Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

9 de Outubro de 2014, 13:30

Por

Do Brasil, nem bons sócios, nem bons negócios?

É injusto o título deste post (sobre o nosso povo irmão), da mesma forma que é injusto o ditado popular acerca de Espanha, que o inspirou. Mas a experiência recente de grandes empresas portuguesas com grandes investimentos no Brasil, ou com sócios brasileiros, quase que o impõe. De facto:

– A compra da VEM (Varig Engenharia e Manutenção) e da VarigLog (Varig Logística) pela TAP, em 2006, resultou em perdas superiores a 500 milhões de euros até à data.

– A venda da Cimpor à Camargo Corrêa resultou no desmantelamento da Cimpor.

– E, a compra da posição accionista na Oi e posterior fusão da PT com a Oi resultou, na minha perspectiva, em perdas muito significativas para os accionistas e outros “stakeholders” da PT.

O mundo dos negócios de aquisições e fusões é um jogo de sombras em que, muitas vezes, o principal ganho da transacção ocorre em resultado de erros ou omissões de uma das partes na mesa de negociação. Se o vendedor se prepara mal, não conduz bem as negociações e deixa o comprador ganhar mil milhões de euros com o negócio… azar! É como se o vendedor tivesse emitido um cheque de mil milhões de euros a favor do comprador.

Mas, há um aspecto importante a considerar: quem faz o negócio não é o vendedor (os accionistas) mas, normalmente, os gestores da empresa que é vendida, os quais podem enfrentar conflitos de interesse. E os accionistas confiam nos gestores que fazem o negócio em sua representação, com o apoio de assessores externos.

Ora o negócio da fusão PT-Oi deixa muito a desejar.

Olhemos para os factos. Os accionistas da PT (SGPS) a 9 de Setembro de 2014 aprovam a fusão da PT com a Oi. A 7 de Outubro de 2014, i.e., menos de um mês depois, a Oi informa que está a avaliar se mantém a PT ou se a vende e nos telejornais anuncia-se que a Oi pretende vender a PT, sendo do conhecimento público que já se perspectiva um comprador.

Vamos acreditar que há um mês atrás a Oi não tinha sido contactada por este comprador? Querem-nos fazer acreditar que, em menos de um mês, a Oi passa de uma estratégia de fusão (de longo prazo) para vendedora da sua subsidiária portuguesa?

E porque é que isto ocorre? Será que é porque a PT se deixou vender por cerca de 1,3 mil milhões de euros e que, menos de um mês depois, o potencial comprador da PT à Oi estará disposto a pagar mais? (O BESI avalia a PT em 6,7 mil milhões de euros e a BTG avalia a PT em 6,5 mil milhões de euros,  valores que se afiguram exagerados e de que não se conhecem os detalhes).

E a CMVM não diz nada?

Comentários

  1. Sr. Ricardo Cabral

    Creio que seus artigos em relação às associações econômicas Brasil-Portugal, são escritos com uma ingenuidade assustadora.

    O grande maestro brasileiro António Carlos Jobim dizia frequentemente que ” O Brasil não é para amadores”.

    Infelizmente os portugueses metidos a executivos que têm atuado no Brasil partilham da mesma ingenuidade assustadora que o Sr possui, por isso os resultados mencionados em seu artigo.

    Atenciosamente

  2. Perdem os accionistas – que aliás às vezes parecem uns totós, como se viu no último aumento de capital do BES -, perde o País, que tinha uma empresa de ponta nas telecomunicações (chegou a ser a maior empresa portuguesa!) e que agora tem esta nódoa (bendito tempo da golden share!), mas ganham os brasileiros e, espantosamente, ganham também, e muito, os tais gestores, como se vê agora com a brutal indemnização que o Bava vai receber.
    De facto, estes gestores, tal como os responsáveis políticos que têm andado a vend…ar as empresas públicas, só podem ser uma de duas coisas (ou, mais provavelmente, as duas juntas): incompetentes ou corruptos.
    Quanto à CMVM, como órgão responsável por zelar pelo cumprimento da legalidade que é, funciona à imagem dos tribunais e das autoridades disto e daquilo… A nossa (in)justiça e a impunidade de que certas pessoas importantes gozam são, sem qualquer dúvida, a maior vergonha deste País desde o 25 de Abril.

  3. não é injusto não. Tenho certeza de q o Brasil não nasceu para fazer nada com Portugal. Qualquer coisa feita com um outro país dá certo, com Portugal é raro algo funcionar. o Brasil deveria aprender algo com o tal depois do tal acordo ortografico e agora com essa historia dessa tal de PT

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo