Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

4 de Setembro de 2014, 09:00

Por

O nosso deputado pessoal

A ideia da reforma do sistema eleitoral é uma das peças do arsenal da demagogia que, como a Dona Constança do dito popular, aparece inevitavelmente em toda a festa e festança. Se a austeridade dura, reforma eleitoral. Se a dívida aperta, reforma eleitoral. Se cheira a corrupção, reforma eleitoral. Se a União Europeia escorrega, reforma eleitoral. Se o BES faliu, reforma eleitoral. Se os hospitais adoecem, reforma eleitoral.

Parece aliás ser um dos temas de grande consenso entre os candidatos às primárias do PS: venha a reforma eleitoral. António Costa tem o bom senso de reconhecer que essa reforma eleitoral não é necessária para responder a uma questão de ingovernabilidade. Então porque é precisa tal reforma, esse assunto é mais misterioso e só sobram no seu programa umas frases cabalísticas sobre o combate ao populismo e a proximidade dos cidadãos por via dos círculos uninominais. Seguro, pelo seu lado, apresentava uma fórmula mais genérica, até que se decidiu, ao inaugurar uma sede na Guarda, a propor duas soluções em vez de uma: a reforma será “a criação de círculos de um só deputado ou através da possibilidade de se apresentarem listas abertas onde cada eleitor pode, além de votar no partido da sua opção, também escolher o candidato ou a candidata no interior dessa mesma lista”, e mais não disse. Ou uma ou outra e tudo para apresentar em breve no parlamento, ou seja, para um acordo com o PSD.

Qualquer destas modalidades tem evidentemente a curiosa e apetitosa vantagem de favorecer o PS e o PSD: com os mesmos votos que já obtiveram, eliminariam do parlamento o PCP, o Bloco e o CDS.

O sistema actual, aliás, distorce a representação: se a proporção nacional dos votos contados fosse respeitada, o PCP teria 18 deputados (e não 16), o Bloco 12 (e não 8) e o CDS 27 (e não 24) e outros partidos elegeriam representação, mas o PS teria 65 (e não 74) e o PSD teria 89 (e não 108). O sistema actual favorece o PS e o PSD. No entanto, se se baseasse em círculos uninominais poderia eliminar os 48 deputados dos outros partidos (talvez pudessem sobrar um ou dois, consoante o desenho geográfico dos círculos). Pode-se então perguntar se essa reforma eleitoral para eliminar oposições é a democracia de que precisamos nestes tempos de aflição nacional.

Costa e Seguro acham que sim e que a coisa vale um grande acordo de regime com o PSD. Nas duas modalidades de Seguro (voto preferencial ou círculos uninominais) ou na única de Costa (círculos uninominais), o argumento para esta degradação da democracia proporcional é que assim cada cidadão teria o seu deputado pessoal, quase doméstico, bem conhecido, acessível para as ocasiões. E os eleitores até poderiam escolher entre o PS e o PSD.

Claro que ambos podem acrescentar que se corrigirão as malfeitorias dos círculos uninominais com uma pequena compensação aos eleitores que ficam impedidos de eleger os seus deputados, os dos outros partidos. O facto, no entanto, é que nenhum deles apresentou qualquer ideia concreta nesse sentido. Se o fizerem um dia, duvido que os outros partidos o aceitem, porque passariam a ser excluídos pelo sistema de voto e só tolerados pela esmola da maioria.

Acresce ainda que esse sistema de exclusão já foi testado em muitos países. O Brasil, por exemplo, tem um sistema de voto preferencial, como o que Seguro propõe. Há um ano, houve manifestações de milhões de pessoas exigindo o fim desse sistema, acusado de favorecer a corrupção, e exigindo um sistema proporcional. Assim, enquanto o Brasil discute a aproximação a um sistema democrático, como o português, Portugal discute a aproximação a um sistema perigoso para a democracia, como o brasileiro.

Os candidatos do PS têm ideias e elas são bem explícitas. Neste caso, são é perigosas para a democracia.

 

Comentários

  1. É falsa, a ideia de que o nosso sistema eleitoral está bem como está e que votar em pessoas não é essencial para a democracia. Votar num nome dá o poder de negar o voto a candidatos individuais. Suponham que a maioria dos portugueses não quer votar em membros de sociedades secretas. Suponham também que, numas eleições, o PS, PSD e CDS metem membros de tais sociedades nos primeiros lugares das suas listas de cada círculo eleitoral. O que é que um eleitorado pode fazer sem voto nominal?

    Mais: o poder de negar o voto a uma pessoa concreta não deve acarretar o preço de desistir de votar na força política (que não deveria ter de ser necessariamente um partido) pela qual essa pessoa concorre. Os círculos uninominais não conferem esse direito, pois só um candidato por partido. Já com listas abertas (o mais usual na Europa do Norte), há várias opções por partido e o poder de escrutínio do eleitorado é mais efectivo.

  2. Um sistema eleitoral não deve ser estritamente proporcional. Deve temperar essa proporcionalidade com a governabilidade: a propensão (ou não) dum sistema eleitoral para gerar elencos parlamentares demasiado fragmentados e que tornam difícil a formação de maiorias estáveis. A história das décadas recentes permite concluir que o actual equilíbrio entre proporcionalidade e governabilidade do sistema português é bom. A ausência de coligações à esquerda é da responsabilidade dos partidos, não do sistema eleitoral. O que falha, miseravelmente, é a representatividade. Isso resolve-se com listas abertas à ordenação pelos eleitores, por meio de votos nominais ou preferenciais. Talvez seja preciso partir os círculos de Lisboa e Porto, mas os círculos do interior devem ser agregados.

  3. A única razão pela qual se fala de círculos uninominais é porque a maioria quer o voto nominal e não domina o tema dos sistemas eleitorais. Nem todas as modalidades propostas beliscam a proporcionalidade. As listas abertas podem ser instituídas na actual estrutura de círculos eleitoral, havendo talvez o problema das listas de candidatos muito longas nos dois maiores: Lisboa (47 lugares nas legislativas 2011) e Porto (39) – e mesmo esse é possível resolver imitando o sistema de máquinas de voto brasileiro. Estritamente mais nada tem de ser mudado. Suspeita-se de de que a insistência nos uninominais é na verdade para usá-los para envenenar o debate e desviar as atenções das listas abertas.

    1. Acho que neste ponto está enganado. Há dezenas de anos que há estudos detalhados, encomendados por vários governos. Eles dominam bem o tema dos sistemas eleitorais. Simplesmente, querem um resultado: com os mesmos votos (ou menos) querem ter mais deputados e, de preferência, anular administrativamente quem se lhes oponha.

  4. «O sistema actual, aliás, distorce a representação: se a proporção nacional dos votos contados fosse respeitada, o PCP teria 18 deputados (e não 16), o Bloco 12 (e não 8) e o CDS 27 (e não 24) e outros partidos elegeriam representação, mas o PS teria 65 (e não 74) e o PSD teria 89 (e não 108).»

    Esta é que é, para mim, a questão central. É imperdoável que 40 anos depois da implantação da democracia em Portugal ainda não tenhamos conseguido resolver esta injustiça. A representação parlamentar deveria reflectir o mais rigorosamente possível a percentagem de votantes de cada partido.
    Para isso poderíamos talvez eliminar o actual sistema por distritos, uma vez que isso não tem depois qualquer significado no Parlamento, e adoptar um sistema puramente nacional, não? É que o sistema em vigor pode condicionar o voto das pessoas. Já me aconteceu ouvir pessoas afirmarem que não votam, por exemplo, no BE no distrito de Leiria, porque esse partido não tem quaisquer possibilidades de eleger lá um deputado…

    1. Embora seja de notar que o BE foi o partido de esquerda que conseguiu o feito de eleger pelo distrito de Leiria (em 2009), embora não tenha reeleito depois. Em todo o caso, tem razão, um círculo nacional seria mais proporcional. Mas perdia-se a vinculação distrital, que é uma tradição de 40 anos na democracia portuguesa. Por isso, prefiro que fique como está e não piore.

    2. A “vinculação distrital” é um logro.. os deputados depois de eleitos, obedecem a uma lógica partidária, centralista e não interessa ao menino jesus por que circulo eleitoral é que foram eleitos… Como cidadão comum, recordo apenas um caso de defesa dos interesses locais por parte de um deputado (o caso do “queijo Limiano”).
      Círculos nacionais, em que um voto em Bragança tem realmente o mesmo peso que um voto em Lisboa ou Porto seria muito mais justo… mas isso seria apenas levantar a ponta do icebergue das injustiças e das falácias do sistema eleitoral.

    3. é uma competição
      os pequenos tem tudo a ganhar com um circulo nacional (nem q fosse só de apuramento) que inclusive melhora a representatividade e os grandes tudo a perder
      os grandes tem tudo a ganhar cum circulos uninominais (nem que seja só metado parlamento) e os pequenos tudo a perder
      a democracia não é oo governo dos justos nem dos filósofos . é a reincidente porcalhota

    4. É inadequado referir-se a “representação” no sistema actual, porque no sistema actual não há representação. Para alguém ser “representante” é preciso que os representados tenham oportunidade de dizer se o querem ou se preferem outro. Um “representante” tem de ser _escolhido_ pelos representados.
      É consensual entre os especialistas portugueses em sistemas políticos, que a grande falha no sistema português está na representatividade.
      E sejamos claros: para um sistema eleitoral ser aceitável, tem de conferir aos votantes o poder de negar o voto a candidatos individuais, sem para isso ser obrigado a prescindir de votar na força política escolhida (não digo “partido” porque não devia ser obrigatoriamente um partido).
      Círculos uninominais não permitem isso. As listas abertas permitem.

  5. Ambos os candidatos à liderança do PS mostram estar desprovidos ideias e, independentemente, de se estar a fazer passar que ambos não revelam o que pensam – supostamente estarão a esconder o jogo -, isso só demonstra o impasse a que chegaram. Aliás, esta proposta de alteração dos círculos eleitorais é bem a prova da nulidade que campeia em ambas as candidaturas. Incapazes de discutirem as políticas que defendem para o país; incapazes de revelarem uma estratégia para a debelar a dívida, que esmaga o Estado e a sociedade; incapazes de distinguir o que é governar à “esquerda” do que é governar à “direita”, preferem falar de círculos eleitorais. Quando faltam os argumentos políticos e a vontade de reformar altera-se a gosto os círculos. Hintze Ribeiro, após a dissidência franquista do Partido Regenerador, promulgou em 1901 a “ignóbil porcaria”: a lei extinguia os círculos uninominais (para evitar a emergência de deputados franquistas e republicanos), dividia o país em 26 círculos plurinominais, e inseria nos círculos de Lisboa e Porto largas zonas rurais.
    O que estamos a assistir no seio do maior partido da oposição é lamentável a todos os títulos. É um espectáculo confrangedor – uma autêntica guerra pelo poder. Uma paródia. Vale tudo, mas mesmo tudo. As bases estão cindidas, os “barões” desavindos. Quando se pronunciam, cada uma das facções, sobre a outra, é de um partido adversário que falam. O caciquismo tem vindo ao de cima em todo o seu esplendor. A vitória, seja de quem for, será sempre de “Pirro”. Após esta guerra interna, após todas estas feridas, será difícil, ou quase impossível, que o PS se venha a recompor, e que seja capaz de mostrar que é uma verdadeira alternativa política para governar Portugal numa Europa e num Mundo repleto de incertezas e desafios.

  6. Embora discutível, parece-me que a questão da proporcionalidade sobrepõe-se à da representatividade.
    O FL faz uma referência à ausência de propostas que corrigissem a distorção introduzida pelos círculos uninominais, mas penso que faz o mesmo sobre como se poderia melhorar o actual sistema de círculos plurinominais (e.g. proibição de substituição de candidatos, listas abertas, etc.).
    Bem sei que não é esse o tema central deste artigo, mas penso que seria uma forma interessante de relançar o debate sobre como melhorar a qualidade do nosso sistema eleitoral.

    1. Como se nota no meu artigo, penso que os problemas da política não são a forma actual de eleição de deputados, mas sim o que as maiorias aprovam: a austeridade. Mudar a maioria é uma questão de política e não de lei eleitoral (aliás, as alterações propostas só têm por objectivo reforçar o Bloco Central).

    2. No actual debate, os únicos que tentam argumentar contra a instituição do voto nominal no nosso sistema eleitoral, são políticos. Nota-se a debilidade no argumentário quando criticam os círculos uninominais – que, na Europa, só são usados na sua forma pura no Reino Unido – mas sem nunca sugerir alternativas de abertura no sistema político, nomeadamente as listas abertas e a candidatura de listas de cidadãos fora dos partidos, por direito próprio. Se estivessem preocupados com a democracia, não se limitavam a bater no ceguinho dos uninominais: propunham alternativas. Quase nenhum político o faz.

  7. Caro Senhor Luís Raposo,

    Se estiver a falar dos barões eleitorais da Monarquia (isto é, dos caciques) garanto-lhe que não acabaram quando a Monarquia Constitucional acabou com os círculos uninominais (creio que em 1895) e também não acabaram com a Primeira República e com os seus círculos plurinominais (em vez de barões passaram a comendadores).
    Convém abordar esta matéria com algum conhecimento de causa, caso contrário pomos defeitos onde eles não existem e ignoramos os defeitos que persistem…

  8. Caro Doutor Francisco Louçã

    Disse que já tivemos círculos uninominais e que isso ajudou “à corrupção da primeira República”. Lamento informá-lo mas na I República, pelo menos até ao “sidonismo”, os círculos uninominais não existiam. Existiam círculos plurinominais. Portanto o problema não terá sido esse. Se estiver a falar de caciques a coisa é diferente. Esses sempre existiram e ainda existem hoje (embora actuem de forma diferente).

    Melhores cumprimentos,

    Francisco Brito

    1. Sim, tem razão. Embora na República se mantivessem fortes limitações ao direito de voto – e caciquismo local- a lei não definia círculos uninominais.

    2. Obrigado pela sua resposta. Acrescento uma pequena nota: o caciquismo é sempre local. Foi-o no tempo dos circulos uninominais e é-o ainda hoje (ainda há pessoas que são levadas até à urna e outras que são “compradas” para votar no partido A ou B). Por isso creio que misturar a questão dos círculos com a questão do caciquismo não é correcto.

  9. Caro Doutor Francisco Louçã,

    Há alguns aspectos a ter em conta relativamente a esta questão que passo a enumerar e sobre os quais gostaria de saber a sua opinião:

    1º – É necessária uma reforma eleitoral urgente porque, para além da falta de proximidade entre eleitores e eleitos, o actual sistema assenta numa fraude. Na prática, durante a campanha eleitoral, os Deputados de todos os partidos dão a entender ao eleitorado que estão a ser eleitos por um determinado distrito (mostrando preocupação com os problemas locais e insinuando que são o agente que irá resolver esses problemas) quando, na verdade, não é isso que acontece. A Constituição é clara relativamente ao papel dos Deputados e estes, despudoradamente, insinuam o contrário durante a campanha: sugerem um tipo de representação que não podem assumir. Chegados ao parlamento, da esquerda à direita, comportam-se como cordeiros (raras vezes alguém vota contra uma decisão do seu próprio partido).
    Como contrariar este problema.

    2º – Não existirão outras soluções para os partidos mais pequenos não serem tão prejudicados com os círculos uninominais? E o sistema deve ser feito a pensar no eleitorado ou nos partidos?

    Termino com um pequeno comentário: nenhum sistema eleitoral é perfeito. No final do século XIX, o poder de Lisboa acabou com círculos uninominais e com os chamados “deputados de campanário”, assim conhecidos por defenderem quase sempre os interesses da sua terra, combatendo e colidindo muitas vezes com o poder central. Nessa altura foram usados uma série de argumentos com melhor ou pior qualidade para extinguir os círculos uninominais. Um dos principais problemas apontados – o caciquismo – persistiu (até hoje) e, na maior parte do país, perdeu-se a proximidade entre eleitor e eleito, bem como a sempre frágil “proximidade” entre poder central e local. Os resultados estão à vista de todos: o cidadão comum não sabe o nome dos deputados em que vota (com a eventual excepção do cabeça de lista) e todos os partidos sempre que se toca na questão da reforma eleitoral encaram-na com enormes reservas. Os pequenos fazem-no porque perdem deputados e os grandes fazem-no porque perdem o controlo quase total que hoje conseguem ter sobre – perdoe-me a expressão – as inúmeras marionetas do “senta; levanta” que hoje povoam o Parlamento…

    1. Apreciei a argumentação do sr. Francisco Brito, que me parece séria e bem fundamentada. Gostaria que nos esclarecesse melhor como poderá a reintroducão dos círculos uninominais impedir o sistema do caciquismo e da baronia da monarquia, tão enraizado quem a 1a. República ousou por-lhe fim. Quanto a mim o problema todo está em encontrar um justo equilíbrio entre responsabilidade pessoal perante os círculos eleitorais e visão ideológica do mundo, que o sistema partidário, até ver, ē o único que garante ou devia garantir. Se os actuais deputados, pelo menos os advogados, nem sequer têm de declarar os interesses privados que defendem. Se podem acumular quase tudo e mais alguma coisa… Imagine-se o que seria num regresso às chapeladas caciquistas…

    2. Caro Sr Luís Matos,

      Na minha opinião os círculos uninominais nunca foram sinónimo de caciquismo. Repare que os mesmos acabaram ainda na Monarquia (com os decretos de 1895 e 1901) e o caciquismo continuou quer durante o “resto” da Monarquia quer durante a Primeira República (em que segundo creio não existiram círculos uninominais). Repare que ainda hoje há caciques que convivem alegremente com os círculos plurinominais. Se na Monarquia ou na Primeira República os votos foram comprados antes, durante e depois da existencia de circulos uninominais com dinheiro e favores (isenção de recrutamento militar,sopas económicas, colocação de um funcionário público num determinado posto ou local, distribuição de cargos e veneras, etc) hoje o cenário difere apenas no conteúdo e não na forma. “Compram-se” votos com o alcatroar de um caminho na aldeia, com um emprego para o filho, com a distribuição de “cabazes” nos centros sociais, com passeios oferecidos a idosos em ano de eleicoes, etc, etc… Nada disto está directamente relacionado com o facto de os circulos serem uninominais ou plurinominais…

    3. A solução para o problema da proporcionalidade é manter os actuais círculos eleitorais mas com listas abertas, que são o mecanismo através o qual as listas de candidatos são incluídas nos boletins de voto para cada cidadão escolher em quem vota, usando o voto nominal. A ordem pela qual os lugares de deputado são atribuídos passa a ser em função de quem tem mais votos nominais. Nenhum candidato tem garantia prévia de ser eleito: só os mais votados vão para o parlamento.

      É o sistema mais usado na Europa (ver lista em en.wikipedia.org/wiki/Open_list). Logo, adoptá-lo não pode ser considerado “uma aventura”. Quem aponta defeitos, tem de explicar porque razão é tão usado, sem que se conheçam inconvenientes. O que é que os outros países todos perdem por usar listas abertas? O que é que portugueses ganham por manter as listas fechadas?

      O maior entrave técnico são os círculos “eleitorais gigantes” – Lisboa (47 lugares) e Porto (39) – precisamente os que têm servido para manter baixa a “percentagem de entrada” dos partidos pequenos. Em Lisboa e Porto, os boletins eleitorais seriam do tamanho dum lençol. Mas ainda assim há soluções técnicas, nomeadamente o sistema brasileiro baseado em máquinas de voto (eles têm muita experiência nisto).
      Uma coisa é certa: os portugueses estão fartos de listas fechadas!

  10. E importa acrescentar que círculos uninominais já nós tivemos no passado ou estão todos esquecidos dos tempos dos barões e baronetes da monarquia ? Sendo certo que deveria ser possível reforçar a responsabilização pessoal dos deputados perante os eleitores em geral e os dos seus círculos em especial, através da ampliação e porventura da constitucionalização da liberdade de voto como regra e da disciplina partidária como excepção, a escolha de deputados que mal se conhecem (ou conhecem apenas através daquilo que os media querem deles fazer) deve ser feita atendendo a ideologias. Ora, até ver, não há melhor forma de federar ideologias do a dos partidos políticos. O problema é que uma imensa percentagem dos cidadãos não se revêem nos partidos que temos, não tanto por causa das suas ideologias, quanto das suas práticas aparelhisticas, da sua falta de democracia interna e do descarado incumprimento dos programas eleitorais que apresentam a sufrágio..

    1. De facto, já tivemos círculos uninominais em Portugal e isso ajudou à corrupção da 1ª República. Luis Raposo tem por isso razão, e nada do que leva à desconfiança face às políticas dos últimos governos se resolve dando administrativamente mais poder ao PS e PSD…

    2. claro que se deve fazer baseado em ideologias
      a ideologia é tudo, sem ela a economia perde sentido quer dizer, a política a política
      mas a questão é que os princípios são dois: a proporcionalidade e a representatividade. que é isto que dá o conhecimento
      os círculos são grandes demais ou pequenos de sobremaneira
      A reforma que dá soberania é o círculo nacional de apuramento de vontades que por aí andam – incluindo as do Chiado

      O pcp ficava a ganhar . mas nenhuma tradução é perfeita

    3. Imensos cidadãos não se revêem na classe política porque não encontram emprego em que possam receber mais de três mil euros por mês para passarem o dia sentados a trocar galhardetes e a fazerem figuras de urso na televisão nacional.

    4. Não existe nenhuma “classe política”. Há deputados e governantes que apoiam a austeridade e há os que criticam a austeridade. Há os que se aproveitam pessoalmente e os que exercem o cargo com desinteresse material.

    5. eu para dizer verdade acho que circulos uninominais são uma contra-caracterização da nossa democracia
      esse não é o regime de Abril

    6. Aí temos de discordar. Tanto existe que o mencionado privilégio do rabinho sentado e do bom ordenado não está ao alcance do camponês português. Não tome ofensa só porque já passou por essas paragens. Se eu pudesse também lá estava.

    7. Nao há nenhuma ofensa em prosições diferentes, embora o meu amigo anónimo beneficiasse de alguma elegância. A questão não é querer um “lugar”, é ser eleito e cumprir um mandato digno. Eu cumpri.

    8. Se num universo alternativo, o senhor mantivesse este blog e continuasse o seu trabalho como deputado, tinha a lata de o actualizar no meio da Assembleia, como muitos a passar as horas de trabalho parlamentar no Facebook? Mas se me conseguir indicar um emprego que eu possa aceitar que me pague razoavelmente o mesmo, que não inclua o mínimo de supervisão e que me permita passar o dia a mandriar, terei todo o prazer em concordar com a inexistência de uma “classe política”. Até lá, vou continuar a fazer vénias aos nossos suseranos.

    9. O razoável anonimato tem as suas vantagens. Não estou a ser pago através do suor dos contribuintes, não devo “elegância”. Tratei-o com um mínimo de boa educação, o que olhando para o canal da Assembleia, era mais do que o senhor recebia dos seus ex-colegas de profissão, não acha?

    10. Peço desculpa por dificultar a moderação com ainda mais outro comentário, mas acho esta nota pertinente: nutro um mínimo de respeito pela sua pessoa por não se importar de vir dar a cara e “descer” ao nível dos restantes plebeus contribuintes, ao contrário dos seus ex-colegas, que só se atrevem a entrar numa aldeia com um esquadrão de guarda-costas (ou com um cartão de membro do PCP).

  11. extraordinário como esses dois partidos de governo querem com tanta desfaçatez eliminar a competição
    problema é que no próximo parlamento não vão ter os 2/3 … não lhe estará a escapar nada, professor … o próximo parlamento é como um whomb… células indiferenciadas
    prepare-se para que seja um comissário a governar … porque a esquerda nem a presidência vai conseguir conquistar . era nesse candidato que devia estar a pensar … essa é que é a elição fatal

  12. os políticos em portugal são incompetentes
    À direita ainda se percebe, porque estáo ao serviço dos interesses financeiros e da burguesia rapineira
    mas para lá disso, as pessoas querem saber é do pão pão queijo queijo e quem é q tem o financiamento

    ã claro – televisão
    “o comentário de marques mendes” – quando a realidade não existe tem sempre que ser inventada
    vejam bem que a unica vez que estava assente foi na divisão do bes .. será que não soua nada mal neste facto

    vai ser arrolado

  13. se eu pudesse escolher escolhia um deputado que me prometesse votar leis e transformar a justiça
    e não fazer agonizar o país em a cada comissão de inquérito seu pretexto .. se ao menos ainda fosse ao contrário
    god- tirem-me daqui

    1. Claro que têm esse direito. Só se pode votar em quem se conhece. Mas as primárias não são escolhas entre candidatos indicados pelas nomenclaturas? Se me der um exemplo em que isso não tenha acontecido…

    2. é por isso que sou a favor da candidatura de listas independentes ao parlamento
      são as montar/desmontar capabilities À esquerda ajudava..
      e libertava o erário público

  14. deixe lá isso louçã, o cabo garante a representação a todos por igual ou já se esqueceu que vive numa economia de mercado
    cada espectador sua tangente

  15. está a ver mal o problema- a questão é de regime
    a politica é a instituição mais desacreditada em portugal. excepto o pcp, porque é o único que consegue prometer a revolução à sua base social: saída do euro e a cara de jerónimo na televisão
    o psd sapou a sua posição na estrutura de classe ao actuar a mando do capital internacional; o partido socialista não pode prometer o que valia eleitoralmente: bolos, paixão, dinheiros e lugares no estado. o bloco não tem direção

    quando o cancro alastra: porque já não se pode ver televisão e a politica é igual a bas-fond nas redes sociais e em sites (sim sim, porque o Brasil não é um país, é um local), o dinheiro da europa, ie. a austeridade com mais dívida, só acalenta uma coisa : regeneração …….. mesmo que o meio seja o mais podre que há …… a esquerda não tem pomares ……… só papel certificado ……. morreram mais três em Braga por causa de uma praxe

  16. O Francisco Louçã tambem tem uma atitude curiosa que é não mexer em nada e esperar que tudo vá de mal a pior
    reação não se combate com contrareação ; combate-se caçando os pardais

    1. Se ler a minha proposta sobre a reestruturação da dívida, creio que não diria que proponho que não se mexa em nada. O debate ganha em ser mais elevado e menos preconceituoso, não acha?

    2. Registo a sua simpatia. Como vê, aqui estão propostas concretas para mexer no essencial.

    1. Já foram 300 e, como demonstrou André Freire, não temos mais deputados do que países do mesmo tamanho.

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