Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

13 de Novembro de 2014, 13:30

Por

Jean-Claude Juncker

 

“Tomamos uma decisão sobre algo, deixamos essa decisão no ar e esperamos para ver o que ocorre. Se ninguém reclama, porque a maior parte das pessoas não entende o que foi decidido, então continuamos passo a passo, até que não haja retorno possível”, Jean-Claude Juncker, de acordo com o Telegraph, referindo-se à forma sobre como foi levado a cabo o projecto da moeda única (a introdução do euro).

“Deus predestinou…uma parte da raça humana, sem qualquer mérito próprio, à salvação eterna, e outra parte, à punição justa pelos seus pecados, à condenação eterna.” John Calvin

 

Já abordei neste blog, várias vezes, as conspirações recorrentes contra o interesse público a que o Presidente Lincoln aludia no século XIX. O que custa a acreditar é que o modus operandi das instituições de governo da União Europeia seja baseado numa conspiração recorrente contra os povos da Europa e, em alguns casos, em benefício de um país à custa dos restantes países da União.

O Luxemburgo foi apanhado a “roubar” os impostos de outros países da União e do resto do mundo e fê-lo enquanto Jean-Claude Juncker era seu primeiro-ministro e ministro das finanças. A autoridade tributária do Luxemburgo fazia acordos secretos com multinacionais por esse mundo fora. As multinacionais transferiam os seus lucros de actividade económica gerada em vários países via Luxemburgo. O Governo do Luxemburgo cobrava taxas de impostos, de 1% ou até menos, sobre os lucros (portanto, muito abaixo da sua taxa estatutária de 29%).

Devido, entre outras coisas, aos acordos de dupla tributação, essas multinacionais ficavam assim isentas de pagar impostos sobre os lucros nos países de origem, que confiavam e eram forçados a aceitar o que as autoridades tributárias do Luxemburgo faziam.

Em consequência destes acordos secretos, o défice orçamental do Luxemburgo melhorava. O défice orçamental dos restantes países da União e do Resto do Mundo deteriorava-se significativamente.

Jean-Claude Juncker, lembremo-nos, foi apanhado em flagrante pelo eurodeputado João Ferreira durante a audição perante o Parlamento Europeu que precedeu a sua eleição para Presidente da Comissão Europeia, em Julho de 2014.

Durante a interpelação pelo eurodeputado João Ferreira, Juncker escrevia um SMS e, perante o pedido do deputado para que desligasse o telemóvel, argumentou que conseguia fazer duas coisas ao mesmo tempo, sem os auscultadores que lhe permitiam ouvir a tradução das perguntas do eurodeputado português. João Ferreira interpelou-o de seguida em português e Jean-Claude Juncker não percebeu o que o eurodeputado dizia, ficando implícito que mentia ao eurodeputado.

Isto ocorreu mesmo antes de ser eleito para Presidente da Comissão Europeia.

Imagine-se que tal situação ocorria numa entrevista para um emprego.

A dignidade do Parlamento Europeu, imporia que Jean-Claude Juncker jamais tivesse sido eleito, após este “faux pas”, da mesma forma que nenhum entrevistador contrataria um candidato que mentisse, utilizasse o seu telemóvel durante a entrevista e se recusasse a desligá-lo.

Após o mais recente escândalo, Jean-Claude Juncker deveria sair imediatamente ou ser demitido, como defendido num editorial da Bloomberg View.

Mas não, Jean-Claude Juncker, recorre à técnica implícita na primeira citação acima transcrita. Inicialmente manteve “low-profile”, evitou eventos públicos e esperou que o olho da tempestade passasse. Ontem, perante jornalistas, apresentou a sua fuga para a frente – uma proposta de harmonização fiscal – e garantiu que tinha sido honesto e que não tinha conhecimento desses acordos secretos. Nisso, revela uma cultura latina.

Porque devemos acreditar? Afinal de contas Jean-Claude Juncker é aquele que diz abertamente que quando “a situação é séria é necessário mentir”. E a situação é de facto séria para ele. E como é possível acreditar que Juncker não soubesse o que se passava num meio tão pequeno.

Não há muitas diferenças entre o Norte e o Sul da Europa. A natureza humana é a mesma. Vemos também, nos países do norte da Europa, com frequência, casos de corrupção, de fuga aos impostos, de suborno, de plágio, de pequeno ou grande favor, inclusive dos mais altos responsáveis. A grande diferença é que, quando são apanhados, os responsáveis caem do seu pedestal. E tal serve de exemplo.

Foi assim com o antigo presidente da Alemanha, Christian Wulff, que caiu porque recebeu um empréstimo de um amigo e alegadamente aceitou férias pagas; foi assim com o antigo ministro da defesa alemão, Karl-Theodor zu Guttenberg, estrela em ascensão, aristocrata (“barão”) de sangue azul com linhagem que datava ao século XII, que plagiou a sua tese de doutoramento; foi ainda assim num caso recente nos EUA, com um antigo governador do estado da Virgínia, Robert McDonnell, e sua mulher, que foram considerados culpados e em breve poderão ser condenados a uma pena que poderá ser de várias décadas de prisão, por receberem presentes e empréstimos de empresários.

Talvez seja a ideia da punição das religiões luterana e calvinista. Aqui, no católico sul – e aparentemente também no Luxemburgo –, os pecados públicos refrescam-se de cara lavada com avé marias e compreensão. E os responsáveis permanecem nos cargos.

Comentários

  1. Brilhante artigo.
    Continue a escrever assim, sem medo de pressões que, eventualmente venha a sentir.
    O Jean-Claude Juncker, se tivesse venhonha na cara, já se teria demitido. Aliás, como a maioria dos políticos, especialmente neste “jardim à beira-mar plantado”, sejam eles de que máfia política (chamados ‘partidos’) eles forem, ele não a tem.

  2. Caro Ricardo Cabral, confundir cultura latina com cristianismo demonstra analfabetismo. O cristianismo foi, efectivamente, inventado pelos romanos para resolver a primeira guerra judaico-romana no século I. No entanto o cristianismo nunca fez parte da cultura latina, tem valores diametralmente opostos aos do cristianismo. A cultura latina desapareceu com a chegada dos cristãos ao poder no século IV. Quando a escola pública foi banida pelos cristãos, em 391, a cultura latina desapareceu. A escola pública foi banida por nela se ensinarem os valores do civismo e afins conceito da cultura latina, ou greco-latina se preferir. Em termos históricos a cultura latina desaparece com a destruição da escola pública pelos cristãos a partir do século IV. É demonstração de analfabetismo confundir cultura latina com cristianismo.

    Afirmar que a cultura latina é mentirosa é uma ofensa, que não é levada a sério, porque é feita por algum tipo de cristão (entenda-se um analfabeto). Ser cristão é coisa de ignorante, quem sabe história conhece esse resto de contra informação, inventado pelos Flávios, que dá pelo nome de cristianismo – a religião inventada para colocar os boçais da judeia a pagar impostos a Roma (um cristão é tão tapado que, ainda hoje, não desconfia porque é que aparece numa religião judaica essa coisa do “a César o que é de César”).

    O que se passa nesta europa bárbara, nesta segunda idade média – a idade média feirante, é a demonstração da inexistência da cultura greco-latina. Portanto faça o favor de não ofender uma cultura que o senhor claramente não conhece, não sabe sequer o que é. Falar português não lhe dá qualquer habilitação para falar da cultura latina. Portanto invente lá as suas razões de cristão, mas não caia na asneira de mostrar que é ignorante. Tira-lhe a credibilidade.

    1. Gostava que me disponibilizasse bibliografia sobre o que escreveu: Cristianismo, Cultura Latina.
      Obrigado

    2. É pena os insultos que me faz, sem necessidade. A frase da polémica não foi feliz, reconheço. A “cultura latina” a que me refiro é sobre a prática que observo na actualidade nos países do sul e no meu país em particular, de lideres em situação similar à de Jean-Claude Juncker. Também o presente faz parte da nossa cultura latina, que, note-se, muito prezo.

    3. então Epicuro?
      Caiu da cama hoje de manhã? Ou o recebeu uma nega?
      Ou está simplesmente a relaxar antes de o seu chefe chegar e passar o dia a “moer-lhe o juízo”?

      Já sei, sente-se diminuído por alguma característica que tem e gostaria de não ter.

      Mas é muito feio vir para aqui insultar apenas pelo insulto. E o que critica nem é o cerne do artigo, apenas uma questão lateral, usada para ilustrar o ponto.

      Não tenho como propor-lhe um remédio para as suas aflições, pelo menos de um modo cristão.
      E não conheço o suficiente da cultura greco-latina, mas imagino que uma mezinha do tempo dos vizigodos lhe possa curar o mal-estar…..

    4. Caro Campos Pessoa procure sobre a forma como os Romanos resolveram a primeira guerra judaico-romana, e como derrotaram o movimento messiânico que reunia os judeus. Basicamente os romanos usaram as características do movimento em seu proveito. Isto é, disseram que sim, que o messias até já tinha vindo, chamava-se Jesus (apontaram para um indivíduo que tinha existido umas décadas antes para dar credibilidade) e que o messias afinal dizia para pagarem impostos aos Romanos, e que deveriam dar a outra face aos Romanos…

      Caro Ricardo Cabral a provocação desperta a atenção e preserva a memória. Lembre-se que é da cultura greco-latina que vêm todos os conceitos que interessam (direito, democracia, civismo, cidadania, ordem, higiene, saúde) e que hoje não temos aplicados porque há uma interferência cultural judaico-cristã. Um deus déspota e delinquente (fez um inferno para ameaçar e impor as suas vontades) é a base de legitimação cultural dos comportamentos que vemos hoje. Para um cristão, roubar o outro é normal, desde que depois dê uma parte ao deus delinquente e diga que está arrependido. E é dessa cultura insalubre que vêm a mentira e afins comportamentos característicos dos cristãos.

      Não se deve apontar para a cultura que todos queriam conseguir praticar (cultura greco-latina, ou seja, a civilização) como sendo a cultura dos católicos. A cultura católica é bárbara e insalubre, com conceitos opostos ao da cultura greco-latina.

      Caro pato Donald os Visigodos foram uma tribo bárbara que chegou ao sul da europa depois da cultura latina ter desaparecido.

  3. A presidência da comissão europeia está destinada a grandes vultos da maracutaia, sandice e de pulhas.
    Durão Barroso conseguiu o lugar graças ao servilismo com que atendeu à troica famosa, blair, Aznar e Bush.
    Agora Junker, velhaco luxemburgues, fez as maracutaias com as multinacionais e é recompensado co o atual cargo.
    A Europa continua a ser um lugar lindo e maravilhoso para os mafiosos sejam eles de que país forem.

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