Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

António Bagão Félix

5 de Agosto de 2014, 13:00

Por

O Novo Banco e o velho Estado Social

O nome mudou. O banco velho virou Novo Banco. A magia da palavra “novo” é um sinal dos tempos e uma marca governamental. O que é novo é bom. Neste caso, o novo está umbilicalmente ligado ao bom que fica depois da limpeza tóxica e da quarentena do banco velho. E – dizem-nos – sem custo para o contribuinte, precisamente porque é (ou vai ser) novo. São milhões novos sobre velhos milhões. Com muitos zeros à direita.

Mas, evidentemente, tudo isto não é nada se comparado com a catástrofe do Estado Social, o primeiro réu das finanças públicas. Porque aqui avizinha-se o colapso, dizem os entendidos, fazendo muitos cálculos e simulações. Tudo por causa da velhice de elevada toxicidade e da demasiada generosidade perante a nova e velha pobreza, o novo e velho desemprego. São “imparidades sociais” a mais, afirmam. Aqui não há BES velho, mas há CES nova!

A energia com que o PM costuma falar (aos jovens) dos custos dos velhos e reformados não tem comparação com a bonomia distante com que, em férias, fala do Novo Banco.

No fundo a questão é simples: no sistema financeiro, há sempre uma (re)solução nacional/ europeia. No Estado Social, dizem-nos que já não há solução. BPN, BPP, swaps, sucessivos aumentos de capital da CGD, BES são, afinal, minudências orçamentais perante o velho e caduco Estado Social. Este sim, o culpado de tudo. Do novo e do velho.

Comentários

  1. A solução é encarar o dinheiro como um “bem público”. Consequentemente, os bancos, com a importância que têm, deveriam ser considerados “instituições de utilidade pública” e ser geridos como tal. Nacionalizados ou não. Claro, isto é uma utopia, uma vez que não somos donos do nosso destino no contexto da UE.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo