Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

12 de Setembro de 2014, 18:28

Por

Bastava um minuto de trabalho, caro Ferreira Fernandes

Isabel IIFerreira Fernandes, cronista do DN, decidiu dedicar-se no dia 11 de setembro ao magno tema de como João Ferreira do Amaral, defensor da saída do euro, anda embrulhado com sua majestade a Rainha Isabel II e como a posição desta sobre o referendo escocês ilumina as dificuldades daquele sobre o escudo. A este imbróglio chamou “O Caso da Rainha que se Fechou em Copas” e inclui citações de “Ferreira do Amaral”, o do escudo, a elogiar a Majestade, a inglesa. A coisa chega a isto: “Isabel II encanta Ferreira do Amaral por se estar nas tintas para isso (unir os povos)”.

Aqui está um exemplo para ser estudado nas escolas. A isto chama-se “meia bola e força”. Ferreira Fernandes confundiu João Ferreira do Amaral, professor universitário que foi conselheiro dos muito republicanos presidentes Soares e Sampaio e que escreveu comigo um livro sobre o euro, com um alegre escriba do blog 31 da Armada e, ele sim, monárquico dos quatro costados, que perora sobre todos os assuntos planetários, da Escócia aos discursos de Soares (o que poderia levar o jornalista a desconfiar…).

Se tivesse perdido um minuto a investigar o tema ou a verificar as pessoas, Ferreira Fernandes não tinha feito esta figura triste.

Comentários

  1. O homem ficou chateado consigo, não por lhe ter chamado a atenção para um erro que ele acaba por assumir, mas por lhe ter chamado “caro”.
    Das duas, uma: ou ele não gosta de si, ou acha que o Francisco não gosta dele.
    Um simples pedido de desculpas teria talvez sido mais correcto, mas isso é difícil quando uma pessoa está habituada a criticar e não a ser criticada.
    Não é grave, até porque o assunto ficou esclarecido.

  2. Mas que tolice. Já fui jornalista e não me aconteceu nunca tal mas admito que é uma possibilidade eminente ocorrer a quem escreve tão sobre as águas. Não sei o que vos diga. Ferreira do Amaral, professor, é uma pessoa que me merece a maior consideração pois defende, com qualidade, uma posição ultraminoritária e nada consensual, apesar de, segundo creio, estar perto das famílias dominantes. Ferreira Fernandes tem dias ótimos, dias assim-assim e dias menos bons. Agora, teve um dia horrível. Como são todos Ferreira, um que admita”: – Meti o pé na argola”. E o outro que responda: “Está perdoado, mas seja mais cuidadoso”. E o mundo precisa de vocês entregues a assuntos mais sérios embora estas miudências revelem um certo espírito do tempo e que eu gostava que Ferreira Fernandes tivesse o cuidado de não partilhar. Afinal, nem todos os Ferreira Amarais são iguais.

  3. Não conheço pessoalmente Ferreira Fernandes, no entanto sou um leitor assíduo das suas crónicas no DN. Para mim são um primor de ironia na análise às norícas do dia a dia! Muitas vezes, em poucas linhas, tem-me ajudado a perceber e pensar sobre muitos assuntos. E considero-me uma pessoa relativamente bem informada. Por outro lado, FF é um jornalisata com carreira reconhecida e longa, não lhe conhecendo qualquer via de jornalismo de insulto, sensacionalismo ou menos rigor ou a defesa de posições de direita. Não li a crónica em causa. Mas errar, todos o fazemos. Se assim aconteceu com FF, o que espero é que o reconheça e peça desculpa aos leitores e ao próprio. Mas um erro, não invalida toda uma carreira e um percurso de cronista exemplar que só espero que prossiga.

    1. Sem dúvida. Não estou a avaliar qualidades e carreira de jornalista nem de cronista, nem de pessoa. Nem discuto isso. Limito-me a corrigir um erro, que atinge uma pessoa séria e que merece ser discutido pelo que diz e escreve e não pelos disparates de alguém que tem o mesmo nome e é tão evidentemente diferente.

    2. Este Sr. Fernandes não parece tão exemplar cronista como diz.

      No outro dia, numa crónica sobre a monárquia inglesa produziu uma série de graçolas (fraquinhas) sobre um alegado amigo da Rainha Vitória. Chamou-lhe John Bull em vez de John Brown. Foi o que lhe veio à mão…

      Para lhe ser sincero, não acho piada nenhuma às suas cróniicas, parece ser tudo feito à pressa, em cima do joelho, para apanhar oos assuntos do dia, aproveitando para trocadilhos parvos sobre assuntos que se queriam sérios.

  4. Se eu fosse o Dr. Louçã não perdia tempo a responder a pessoas cuja única motivação para comentar estas publicações é a antipatia que sentem à sua pessoa, e não propriamente a vontade de discutir seriamente os temas por ele introduzidos.

  5. Conheço a obra do Prof. Ferreira do Amaral, e já tive a oportunidade (e prazer) de assistir a algumas das suas intervenções públicas. À Rainha Isabell II não reconheço qualquer obra digna de nome, mas já passei muitas vezes à porta da sua casa em Londres. Este jornalista, nem obra, nem morada. Mas pelos vistos, é de evitar. Talvez quando estiver a escrever para o “Observador”.

  6. joao americo ramos:
    “Como pode verificar em qualquer bom dicionário, confrangedor quer dizer «angustioso, aflitivo», enquanto constrangedor significa «que constrange», isto é «que obriga», «que coage», «que violenta», etc. Exemplificando: É confrangedora a situação daquela família. Para uma criança é constrangedor qualquer trabalho impróprio da sua idade
    F. V. Peixoto da Fonseca :: 18/08/1998”
    (vidé Ciberdúvidas da Língua Portuguesa)

  7. Quando o voluntarismo não é acompanhado pela categoria ou o conhecimento, acontecem coisas destas. Espero ainda pelo dia em que os argumentos de JFA e FL sejam derrotados por argumentos melhores. Até lá, assisto divertido a exercícios tão criativos quanto ridículos de demonstração de pura incapacidade de livre pensamento.

    1. “Mau carácter” corrigir um erro clamoroso que afecta uma pessoa cujo trabalho é sério e consistente no debate nacional?

    2. Devia ter algum recato, caro Eduardo Pires e preferir não me insultar. Quem cometeu o erro foi quem menosprezou um professor respeitado e escreveu um texto infundamentado. Não sei qual o seu interesse neste assunto, mas se acha que um erro deste tipo não deve ser corrigido, para bem da verdade, fico a estranhar a sua atitude. Os leitores não são ingénuos, não.

    3. Eduardo: se eu tivesse um amigo ou conhecido a quem fosse injustamente escrito um artigo de opinião, atribuindo-lhe afirmações por engano por o confundir com outra pessoa, também partiria em sua defesa. Penso que os dois parágrafos escritos sejam mais esclarecedores do que exagerados. Talvez também eu tenha mau carácter.

  8. Errar é humano. Houve, talvez, alguma precipitação na confecção do comentário. O erro consistiu em confundir pessoas que têm o mesmo nome. É algo que pode acontecer com qualquer um de nós. Nada que possa merecer uma censura maior, principalmente porque o jornalista é pessoa reconhecidamente competente e honesta. Tem, ou deveria ter indulgência plenária.

    1. Errar é humano. Mas o texto foi escrito para ridicularizar a posição de Ferreira do Amaral, que merece o mesmo respeito. Como escrevi, com um minuto de trabalho esse erro não era possível. Tudo isto era escusado e é constrangedor.

    2. Constrangedor não vejo que seja. Será talvez confrangedor. Enfim, talvez a consulta de um dicionário ajude. Um minutinho chega.

    3. Agradeço a sugestão, mas por ora escolho as minhas palavras. É constrangedor ter de o lembrar.

    4. joao: quando se escreve um artigo num jornal a criticar uma pessoa, deve-se pelo menos verificar a veracidade da informação. Confundir pessoas tão diferentes nessa circunstância não é apenas um engano, é uma incompetência grosseira. Mostrou que não sabia do que estava a falar, e que as insinuações que fez teriam mais valor se fossem imaginadas. Jamais pode acontecer a um jornalista: mostra inaptidão e desonestidade intelectual. Podemos desculpar, mas só depois de se retractar.

    5. Por mim, não é uma questão de desculpas. Erros podem ser cometidos. Convém evitá-los e corrigi-los.

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