Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

7 de Outubro de 2014, 09:46

Por

Foram mesmo só oito os que troçaram das vítimas do Meco?

Oito estudantes dedicaram-se a uma praxe luminosa: numa minúscula piscina de plástico, com a palavra “Meco” escrita nas bordas, simulavam um mergulho ou, na falta dele, molhavam os pés. São do curso de Engenharia Electrónica do Politécnico de Leiria e, manda a verdade, o facto foi logo repudiado pela direcção da escola e pela associação de estudantes, como deviam. Mas aconteceu, como pode ver na imagem.

No entanto, a imagem engana. Olhe para ela. Vemos os oito estudantes, ar pateta, agarrados uns aos outros, pés na água, a serem gozados a gozar com as vítimas do Meco. Mas não vemos quem os mandou, quem inventou a praxe e quem assistiu ao espectáculo. Vemos a praxe e os praxados mas não vemos os praxistas.

O problema das praxes, sinistras ou simplesmente humilhantes, só se resolve quando olharmos para os praxistas (um extraordinário documentário recente, de Bruno Moraes Cabral, fá-lo pela primeira vez). A cara dos que inventam ignomínias como esta. Os que acham que estas praxes inofensivas não ofendem. Os que acham que é divertido gozar com os mortos, insultar as suas famílias e exibir a boçalidade da brincadeira. Mostrar quem são os praxistas é a condição para que a sociedade saiba do que falamos quando falamos da tragédia do Meco ou da brincadeira de Leiria.

Comentários

  1. Nunca concordei em nada com o Dr. Francisco Louçã, mas tiro-lhe o meu chapéu por este escrito. Reconheço-lhe uma grande categoria intelectual. Parabéns!

  2. As modas são modas….! E nada mais do que isso. É certo, a mediocridade, a “pequenez” humana, poderão misturar-se nessas “modas”. Tempos houve em que envergar o trajo académico era reacionário. De uma forma geral toda a gente repudiava essa tradição de trajar de fato académico. Tal atrevimento era conotado com o fascismo. Estávamos em meados dos anos setenta, sobretudo nos finais dessa década. Anos mais tarde, já em pleno cavaquismo, voltaram em força as praxes e o trajo académico, um pouco por todas as universidades. É moda! Mas a brincadeira tem limites. É óbvio. As praxes, como ritual de integração, como ritual de iniciação, desde que observadas as regras e o sã convívio, não vinha mal ao mundo. O problema é que os seres humanos, ou por outra, a natureza humana, não conhece limites de selvajaria e malvadez.

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