Profissão: spammer

O spam é um problema para quem usa intensivamente o e-mail, tanto a nível pessoal como profissional. Mas os filtros existentes resolvem o assunto com razoável eficácia. Há, contudo, outra forma de spam, que normalmente escapa a estes filtros: são as dezenas de e-mails enviados diariamente por agências de comunicação, assessores de imprensa e departamentos de marketing e relações públicas.

O problema afecta muitos jornalistas (e, desconfio, alguns bloggers). Na esmagadora maioria dos casos, estas mensagens não têm interesse nenhum. Em alguns casos, penso que até podem ser, do ponto de vista legal, consideradas spam (itálico meu):

Artigo 22.º
Comunicações não solicitadas

1 – O envio de mensagens para fins de marketing directo, cuja recepção seja independente de intervenção do destinatário, nomeadamente por via de aparelhos de chamada automática, aparelhos de telecópia ou por correio electrónico, carece de consentimento prévio do destinatário.

De qualquer forma, a questão legal não é o importante. É flagrante que a maioria dos e-mails são enviados por pessoas que nem procuraram saber se o receptor está minimamente interessado naquela informação. Mais do que isso, recebo diariamente no meu e-mail do Público dezenas de mensagens sobre questões que simplesmente não têm lugar no jornal (presumo que a maioria destes profissionais de comunicação não tem o profissionalismo suficiente para ler as publicações às quais se dirigem – e um ou outro até já me disseram que de facto não lêem).

Foi por isso que, nas últimas semanas, bloqueei metodicamente todos os endereços de e-mails que enviavam mensagens inúteis (mais de 50, até agora, mas o processo continua em curso). Estas mensagens são apagadas automaticamente, nem sequer as vejo. Não é uma ideia original. Mas é uma medida que recomendo vivamente a quem precisa de ter uma caixa de entrada minimamente organizada.

Tendo em conta as mensagens que já recebi, de pessoas que não conheço e de empresas das quais não ouvi falar, sobre assuntos que não me interessam (e em e-mails que, claramente, não são dirigidos apenas a mim), estou convencido que há muita gente cuja profissão é ser spammer.

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6 comentários a Profissão: spammer

  1. Viva João,

    antes de mais, permite-me lamentar que de facto as coisas tenham chegado a tal ponto. Qualquer dia teremos mesmo de implementar as White Lists onde somos nós a decidir de quem queremos receber correspondência, ignorando tudo o resto, o que tornará o nosso acesso à informação limitador.

    Mas porque revelas em primeira mão um problema estrutural de um sector de actividade onde me incluo e onde se torna crítico implementar uma alteração drástica de comportamentos, lanço-te um desafio/peço-te ajuda para encontrarmos um caminho de compromisso que seja de valor para todas as partes.

    Naturalmente que só faz sentido que um consultor de comunicação contacte um jornalista ou quando já sabe de antemão que possui alguma informação relevante para o mesmo ou quando já existe uma relação de confiança estabelecida entre ambas as partes.

    Infelizmente, são muitos que assumem à partida a primeira premissa e abusam literalmente da facilidade que é a troca de correspondência virtual.

    Cabe-nos a nós, enquanto responsáveis informados das consultoras, promover esta alteração de comportamentos e encontrar novos processos e novas ferramentas que facilitem o acesso à informação relevante para os jornalistas (através de feeds rss, extranets para jornalistas ou social media press releases).

    Mas precisamos de compreender de que forma é que os próprios jornalistas se sentem confortáveis a aceder a essa mesma informação que lhes é relevante, assumindo que nem todos se sentirão confortáveis com as mesmas ferramentas.

    Perdoa-me este comentário relativamente longo, mas acredita que há quem pretenda fazer evoluir o «estado da nação», com o objectivo final de promover um acesso eficiente à informação relevante, o que só trará benefícios para todas as partes envolvidas.

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  2. Miguel,

    Ainda bem que há quem se preocupe em fornecer informação relevante.

    Feeds RSS, social media press releases e afins são bem-vindos – embora ache que não é ainda o tipo de ferramenta com que a maioria dos jornalistas se sinta confortável.

    Parece-me, no entanto, que a questão tem que ser levada a um nível mais básico. O que mais me incomoda nos contactos com assessores/agências de comunicação é o profundo desconhecimento que têm sobre o órgão que estão a contactar (e sobre o trabalho do jornalista em particular). Se tiverem esse conhecimento, o e-mail servirá para a maioria das situações.

    E um pequeno desabafo final: o e-mail é uma tecnologia madura e fiável, não é preciso telefonar a perguntar se recebemos cada mensagem enviada.

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  3. João,

    De facto os “follow up’s” são uma praga. Tal como os e-mails “off-topic”, que revelam uma total falta de conhecimento acerca dos assuntos que o jornalista/OCS tem interesse em escrever sobre.

    Mas também me parece que os jornalistas, na sua generalidade, não consideraram ainda os RSS Feeds, agregadores, ou virtual press rooms como ferramentas de pesquisa válidas. Se a adaptação, por parte da vossa classe, a esta nova realidade fosse mais rápida, talvez as agências fossem também mais céleres na criação de um tipo de plataformas que pudessem alertar-vos, agentes mediáticos, para os conteúdos produzidos pelos seus clientes, assim reduzindo o vosso tempo gasto a aturar “follow-up’s” e minimizando também o tempo gasto pelos seus funcionários nessa função (por vezes) inglória.

    Repare que, se as agências criassem plataformas de distribuição de conteúdo acerca dos seus clientes para que os media tivessem acesso aos seus Feeds, os agentes mediáticos (jornalistas, bloggers, twiterrers e demais broadcasters) teriam a possibilidade de criarem os seus próprios filtros informativos, agregados à volta de determinados “tags” (como, por exemplo, “digital”, “saúde”, “sociedade”) que eles próprios procurariam.

    Assim, é uma questão de oferta VS procura: o equilíbrio dar-se-á quando os gatekeepers de informação construírem os portais adequados e quando os agentes mediáticos forem info-cultos o suficiente para os poderem utilizar.

    Um pequeno teaser: Duvido que alguma agência invista numa plataforma de divulgação dos conteúdos dos seus clientes online se for só o Paulo Querido ou o JPP ou os jornalistas digitais – que, de facto, estão na vanguarda – a utilizá-la… Porque a oferta de um serviço é tão menos dinâmica quanto menor for a sua procura.

    E no entanto, se as agências considerarem que se diferenciam face à concorrência ao oferecer serviços com maior valor acrescentado…pois então alguém no mercado deveria começar a pensar nisso como uma oportunidade de negócio…;)

    Cumprimentos,

    Pedro Rocha

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