Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

10 de Janeiro de 2015, 12:36

Por

1143

granadaApareceu escrito, na parede da mesquita de Lisboa, o número “1143”. Esboço anónimo de quem não achou que o que pretendia que fosse um insulto merecia explicação e fugiu depressa, nem vale o esforço da interpretação. Fiquemos pelo óbvio: 1143 é o ano da independência diplomática de Portugal (embora só em 1147 ocorra a conquista de Lisboa). Foi assim que começou o que já tinha começado.

Mas há uma pergunta que se pode fazer: nesse ano, onde estava a tolerância e quem era a intolerância? A resposta não é a mais simples. Miguel Esteves Cardoso escreve, e bem, que, nesse tempo como durante muitos mais anos, o Islão era a parte da civilização.

E, se nos perguntamos quem era a parte tolerante do cerco a Granada, trezentos e cinquenta anos depois (1492), a resposta ainda é: os muçulmanos. Os Reis Católicos dirigiam o reino mais atrasado política, cultural e cientificamente e, sobretudo, mais intolerante e bárbaro. Para estudar medicina, para ler filosofia, a começar pela filosofia clássica da Grécia antiga que era perseguida na Europa, para fazer poesia, para discutir livremente, era melhor viver no mundo muçulmano do que no mundo cristão.

Se nos perguntamos onde estava a parte tolerante durante a longa Inquisição, era no mundo muçulmano: os judeus e outros perseguidos fugiam para Constantinopla, onde eram acolhidos.

A desagregação posterior destas sociedades, o fracasso e a destruição dos seus regimes laicizantes no século XX, o estímulo e protecção ocidental a ditaduras várias, as perpétuas guerras do petróleo, o empobrecimento da massa popular, o desastre ecológico, o sentimento de exclusão e o renascimento de fanatismos assanhados trouxeram-nos aos dias de hoje, com os demónios à solta. Não tinha que ser assim. E, antes de aceitarmos qualquer prosápia sobre o destino eterno de uma parte do mundo, lembremo-nos de que nem sempre as coisas foram iguais ao que hoje conhecemos, que o Islão não fundamenta a deriva dos assassinos do Charlie Hebdo e que, para que a Europa se livrasse da teocracia, foram precisas revoluções vitoriosas. Ainda precisamos delas, talvez mais do que nunca, para que as pessoas possam viver em paz e com a sua consciência.

Comentários

  1. Vou contar a verdadeira história sobre 1143, Afonso Henriques e o seu nazismo:

    Há muitos anos atrás, numa noite bastante chuvosa, recebi uma visita em casa que até hoje recordo. Já estava deitado e tocaram à campainha, lá fui abrir a porta e deparei-me com uma figura encapuzada. Pensei que vinham assaltar-me ou coisa assim, e ia fechar a porta instintivamente, quando o vulto me interpela. Caramba, ainda hoje me lembro daquela voz que me gelou até aos ossos! Tinha qualquer coisa de sobrenatural, de mefistofélico, quase como se nos hipnotizasse! Já não fechei porta nenhuma! O vulto chamou-me pelo meu nome e disse-me para entrar-mos, fui incapaz de desobedecer.
    Ia dar-me acesso a um conhecimento secreto que um dia teria de ser revelado. Revelou-me esse conhecimento, e entretanto não sei quantas horas passaram naquela noite. O vulto saiu e eu ainda incrédulo com o que ouvira e com as credenciais fidedignas que ele me mostrou, voltei a deitar-me mas já não consegui dormir. De manhã ao espelho vi como tinha a barba com pêlos grisalhos e como envelhecera tanto numa só noite.
    Agora vou contar-vos o que ele me disse. Pois bem, meus amigos, o nacional-socialismo nasceu em Portugal! Sim, é verdade! Corria o ano de 1140. Certa manhã, a cavalo Afonso Henriques sai de Coimbra e com alguns dos seus cavaleiros chega em passeio às ruínas de Conímbriga, que desconhecia até então. Tomou nessas ruínas romanas contacto com a cruz suástica, símbolo que havia de adoptar em segredo. Saiu de lá cativado, apaixonado, por esse símbolo que havia de acompanhá-lo para sempre. Temendo estar a cair em heresia, desabafou com o seu confessor o seu amor instintivo e curiosidade por aquele símbolo tão poderoso.
    Não se sabe ao certo os pormenores da conversa, o que é certo é que dali a duas noites, Afonso Henriques foi conduzido a um mosteiro perto da actual Santa Comba Dão e teve uma marcante entrevista com um velhíssimo monge de quase 100 anos. O ancião perguntou-lhe se seria fiel ao segredo que lhe iria revelar ao que Afonso Henriques respondeu: “A minha honra chama-se fidelidade!” Foi esse ancião quem lhe ensinou os segredos catalisadores da suástica, dizendo-lhe para criar uma ordem secreta de cavaleiros da mais estrita confiança e valor que passassem o conhecimento de geração em geração, o conhecimento nacional-socialista! O símbolo que os identificaria, apesar da sua condição de nobreza ou riqueza seria um crucifixo de ferro! Sim, meus amigos, já perceberam? Eram os Cavaleiros da Cruz de Ferro!
    O ancião disse ao nosso primeiro rei que 1143 seria a data ideal para a independência de Portugal, pois esse número tinha um forte poder e determinava e predizia até o futuro da suástica e do nacional-socialismo. A entidade que me visitou disse-me: Aqueles que têm compreensão que compreendam! Vou agora explicar-vos esse significado:

    1143=

    1=1ª letra do alfabeto-A
    1+4+3=8ª letra do alfabeto-H

    AH=Afonso Henriques e Adolf Hitler!

    Esses Antigos já prediziam o aparecimento de Adolf Hitler!
    A partir desse dia Afonso Henriques começou a malhar com mais gosto nos mouros, judeus e tudo o que lhe aparecia pela frente, sabendo que um dia um homem ia continuar o seu trabalho.
    Em 5 de Outubro de 1143, dá-se a independência jurídica de Portugal, ora em 5 de de Outubro de 1943, exactamente 800 anos depois, as SS desfilam em Berlim, numa cerimónia de significado hermético para a maioria dos alemães, mas não para Adolf Hitler.
    Ora quem recebeu em 1918 a Cruz de Ferro de 1ª classe, senão o cabo Adolf Hitler? Uma tão alta condecoração para um simples cabo nunca foi cabalmente explicada, mas era um prenúncio para o que haveria de acontecer! Após a Guerra de 14-18, em Berlim, Hitler seria visitado por um homem misterioso, representante da Ordem Mística dos Cavaleiros Nacional-Socialistas de Portucale, herdeira dos Cavaleiros da Cruz de Ferro. Adolf Hitler foi assim iniciado por um português nos mistérios da suástica e do nacional-socialismo!
    Anos antes também Salazar recebera esse conhecimento através de um frade, enquanto estudava no seminário de Viseu. Salazar era superior hierárquico de Hitler na Ordem Mística dos Cavaleiros Nacional-Socialistas de Portucale, e mais tarde foi o Grão-Mestre da Ordem. Deu então instruções a Hitler para criar uma força militarizada de iniciais SS (Salve Salazar), disfarçada pelas palavras alemãs Schutz Staffel. Não foi por acaso que tomaram como moto as palavras de Afonso Henriques: “A minha honra chama-se fidelidade”. No próprio castelo usado pelas SS em Wewelsburg, o Sol Negro do chão contém o S de Salazar estilizado. Escusado será dizer que as obras de requalificação do castelo terminaram em 1943, 800 anos depois da independência de Portugal.
    Um tempo antes, após Salazar ter sofrido um atentado, Adolf Hitler envia-lhe um carro blindado como prenda. O Mercedes viaja de comboio de Berlim para Lisboa. Á chegada a Santa Apolónia, Salazar ordena a um homem da sua confiança para retirar as matrículas que o carro trazia e as levar até ele. As matrículas eram AH1143. Salazar e Hitler estavam portanto em plena sintonia, mas em 1942 as divergências acentuaram-se. Salazar estava desagradado com o desenrolar da guerra e envia Spínola, Cavaleiro da Ordem Mística dos Cavaleiros Nacional-Socialistas de Portucale a Berlim e a Estalinegrado para levantar o moral das tropas do Eixo e é realmente após a sua visita que as tropas alemãs renascem e combatem com maior fervor.
    1943 marca a viragem para o nacional-socialismo na Alemanha, visto que Adolf Hitler perde o favor dos seus mentores e nem a cerimónia telúrica de 5 de Outubro de 1943 permite inverter o rumo.
    Não obstante, aquando da sua morte será decretado o luto nacional por três dias em Portugal, não tanto pela morte de um Chanceler alemão, mas sim pela morte de um Cavaleiro da Ordem Mística dos Cavaleiros Nacional Socialistas de Portucale. Mais uma vez aparece aqui o 1143, a acertar em cheio:

    1143, o último algarismo significa 3 dias de luto por Adolf Hitler.

    Nos dias de hoje, o aparecimento do 1143 numa mesquita de Lisboa, sabendo como Afonso Henriques não podia com mesquitas só pode querer dizer que a Ordem Mistica dos Cavaleiros Nacional-Socialistas de Portucale está viva e de boa saúde. Acautelem-se pois!

  2. Louçã tem alguma razão. Mas nem sempre o islão foi tolerante. Nunca se aproximou, por exemplo, da tolerância que com ligeiras exceções demonstrou o império romano. De qualquer modo registe-se a benevolente tolerância de alguns sultões otomanos e do califado de Córdova. E mesmo do mais tardio reino de Granada que de boa fé consentiu na agregação à Espanha dos reis católicos que, logo em seguida e pela ação nefasta do Cardeal Cisneros, nada foi cumprido do que tinha sido acordado. Aos Granadinos enganados nada mais restou que a revolta que culminou com o desastre e aniquilamento destes nas Alpujarras. O que agora está a suceder radica, quanto a mim, num pressuposto essencial e que consiste não existir uma hierarquia centralizada no islão. Com efeito, durante os califados omiadas e abássidas (Damasco e Bagdad) o califa aglutinava não só o poder temporal como o religioso. E outro tanto sucedeu de forma menos incisiva durante o califado de Córdova aqui no Al Andalus e tabém no império otomano. Num passado mais recente até à atualidade isso já não se verifica. E ao contrário do catolicismo que tem no topo da pirâmide o Papa, não existe uma hierarquização definida. Daqui, decorre que qualquer imã ou mullah possa promulgar uma fatwa ou até incitar à jihad. Penso que é aqui que reside um dos problemas fundamentais. Que nem sequer me parece vir a ter solução à vista.

  3. A posição sensata do Imã quanto à inscrição do 1143 na parede da mesquita deveria ter sido: ” é uma data nós, muçulmanos portugueses, celebramos. É a data da nossa independência.”

  4. A minha tese confirma-se, Francisco Loução parou no tempo. Vive em plena e radiosa Idade Média.
    Até parece que não foram os islâmicos que invadiram a Península (711) a caminho de França (derrotados em Poitiers – 732)
    Até parece que mesmo antes desta data os muçulmanos não atacavam a Europa
    Até parece que os piratas mouros faziam parte de uma qualquer ficção cinematográfica
    Até parece que em 711 não saquearam o território peninsular, até às Astúrias
    Até parece que Pelágio, a partir das Astúrias, em 722 não começou a Reconquista.
    Para Louçã, até parece que a Europa é antigo território árabe – sarraceno
    Onde, já nessa altura, estava a parte tolerante dos árabes?
    Porque condena a teocracia ocidental e tolera e absolve a teocracia islamita

    1. Está enganado, “Moderno”. Não absolvo nenhuma teocracia. Constato simplemente que houve um tempo em que os judeus podiam fugir da Inquisição para uma região dominada por muçulmanos. E, se ler os trabalhos do historiador Cláudio Torres, também descobrirá, porventura para sua surpresa, que as populações do que é hoje Portugal conviveram com menos fanatismo e xenofobia do que a que hoje domina o mundo árabe ou algumas regiões europeias. Tudo mudou com a degradação destas regiões, mas eu estou entre aqueles que não aceitam apoiar Marine Le Pen.

    2. Caramba, o moderno ouviu com muita atenção a professora da primária e terá decorado certamente a sebenta, decerto há muito tempo. Sucede, porém, que está errado.

    3. Tanta ignorância até dói. Ó Antiquado, tanto como a historiografia em que se baseia:
      – A invasão da Península foi feita a pedido de um reino cristão. Já agora, os reinos cristãos eram visigodos, gente que tinha por sua vez invadido a Ibéria pouco tempo antes.
      – A pirataria moura é uma natural revolta pela expulsão dos mouriscos .
      – Essa do Pelágio dá vontade de rir: era um descendente de invasores. E não houve ermamento algum, pelo contrário, ou nunca ouviu falar de moçárabes?
      Toda a gente sabe que os ditos invasores conviveram com os cristãos, lhes permitiram que mantivessem a sua religião (tal como os judeus) e que a intolerância vem dos borginheses e outros enviados de Cluny, que perseguiram o moçarabismo, esses sim, fanáticos e intolerantes. Toda a gente que não estudou pela cartilha do Mattoso pai, é claro.

    4. não sei quem é essse moderno..
      na grekia é q nao vai haver “fuga de capitais” nenhumas , só actos negociais

    1. Muito embora só tenha a 4ª classe feita com professor (Homem) a minha família não teve condições para eu fazer a admissão ao liceu . Não cheguei a doutor como tantos que pregam por aqui. Mas tive educação e aprendi a respeitar os outros. O pouco que sei é fruto de muito trabalho e estudo autodidacta. Podemos dizer que tenho o curso da “escola da vida”. Não nasci em berço.
      Relativamente aos moçárabes tanto quanto sei, foi denominação que se deu aos cristão-visigóticos que ficaram a viver no território peninsular ocupado, como posteriormente a 1492, aos mouros que ficaram a viver no território reconquistado. (por aqui haverá um empate)
      Só me admira que Loução mostre alguma admiração pelos judeus perseguidos e que curiosamente, diz que foram acolhidos pelos árabes e hoje os considere grandes culpados dos males do mundo
      Também lhe digo que não tenho qualquer admiração por Le Pen mas também não tenho nenhuma por pessoas, mesmo que grandes sabedoras da civilização árabe, como Cláudio Torres defensor do totalitarismo mais selvagem. Aceita a religião muçulmana, repudia a religião cristã. Fundamentalismos incompreensíveis

    2. O que diz de Cláudio Torres é totalmente infundado. Ele não “repudia a religião cristã” porque não é cristão. E não “aceita a religião muçulmana”, porque não é muçulmano. O mundo não está só dividido em obediências religiosas.

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