Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

18 de Outubro de 2014, 23:48

Por

Sorvedouro – Uma história mal contada de destruição de valor

Numa operação que se concluiu no início de 2011, a Portugal Telecom pagou 3,64 mil milhões de euros para ficar com uma participação directa e indirecta de 25,6% na Oi.

A 9 de Setembro de 2014, 3 anos e meio depois, 45% dos accionistas da Portugal Telecom SGPS, que entretanto passou a deter a Portugal Telecom (PT), concordam entregar todos os activos e passivos da PT (valorizando a PT em cerca de 1,3 mil milhões de euros[1]), no âmbito de um aumento de capital da Oi, para ficar com 24,87% das acções da nova Oi (Oi+PT).

Após a operação de “fusão”, os únicos activos da Portugal Telecom SGPS passaram a ser as acções da nova Oi e a dívida de uma sociedade falida do Grupo Espírito Santo (a Rioforte).

Por essas acções da nova Oi a Portugal Telecom SGPS pagou, em 2011 e em 2014, um total de cerca de 5 mil milhões de euros (3,64 mil milhões de euros mais os 1,3 mil milhões de euros que representam o valor dos activos líquidos da PT entregues à nova Oi).

Assim, a Portugal Telecom SGPS pagou, desde 2011, 5 mil milhões de euros por acções cujo valor contabilístico actual é de 2,1 mil milhões de euros[2].

Acresce que a nova Oi apresentou 70 milhões de euros de prejuízos só no 2º trimestre de 2014 e que as vendas e lucros da sua subsidiária no Brasil caíram na primeira metade do ano em relação ao período homólogo.

Mas há mais: a Portugal Telecom SGPS aceitou que os direitos de voto de, pelo menos, uma parte dos 24,87% que passou a deter na Oi fiquem limitados a 7,5%, o que significa que manda muito pouco na nova Oi e que provavelmente não poderá impedir a nova Oi de vender a PT. Por este motivo, os 24,87% de acções da Oi que a Portugal Telecom SGPS detém valem menos.

Apenas um mês após uma “fusão” que levou mais de um ano a planear e executar, a antiga PT será provavelmente vendida pela Oi e desmantelada.

Mera incompetência?

Definitivamente, um péssimo negócio.

 

 

[1] A PT foi inicialmente avaliada, no âmbito da fusão, entre 1,9 e 2,1 mil milhões de euros.Após o pedido de protecção de credores da Rioforte, esse montante foi reduzido para cerca de 1,3 mil milhões de euros, tendo a Portugal Telecom SGPS aceite que os accionistas portugueses assumissem a maioria das perdas com o investimento de 900 milhões de euros na Rioforte do Grupo Espírito Santo (GES).

[2] 24,87% do valor contabilístico da nova Oi, que ascendia a cerca de 8,4 mil milhões de euros no final do 2º trimestre de 2014.

Comentários

  1. Muito bem. Contas bem feitas, mas parece que há no governo quem nos queira iludir… atirando culpas e sacudindo água do capote.

  2. palermas, foram-se parte dos anéis, mas ficaram,, os dedos, ou sejam clientes e infraestruturas…
    os Administradores, fugitivos, não ficaram, ” entalados” !!!
    o Patrão, mister DDT, também, não !
    e partindo de um principio, se os amedrontados, vendem, ALGUÉM COMPRA !?
    TUBARÕES, HÁ MUITOS !!!
    @

  3. o edificio de picoas é feio
    um colmeia para o pessoal partidário e outro de meter para lá
    o edifício de picoas é feio – se o gorreno ps tivesse sido espertalhaço podia ter aproveitado e criava uma microsoft portuguesa com a enxurrada de dinheiro que a vivo mandou
    uma nova sede (como tá a fzer a edp) e grandes espaços para formar pessoal para as tecnologias da informação . em vez de se viciar e m trabalho precário , e de chingar todo o individuo individual com tv e cbao
    o novo edificio sede financiava-se a si pp, obviamente. como todo o invest. imobiliario adentro da capital
    picoas podia-se transformar um hospital

  4. a empresa que devia ter sido liquidada era a Oi – a engenharia portuguesa só precisava de ficar com o acesso às bases
    hoje tavam a bater o mercado de Belém ao Rio da Prata ; afinal o atlântico é uma fenda e não uma plataforma
    agora só falta vir cavaco dizer que «menos participação por via da fusão não implica prejuízo para o menos acionista» menos sim, não pequeno

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