Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Francisco Louçã

5 de Agosto de 2014, 09:39

Por

Segure a carteira que é ainda a única conta certa

bes folheto bem copyO Banco de Portugal e a CMVM permitiram uma operação de aumento de capital do BES há sete semanas, sob o apelativo título de “Participe no Futuro”. O prospecto anunciava que, com este reforço de capital, o BES poderia “enfrentar o futuro de forma independente e sem se desviar da sua estratégia”. Entraram 1045 milhões de euros, “estreados a 17 de junho” (pode clicar na imagem para ver o prospecto do BES). Já não valem nada, contas certas. Diz agora candidamente Carlos Costa que já sabia da marosca desde setembro do ano passado (mas autorizou a operação).

Os analistas diziam que prejuízo do BES no semestre ia ser grande, para aí 200 milhões. Depois seria de 1200 e o Governador assegurou que a almofada permitia adormecer o problema. Agora, as imparidades calculam-se acima dos 4300 milhões de euros. Nunca houve contas certas.

O Banco de Portugal fez publicar um registo da exposição do BES aos negócios da família no GES abaixo dos dois mil milhões. Depois suspendeu os direitos de voto dos Espírito Santo quando descobriu que os dinheiros mal parados tinham duplicado esse valor. Nunca houve contas certas.

Passos Coelho prometeu que não haveria dinheiro público no BES. Pois há e é muito: 4500 milhões, mais 400 do fundo de resolução. Não são contas certas.

O Primeiro-ministro garantiu ainda que as perdas ficariam todas no banco e que o Estado nunca se meteria isso. Meteu-se mesmo e basta o “novo banco” ser comprado por um valor abaixo da sua recapitalização para que a factura bata à porta dos contribuintes. As contas certas podem ser desagradáveis.

O Governador do Banco de Portugal veio a público garantir que havia estrangeiros interessados em reforçar o capital do BES (e as acções subiram 20% nesse dia). Quatro dias depois, encerrou o banco e agora explica que esses investidores foram enxotados pela crise. Ninguém sabe quem são nem que contas apresentavam.

Olivier Guersent, Director-Geral Adjunto para o Mercado Interno na Comissão Europeia, garantia há uma semana, em debate com a eurodeputada Marisa Matias, que, se fosse preciso intervir para salvar um banco em Portugal, a União exigia a aplicação das regras anteriores (como no BPI e BCP): “Não devemos enganar-nos, o (novo) sistema (europeu de resolução bancária) deve entrar em vigor no fim de Julho do próximo ano. Não é um sistema para tratar do passado. O passado terá de ser abordado com os instrumentos do passado” (a frase completa no video aqui). Pois, no caso BES, num fim de semana, foi aceite pela mesma Comissão uma metodologia diferente, porque assim se finge que não há nacionalização do banco. E essa é a conta certa para todos, governo e Comissão.

A reunião virtual do Conselho de Ministros no domingo passado aprovou um decreto-lei, que foi assinado por Paulo Portas e promulgado na hora por Cavaco Silva para garantir este processo de nacionalização para a privatização de um banco privado. Nenhum deles disse ainda uma palavra sobre o assunto, mas fizeram as contas todas.

O que se se disse e se escreveu ontem em letra de pedra já não vale nada hoje, se for assunto de contas. Amanhã há-de ser pior.

 

Comentários

  1. Olá, Dr Francisco Louçã.. Em caso de lucro na revenda , este vai para o Bes, Bad Bank. Em caos de perdas, vão para o Fundo, dono das acções do Novo Banco. Logo para os acçionistas deste. E o Juros dos empréstimos+Juros não recebidos do dinheiro do Fundo? Vão ser pagos pela Banco também, não é? São mais de 150 mios de Euros ao ano….. Adivinhem a quem a Baca vai sacar esses juros ?E a competitividade da Banca a nível europeu? jom_sapo@sapo.pt

    1. novo banco é bom ponto final
      se quiser o estado agora que o nacionalize e que faça dos pequenos accionistas sócios minoritários

      longa vida ao fundo de resolução – que seja esta a primeira de muitas

      e o estado já tá ter lucro com o esquema
      o dinheiro emprestado tava parado a 0% de juro; agora tá emprestado com um spread. é toda a diferença

      se o fundo tiver lucro com a venda do BES (o mais provável) – porque o mundo do mercado é feito de homens bons, o BdP deve obrigar a fiquem retidos no fundo para que fique capitalizada em relação à próxima resolução

      .. a própria Caixa Geral De Depósitos!
      há mta coisa em portugal que precisa de ser depurada.

  2. Caro Prof. Louçã .
    Eu, como muitos outros , pequenos accionistas do bes perdemos todo o valor que investimos nessa cotada do psi 20 . Será possível declarar-mos no irs menos valias ?

    1. mas quando é que os senhores metem na cabeça que o estado não se responsabiliza por perdas individuais e dos privados.
      só se responsabiliza é pelo salário do Dr. Louçã, do Dr. Costa, do Dr. Guterres, do Dr. Lopes; do Dr. Durão
      da pensão do Dr. Cavaco; dos honorários do Dr. Carlos Costa
      da pensão do Dr. Alegre; da pensão da Dr. Assunção Esteves
      dos abonos do Dr. Coelho
      e das deslocações do Dr. Gaspar

      estão a ver bem este retrato?
      depois a culpa é do capitalismo. é do capitalismo o carago.

  3. A reunião, VIRTUAL, de domingo, dia 3, teve como consequência a publicação do Decreto-Lei n.º 114-A/2014 no suplemento do Diário da República no dia, REAL, 1, sábado.
    Gostava de saber, depois de ser tudo público, como é feito o historial da reunião. Não se fazem atas? Ou também são datas falsas?
    Cada cavadela, cada minhoca.
    Eu só queria sair deste filme de terror que, para ser mais completo, só falta sangue porque no que toca a tirar olhos já se faz.

    1. Tem de haver acta e é estranho que não haja comunicado no final da reunião, mesmo virtual. É uma trapalhada.

  4. Gostaria de o tema da Mecânica Monetária, i.e., o dinheiro como dívida (97% mundialmente).

    A este propósito, qual a sua opinião sobre o projecto positivemoney.org – conjunto de académicos ingleses que propõem que a raiz de todos estes problemas (“bolhas”) está no próprio mecanismo de criação do “dinheiro” pelos bancos comerciais e que a solução passa por retirar por completo o poder de criação do dinheiro aos mesmos?

    1. o problema não é a emissão, porque alguém tem que emitir moeda fiduciária
      é a relação redistributiva subsequente entre poupança e consumo . os equilíbrios e as tendências macroeconómicas ao nível de país-estado
      ou seja a criação de investimento / activos fictícios

      com a relação de ouro para a circulação monetária já não é da casa de 80-90%,
      os bancos são em tese na agência dos descobridores portugueses e espanhóis que forneciam a moeda metálica p circulação à europa
      aquelas divisões de “research” da banca universal é que tão mal programadas (estão-no hoje no patamar da guerra financeira e do embuste económico-moral).

      os bancos têm que continuar a dar avanços de crédito – mas os researchers estarão ao nível do empresário inspirado, ou do burocrata-estatal metódico /e não de traders-bandalhos. aí o caso do “banco de fomento” solucionado
      não é fomento / é research
      percebeste

    2. É uma proposta concreta que está a ser estudada e discutida. É no entanto de difícil aplicação, porque significaria que os bancos deixariam de criar crédito – porque é assim que criam moeda. No entanto, precisamos de um novo modelo, que passe pelo controlo público extensivo da criação de moeda. Amanhã escreverei sobre isso.

  5. Bagão Félix: apurado, estilizado, branco; em suma: com gosto lê-se e sobretudo pensa-se que é dos poucos que parecem restar duma tradição onde escrever bem é de dever.
    Obrigado

  6. Caríssimos,
    Aqueles outros que cavam nas fundações do Estado Social, na Educação e sobretudo na Justiça, salvaguardando o novo poder ditatorial deste admirável mundo novo, o pesadelo de Huxley materializado, possam rejubilar na imundície!
    Deus ex machina: o poder financeiro livre.
    Parece-nos que somos escravos com a ilusão de liberdade(não é a pior das condições?) e assim continuamos entretidos sem a ousadia de querer um país renovado ao invés de engolirmos um banco novo; as revoluções fizeram-se com mulheres e homens que ousaram e perguntamos: que se passará connosco, nós que somos contemporâneos uns dos outros, irmãos no mesmo tempo neste tempo que é o nosso e no qual não tomamos o destino colectivo nas nossas mãos?

    1. Tem toda a razão: o poder financeiro absoluto é a relativização da democracia.

  7. Depois deste logro do prospecto que iludiu pequenos aforradores desta maneira inacreditável, como será possível, no futuro, as pessoas comuns acreditarem em subscrições dos outros bancos? Ora aqui está, porventura, um efeito sistémico: o enterro do “capitalismo popular”…

    1. Concordo e ninguem referiu isso ainda. Até na captação de investimento externo. Este caso e o caso da PT relacionado ao BES, vem demonstrar que Corporate Governance é uma brincadeira de garotos em Portugal. Sem falar no supervisão em Portugal que é uma anedota….

    2. Absolutamente, tem razão. O “mercado de capitais” é atingido pela incerteza e pela insegurança, a partir dos seus maiores…

  8. Caro Francisco Louçã

    Este caso do BES vem mostrar mais uma vez quem vive realmente dos subsidios do estado, e quem realmente está protegido pelo estado.
    Os desempregados esses estão cada vez mais desprotegidos, e deixados à sua sorte, porque o estado escolheu ou fez a sua escolha, em vez de salvar as pessoas, que são o ativo mais importante, salva os bancos como se fossem os campeões nacionais da economia, relembro apenas uma resposta do Philippe Legrain ex-conselheiro de Durão Barroso numa entrevista ao Público em 11 de maio deste ano, “Foi. É antes de mais uma crise bancária. Se olhar para Portugal, o principal problema era a dívida privada. Antes da crise, a dívida pública era sensivelmente a mesma que na Alemanha – 67/68% do PIB – mas o grande problema que não foi de todo resolvido era a dívida privada que estava acima de 200% do PIB. Antes da crise, o que aconteceu em Portugal era, no essencial, bancos estrangeiros a emprestarem a bancos portugueses e estes a emprestar aos consumidores portugueses. A subida da dívida pública era reduzida, houve uns pequenos aumentos nos primeiros anos do euro, mas bastante menos do que na dívida privada. Este é que era o problema real, mas que os portugueses não enfrentaram, a UE e o FMI não ligaram, só se concentraram na redução da dívida pública. Por isso, como não resolveram os problemas reais do sector bancário, não resolveram o problema da dívida privada, só se concentraram na consequência, que foi o aumento da dívida pública. Só que as consequências sociais para Portugal desta profunda, longa e desnecessária recessão económica são trágicas. E ninguém é responsabilizado. Se tivesse sido um erro feito pelo Governo português, bom, podia ser corrido nas próximas eleições. Mas aqui as pessoas que fizeram os erros não são responsabilizadas. E depois as pessoas perguntam-se porque é que os europeus já não gostam da Europa. É surpreendente?”.
    Ora temos 870 que acumulam entre si 43% de toda a riqueza nacional, enquanto que os mais pobres continuam a empobrecer, o que mais temo é que a seguir a este venha ai a crise no BPI, pois tudo o que sucedeu foi nas barbas da Troika.

    1. Tratei esse tema em detalhe num livro recente, “Os Burgueses”, com dois colegas. A frase de Legrain é uma excelente e preocupante confirmação.

  9. Caro Francisco Louçã,

    Parece-me que todos estes problemas no BES têm um pano de fundo: desregulação liberal.

    A falta de regulamentação e a deficiente supervisão (por ineficiência legislativa ou abdicação dissimulada ou explícita de competências), típicas de uma visão ultraliberal, com origem remota em Reagan e Thatcher, completamente ultrapassada, caduca e falhada, aumenta largamente a probabilidade de ocorrência de situações como aquelas que aconteceram no BES.

    Designadamente, a mistura explosiva de bancos de depósitos tradicionais com bancos de investimentos tem produzido os resultados que estão à vista por todo o mundo.

    Enquanto o Mundo estiver transformado num Casino capitalista global, certamente novas ocorrências danosas deste jaez se verificarão.

    1. Sim, desregulação, casino, e as suas consequências: facilitar a fraude e promover a fraude. Desde Reagan (e Clinton! foi ele quem deu a machadada final na regulação), a finança ganhou um poder incomensurável.

  10. Este post do Doutor Francisco Louçã vem uma vez mais demonstrar que as respostas que ficaram por dar são muitas, e que ainda não há uma “narrativa” coerente sobre todo este imbróglio da queda do GES e, por contaminação, da falência do BES. Houve, de facto, no meu simples entendimento, muita gente que se sentou à mesma mesa do ex-Presidente do Conselho de Administração(RS). Uns afastaram-se, outros tentaram “tapar o sol com a peneira” e outras ainda “baralharam para dar outra vez.” É preciso que se note que o primeiro sinal veio da guerra aberta com Pedro Queiroz Pereira: uma investigação conduzida com meios próprios, colocada à disposição do BdP. Repare-se que as dificuldades já se deviam sentir no GES, pois o objetivo era “retirar” a SEMAPA a outra família; seria uma jogada de mestre para jogar mãos de lucros e ativos seguros feitos de negócios com ma pasta de papel, mas não só! De seguida veio terreiro um dos ramos mais importantes da família, que controla o BESI – que detinha 16% no capital do BES – tentando segurar as pontas, i.e, tomar de assalto o Conselho de Administração, talvez porque a drenagem de capitais não se estava a fazer como até aí, para todos os ramos da família. Algo estava a falhar; alguém estava a ficar com mais com que devia. Para além, disso fica por explicar a razão por que as autoridades competentes não investigaram imediatamente a “doação” de milhões de dólares efetuada ao líder histórico a RS, e que se soube seriam geridos pela Akoia(Monte Branco), e que levou a uma declaração de impostos, pasme-se, de 8%! Que Justiça? Que Justiça Fiscal? Que Democracia? Bem, depois temos outros enigmas, como nos exemplifica o investimento de 900 milhões da PT na RIO FORTE. Grande asneira, diríamos nós! Mas por acaso sabemos efetivamente o que se terá passado? Autoridades competentes vieram-nos esclarecer? E repare-se, enquanto tudo isto acontece estala uma guerra entre o Ministério da Justiça Ministério Público, na medida em que as leis aprovadas levam a que haja uma discrepância de ordenados entre procuradores, justamente aqueles que conduzem as investigações no terrenos passarão a receber menos. Onde se podem ir buscar recursos para estas investigações da alta finança, de crimes complexos e sofisticados, cujo capital não reconhece fronteias?

    1. Esse é o retrato desta crise, José Figueiredo. E ainda se há-de descobrir mais, veremos como se desenvolve o dossier Angola.

  11. O que mais me revolta nisto tudo, e falando como pequeno empresário, são os números astronómicos, fala-se de milhões como de tostões, por vezes faço a minha reflexão, e imagino quantas empresas, e quantos postos de trabalho se criariam no nosso Portugal com todo este dinheiro… muitas concerteza, pois para muitas micro empresas, um pequeno financiamento de 100.000€, consegue alavancar as mesmas para o sucesso… Continuo esperançado na retoma, mas por vezes temo que ela venha tarde demais…
    pessoalmente, não me interessa ver na cadeia os cabecilhas destes roubos, o que era exigível era a devolução de todo o dinheiro!!!

    1. Tem toda a razão: a desproporção é assustadora, e ainda a procissão vai no adro.

  12. Caro Francisco Louçã,
    Parece-me que este caso configura uma maior falta de responsabilidade e de profissionalismo que o do BPN apesar da solução ser (aparentemente) menos penalizadora para os contribuintes (até ver).
    Penso que no caso do BPN não há fortes indícios de que o governo e governador do BdP tivessem tão profundo conhecimento da situação como neste caso. Foi o próprio governador do BdP e o governo, na voz de Marques Guedes, que veio a público descansar os clientes, depositantes e accionistas para a consistência do banco.
    Mas houve fugas! O Goldman Sachs e Bradesto (pelo menos) conseguiram sair a tempo. Na sexta-feira, uns minutos antes do fecho da ultima sessão da bolsa antes do fim do BES, outros accionistas conseguiram livrar-se das acções não perdendo tudo como perderam aqueles que não sabiam que na segunda elas já não valeriam nada.
    As minhas perguntas são:
    – Havendo consciência por parte do BdP de toda esta situação, não poderá ser imputada a responsabilidade ao governador e ao próprio governo por vir a público enganar os accionistas?
    – A CMVM não poderá pedir uma investigação no sentido de apurar se houve ou não conhecimento prévio por parte do Goldman Sachs (por exemplo)?
    Não quero levantar qualquer tipo de suspeitas mas todos sabemos dos elementos ligados ao GS que foram inteligentemente introduzidos nos destinos de Portugal… e a semana passada um até foi “pay day” para um…

    1. É dificil comparar. No caso do BPN, foi nacionalizado o banco mau e ficou de fora o banco bom, os activos da SLN. Neste caso, é evidente que há muito que o BdP sabia e tinha que saber. Quanto ao G Sachs, o véu que levanta é interessantissimo.

  13. Não compreendo a surpresa de alguns investidores, que de repente se deparam com a dura realidade de poderem perder o valor de tudo o que possuem, desde acções a obrigações e outros “papéis”.
    Mas andaram assim tão distraídos que lhes escapou a mais rigorosa previsão da tempestade, quando, há mais de um mês, se soube que José Maria Ricciardi tinha vendido a quase totalidade das suas acções e ficara só com 100, apenas para manter direito de voto nas assembleias?

    1. Pois é, e agora sabemos que a PT retirou o seu dinheiro nas vésperas da crise final, que o Bradesco se pôs ao fresco… Muito aconteceu naquela 5ªf e na 6ªf.

    2. É verdade que os sinais de alarme estavam lá todos… mas também é verdade que a “narrativa oficial” até há uma semana, pouco mais, é de que o problema residia no GES e não no BES!

  14. A forma como todo este processo decorreu,( e parece que o Vitor Gaspar já saberia da situação GRUPO GES, terá também saído por isso?), dá pano para mangas

  15. Algumas perspectivas da Teoria do Caos aplicadas à política sugerem que o comportamento energético de qualquer sistema organizado tende a desorganizar-se com o passar do tempo, gerando entropia social. Este processo de degradação já vai em velocidade cruzeiro.
    É inaceitável que haja reuniões clandestinas (ou mesmo virtuais) do Governo cuja a acção política é instrumentalizada por quem domina o métier.
    O BdP não sabe (ou não pode) efetuar uma regulação eficaz. Mas comporta-se como se domisasse a informação induzindo em erro. Vivemos num ambiente de “aparência de controlo” das instituições. Poderemos ainda questionar a candidez deste contexto. Mas isso levar-nos-ia a outro nível da discussão.

    1. Bem anotado. Sobretudo, nunca compreenderam que no mundo financeiro a probabilidade de eventos nas abas é maior do que numa distribuição normal, e por isso pode haver catástrofes – que as regras legais e procedimentais, aliás, estimulam fortemente, como se tem visto.

    2. olha. essa é uma boa historia é para contares aos netinhos
      a tua falha foi sempre é o contexto

  16. Caro FL, li com atencao o seu texto de hoje e ontem (as 3 perguntas sobre o BES) bem como os respectivos comentarios que se seguiram. Apesar de nao viver em Portugal desde o fim de 2009, tenho seguido de perto mas com algum distanciamento a crise, a aplicacao do memorando da troika e os seus efeitos (sentidos de perto por familia e amigos ainda em PT). Sem entrar em discussoes partidarias ou tecnicas gostaria de partilhar consigo algumas ideias: do meu ponto de vista o maior problema de Portugal é cultural ou melhor a falta dela. Quando me refiro a cultura nao quero dizer arte, musica, etc. Mas sim a uma cultura de exigencia para connosco e com os outros em relacao ao trabalho, aos estudos, as empresas, aos governos, aos partidos, ao civismo, a liberdade e a todos os outros aspectos da vida em geral. A esta falta de cultura social chamamos “nacional porreirismo & chico espertismo” e as suas consequencias sao o famoso “desenrasca”, a falta de civismo, o orgulho em fugir aos impostos, o estacionar em cima dos passeios, o deitar lixo para a rua, aceitar a má utilizacao do dinheiro publico desde que ao menos se faca alguma coisa, etc. Nós temos os governos (e sua oposicao) que merecemos, fomos nos que votamos (ou pior, nao votamos) neles. Todos partilhamos a culpa, todos somos aquele gajo porreiro e todos somos o Passos Coelho. Todos somos o Seguro e o Costa. Claro que nos nao somos so isto. Temos muito de bom…mas para a economia e sustentabilidade do Pais..isso vale zero. Enquanto “os Portugueses” nao forem exigentes (com eles proprios e com os outros) nao ha dinheiro no mundo que resolva o problema (nos ja tivemos muito dinheiro antes e nao resolveu nada). Na Alemanha, Suiça, USA, UK tambem ha Salgados, submarinos e outros atoleiros mas a diferencia reside no que acontece depois. Porque razao na Alemanha ja ha condenacoes no caso dos submarinos e ca nem ve-las. Porque razao o Madoff esta na prisao e o Oliveira e Costa em casa a ver televisao? Cultura social, civismo, exigencia e muito trabalho sao os remedios, investimento e medidas que temos que injectar na sociedade Portuguesa. Será esta uma boa oportunidade para refundar Portugal e as suas gentes? Serao os partidos políticos capazes de entender o crescente descontentamento social? Serao os Portugueses capazes de reconhecerem a necessidade de mudar como sociedade?

    1. Espero que a resposta à sua ultima pergunta seja que sim. É a experiência social que faz a cultura e cria novos padrões de exigência – estou de acordo consigo nessa consideração e atenção às questões de fundo.

    2. Muito bom o seu comentário. Mas as pessoas anónimas, que pensam como o senhor, como eu e como a maioria das pessoas pensa, não têm voz na comunicação social. Não integram debates na televisão, não são entrevistadas (as entrevistas são de raspão enquanto um qualquer jornalista acompanha um qualquer candidato e essas entram a 100 e saem a 1000). Uma coisa é certa, na Assembleia da República nenhum deputado representa o que deve representar: o POVO. Cada um deles representa o(s) interessado(s) nos assuntos que tem em mãos enquanto advogado. E depois é ver como funciona o plenário da Assembleia da República: uma troca de galhardetes com sorrisos sacanas pelo meio.

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