Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

23 de Setembro de 2014, 10:54

Por

Temporal sem Costa

No dia em que “em que forte chuva deixa Lisboa submersa” (Público) “Lisboa se afogou” (DN), e “temporal provoca caos em Lisboa” (CM), António Costa –  se a memória não me falha –  o ainda presidente da Câmara Municipal da capital, andava pelo país em campanha partidária. Achou que não era caso para interromper a sua actividade para as primárias do PS enquanto Lisboa enfrentava uma situação que deveria ter sido comandada pelo seu presidente.

O problema (o das velhas sargetas e sumidoiros) bem pôde ser “comandado” pelas novas tecnologias dos smartphones, enquanto assistíamos, atónitos, à discussão de passa-culpas (patética e de cores amarela ou laranja) das responsabilidades entre os serviços camarários de protecção civil e o Instituto do Mar e da Atmosfera (que nome tem agora o anterior Instituto de Meteorologia!…).

António Costa demonstrou pouco respeito pelos munícipes que o elegeram, e mostrou-se mais preocupado com os militantes do seu partido que quer que o elejam. Significativo e recorrente (quando algo corre mal) é o relativo silêncio nos media sobre esta ausência de António Costa num dia em que Lisboa não teve o seu primeiro responsável ao leme das operações. Fosse outro o presidente da Câmara e o que já se teria dito, comentado ou ouvido.

Comentários

  1. Aquilo que espero de serviços de Protecção Civil e de uma Autarquia é de uma resposta rápida e eficaz a ocorrências resultantes de tempestade para evitar perdas humanas e materiais tão quanto as que forem possíveis. Se houver uma resposta inadequada exige-se que responsáveis políticos apareçam e assumam as responsabilidades, de outra forma não concordo que seja necessário estarem de pelotão a ver a chuva cair. O trabalho de organização e operacionalização de meios de emergência deve ser feito com meses de antecedência e não de véspera ou pior ainda no próprio dia. Como não sou de Lisboa, não me posso pronunciar. Se os meios não funcionaram como deviam, estou de acordo com o Bagão Félix, caso contrário não penso que tenha razão em apontar o quer que seja só porque Costa está neste momento a disputar as primárias do PS. Um executivo camarário não é composto apenas pelo seu Presidente, havendo tarefas que podem e devem ser delegadas pelos restantes membros.

    1. Obrigado pelo comentário. Na minha opinião, a presença de um presidente da Câmara numa situação como a que ontem ocorreu em Lisboa não é uma questão técnica ou instrumental. É, sobretudo, uma questão institucional e política.

    2. Obrigado pela resposta. Contudo, continuo a discordar da sua opinião na medida em que a resposta que se impunha ontem dar à situação que ocorreu era iminentemente operacional e não política.

  2. Concordo com o que escreve o dr Bagão Félix. Fosse Santana Lopes, por exemplo, o presidente da câmara e já estaria o “arraial” montado. Acerca da presença dos presidentes da câmara junto dos seus munícipes, em momentos difíceis, lembro Krus Abecassis no Chiado ( sem que se lhe desculpe decisões urbanísticas que contribuíram para a dimensão do que aconteceu ) ou Raúl dos Santos em Ourique, há anos, quando de inundações que fizeram não poucas vítimas.

    Cumprimentos

    Fernando Antolin

  3. Parece fazer sentido este comentário, ainda que não seja fácil imaginar o Sr. Costa ou outro no seu lugar ir a correr meter-se no meio da torrente e dos engarrafamentos e dirigir a crise sentado no banco do automóvel…. Mas se o autarca fosse do seu partido, o Sr. Félix pensaria isto? E publicaria isto? São duas coisas diferentes, claro. Não há respostas isentas, sabemos bem. Como sabemos, também, que o jogo político – e a manipulação dos leitores e dos eleitorado, se faz constantemente por esta via. A dos silêncios e das denúncias calculadas.

    1. Obrigado pelo comentário. À questão que me coloca julgo poder afirmar que pensaria do mesmo modo, Apesar de não militar em nenhum partido, não me tenho furtado a criticar aspectos da actividade política de intervenientes da minha área ideológica.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo