Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

9 de Agosto de 2014, 16:49

Por

Uma resolução bancária para os 1%

Brilhante o post de Francisco Louçã (aqui). Nele, FL sintetiza algumas das opiniões sobre o resgate ao BES e mostra como a metodologia adoptada pelo Banco de Portugal se relaciona e ao mesmo tempo difere tanto do proposto no nosso “Um programa sustentável para a reestruturação da dívida portuguesa”, apresentado a 10 de Julho no IDEFF, em Lisboa.

Lembrei-me, depois de o ler, de mais uma possível questão sobre o resgate ao BES.

O Banco de Portugal desenhou a resolução bancária que aplicou ao BES de forma a proteger: (i) os detentores de dívida não subordinada (“dívida sénior”- tipicamente detida por investidores institucionais); e (ii) os grandes depositantes (de acordo com o Fundo de Garantia de Depósitos, só 1,2% dos depositantes têm depósitos superiores a 100.000€). Os pequenos depositantes já estavam protegidos por lei!

Por isso, a resolução bancária do Banco de Portugal obriga os contribuintes a emprestar (e arriscar perder), via Fundo de Resolução, uma primeira tranche de 3,9 mil milhões de euros[1] ao BES bom (“Novo Banco”), para assegurar que os 1%, que detêm montantes muito elevados de créditos não subordinados sobre o BES bom, não sofram quaisquer perdas, contrariamente às boas práticas internacionais, nomeadamente as do Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) dos EUA.[2]

A metodologia de resolução bancária que foi proposta no nosso “Um programa sustentável para a reestruturação da dívida portuguesa”, baseia-se na prática do FDIC dos EUA e poderia ser adoptada no caso BES. Tornaria os credores não subordinados em accionistas do “Novo Banco”, protegendo os 99% (dinheiro dos contribuintes e dos pequenos depositantes) e resultaria num Novo Banco financeiramente muito mais sólido.

É uma questão de opções…

 

 

 

 

[1] Face aos dados entretanto conhecidos, afigura-se-me que o capital injectado já não será suficiente.

[2] Note-se que o FDIC não aplicou, até à data, uma resolução bancária a um banco da dimensão relativa do BES. Mas a lei Dodd-Frank, aprovada em 2010, determina um procedimento de resolução similar ao aqui referido, para bancos americanos de grande dimensão.

Comentários

  1. a bolsa não é nem património, nem saldo
    é um índice. para se transacionar capital ; direitos sobre capital
    o bcp “não perde valor” na bolsa. quem perde valor na bolsa é quem tem acções. isto se as registar ao valor de mercado , “lol”

    1. e toda a emissão de acções, obrigações, moeda de crédito,, a sua característica inicial é se está ao par,
      abaixo ou acima do par. o que dará a sua cotação inicial e subsequente.

      imagine-se nesses ex. que se emitiam 40 em acções e se recebiam 40, o capital social ou pp só era positivo em 10. é esta a situação patrimonial do banco, “o seu valor”.
      ou patrimonio neto, como a argentina ilustra http://www.bna.com.ar/institucional/BCE_CONDENSADO_DIC_13.pdf

      mas se se emitissem 40 em ações e se recebesse 40, seria emissão ao par
      no entanto a situação patrimonial ou património neto era apenas 10, logo se fossem cotadas na bolsa iam cair de 40 (opv) para 10 no dia seguinte.
      por isso é que a resolução tem que ter um detalhe mt grande neste ponto.

      por hip.
      a emissão é de 10 (capital social) e os -30 são responsabilidade “de quem se responsabilizar pela conta de capital”, opção ou obrigados; seja credores ou accionistas… sendo que os credores iniciais são anulados. porque suportaram já os 10 iniciais… responsabilidade limitada.

    2. quer então dizer que é a carteira.. a #carteira de investimento que e quem mais perde
      bem me parecia que essa coisa do mercado de capitais sempre se havia de reflectir em mim
      (à sujeita da jornalista deixou-a contaminada; mil vezes pior, porque agora não sai.. “lol”..)

      se não me tivesse avisado, brecht, nem teria dado conta… o que vale é que não as comprei a crédito … vou abatê-las (às losses) directamente no património pessoal
      mas lá se vão as minhaz férias no egeu

    3. pois, mas assim a mensagem fica truncada e eu não consigo atingir o objectivo..
      a lei não faz valor; antes é o valor q faz a lei,

  2. Dado à luz,
    um novo quadro regulatório e de resolução que cumpra uma marca robusta dos riscos de balanço, e daí obrigue a uma coordenação pública para equilibrar os requisitos de balanço e resolução de institutos ie. bancos particulares.

    Debaixo do novo quadro regulatório são registadas imparidades ocorridas,, presumidas ou prudenciais (provisões). isto vai deteriorar as contas de capital da generalidade dos bancos para baixo de zero. a propriedade manter-se-ia com os acionistas mas os bancos ficariam “tecnicamente falidos”; o que não obviaria a q continuassem a atividade se o estado ou o banco central lhe fizessem dispor de meios de pagamentos válidos (notas de banco, reservas de banco central, moeda de pagamento em sistemas interbancários de pagamentos, etc.); porém isso não acontece por proteção de e superior interesse público.

    Os direitos acionistas são portanto e por isso anulados e inicia-se um processo de resolução. Este processo de resolução dará sítio a novos acionistas que têm que repor a conta de capital a um nível exigido. os novos acionistas serão de duas proveniências: detentores de obrigações e terceiros ao banco . opcionalmente grandes e pequenos depositantes.

    Os detentores de obrigações trocam os créditos e/ou obrigações por responsabilidades de capital e/ou ações de mesmo valor nominal;, depositantes, por sua vez, saldo bancário por ações.

    Terceiros que podem ser o estado ou o fundo garantia de depósitos (ou hip. fundo de resolução) entregam ao banco garantia (que pode ser dinheiro vivo ou títulos) por ações, na parte a deter do capital social.

    Hip. balanço no “início”

    ativo 100
    capital pp. 10
    passivo bancário 90
    tier I – 10%

    após imparidades
    ativo 60
    cp. -30
    passivo 90

    resolução
    ativo 60
    cp. 10
    passivo 50
    tier I – 16%

    Neste caso – se o abate de 40 no passivo não correspondesse na totalidade a obrigacionistas se tornarem acionistas, a garantia (ou dinheiro) de terceiros que entrasse no balanço do banco por contrapartida de ações, seria para redimir passivos (na grande maioria obrigações, claro). assim o sentido sob identidade, é mantido. ou seja o balanço mantém a dimensão.

    Pressupondo então que 16% é uma percentagem de requisito de capital “de partida” (após o qual se podia presumir uma convergência com Basileia) que os bancos aceitam em termos de concorrência; tem que se ter um programa (de target/ metas) para quais as percentagens das componentes de passivo, ou seja no ex., dos 50: depósitos, shortterm / medium long-term wholebanking, e empréstimos do bce;

    se por hip. os depósitos fazem 40 desses 50, 10 fica uma quantia gerível do ponto de vista de circulação de capitais, vulgo entradas e saída do espaço da autoridade. a mais é só desejar que o produto bancário cresça sem deteriorar a psi – posição investimento internacional. para isso é preciso um modelo de despesa-rendimento apropriado ao autofinanciamento macroeconómico

    http://expresso.sapo.pt/argentina-esta-a-inovar-ao-levar-eua-a-tribunal=f885356

  3. bes hipotético

    balanço no “início”
    ativo 100
    capital pp. 10
    passivo bancário 90
    tier I – 10%

    após imparidades
    ativo 60
    cp. -30
    passivo 90

    resolução
    ativo 60
    cp. 10
    passivo 50
    tier I – 16%

    os direitos dos accionistas são anulados.
    conta de capital é negativa em 30.
    o tier requerido por hipótese é 16%, logo o capital tem que ser reposto a 10.
    têm que ser assumidas perdas de 30 e capital a realizar (com emissões de novas ações) é de 10

    três hipóteses.

    (I) obrigacionistas assumem perdas de 30 por anulação do créditos
    activo 60
    cp. 0
    passivo 60

    subsequentemente eram emitidas novas acções o que daria sitio à entrega de 10 ao balanço do banco
    activo 70
    cp 10
    passivo 60
    aqui o tier I levaria um ajuste

    (II) A outra hip. é a de facto a que está apresentada em cima
    direito accionistas são anulados
    obrigacionistas vêem anulados em os seus créditos
    emissão de acções de 10, que são entregues ao balanço mas servem para amortizar obrigações.
    dimensão do balanço após imparidades mantém-se

    (III) outra hip.
    direito accionistas são anulados
    obrigacionistas vêem anulados 30 dos seus créditos
    emissão de acções em 10:
    5 por troca com obrigações
    5 por entrada nova de dinheiro

    então,
    ativo 65
    cp. 10
    passivo 55

    obrigacionistas ficariam então com 50% do banco, embora tenham incorrido em perdas de 30
    os outros 50% são de terceiros ao banco, que tinham portanto perdas zero. mas que no entanto correspondem a entradas novas de dinheiro e não a troca de direitos.

    1. correta:
      (II) A outra hip. é a de facto a que está apresentada em cima
      direito accionistas são anulados
      obrigacionistas vêem anulados em 30 os seus créditos

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