Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

3 de Fevereiro de 2015, 09:25

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A rã suíça já saltou para fora da panela

Em post anterior, intitulado “Como cozer uma rã suíça?”, questionei quanto tempo os responsáveis do Banco Nacional Suíço (BNS) iriam aguentar a valorização do franco suíço face ao euro, após a sua decisão (15/01/2015) de abandonar o limite superior da taxa de câmbio franco suíço- euro.

Argumentei que ligeiras valorizações do franco suíço traduzir-se-iam em gigantescas perdas contabilísticas para o BNS e concomitantes ganhos para os especuladores do outro lado da aposta do BNS. Como referi, se o franco suíço se valorizasse para 1,5 euros as perdas do BNS chegariam perto de uns “estonteantes 330 mil milhões de euros”.

Aparentemente, no BNS, não foram feitas contas antes de tal decisão. Entretanto, alguém no BNS as deve ter feito e achado que, de facto, os responsáveis do BNS iriam ser “cozidos vivos”.

E, por isso, o volte-face anunciado este fim-de-semana. O BNS reintroduziu (provavelmente já na semana passada) um regime muito próximo ao de câmbios fixos – obriga-se a manter o valor do franco suíço numa banda compreendida entre 0,909 e 0,952 euros – apenas cerca de duas semanas depois de ter abandonado a taxa de câmbio fixa.

“Mais vale tarde do que nunca” reconhecer erros, corrigindo, na medida do possível, decisões, embora não seja fácil abonar em defesa dos responsáveis do BNS.

Mas a questão é mais profunda. A decisão, tomada em 2011, de fixar a paridade com o euro, quando a Suíça registava excedentes da balança corrente muito elevados, foi errada. Após essa decisão, o BNS viu-se forçado a adoptar uma política monetária não convencional[1]. Não pode, contudo, ignorar a realidade. Se decide reintroduzir câmbio fixo tem de, igualmente, aplicar outras medidas não convencionais para responder aos desequilíbrios  – excedentes da balança corrente –  que estão na origem do acelerado crescimento das reservas de divisas.

Resta saber se os responsáveis do BNS irão conseguir fechar de novo a caixa de pandora que abriram, de forma tão impulsiva, há cerca de duas semanas atrás.

 

 

 

 

 

 

[1] Permitir que a base monetária crescesse sem limites.

Comentários

  1. e pá
    o cabral – mantem a comparabilidade
    ou tx. de cambio directa ou tx. cambio indirecta – não é uma e depois outra
    além de que as rreservas n aumentam apenas por causa da balança corrente (e comercial) , mas tambem por causa do movimentos autonomos da balança financeira
    se há mta expatriação de capitais para o sistema bancário suiços , com tx. de cambio fixa , tambem fazem aumentar a base monetaria
    se entram 10000 B € (hip.) do estrangeiro no UBS (e quejandos) num semestre , não vão propriamente de um ápice financiar o aumento da capacidade de produção em série da swatch ou reduzir a tx. de juro dos construtores suiços de embarcações lacustres , nem tão pouco desatar a integrar sindicatos bancários para acorrer ao sell-off de activos da periferia (veja a pt-portugal)

    assim :
    a autoridade monetária (como pretende um cambio fixo) corre a criar um portfolio . o portfloio é que foi mal construido. nao há instituições
    que depois até podia considerar uma Doação de CHFs aos Helénicos
    era super : subia-lhes a base de circulação e aumentava o bem-estar social

    1. Estou precisamente a manter a comparabilidade, especificando neste e em posts anteriores a taxa câmbio ao certo do ponto de vista da Suíça e do BNS – quantos euros vale um franco suíço (ou sempre ao incerto do ponto de vista do euro).
      As reservas só aumentam ou diminuem se o BNS decidir manter uma taxa de câmbio fixa (ou uma banda).

    2. mas veja , as reservas da russia diminuíram , e o cambio também veio por aí abaixo
      e a conta corrente este ano foi ainda excedentária ; se não fosse o banco central o cambio tinha caído ainda mais (ou : tinha , certos dias, caído ainda mais)
      o que estava a movimentar o mercado de cambio não era então a balança corrente… mas a balança financeira .. a praça financeira
      e então afinal : o que determina (ou havia de determinar) a tx. de câmbio
      é todo um mundo….

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