Fim

O Tecnopolis termina hoje.

É o meu último dia de trabalho no Público. Sigo para um novo projecto.

Conto, também, renovar o meu anterior blogue. Os eventuais interessados terão, dentro de algum tempo, novidades no meu site pessoal.

Um “obrigado” aos leitores que visitaram este espaço e, particularmente, aos que participaram na conversa.

Estou contactável através deste e-mail.

Até breve.

Os jornalistas do Público no Twitter

Hoje recebi mais um pedido para ser seguido no Twitter. Agradeço o interesse, mas não twitto. E sublinho: não tenho absolutamente nada contra a ferramenta (pelo contrário, acho apenas que tem um problema sério de modelo de negócio).

Para os eventuais interessados, aqui fica uma lista (é possível que incompleta) dos jornalistas do Púbico que adoptaram o Twitter. Sem nenhuma ordem:

Hugo Daniel Sousa
Leonete Botelho
Andréia Azevedo Soares
Romana Borja Santos
Alexandre Martins
Miguel Madeira
António Granado
Isabel Coutinho

Wikipedia e Britannica mais próximas

Não se trata de outro comparativo entre as duas enciclopédias. Na altura em que a Wikipedia debate um modelo de revisão que a aproxima de uma enciclopédia tradicional, a Britannica abre-se, ainda que moderadamente, a contributos externos.

A ideia de alterar o funcionamento da Wikipedia implica que os contributos de recém-chegados sejam revistos por utilizadores experientes antes de surgirem nas páginas – o que é uma má ideia, capaz de anular uma das grandes vantagens do site.

A proposta é do próprio fundador Jimmy Wales e surge depois de o site ter erradamente dado como mortos dois senadores veteranos que saíram antecipadamente do almoço de tomada de posse de Obama (um deles desmaiou e foi hospitalizado, o outro saiu pelo próprio pé; estão ambos de boa saúde). Os erros não estiveram online mais de cinco minutos.

A proposta de alteração do funcionamento da Wikipedia já foi atacada por alguns utilizadores, que consideram o processo (que já vigora na Wikipedia alemã) demasiado moroso e trabalhoso.

Já a Britannica, conforme havia anunciado, passará a contar com contributos de alguns peritos e leitores convidados. Não é uma abertura ao estilo wiki, mas não deixa de ser um passo significativo.

Ora, introduzir um processo de revisão na Wikipedia pode ajudar a evitar erros – mas anula uma das grandes vantagens do site face a enciclopédias tradicionais: a rapidez com que consegue documentar novas realidades.

De eventos em curso (como aconteceu com o furacão Katrina) até novidades tecnológicas, a capacidade de resposta dos milhares de voluntários assíduos excede, de longe, a capacidade da Britannica de se manter actual.

A Wikipedia tem falhas – mas querer colmatá-las mitigando a sua própria essência e desperdiçando um dos grandes trunfos não é uma boa estratégia.

Para utilizadores cientes das limitações do site, a Wikipedia é uma fonte preciosa de informação. O único problema da Wikipedia tem sido querer assumir-se como aquilo que não pode ser: uma enciclopédia de facto.

Câmara dos telemóveis obrigada a fazer barulho?

japãoA proposta que chegou ao congresso americano de uma lei que obrigue os telemóveis com câmara a fazer ruído quando tiram uma foto roça o absurdo.

A ideia é tentar evitar que as pessoas sejam fotografadas sem se aperceberem.

Por muito risível que seja, a estratégia está em vigor no Japão, para evitar problemas como os que o placard da foto (tirada numa estação de comboios japonesa) ilustra.

Foto: Jeff Epp, CC: by-nc-sa

O gestor discreto que agora chefia a Apple

Tim CookO génio irascível de Steve Jobs (diz a lenda que os funcionários evitavam encontrá-lo no elevador com medo de estarem desempregados antes de as portas se abrirem) poderá ser substituído por uma postura calma e contida. E o estatuto de estrela poderá dar lugar ao rosto quase desconhecido de um executivo que é considerado um mestre precisamente nas áreas da empresa que mais passam despercebidas (como a gestão de “stocks” e o planeamento de vendas).

Tim Cook, 48 anos, o actual director de operações da Apple, é o mais bem posicionado para suceder a Jobs – mas, embora muitos analistas afirmem ser a altura, ainda ninguém sabe se a sucessão vai sequer ter lugar.

Contratar Cook foi uma das primeiras medidas de Jobs quando regressou, em 1998, ao lugar de CEO da empresa que fundara e da qual tinha sido praticamente expulso. A Apple estava perto da falência e Jobs costuma receber os louros de a ter resgatado. Mas Tim Cook, que tinha 16 anos de experiência em empresas de tecnologia como a IBM e a Compaq, foi uma peça fulcral (e quase sempre ignorada pelos media) na recuperação.

Cook é um trabalhador metódico, nota um artigo recente do “Washington Post”, onde são entrevistados vários ex-colegas do executivo. Mas não é menos exigente do que o próprio Jobs. Durante anos, teve o hábito de telefonar aos domingos aos colaboradores próximos para preparar a semana de trabalho. E não é surpresa para nenhum executivo na Apple receber e-mails de Cook às 4h30.

Foi logo em 1998 que o actual director de operações começou a ganhar o estatuto de número dois dentro da empresa. Desde então, tem vindo a somar responsabilidades: por exemplo, negoceia com as operadoras de telecomunicações a comercialização do iPhone e planeia a nível global a venda de produtos.

Em 2004, quando Jobs foi operado a um cancro pancreático, Cook assumiu durante dois meses o cargo de presidente executivo. Foi também nessa altura que agarrou as rédeas da mais histórica área da empresa: a dos computadores Macintosh.

O iPod e a música do iTunes podem ser os negócios que fizeram com que a Apple entrasse com o pé direito no século XXI e no mundo do entretenimento digital (e Cook também tem nisso a sua dose de responsabilidade). Em 2007, a empresa até deixou de se chamar Apple Computer, passando a ser simplesmente Apple. Mas tudo começou com os Macintosh, precisamente a área que Jobs escolheu dirigir no início da década de 80, quando os então jovens fundadores contrataram um CEO experiente. Chefiar a “secção Macintosh” tem um peso simbólico.

Agora, com Jobs de baixa até Julho por causa de um problema de saúde que a Apple se tem escusado a revelar, Tim Cook está de novo, temporariamente, ao leme da empresa.

Cinco anos mais novo do que Jobs, Cook é um entusiasta do exercício físico (talvez por isso faça também parte do conselho de administração da Nike). Frequenta o ginásio, faz caminhadas, é um adepto do ciclismo – e a energia do desportista nota-se no desempenho do gestor.

Uma reunião típica com Cook, contava a revista Fortune em Dezembro, pode durar horas, durante as quais o executivo bombardeia metodicamente os subordinados com perguntas, ao mesmo tempo que vai comendo barras energéticas em catadupa. É dos primeiros a chegar ao trabalho e dos últimos a sair. Está sempre pronto para viagens ou teleconferências a qualquer hora do dia. E espera que os outros também estejam.

Cresceu numa das poucas cidades do estado do Alabama que têm ligação ao mar. O pai trabalhava nas docas, a mãe era dona de casa e Cook tirou um curso de engenharia numa universidade de segunda linha.

Hoje, é multimilionário. Mas, contava a Fortune, quem o conhece garante que não aparenta riqueza. Tal como Jobs, tem por hábito andar de calças de ganga e sapatilhas (Nike, neste caso) – o que, de resto, é o traje de quase todos os executivos de topo da empresa.

É também pouco social, refere quem estudou ou trabalhou com ele. Contrariamente a Jobs, é muito introvertido e pouco se sabe da sua vida pessoal. Pelo menos, se Cook vier a ser presidente, ninguém terá de se preocupar se por acaso o encontrar no elevador: ele simplesmente não abre a boca, dizem os funcionários.

Texto publicado no suplemento Economia, a 23 de Janeiro

Digg a afundar

O Digg, um site onde os utilizadores inserem e hierarquizam conteúdos que encontram online, é um caso interessante no meio da proliferação de start-ups na era da Web 2.0.

A empresa percorreu o caminho certo. Construiu um site colaborativo e assente em conteúdo criado pelos utilizadores (na lógica de “nós damos a plataforma, vocês fazem o resto”), incluía boa parte dos conceitos-chave (ou buzzwords, se preferirem) que faziam os investidores de risco abrir os cordões à bolsa, teve ampla atenção mediática e foi crescendo.

O problema: ninguém o comprou, mesmo quando abundavam os rumores de compradores interessados.

Para a empresa, a alternativa tem sido a publicidade. Mas, em tempos de crise, o mercado encolhe. E o Digg já começou a despedir. Antes que os milhões se esgotem:

Even though Digg has “multiple years” of cash on hand for operating expenses at the current burn rate, [Jay] Adelson [CEO do Digg] said, it’s a brutal economy today. “It’s true we have cash in the bank, but getting to profitability makes more sense to us.” Sounding like almost every other Web start-up CEO on the state of his business today, he continued, “If things don’t get worse this year, if we get to the second or third quarter and things look good, I can bring some of that talent back in. But if we go in the other direction, that’s not a burn rate we can maintain.”

Dia de despedimentos

Hoje foi dia de despedimentos em duas grandes multinacionais de tecnologia: a Microsoft vai dispensar cinco mil trabalhadores e a Intel entre cinco e seis mil.

Os despedimentos da Microsoft são acompanhados do anúncio de uma muito provável quebra nos lucros durante os próximos tempos.

A crise económica e o consequente impacto negativo no mercado são uma das razões para o abrandamento do negócio da Microsoft.

Há, contudo, uma outra, e mais curiosa, razão para a redução de receitas com a venda do Windows: a explosão do negócio dos netbooks.

Nota a Reuters que não só a Microsoft tem uma menor margem com a venda de Windows para netbooks, como muitos destes equipamentos – que podem vir a ter um efeito de canibalização no mercado dos portáteis – estão equipados com Linux.