Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

26 de Junho de 2015, 00:25

Por

A segurança da ignorância

Os alemães recorrem com frequência a um provérbio para caracterizar alguns dos seus líderes (e não só):“Sicheres Auftreten bei totaler Ahnungslosigkeit”

A tradução quase literal, mas insatisfatória, é “presença segura embora na mais completa ignorância”.

Este provérbio popular tem fundamento. Não nos podemos esquecer dos dois gigantescos desastres históricos que se abateram sobre o povo alemão e sobre os povos da Europa e do resto do Mundo no século XX, em consequência de líderes que “irradiavam confiança” mas que, além da mais completa ignorância, eram irresponsáveis, patológicos e, um deles um criminoso de guerra que se suicidou antes de ser capturado e condenado.

Este problema da “segurança da ignorância” não é exclusivo da Alemanha. Em Portugal, Salazar, que também irradiava segurança, conduziu um povo à miséria, ao subdesenvolvimento e a uma guerra sem sentido durante 13 anos, em defesa de um império que desconhecia.

Portanto, também entre nós, existe tal “segurança ignorante” mas agravada por duas tradições da cultura portuguesa: uma cultura de deferência e menos directa, que nos leva a dizer sim, quando quereríamos dizer não e que nos leva a dizer sempre que sim às missões atribuídas; uma cultura em que hierarquia é quase sinónimo de conhecimento e de competência, ainda que com alguma razão histórica de ser: afigura-se plausível que, num passado não tão distante, a hierarquia de um povo (em larga medida analfabeto) tivesse, com frequência, mais conhecimento e competência.

Ou seja, os portugueses questionam, menos que os alemães, aqueles que se aparentam “seguros na sua ignorância”.

Nos últimos anos, o governo Português tem tomado decisões céleres. Aparenta segurança total na sua tomada de decisões, nomeadamente em relação a privatizações que, sobretudo nestes últimos meses, ocorrem a uma velocidade estonteante.

Essa aparente segurança e rapidez, que pode ser confundida com eficiência, poderá ser explicada por ignorância quase total dos detalhes e pela ausência da avisada prudência. E, aliás já teve e irá ter graves consequências nos próximos anos.

Este texto surge na sequência do post de quarta-feira sobre a futura “política de investimentos” da Fidelidade, agora controlada pela Fosun e de um comentário de um leitor a esse propósito.

A privatização da Fidelidade, oficializada em Maio de 2014 , que antes fazia parte do grupo estatal Caixa Geral de Depósitos, é uma das bandeiras de cartaz deste governo. A Fosun é um dos principais candidatos à compra do Novo Banco, numa lista de potenciais compradores que suscita muitas dúvidas.

Ora esse leitor do meu último post indicou, citando um artigo no Observador, que no ano passado a Fidelidade “investiu” mil milhões de euros, ou seja, cerca de 1/13 avos dos seus activos, em dívida de um veículo de financiamento do seu novo accionista, Fosun, veículo esse situado num paraíso fiscal. A que acrescem diversos investimentos da Fidelidade em empresas adquiridas pela Fosun.

A ser verdade o que afirma o Observador, a Fosun, na prática, não pagou 1100 milhões de euros pela Fidelidade. Ao invés, a Fosun aparenta ter utilizado os activos da Fidelidade para financiar a totalidade da compra da própria Fidelidade e poderá inclusive já ter retirado mais meios financeiros da companhia do que pagou por ela.

Pelo “andar da carruagem”, quem sabe se este “sucesso seguro” na privatização da Fidelidade não se torna em mais uma “ignorante” injecção de dinheiros públicos ainda antes das eleições legislativas de Setembro/Outubro…

Comentários

  1. “O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), José Almaça, passou parte das suas férias na China, na sequência de um convite da Fosun, empresa chinesa que tem a maior seguradora de Portugal, a Fidelidade, e controla a Luz Saúde.

    Os contornos desta deslocação, segundo o SOL apurou, causaram desconforto na ASF. José Almaça não foi na qualidade de presidente deste órgão, mas sim a convite pessoal dos responsáveis da empresa: além de ter tirado férias das suas funções para se deslocar àquele país, as despesas também não foram pagas pela autoridade de supervisão dos seguros.(…)”.

    Fonte: http://www.sol.pt/noticia/399360/Supervisor-aceita-convite-pessoal-da-chinesa-Fosun

  2. Estimado Ricardo Cabral, tenho seguido ao seus bons artigos… e, não conhecendo em rigor os pormenores técnicos desta operação que desconhecida, abstive-me de responder. Porém, no artigo de hoje, dá ao assunto um outro enquadramento político, sobre o qual – sendo-me permitido livremente comentar – não poderei ficar indiferente.
    Escreve: «Em Portugal, Salazar, que também irradiava segurança, conduziu um povo à miséria, ao subdesenvolvimento e a uma guerra sem sentido durante 13 anos, em defesa de um império que desconhecia.»

    1. Salazar nunca se ausentou de Portugal – porventura, com a excepção do encontro secreto com Franco. E isso inclui os desconhecimento “real” sobre as Colónias, como bem escreve.
    2. Salazar – que com notável astucia conseguira gerir a paz, por meio da “neutralidade colaborante” com as potencias beligerantes da II Guerra – não soube, ou pôde, evitar a Guerra Colonial. E daqui uma observação pertinente: se o “colonialismo” passou a ser condenado abertamente pela opinião pública internacional, apoiando a justa reclamação dos povos africanos à autodeterminação, a verdade é que a par da radicalização ideológica dos movimentos de libertação, apoiados por outro tipo de “imperialismos”, houve também preconceitos étnicos e raciais (como se viu no massacre desferido pela UPA, em 1961, que fez despoletar a Guerra em Angola). Negando, por exemplo, a evidência histórica de que a permanência dos portugueses na baía de Luanda é mais antiga que algumas migrações e formações étnicas «bantus» posteriores no interior de Angola. Porém, a condenação do “colonialismo” impunha agora a expulsão do colono branco – incriminando-o pelos muitos abusos e crimes cometidos! E, de facto, ao arrastar da guerra colonial, sem solução política à vista, defender o Império – como bem escreve – deixara de fazer sentido… E, não obstante, sem sentido foi também o processo de “descolonização”, abandonando os africanos à má sorte da guerra civil, saques, chacinas, êxodo e fome que se seguiria! Uma tragédia que os novos “imperialismos” (EUA, União Soviética, Cuba, África do Sul, etc.) e o mundo civilizado ocidental não soube intermediar, resolver – e menos ainda antecipar. Se Salazar é culpado pela guerra – é um facto histórico. A hipocrisia dos falsos “pacificadores” não é menos inocente – ousemos falar verdade!
    3. Salazar foi uma figura cinzenta, ou “salazarenta”, austera e autoritária – anti-parlamentar, anti-democracia, anti-liberdade e anti-modernidade. Eis a súmula do pensamento de Salazar:
    i) Sobre a «Autoridade» e «Liberdade»: «A garantia das liberdades essenciais permite “a tranquilidade da ordem”, que significa a paz pública»; «A mais segura fonte da autoridade é o Estado (…) Um Estado forte é assim a primeira necessidade; mas, uma vez mais não há Estado forte onde o Governo não o é»; «Autoridade e liberdade são dois conceitos incompatíveis… onde existe uma, não pode existir a outra»; «Aquém, a autoridade que cria a ordem e a ordem que condiciona a liberdade; além, a liberdade, tomada no vago, no absoluto, e desprendida de todo o condicionalismo social, a liberdade até aos paroxismos da anarquia», e ainda «… Isto é, as liberdades interessam na medida em que podem ser exercidas, e não na medida em que são promulgadas».
    ii) Sobre os «Partidos» e os «políticos»: «Não há nada mais inútil que discutir política com políticos»; «Não se pode ser liberal e socialista ao mesmo tempo; não se pode ser monárquico e republicano; não se pode ser católico e comunista – de onde deve concluir-se que as oposições não podiam em caso algum constituir uma alternativa e que a sua impossível vitória devia significar aos olhos dos próprios que nela intervinham cair-se no caos, abrindo novo capítulo de desordem nacional» ou ainda «A Nação não se confunde com um partido, um partido não se identifica com um Estado.»
    iii) Sobre a «Unidade» da «Nação»: «Tudo pela Nação, nada contra a Nação»; «É natural que alguns homens educados para a luta puramente política, as especulações demagógicas, as exaltações emocionais das massas populares, e por esse motivo propensos a reduzir a vida da Nação à agitação própria e das forças partidárias que lhes restam, não tenham revelado compreensão nem dado mostras de adaptar-se. Mas a Nação que faz livremente a vida que quer, a Nação viva e real, essa, comparando passado e presente, olha com certa desconfiança o zelo destes apóstolos da liberdade» ou «Não é de patriota nem de político abandonar o futuro às contingências da sorte, não criar para uma obra condições de duração e de estabilidade. Por definição só fica feito o que perdura.» e ainda «O pior é pensar-se que se pode realizar qualquer política social com qualquer política económica; que se pode erguer qualquer política económica com qualquer política financeira».
    iv) Sobre as «Virtudes» morais do «Ditador»: «Sei muito bem o que quero e para onde vou»; «Vós pensais nos vossos filhos, eu penso nos filhos de todos vós» ou «Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente. Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. Sou, tanto quanto se pode ser, um homem livre […] Fui humano».
    v) Sobre a «Moral» do Regime: «Deus, Pátria, Família»; «A Nação é para nós sobretudo uma entidade moral»; «Estado é a Nação socialmente organizada»; «Para cada braço uma enxada, para cada família o seu lar, para cada boca o seu pão»; «Ensinai aos vossos filhos o trabalho, ensinai às vossas filhas a modéstia, ensinai a todos a virtude da economia. E se não poderdes fazer deles santos, fazei ao menos deles cristãos»; «Instrução aos mais capazes, lugar aos mais competentes, trabalho a todos, eis o essencial».

    Ora, do que do pensamento de Salazar acima foi reproduzido, compreendemos a “razão” do sentir de «Segurança» e «Unidade» da «Nação» advenha da Autoridade do ditador – e das virtudes que faz repercutir na Moral do regime.
    Salazar é, portanto, uma figura “paternalista” – que pelo “complexo de édipo” tanto é amada como odiada. “Odeia”, que sentiu a privação, ou preserva, os valores maiores Liberdade e Democracia. “Ama”, quem reconhece ainda, nas “virtudes morais” do ditador, um líder seguro, idóneo, honesto, abnegado na defesa intransigente do interesse maior da Nação. E aqui uma observação: Para o discurso político dominante, Salazar, diabolizado, é a personificação do “mal” (e logo vem antropologia comparada a outros ditadores que, em verdade, pouco ou nada tem a ver com o perfil e astúcia política de Salazar!); porém, essa tipificação não corresponde em absoluto ao retrato real ou imaginário que o “povo” ainda cultiva do ditador – daí que Salazar continue a vender bons títulos de livros ou tenha inclusivamente vencido a “eleição” (por ironia) do “maior português de sempre”, no programa «Os Grandes Portugueses» [RTP, 2006/7]

    Pelo que, se quisermos ser rigorosos e objectivos – e isentos de preconceitos ideológicos – estaremos então em condições de admitir de que se é verdadeira a afirmação de que Salazar “irradiava confiança”, carece, porém de fundamento de que “conduziu um povo à miséria, ao subdesenvolvimento”!

    «”A taxa de crescimento de Portugal durante os anos 2000 foi de 0,6%; nos anos 90 e 80, o país cresceu a 3,1% e 3,6% respectivamente; nos anos 70, cresceu a 4,9% e nos anos 60 a taxa atingiu 5,8%. Os anos 60 são, portanto, o período dourado da nossa economia e, apesar do caos pós-1974, os anos 70 também merecem destaque. Como é que isso foi possível? Em 1970, 1971 e 1972, Portugal conheceu taxas de crescimento chinesas: 8,47%, 10,49% e 10,38%. E estes picos de crescimento asiáticos também surgiram obviamente nos anos 60: 8,8% (1960), 10,53% (1962), 6,05% (1964), 9,41% (1965). Estas taxas de crescimento representaram um quarto de século de convergência em relação aos clubes dos mais ricos. Entre 1961 e 1973, a média de crescimento dos países da OCDE foi de 5%; no mesmo período, Portugal cresceu a 6,9% […] A percentagem da população beneficiada pelos diferentes regimes da segurança social passou de 13,3% (1960) para 27,5% (1970) e 37,4% (1974). Olhe-se, por exemplo, para os pensionistas: em 1960, existiam 119 586 (56 296 no regime geral e 63 290 na CGA); em 1970, os sistemas abrangiam 260 807 reformados e o número já estava nos 607 084 em 1973; no final deste processo, em 1974, existiam 780 399 pensionistas em Portugal (701 561 no regime geral e 78 838 na Caixa Geral de Aposentações). Terá havido até hoje uma expansão do Estado social tão rápida como esta? […]»
    Fonte: cit Henrique Raposo, «De Salazar a Soares: Portugueses ficaram mais ricos durante o Estado Novo» – Dinheiro Vivo, 2013: http://www.dinheirovivo.pt/economia/interior.aspx?content_id=3875692&page=-1

    Durante a fase mais aguda do Estado Novo verificaram-se emigrações em massa para o centro da Europa (uns, por motivação política e ideológica, escapando à repressão e buscando a tão ansiada da liberdade; outros, por carestia, aventurando-se na descoberta de melhor conforto, rendimento e qualidade de vida; e, outros ainda, desertores ou refratários, fugindo à guerra colonial…) – e daqui a percepção do atraso estrutural, político e económico do país em relação aos países europeus mais desenvolvidos, que se reerguiam no pós-Guerra. Porém, a realidade mostra que durante os últimos anos do Estado Novo, Portugal não só convergiu com a Europa, como encetou várias medidas de abertura à integração económica europeia, como atesta a adesão à EFTA em 1961. Houve, de facto, um esforço de Salazar, de forma consistente e bem ponderada, em contrariar o “isolamento” e a abrir novo “mercados” europeus às industrias nacionais.
    E aqui bem se aplica outra frase célebre de Salazar: «Que queiram deitar-me a terra, compreendo, mas irrito-me que me tomem por tolo.»

    Ao contrário, a interessante frase a que alude: «presença segura embora na mais completa ignorância», parece aplicar-se mais a muitos governantes e políticos do actual República – demonstrando, em meio a tanta ilusória segurança, tanta ignorância ao que sejam os valores mais altos da Liberdade e Democrática.
    – Democracia não deveria significar que a adesão ao euro, os tratados de integração europeia e a transferência de soberania se fizesse por “referendo”?
    – Quem se lembra de Sócrates, sempre tão seguro e confiante – vendendo TGV’s, aeroportos e autoestradas, em vésperas dos PEC’s? Ignorância que, no agudizar da crise, nos conduziria ao protectorado da Troika. – E, o que dizer da “vassalagem” de Passos Coelho a Berlim? Também aqui parece apropriada a frase introduzida por Ricardo Cabral – é por “ignorância” própria da nossa fraqueza, que a fortaleza da Alemanha nos parece mais “segura” – e isso basta para que, resignados, se aceite como fatalidade dos nossos “pecados” a punição por via da “austeridade”. Tal como antes, o austero Salazar nos pareceu mais “seguro”, como se a vinda de um providencial “salvador” se tratasse, contra a “desordem” e “ignorância” dos políticos da I República!

    Por fim, o estimado Ricardo Cabral coloca a questão das “privatizações” – alertando ainda a “opinião pública” para a importante denúncia que faz sobre o envolvimento da Fosun na Fidelidade. Bom trabalho!
    E daqui se retira ainda outra observação importante sobre a “ignorância” da “(in)segurança” presente. Começo por dar um exemplo: quando o meu bisavô, tecelão dos lanifícios, foi preso pela PIDE, em 1949, por ter aderido a uma célula comunista, e apanhado a distribuir clandestinamente panfletos e jornais do Avante (durante a juventude teria tido ainda simpatias pelo movimento anarco-sindicalista), ele sabia de que lado se movia e que eram os seus “inimigos”! Hoje, num mundo “liberal” globalizado, em boa verdade não sabemos que é o nosso patrão, e menos ainda de que modo são tomadas as decisões políticas, que condicionam o Governo a partir do exterior.
    Acontece que o «dinheiro» não tem rosto. A diferença entre o BES e Fosun, no controlo das seguradoras, é que o primeiro tinha um “rosto”, que nos era, apesar de tudo, familiar e próximo – inclusive dentro da nossa cultura “personalista” a que também alude; mas, e o que podemos dizer dos segundos (Fosun) no dia em que for preciso à justiça bater à porta? E se o dinheiro não tem rosto, logo também deixa de ter “responsabilidade social”!
    Acontece que o Poder – e os verdadeiros “centros de decisão” – estão cada vez mais longe, distantes, dos cidadãos. Logo a Democracia e a Liberdade dão-nos hoje uma falsa “segurança” que disfarça a minha, ou a nossa, verdadeira “ignorância”.
    Sobre o que se passa em Berlim, Bruxelas, Atenas… o na sede dos donos da TAP ou na Fosun nada sei – pouco sabemos. Logo, em rigor, se pouco se sabe, nada se pode. Sem um Estado fortalecido, o Poder, vacilante e inseguro, esvazia-se na “ignorância”! Abraço fraterno.

  3. “Que força é essa, que força é essa que trazes nos braços
    que só te serve para obedecer, que só te manda obedecer
    que força é essa amigo, que força é essa amigo
    que te põe de bem com outros e de mal contigo
    que força é essa amigo”

  4. O cenário é tão surreal que eu não tenho a certeza de ter compreendido bem: quer isto dizer que, eu contraio um empréstimo de 1000€ junto de uma firma de dimensão doméstica, a quem fico portanto a dever 1000€, uso esse dinheiro para comprar a dita cuja empresa de que passo a ser dono e portanto deixo de dever os 1000€, sendo que no final fico sem qualquer dívida e com a mais-valia de ser proprietário da empresa.
    Tenho de acreditar que não é verdade, que a desfaçatez não chegou a esse ponto, pois até uma criança saberia perceber a esperteza saloia do negócio.
    Têm de faltar detalhes que comprovem que a Fidelidade afinal permitiu um encaixe de largos milhões de euros ao estado.

    1. Mais ou menos isso. A Fosun contraiu dívida junto de algum banco ou veículo de financiamento. Utilizou esse dinheiro para comprar a Fidelidade. Logo de seguida vende os activos da fidelidade para comprar dívida a um outro veiculo de financiamento sediado num paraíso fiscal e para comprar activos detidos pela Fosun por esse mundo fora. É possível que esse veículo de financiamento tenha já pago a dívida originalmente contraída. Aparentemente já retirou da Fidelidade muito mais dinheiro do que pagou por ela.

      Para fazer este tipo de negócio, era preferível que o governo/CGD tivesse vendido a Fidelidade a um qualquer português por um euro. Sempre poupava umas centenas de milhões.

      O problema é que dificilmente acaba aqui a história…

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