Tudo Menos Economia

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Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

3 de Dezembro de 2014, 08:22

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E depois da compulsiva e encomiástica apoteose?

Confesso que não me suscitam muito interesse os “conclaves partidários” que periódica e estatutariamente são realizados. De um modo geral, ouve-se o que era esperado ouvir, comenta-se o que se ouve e também o que não se ouve, e não se ouve o que se ouve nos bastidores. Mas não pretendo criticar esta coreografia congressional porque, apesar do meu distanciamento e – direi – pouca apetência pelos rituais partidários, os partidos são um dos pilares essenciais (embora longe de serem monopolistas) de uma democracia saudável.

Na actual conjuntura política, o Congresso do PS foi um acontecimento relevante. Visto de fora, no entanto, terá defraudado algumas expectativas. Percebo e até aplaudo a posição algo defensiva do novo líder socialista de não se querer comprometer com o que depois não pode concretizar, sabendo nós que essa divergência entre a promessa e a oposta acção tem abalado as legítimas expectativas dos eleitores. Mas, julgo que terá exagerado na omissão e no silêncio. Umas breves incursões generalistas sobre educação, impostos e pouco mais. Aqui e acolá, alguns gestos humanamente densos, como o da homenagem às mulheres vítimas de violência doméstica, mas insinuando uma crítica ao governo, como se a responsabilidade fosse deste. No resto, mais do mesmo, ainda que com um discurso socialmente mais comprometido do aquele que é maioritário no seio do governo. Silêncio, também, sobre um passado socialista que deixou Portugal entregue aos credores oficiais.

O aspecto mais impressivo das intervenções de António Costa prendeu-se com a hipotética política de alianças pós-eleições. Pondo de lado, a “união de facto” com o jovem “Livre” que pode significar uma eventual secretaria de Estado ou coisa que o valha, creio que o secretário-geral do PS estreita o potencial espectro eleitoral ao se afastar do centro onde, por regra, predomina o “swing vote” e se decidem eleições. E apelando aos partidos à sua esquerda, nada nos foi dito sobre como conciliaria as profundas divergências sobre o cumprimento do Tratado Orçamental, a questão do euro e da dívida pública, só para citar três temas fundamentais.

Comentários

  1. E vai adiar comentar questões sobre a dívida e o tratado até ao limite do suportável. Como já referi: quando se trata de ser responsável e pagar as contas, não contem com alguém de esquerda. Pedir dinheiro emprestado e tratar as finanças públicas de forma irresponsável é mais a praia do socialismo.

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