Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

22 de Agosto de 2014, 09:24

Por

Dürer nunca viu um rinoceronte

rinoceronteAlbrecht Dürer, o mestre do desenho e da gravura do início do século XVI, nunca viu um rinoceronte. Mas desenhou-o com toda a minúcia, a partir das descrições de viajantes que, maravilhados, explicaram a sua visão daquele porte, da altivez do animal. A mistura entre a imaginação e impressão era a bússola para aquele retrato. O que alguns contavam do que viram permitiu a Dürer ver para contar a todos como era um rinoceronte. Só vendo a gravura se passou a conhecer o animal. A raridade era comunicada pela visão do objecto único.

A visão tornou-se desde então torrencial, ruidosa, penetrante. Agora vemos tudo. Os animais do National Geographic, as anacondas no Amazonas, as neves do Quilimanjaro, as vítimas do terramoto no Irão, os prédios esventrados em Gaza. Vemos o presente e vemos o passado. As praias de Iwo Jima, as pontes de Madison County, o que sonhamos e o que sonharemos. Vemos tudo. Mas sabemos como é o rinoceronte? Ou falta-nos, como a Dürer, o pormenor que só o conhecimento sabe? Será que vemos a armadura e não a vulnerabilidade, o fato e não a pessoa, o ser e não a essência?

Ou, mais, ver tudo é saber tudo? Dürer não tinha essa pretensão e por isso, obsessivamente, continuava o seu trabalho de ouvir, ver, perceber e interpretar.

 

Comentários

  1. Professor,
    Apetece-me pegar no texto e interpretá-lo assim:
    Um dia, tivemos um governo que chegou ao poder pelo voto, como manda a democracia.
    Extasiados pela corrente que devassava (e ainda devassa) esta Europa, infligiram aos portugueses, em particular, os maiores sacrifícios, fazendo crer que essa era a penitência adequada ao pecado cometido pelo viver acima das possibilidades durante tantos anos! Sem conhecerem a razão do problema, acreditavam piamente na solução proposta da troika: cortar salários, retirar direitos sociais, despedir. Verdadeiros mestres estes! Incapazes de ver a miséria à sua volta, acreditavam nas palavras que de fora lhe traziam, que alguns videntes diziam que seria o caminho para o sucesso. O desenho, está à vista.

  2. Oi,
    mas fato está por facto ou por fato
    havias era de reproduzir outra vez aquela historia da fac. d direito sob título do papa económico. do sinal gravado, a impressão…
    horribilis . é como lanças; como chagas – autêntica fase /modo do inefável

    há discursos que haviam de pagar imposto
    esse foi um deles

  3. Apesar de estar fora do tema gostaria de colocar uma questão: Qual é a Sua opinião sobre a Corporação Mondragon? Coloco esta questão pelo facto de ter “ouvido falar” e visto na Internet que é a maior empresa do país basco e funciona num modelo social alternativo ao das sociedades anónimas.

    1. Não conheço o suficiente para dar uma opinião fundamentada, vou ler sobre o assunto.

  4. Li algures que o Dürer foi testemunha da embaixada do rei de Portugal ao papa, e que esta incluiria entre outros um rinoceronte. Independentemente disso, o desenho é maravilhoso e o Dürer um grande artista.

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