A campanha da Internet

Esta campanha presidencial americana teve várias características únicas. Uma que raramente é referida é o facto de ter sido a primeira em que a Internet teve um papel crucial.

Um longo artigo no NY Times dá conta de como a Internet influenciou tanto a estratégia dos candidatos, como a cobertura feita pelos órgãos de informação. A televisão já protagonizou um momento semelhante:

Not since 1960, when John F. Kennedy won in part because of the increasingly popular medium of television, has changing technology had such an impact on the political campaigns and the organizations covering them.

Há em 2008 muitas ferramentas que tinham pouca importância ou que simplesmente não existiam em 2004: os blogues ganharam peso e alguns profissionalizaram-se; o YouTube é quase omnipresente; as redes sociais, como o Facebook e o MySpace, permitem chegar a milhões de pessoas (Barack Obama aproveitou desde cedo este tipo de sites – veja-se no seu site a secção adequadamente intitulada “Obama everywhere”).

Para ter uma ideia da evolução dos últimos quatro anos, veja-se o site da campanha de George W. Bush em 2004.

Para além da mera existência das ferramentas, é fundamental o facto de parte das pessoas (e uma parte em crescimento) se sentir cada à vontade a usá-las: a parafernália de blogues e sites participativos está já entrincheirada em muitos quotidianos de consumo dos media, particularmente entre os mais novos.

A Internet tem a particularidade de ser um medium de massas que não é detido por profissionais. Ou seja, e contrariamente ao que acontece nas rádios, televisões e jornais, os candidatos podem chegar a milhões de potenciais votantes sem ter que passar por qualquer filtro – a comunicação é directa, deixando de estar mediada por agentes (os jornalistas, os comentadores políticos, os programadores das estações televisivas) externos à campanha. Isto é, evidentemente, sedutor para qualquer político.

Embora complementaridade seja o conceito usado pela maioria dos profissionais dos media, é difícil não ver aqui uma lógica concorrencial: TV vs. jornais vs. rádio vs. Internet.

A televisão, nota o NY Times, ainda foi o meio escolhido pelo mais tecno-entusiasta Obama (John McCain, compreensivelmente, fez menor uso dos novos media) para o sprint final da campanha:

Some of this began back in 2006, but I think that cable news has transformed the way that elections are covered,” said David Bohrman, the Washington bureau chief for CNN. “I don’t think networks are irrelevant, but network news is less relevant than it has been.”

(…)

When Senator Obama’s campaign sought to make one last push with a 30-minute infomercial [disponível aqui], it bought time on three major networks, using money harvested on one platform — the Web — to buy time on another — broadcast television.

Em 2012, provavelmente, a Internet será o meio de eleição para campanhas políticas.

A propósito, no Público de hoje: Obama é o primeiro candidato presidencial a comprar anúncios em videojogos. O objectivo? Chegar à faixa demográfica de homens entre os 18 e os 34 anos, que está a consumir menos televisão.

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3 comentários a A campanha da Internet

  1. Acho que a Internet neste campanha não tem sido propriamente um tema aceso de debate. Mas é uma avaliação subjectiva.

    Obrigado pela correcção. Já coloquei o link correcto. Os dois sites (o satírico e o verdadeiro) têm, de resto, a mesma estrutura e design.

    Responder
  2. Pingback: Notas sobre as Eleições Norte-americanas (2007-2008) – Segunda Parte « O Peso e a Leveza

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