A vida curta do Twitter

O Twitter – uma ferramenta de micro-blogging em mensagens de 140 caracteres, no máximo – nunca me entusiasmou. Mas segui o projecto com atenção, particularmente na altura em que muitos o descreviam como o próximo grande serviço da Web 2.0.

Neste momento, contudo, parece-me claro que o Twitter muito dificilmente será um sucesso. Ficar-se-à, nos tempos próximos, pelas mãos dos entusiastas e numa luta para conseguir receitas. A médio prazo, há fortes possibilidades de desaparecer.

Antes de mais, o Twitter não tem argumentos para chegar ao mainstream.

Há vários indicadores da popularidade de um serviço. Os indicadores numéricos (como o número de utilizadores, por exemplo) são essenciais. Mas há outros aspectos (poder-se-iam chamar “indicadores empíricos”) aos quais é importante estar atento para se ir percebendo o impacto de uma novidade tecnológica. Entre estes, está, por exemplo, a frequência com que o tema surge em conversas informais.

Nesta segunda categoria, um indicador interessante da popularidade de um serviço na Web é a forma como é referido na comunicação social.

Quando, em 2006, escrevi pela primeira vez no PÚBLICO sobre o YouTube, usei algumas linhas de texto para explicar o que era o site. Hoje, qualquer pivô num telejornal em horário nobre (tendencialmente, aquele que é visto por uma audiência mais diversa) fala do YouTube sem se sentir obrigado a acrescentar qualquer explicação.

É certo que, pela própria natureza do projecto, o Twitter nunca poderia chegar ao patamar de popularidade do YouTube. Mas também é possível argumentar que não é preciso ganhar a dimensão do YouTube para se ser bem sucedido (e o sucesso do YouTube depende do ângulo com que o assunto é abordado: financeiramente, só uma companhia do calibre da Google se poderia dar ao luxo de manter o site).

A equipa do Twitter soube aproveitar uma das grandes facetas da Web 2.0: a socialização mediada pela Web, a necessidade de ligação constante, a medição exacta do número de “amigos” ou “contactos” – em suma, o novo mundo da intimidade digital. Mas não veio propriamente colmatar nenhuma necessidade existente (alguém sentia necessidade de comunicar com o mundo em 140 caracteres antes de o Twitter aparecer?).

A este esquema de rede social juntou-se a possibilidade de ser usado em várias plataformas (numa página Web, em programas de messenger e, com limitações e dependendo da localização geográfica, em telemóveis). Consequência: o serviço conseguiu o entusiasmo de quem está na linha da frente da adopção das novas tecnologias. Mas, e apesar de muitos media de renome e de até alguns governos e políticos terem adoptado a ferramenta, é essencialmente na bolha de tecno-entusiasmo que o Twitter permanece.

Outro fenómeno interessante na evolução do Twitter é muitos utilizadores terem abandonado o mote lançado pelos fundadores do serviço – “What are you doing?” – para, frequentemente, usarem a ferramenta como plataforma de conversação. Mais do que uma vez li e ouvi chamarem ao Twitter uma nova versão do IRC.

Soma-se a isto os factos de o serviço ter pesados encargos, de não ter ainda um modelo para gerar receitas e de a bolha da Web 2.0 (vale a pena este vídeo) estar em fase de esvaziamento. E, assim, reúnem-se as condições para que o Twitter tenha vida curta – o que, apesar de relativamente comum em fenómenos da Web, não deixa de ser irónico no caso de um serviço cujo nome significa “chilreio” e que foi construído precisamente em torno da efemeridade.

Actualização
1) Para além dos outros problemas, o Twitter teve falhas de segurança.

2) Neste texto, defende-se que 2009 será o ano do Twitter. É precisamente a este tipo de entusiasmo de nicho que o Twitter está confinado:

Feedback sections of blogs will start to include ‘Tweetbacks’, which could show the number of times the links had been forwarded via Twitter (that would be complicated by URL shorteners though, like TinyURL) or mixing Tweet comments with regular comments. Twitter will become a staple part of the ‘share this link’ tab, and stats like ‘most Tweeted’ will become part of the sidebar.

Esta entrada foi publicada em Negócios, Web com os tópicos , . Guarde o href="http://blogues.publico.pt/tecnopolis/2009/01/06/a-vida-curta-do-twitter/" title="Endereço para A vida curta do Twitter" rel="bookmark">endereço permamente.

31 comentários a A vida curta do Twitter

  1. Não concordo com a noção de que a integração de feedback oriundo do twitter directamente em blogs o torne um serviço propriamente de nicho.

    Depois, não me parece haver melhor forma de seguir de forma directa, eficiente, rápida e potencialmente interactiva, eventos que ocorram do outro lado do planeta.

    Estou a escrever este comment e enquanto isso recebo informação sobare o que está acontecer na macworld e em gaza. Não há nenhum serviço neste momento que faça isto de forma tão eficiente.

    Não me parece que este tipo de serviços despareça, vejo-os é a ficarem cada vez mais poderosos…..

    Responder
  2. João Pedro, discordo violentamente 😉

    Mainstream significa sair do nicho e chegar ao cidadão comum. Dificilmente podes sustentar que os utilizadores do Twitter são as pessoas mais afoitas com as tecnologias. Ou então temos de rever o conceito: o número de pessoas (em todo o mundo, mas é claro que nos EUA a percentagem é maior) que podemos hoje considerar letradas em tecnologia e entusiastas do uso das ferramentas de rede é incrivelmente superior à 2, 3, 5 anos atrás.

    Apesar dessa nítida evolução na literacia digital, continuamos a separar os “entusiastas” do “povo da rua”.

    Ora, o Twitter há muito que deixou de ser um fenómeno reservado aos early-adopters (e ao menos esta expressão significa sempre o mesmo grupo). Não entrou no mainstream? Como dizer isso depois das eleições americanas e do papel do Twitter na comunicação em torno delas? Não eram geeks e adeptos a produzir a torrente de opinião, lixo e factos que podíamos ver — eram pessoas comuns.

    Gaza? Os terramotos? Os grandes acontecimentos mundiais?

    Mesmo em Portugal, dificilmente podemos sustentar a tese dos “entusiastas”. Olha — as tribos do surf / windsurf e kite usam o Twitter para comunicarem onde há ondas e vento.

    “Mas não veio propriamente colmatar nenhuma necessidade existente (alguém sentia necessidade de comunicar com o mundo em 140 caracteres antes de o Twitter aparecer?)”

    Sim. Eu. Muita gente. Toda a gente a quem a atenção é requisitada em grandes doses e que não tem, não tinha, filtros adequados à colossal quantidade de informação produzida. O Twitter veio (entre outras coisas) colmatar a necessidade de separação do que é (mais) relevante. E de uma forma brilhante: pedindo-me o mínimo de atenção. Pois que exige a quem comunica uma capacidade de síntese imensa.

    Que diferença para a verborreia regular dos blogs, por exemplo. Onde muitas vezes o ego supera o valor da mensagem (ou é preciso descascar o ego para chegar à mensagem, isto só para avaliar da sua relevância).

    A questão do modelo de negócio é pertinente, embora secundária no actual contexto. Qual é o modelo de negócio do Delicious? Achas que o Delicious se aguenta mais tempo? E os jornais? Não há modelos de negócio claros para os jornais, porque reforçam eles a sua presença online?

    Sorri com o texto do Guardian porque é, como identificaste, optimista ao nível dos entusiastas. Mas, mais adjectivo menos verbo, tira-lhe a febre e verás que o Twitter dará um pulo significativo em 2009. Vai tornar-se uma medida de valor dos links — uma medida tão ou mais correcta, atrevo-me a especular, que as contagens do Technorati, Google, Alexa e Yahoo!

    Agora, é certo que o Twitter não se enquadra nas formas de comunicação de todas as pessoas. Nao é fácil perceber para que serve, porque serve para o que formos capazes / quisermos que sirva. (É como eu e o Facebook: bem quero meter-me naquilo, mas ainda não lhe apanhei o jeito).

    Um abraço

    Responder
  3. Pingback: domelhor.net

  4. Aproveito o contexto para recomendar ao Publico que melhore a utilização que faz do Twitter :)

    a) Sigam as pessoas… não se fiquem pela versão “ser seguido” [check http://www.twitter.com/barackobama%5D
    b) “Twittem” apenas sobre as noticias novas do dia (“as quentes e boas” do dia) em vez de darem as noticias (em versão short) do jornal

    Já agora: não sou early adopter de tecnologia
    e sou um very recent user do twitter.

    Finalmente, gostei do artigo e dos comentários anteriores.

    Responder
  5. Paulo,

    Já esperava que discordasses!

    Não contesto a utilidade do Twitter para algumas circunstâncias. Mas defendo que não vai chegar ao patamar de massificação do YouTube, MySpace ou Facebook.

    E é certo que às vezes o quase imediatismo do Twitter é útil – mas, noutras, é irrelevante (eu, enquanto leitor, não preciso de saber com um atraso de apenas minutos e em micro-descrições cada ataque na Faixa de Gaza – prefiro ler ao final do dia um bom artigo sobre o assunto).

    De qualquer forma, útil ou não, o desafio vai ser encontrarem um modelo de negócio para tanta despesa. Estou céptico.

    E quanto ao perfil dos utilizadores do Twitter, os “trending topics”, na página de pesquisa, às 20h10:

    MacWorld, DRM-free, DRM, Apple, #macworld, iPhoto, #gaza, Macbook Pro, #tcot, MBP

    Já dá para ter uma ideia :)

    Responder
  6. Hum,essa dos trending topics não conta, é como ir ao café numa segunda feira de manhã e saber que toda a gente vai falar das argoladas do Benfica. Noutro dia qualquer foi a Anita e desenhos animados, ou o Aleixo. É esta variedade e velocidade de adaptação do Twitter ao mundo real que caracteriza a ferramenta. Ver notícias ao fim do dia para mim não dá, vou vendo à medida que aparecem.E se bem me lembro houve muita gente que resistiu aos IMs porque preferiam o mIRC. Tens toda a razão em dizer que é um nicho mas a economia vive disso e está no limiar de deixar de o ser.
    O perfil do utilizador do Twitter neste momento é o mais variado possível e já se está a descolar dos geeks.Mas não são esses que fazem ou desfazem uma aplicação ainda antes de chegar às franjas do mainstream?

    Responder
  7. O João Pedro é um amish! O João Pedro é um amish! O João Pedro é um amish! O João Pedro é um amish! O João Pedro é um amish! O João Pedro é um amish! O João Pedro é um amish! O João Pedro é um amish! O João Pedro é um amish!

    (aprendi a fazer isto com os comentários do Público…)

    Responder
  8. João Pedro, não sei se atingirá ou não o patamar desses pesos pesados. Depende. Eles têm mais tempo. E o tipo de utilização é diferente.

    Há 1 coisa que devo lembrar. A quantidade de derivados, de ferramentas em torno do Twitter, directamente dirigidas (sobre o que se faz no Twitter) ou indirectamente (as que tiram partido do Twitter) é absolutamente inacreditável. Todos os dias há um punhado de serviços novos.

    Se tomares isto em conta, bem como a inclusão de tweets nos blogs e páginas e a mobilidade (twitas a partir de qq ponto, com qq utensílio, como referiste no post) vemos que a importância o Twitter ultrapassa o visível no http://www.twitter.com.

    Pessoalmente, tb tendo a pensar que não chegaremos com o Twitter a uma base de utilizadores parecida com os blogs.

    Quanto aos topics: o Alexandre já disse tudo de relevo (essa da segunda feira e das argoladas do Benfica!…), eu limito-me a acrescentar que tendo em conta o dia de hoje e os acontecimentos que o marcaram, não me parecem deslocadas aquelas keywords aquela hora. Deslocada foi a #Anita :) e no entanto ela esteve lá!

    António, LOL!

    Responder
  9. “E é certo que às vezes o quase imediatismo do Twitter é útil – mas, noutras, é irrelevante (eu, enquanto leitor, não preciso de saber com um atraso de apenas minutos e em micro-descrições cada ataque na Faixa de Gaza – prefiro ler ao final do dia um bom artigo sobre o assunto).”

    Sim. Numas alturas o imediatismo é fundamental, noutras a visão distanciada impõe-se. Mas o jornalismo é a mesma coisa: tens o directo, tens a notícia em cima da hora (cacha) mas tens a reportagem, tens a análise. Tudo no mesmo jornal, até!

    “De qualquer forma, útil ou não, o desafio vai ser encontrarem um modelo de negócio para tanta despesa. Estou céptico.”

    Eu também :) É um desafio e pêras. Afigura-se realmente complicado. E é duplo: o desafio tecnológico é colossal, a complexidade do serviço, tão simples na sua apresentação, só pode ser apreciada por iniciados. Nisso é como o Google. Como costumo dizer, o Google é uma peça de tecnologia tão admirável (ou mais) como a Torre Eiffel à época ou a viagem à Lua — o que há, é pouca gente para dar por isso.

    (E talvez o Google possa dar 1 ajudinha… :) )

    Para jám, os milhões pingam por lá. Não me parece mau sinal.

    Responder
  10. «financeiramente, só uma companhia do calibre da Google se poderia dar ao luxo de manter o site[youtube]»

    «financeiramente, só uma companhia do calibre da SONAE se poderia dar ao luxo de manter o Público»

    e no entanto, aí está…..

    Responder
  11. Pingback: Sobre o Twitter at Mundo Digital

  12. António,

    Conheço bem o teu entusiasmo com o Twitter… :)

    Paulo,

    As ferramentas construídas tendo o Twitter por base são de facto importantes nesta questão – mas não estou certo de que sejam o suficiente. No final do ano poderemos ver quem se aproximou mais da realidade…

    O CEO do Twitter diz que não quer ainda revelar o modelo de negócio. A não ser que seja o modelo “vamos ser comprados” (o que acho difícil), esta é a altura mais difícil dos últimos anos para um serviço do género se tornar rentável (ou mesmo para começar a pagar as contas…).

    Responder
  13. João Pedro: o “modelo de negócio” “comprem-me” é o mais conhecido da web 2.0 e tem sido eficaz para mais casos do que gostamos de admitir :)

    A retracção do jogo do dinheiro é muito má para este modelo de negócio assente na especulação sobre o valor das marcas. Sim.

    Calculo que ele tenha as costas bem aquecidas, ainda. Até agora, sobreviveram a todos os problemas, mais ou menos crítica, mais ou menos anedota com baleias. Sobreviveram ao fail whale e ao drama do search.

    Ele pode ir para o mais fácil, a publicidade. Mas também pode vender acesso à API. Ou ir por lados que nem imaginamos. Tipo: só os dados sobre links valem uma verdadeira fortuna, usando apenas as variáveis tempo e geografia — ou seja, nem precisa de ir aos dados pessoais. Sim — mais tarde ou mais cedo, alguém terá de meter o bedelho no coraão do negócio da Google (o valor dos links). Cheira-me que esse dia já esteve mais longe…

    Responder
  14. Ainda que concorde que a falta de um modelo de negócio possa colocar o Twitter numa situação complicada, discordo totalmente de que seja um serviço condenado à utilização por entusiastas.

    O serviço por si só tem uma utilização bastante específica, ainda assim, e sim – provavelmente não chegará ao patamar do YouTube, Facebook, etc. No entanto, não precisa disso para que possa continuar a existir.

    O que acho mais curioso é que as as profecias que ditam o fim do dito remontam quase ao seu início. No final de 2007, por exemplo, um web marketeer escrevia algures que 2008 seria o ano em que o Twitter definharia; que o serviço não tinha utilidade; que deixaria de fazer sentido para os utilizadores que usavam o Facebook (!).

    Pode não ser ainda possível ter uma conversa de café em que a palavra ‘Twitter’ venha à baila, mas parece-me que estamos precisamente a presenciar o momento em que os utilizadores do Twitter deixam de ser apenas os geeks.

    Responder
  15. A minha visão/previsão é que o Twitter ainda está a dar os primeiros passos e possivelmente atingirá o mainstream dentro de 1-2 anos.
    Esta crença tem fundamento na evolução das tecnologias de suporte à comunicação em especial os telemóveis. O facto das operadoras obterem lucro pelo envio de SMS atrasa a adopção do Twitter, mas cada vez mais a tecnologia dos telemóveis evolui no sentido de integração com serviços web.
    Um caso de sucesso é o iPhone 3G e pelo que se pode verificar nos outros players como SonyErickson ou Nokia o sentido é o mesmo.
    Penso que no futuro (ainda mais distante) as empresas de telecomunicações irão centrar o negócio principalmente na conexão à Internet em prol das chamadas telefónicas (que possivelmente irão desaparecer com a adopção massiva de serviços como o Skype).

    O tempo o dirá!

    Responder
  16. Hum… Francisco, acabas de marcar dois pontos, diria eu. A integração é um facto. Eu tendo a esquecer dada a minha provecta idade. Mas há gerações nascidas nesse mundo integrado.

    Essa do sucesso 3G — em Portugal também ainda não se pode falar assim… Nem iPhone (o número de utilizadores é pobre, diz toda a gente) nem G3. Mas é uma questão de tempo, certamente.

    Responder
  17. Falo isso por observação de malta mais nova que não podem viver sem estar ligado ao seu grupo de amigos a partilhar qualquer tipo de conteúdos (texto, imagem, vídeos).
    Essa geração irá crescer e dentro de muito pouco tempo (inclusive quando tiverem capital) as empresas irão ao encontro das necessidades deles.

    Responder
  18. Paulo Querido, o 3G e o iphone não têem sucesso pq as operadoras têm tarifários imbecis com serviços idiotas e porque vendem os telemoveis, neste caso o iphone, a preços que podem ser considerados extorsão. até acabaram com os serviços de difusão celular só pq eram de borla. enfim. são os gestores portugueses no seu melhor.

    Responder
  19. Pingback: Speedlinking 16 [04 a 11 de Janeiro]

  20. ainda a propósito dos trend tópics do twitter.

    os de hoje, agora mesmo, são:

    Trending topics: Golden Globes, Chargers, Jack Bauer, #goldenglobes,

    Ravens, Kate Winslet, Eagles, Windows 7, Pittsburgh, #gaza

    So malta geek realmente….

    Responder
  21. Pingback: Twitter: prós e contras (em 140 caracteres ou menos) | Paulo Querido, em Certamente!

  22. o verdadeiro virus do twitter são os utilizadores. Nuno Markl (havidaemmarkl) prometeu seguir as pessoas que falsamente acusem as contas que o criticam de spam. o twitter nem confirma a veracidade das acusações, recebendo um certo numero de queixas, suspende automaticamente as contas.

    Responder

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>