Tudo Menos Economia

Por

Bagão Félix, Francisco Louçã e Ricardo Cabral

Ricardo Cabral

20 de Julho de 2014, 11:05

Por

Todos iguais, todos diferentes

Viajar e sobretudo viver noutras culturas, expande horizontes e permite apreender diferenças que, de outra forma, não seriam perceptíveis. Começa porque, até mesmo debaixo do verniz da língua comum, existem diferentes dialectos ou acentos. Mas é mais profundo do que isso. Descobri com o tempo que existem mensagens subliminais específicas – conhecimento social tácito – que caracterizam o comportamento dos povos. Em pelo menos parte dos Estados Unidos, por exemplo, prevalece a cultura do ser individualmente responsável pelos seus actos, de que o indivíduo pode fazer a diferença, de que o nosso futuro só depende de nós. Tais crenças parecem contraditórias com aquela imensidão de território e de pessoas e com uma “máquina” da lei omnipresente e avassaladora. E com o facto da opinião pública parecer seguir colectivamente modas, “flip-flopping” com o vento. Mas, quase todos as seguem, resultando numa pobreza de diversidade de opinião que impressiona. Na Alemanha, surpreende a cultura do silêncio, do só falar quando relevante e só quando se tem a certeza do que se vai dizer, do pensar antes de falar, do planear antes de começar a fazer e do dizer “não” e não “sim”. Em Portugal, surpreende a cultura do dizer sim, mesmo quando as partes preferiam dizer não, de começar a fazer antes de se pensar o que se quer fazer, de reverenciar o que vem de fora ou de cima, de ter medo de arriscar dizendo algo novo e sobretudo de ter medo de perder a face ao fazê-lo. Vá se lá entender tudo isto … mas é bom sabê-lo.

Comentários

  1. A história, a cultura e as religiões explicam – pelo menos parcialmente – as diferentes mentalidades. Outro factor a ter em conta é a conjuntura socio-economica de cada um dos países. E finalmente temos a classe política: nos EUA os políticos defendem ideias diferentes em cada Estado, sendo o caso mais paradigmático o das campanhas presidenciais (ou seja “respeitam – se” as idiossincrasias de cada comunidade); nos países do norte da Europa, os políticos são um espelho das vontades e aspirações dos eleitores (um sim é um sim e o não tem que ser não). O caso português é o que se conhece: mentem, ludibriam e em regra privilegiam sempre a relação com as elites (por medo das repercussões sobre a vida depois da política), ao invés de olhar para o bem-estar de toda a comunidade; por isso não sabem dizer não e raramente têm uma estratégia definida quanto chegam ao poder.

  2. Na Alemanha não precisam de falar muito sobre política, a vida no geral corre bem em termos económicos, aqui o medo de falar é enorme, porque as pessoas estão em estado de choque, paralisadas, vencidas pelo cansaço, vivem sempre no medo do que vem a seguir…e depois falando na maioria da população, é difícil de pensar de barriga vazia, ou com a preocupação de como pagar as contas, como vai ser o futuro dos nossos filhos, etc.
    Alguém que diga a este povo que o tempo do medo já acabou…

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Tópicos

Pesquisa

Arquivo