, que tem de se cortar nas pensões destes e daqueles, subir o IVA dos produtos tais e tais ou qualquer outra medida detalhada. Esse nível de detalhe só pode ser da responsabilidade de quem foi eleito.

      Sabendo-se que é através do orçamento que um governo define as suas políticas, a situação atual da Grécia, mas também de Portugal, implica uma ingerência absolutamente intolerável. Na realidade, somos governados por pessoas que não conhecemos, que não foram eleitas e a quem não se podem pedir contas. Os governos nesta situação tornam-se “testas de ferro”, verdadeiros “ghostwriters” de uma novela escrita por outros. Não é possível construir uma união, monetária, política, económica ou outra, desta forma.” Leonel Moura

    2. Pois é Mário, quando são os outros países que se vêem forçados a “abonar”, essa de que eles não têm direito de ingerência no orçamento desfaz-se em mil estilhaços.

  8. Os referendos ganham-se por maioria absoluta, ou seja mais de 50% dos votos; por isso parece mais provavel que o povo grego vote maioritariamente a favor de um compromisso com os credores que permita manter a Grecia no euro. Isto mesmo admitiu Varoufakis na declaraçao que fez hoje à imprensa à saida da reuniao do Eurogrupo. Uma derrota enfraqueceria a posiçao do governo grego face aos credores mas neste momento ja nao havia mais concessoes a esperar dos credores e o referendo é a saida digna. Se vier a aplicar o plano dos credores o governo grego pode depois endossar-lhes responsabilidade pelos resultados; em breve vai ter de se negociar nova restruturaçao da divida grega porque a Grecia ficará ainda longe de poder pagar a divida que se vence este ano.
    Dado que o Eurogrupo rejeitou o pedido grego de extensao do programa para lá do dia 30 junho, resta saber o que fará o BCE se na terça-feira a Grecia falhar o pagamento ao FMI. Ou o FMI concede uns dias antes de declarar o incumprimento ou pode acontecer o armagedao. O FMI vai ceder. O duo francês Hollande/Lagarde nao vai querer ficar para a historia como protagonista de uma targedia grega.

  9. Não foi o povo gregp que empurrou a Grecia para um resgate financeiro, mas sim a CE, contrariamente à recusa dum referendo popular, e que agora acusa a vontade dos gregos em não pagar essa divid que não é deles

  10. Será que se isto der para o torto a Grécia pode entrar em guerra civil, por não ter dinheiro para para pagamentos?
    Ou irá aliar-se à Russia e comprometer a paz na Europa??

    1. Nem uma coisa nem outra. Uma aliança com a Russia não tem sentido. Hoje há uma luta entre os mais afortunados, os que têm o dinheiro no estrangeiro, e os pensionistas e trabalhadores. É preciso acabar com ela e devolver ao povo grego a capacidade de escolher a sua vida.

    2. mas uma nação sem dinheiro e aflita pode tentar isso mesmo! E a Russia pode ver na Grécia um aliado geoestratégico até para alimentar o sonho imperialista!!?

    3. Era preciso que o problema da Grécia fosse esse. Não é e Putin nunca seria um aliado de fiar. O problema é antes não poder aceitar mais austeridade e destruição económica.

    4. Será que a austeridade em Portugal e dentro de algum tempo, quando a miséria atingir níveis extremos, também não iremos entrar em guerra civil?

    5. Caro Silva, está a ver bem o filme grego. Tudo é possível depois da saída do euro e da UE (?), e, em primeira linha, a ditadura. Há uma grande felicidade na história, a Grécia não tem qualquer poder militar relevante. E não precisamos de nos preocupar também com a sua marinha mercante, que pode mudar de pavilhão a qualquer momento. Sejamos optimistas, por agora são só hipóteses.

    6. A Grécia votou recentemente a favor de novas sanções á Rússia, no Conselho Europeu. A Grécia pertence á Europa (tal como a Rússia, que só não pertence á UE para não prejudicar a hegemonia da Alemanha).

  11. Está na hora de o Syriza ir sacar dinheiro a outros totós. Os da zona euro já abriram a pestana. Desejo muitas felicidades ao Syriza.

    1. Se pensa que isto é uma história de tótós, não se esqueça de dizer aos seus avós, quando os visitar, que a solução é continuar a tirar-lhes as pensões.

    2. Completamente de acordo! Aliás, a Grécia é um estado falhado! Um estado com 6000 ilhas…O que estaria certo era 6000 estados de uma ilha! Se assim fosse, já se poderiam diversificar os tótós.Talvez até V. Exa. estivesse pronto a ajudar…

    3. Os pensionistas estariam à cabeça dos mais prejudicados se Portugal saísse do euro. Na primeiríssima linha das vítimas das desvalorizações da moeda. E não seria com cortes de 10%, e só para as pensões elevadas. Seria a doer.

    4. Como é que enterrar dinheiro na Grécia, governada por uma coligação de comunistas e fascistas que não tenciona pagar as dívidas, ajuda a garantir as pensões dos meus avós?

    1. lol , a interrogação é a mesma ; quem é que quer discutir a vida amorosa de Hollande …

  12. Há uma questão, no meio de toda esta tragédia grega/ europeia, que me assalta recorrentemente e que não vejo discutida. A questão é: existe espaço para a continuação da social democracia, da forma como a conhecemos até agora na Europa, nas circunstâncias em que está neste momento o mundo, neste mundo globalizado, capitalista/liberal, com paraísos fiscais a cada esquina, a proteger a economia de casino que continua, e parece, continuará a existir e com uma economia mundial contaminada pela economia paralela em grande percentagem ( tráfico de droga, tráfico de armas, etc., etc., ). Como é que a Europa consegue sobreviver, com a sua social democracia, ao capitalismo que tomou conta do mundo e ao sistema produtivo chinês? Será esta equação mesmo possível de resolver?

  13. Há uma questão, no meio de toda esta tragédia grega/ europeia, que me assalta recorrentemente e que não vejo discutida. A questão é: existe espaço para a continuação da social democracia, da forma como a conhecemos até agora na Europa, nas circunstâncias em que está neste momento o mundo, neste mundo globalizado, capitalista/liberal, com paraísos fiscais a cada esquina, a proteger a economia de casino que continua, e parece, continuará a existir e com uma economia mundial contaminada pela economia paralela em grande percentagem ( tráfico de droga, tráfico de armas, etc., etc., )? Como é que a Europa consegue sobreviver, com a sua social democracia, ao capitalismo que tomou conta do mundo e ao sistema produtivo chinês? Será esta equação mesmo possível de resolver?

    1. Adaptando-se, Rui Sousa, adaptando-se. Os “Estado Sociais” não faliram agora, muitos deles já estavam falidos nos anos 1970, e o ‘coup de grâce’ foi o choque petrolífero. O Club Med e Portugal também só estão a fazer as correcções pelas quais todos os países do norte já passaram para não serem destruídos pelo socialismo.

  14. O Francisco Louçã detalha aqui o que eu já tinha comentado relativamente à notícia sobre este referendo. O Tsipras entende, e muito bem, que não está mandatado para assinar um documento que contraria no seu todo as premissas da sua eleição, daí este referendo. A ironia disto tudo e o terror dos intérpretes da UE, BCI e FMI nesta comédia trágica, é que no final, ficarão sempre com o papel de vilões seja qual for o resultado. Compreendesse pois a grande aflição que é este referendo para a UE. O FMI, a EU, e o BCI podem ter colocado o Tsipras entre a espada e a parede, mas ele escolheu a guilhotina, que lhe permitirá, como comentei anteriormente, “sair herói ou mártir e conquistar um lugar de mito e de simpatia na história. Isto irrita a UE e os nossos governantes, que na verborreia e no comportamento de matilha, tentam esconder as suas fraquezas.”

  15. Bem haja, Dr. Francisco.

    Eu só tenho 2 palavras:

    “Também Quero!!!”.

    Por acaso os portugueses são alguns sub-humanos, para não terem também voto no seu futuro?

    1. Em Portugal, o povo é um pau mandado sem maturidade cívica e/ou política. Aqui, ganhava a austeridade a brincar… Basta ver as sondagens para perceber a miséria do povinho português (se não fosse do interesse dos capitães de Abril, a revolução de 74 nunca teria acontecido. É um povo manso, de brandos costumes, que nem a liberdade de voto aproveitam para correr com os ladrões que o roubam. Como dizia Guerra Junqueiro: “Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai…”.

  16. A UE está a perder a pouca dignidade que lhe restava. De cabeça perdida critica a decisão do governo da Grécia de convocar um referendo para que o povo se pronuncie. Democracia só vale se de acordo com vontade dos mercados .
    Em 2011 Papandreou, (PASOK) então primeiro ministro, propôs também um referendo que logo a UE tratou de chantagear, conseguindo mesmo que este não fosse por diante. O terrorismo político vai acentuar-se sobre os gregos. Uma vergonha.
    Não sei como irá o governos grego e o seu povo responder ao terrorismo financeiro e social que se vai intensificar. A fuga de capitais, não as dos que fazem levantamentos nos multibancos, mas sim a dos que transferem milhões de formas sofisticadas vai ser incentivada. O governo da Grécia vai muito provavelmente ter que submeter o sistema financeiro e bancário do país a uma forte intervenção, senão mesmo à sua nacionalização, para impedir o roubo em grande escala.

  17. Curiosa leitura a do Francisco Louçã! Até quanto ao resultado do hipotético referendo (com a Grécia tudo é hipotético!). Fez-me rir um pouco, agradeço-lhe, com a “grande dignidade e força” de Tsipras, que tenta apenas salvar-se da embrulhada que ele próprio provocou, mostrando um defeito que o Francisco Louçã me aponta a mim, a cobardia. Sim, a ele apetecia-lhe recusar o acordo, mas a sua consequência, a quase certa saída do euro e a queda do seu governo fizeram-no sentir uma emoção muito normal: o medo. Sendo assim, atirou a bola para cima do povo grego, desresponsabilizando-se daquilo em que ele tem óbvias responsabilidades. Mantendo eventualmente o seu mandato durante mais algum tempo, apesar de eu duvidar disso.

    1. “Atirou a bola para o povo grego” “responsabilidades”… A mim o que me espanta é a comichão que a democracia provoca em certas pessoas. Acusar o Tsipras de se ter metido numa embrulhada por tentar cumprir com promessas eleitorais é no mínimo de mau gosto.

    2. Miguel, Tsipras já há muito esqueceu as suas promessas sem sentido, e a prova disso é a proposta de um “mais do que enorme” aumento de impostos que ele fez na segunda-feira passada. Um político que promete a Lua aos eleitores e é eleito, mesmo sendo por uma clara minoria, é uma demonstração das limitações da democracia. Os gregos devem saber algo sobre isso, porque inventaram-na há quase 2.500 anos, e ela falhou. Sabe Miguel, era bom que se deixasse de sacralizar a democracia, e de a vender como banha da cobra. Sobretudo para a democracia!

  18. Eu diria que o “jogo ficou muito difícil” para todos. Das duas uma: ou a questão da dívida soberana grega leva-nos a “todos”, Europa, ao fundo; ou incumprimento grego irá separar as águas, e haverá “vencedores” e “perdedores”. Portugal que se cuide, pois a probabilidade de integrar este último “clube” é mais do que provável.

    1. Uma reestruturação da dívida grega seria a melhor noticia possível para Portugal, porque prova que podemos e devemos fazer o mesmo. Ou continuamos a cortar nas pensões.

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