Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

17 de Fevereiro de 2015, 08:30

Por

União ou desunião Europeia?

Norte versus Sul. Credores versus devedores. Ricos versus pobres. Excedentários versus deficitários. Contribuintes líquidos versus beneficiários líquidos. PIGS versus outros acrónimos não animais. Gastadores versus aforradores. Pecadores versus puritanos. Austeridade punitiva versus punição de não crescimento. Cigarras versus formigas. Euro versus moedas próprias. Julgados versus julgadores. Direitos versus deveres. Solidariedade versus egoísmo. Soberania sem limites versus sub-soberanias. Benefício do infractor versus malefício do cumpridor. Paraísos (fiscais) versus infernos (fiscais). Alunos (bons e maus) versus professores. Tecnocracia versus política. Políticos versus funcionários. Eleitos versus nomeados. Tratados versus retratados. Pensamento único versus geometria variável. Alternativas versus não alternativa. Palavras versus (não) decisões. Igualdade versus divergência. Passado versus futuro. Iluminados versus amochados. Chumbos referendários versus respeito democrático.

Todos se demarcam de todos! A Irlanda não é Portugal. Portugal não é a Grécia. A Espanha não é a Itália. A Itália não é a França, etc., etc.. Ah, e o Reino Unido é uma ilha e a Europa do Leste continua a leste.

Neste braço de ferro entre o Governo grego e a UE, observa-se um confronto insólito: a Grécia na União para umas coisas e fora dela para outras e a União Europeia com a Grécia dentro para uns aspectos e fora para outros.

Vejo argumentos consistentes nos dois campos. Mas ainda não vi uma explícita vontade mútua em se convergir no essencial. Não basta esgrimir a favor ou contra em torno de uma palavra mágica (flexibilidade), que pode significar muito, como quase nada.

Sem visão e sem liderança, a União caminha aos solavancos, esfumando-se o seu espírito fundacional e o legado dos seus impulsionadores. O euro é a métrica da desunião e a evidência da incapacidade. Incapaz de responder, em tempo certo, aos desafios que se lhe colocam, a Europa passa de Velho Continente a Continente velho, no nevoeiro de uma crescente e perigosa irrelevância.

Comentários

  1. ao contrario do que muitos dizem,a Grecia obrigou a UE a clarificar a sua posição politico/ideologica:austeridade.Quem ousar apresentar politicas alternativas ,é expulso(ou pelo menos ,ameaçado de expulsão).é bom que as pessoas pensem bem no que está a acontecer,para depois(e falo para aqueles que pagam impostos) não se queixarem de pelo menos mais 50 anos de austeridade ferrea.

  2. “O euro é a métrica da desunião e a evidência da incapacidade”. Pois é! A Europa insiste em ignorar o problema, insistindo no erro e continuando a ignorar os insuportáveis efeitos das insuficiências na arquitectura da zona euro. Para além de que o remédio que teimam em receitar á Grécia,esta terapia de merceeiro, é na realidade um veneno que provoca um aumento da dívida e uma descida no crescimento. Absurdo e insustentável.

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