Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

14 de Março de 2015, 23:44

Por

É a coragem que conta

Uma assessora do ministro das finanças grego Varoufakis, Elena Panarity, afirmou que um dos credores da troika disse a Varoufakis que a solução para a falta de liquidez enfrentada pelo governo grego seria não pagar salários e pensões durante um mês ou dois, ao que Varoufakis teria respondido que essa proposta era vergonhosa. Tal foi primeiro confirmado por responsáveis do Ministério das Finanças, mas segundo a mesma fonte umas horas depois foi tudo desmentido, alegando que a proposta tinha sido feita antes de 2015.

Ora, a confirmar-se, este tipo de afirmações e polémica não leva a lado nenhum e só descredibiliza o governo grego.

Parece evidente que os parceiros europeus não estão a facilitar a vida ao novo governo grego e que criaram uma frente unida para punir e fazer fracassar o Syriza logo à partida. O Banco Central da zona euro (BCE), responsável pela estabilidade do sistema bancário, tomou decisões que encorajam uma corrida à banca grega, desestabilizando o seu sistema bancário, reduzindo o financiamento de curto prazo ao governo da Grécia. O Eurogrupo, por outro lado, não autoriza a transferência da parcela pendente do resgate, deixando o governo grego à beira da bancarrota.

Mas, o Syriza tinha a obrigação de estar melhor preparado para o desafio e sobretudo para reagir com algumas medidas bem fundamentadas. Tinha e tem a obrigação de utilizar o tempo que dispõe para se preparar o melhor possível para o embate negocial. É útil lembrar os exemplos de Dias Ferreira e de Oliveira Martins que em 1892 não tiveram pejo em defender o interesse nacional reestruturando a dívida pública. Portugal não existiria como nação independente se, em momento chave da história, portugueses não tivessem arriscado defender o interesse nacional não se submetendo às directivas e aos interesses de outros países.

Não é nada fácil estar na situação do actual governo grego porque enfrenta muitas dificuldades logo à partida. O governo do Syriza optou pelo caminho mais difícil. Como podem ser criticados por não cederem à tentação do facilitismo, de obedecer às ordens que emanam de fora e de não se preocuparem com o destino de uma larga fracção dos seus concidadãos?

A lição a tirar é outra. É que o tipo de promessas feitas pelo Syriza exige muita preparação, muito realismo e pouca polémica. Exige um plano A e, pelo menos, um plano B. A ver vamos se o Syriza consegue dar a volta às negociações. Mas só falhará se compactuar com o destino a que a Europa quer condenar a Grécia. E mesmo se falhasse – que não vai – outros países devedores não devem utilizar o exemplo da Grécia para nem tentar sequer renegociar com os seus credores.

Concluo relembrando a famosa citação de Winston S. Churchill: “Success is not final, failure is not fatal: it is the courage to continue that counts.”

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