Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

26 de Setembro de 2014, 08:00

Por

Famílias desempregadas

Há muitos prismas sobre os quais se pode fazer uma análise social e humana mais impressiva das estatísticas de desemprego. Por exemplo, o desemprego de longa duração, o desemprego juvenil, o desemprego acima dos 50 anos de idade e o que atinge duplamente as famílias.

Refiro, aqui e agora, apenas os dados do IEFP sobre este último aspecto. Em Agosto, havia 11.939 casais em que ambos os cônjuges estavam desempregados. Uma subida de 3,9% em relação a Julho, ainda que face ao mês homólogo de 2013 se registe uma diminuição de 4,4%.

O desemprego é não só uma doença económica e social, mas também familiar. O trabalho constitui um dos pilares fundamentais sobre o qual a vida familiar se constrói e se consolida. A estabilidade das famílias depende directa e fundamentalmente da capacidade de, através do trabalho, serem angariados os recursos indispensáveis à sua estabilidade e desenvolvimento.

Por outras palavras: sem tempo para o trabalho estará seriamente comprometido o tempo para a família.

O Governo criou uma majoração do subsídio de desemprego em 10% quando ambos os cônjuges ou pessoas a viver em união de facto estejam a receber subsídio de desemprego e tenham filhos. Foi uma medida positiva do ponto de vista social, mas obviamente insuficiente e que não é sensível ao número de descendentes ou ascendentes a cargo.

Acontece, ainda, que não chegando a metade o número de pessoas desempregadas que recebem subsídio de desemprego, as situações em que, pelo menos, um dos membros do casal não recebe aquela prestação social se tornam ainda mais desprotegidas. Bom seria ponderar estes casos ainda mais gravosos do ponto de vista humano e familiar.

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