O browser da Google – primeiras impressões

ChromeNuma jogada que era esperada há alguns anos, a Google lançou hoje um browser. O Chrome já está disponível e, como era inevitável, gerou imensa agitação na Web, mesmo antes de poder ser descarregado.

A empresa disponibilizou uma bem conseguida BD com uma explicação sobre este projecto. A maioria das páginas, contudo, interessarão apenas a quem estiver interessado em conhecer as entranhas da aplicação (que, aliás, é open source).

A estratégia da Google com este projecto parece ser clara: mais do que entrar na guerra dos browsers, o gigante da Internet pretende impulsionar o desenvolvimento e adopção de tecnologia que leve progressivamente mais pessoas a utilizar aplicações na Web, em detrimento das tradicionais aplicações offline.

O Chrome foi feito para poder correr de forma rápida e estável aplicações online (como as muitas que a Google tem); e, em alguns aspectos, o funcionamento aproxima-se mesmo do de um sistema operativo. É um passo significativo em direcção ao cloud computing.

Um dos aspectos interessantes é que este browser não deverá conquistar muitos utilizadores. O Firefox, apesar da grande popularidade, está longe de destronar o Internet Explorer na liderança do mercado. O facto de o Explorer vir pré-instalado com todas as cópias do sistema operativo Windows dá-lhe uma vantagem muito difícil de vencer (e foi um trunfo decisivo na batalha contra o Netscape).

Ao experimentar o Chrome, as primeiras impressões apontam para um programa extremamente rápido e leve. Mas o aspecto algo cru do browser (na imagem deste artigo, sobreposto a uma janela do Firefox) poderá desagradar aos utilizadores habituados a designs mais polidos. A estética espartana da página de pesquisa do Google não pode ser aplicada com sucesso a todos os produtos.

De resto, a interface está longe de ser revolucionária e as funcionalidades – embora haja algumas interessantes, como a listagem dos sites mais visitados de cada vez que se abre um novo separador/janela – não serão o suficiente para convencer uma maioria de utilizadores a fazer a troca. De qualquer forma, não é esse o objectivo final.

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6 comentários a O browser da Google – primeiras impressões

  1. Existe uma questão muito relevante que o João não levanta neste seu texto: o ponto 11 dos Terms of Service que qualquer pessoa tem de acordar com o Google para descarregar o novo browser.

    O ponto 11.1 é particularmente perigoso.

    Em resumo, os termos forçam qualquer pessoa a ceder os direitos que detêm sobre todos os conteúdos que publiquem na web através do Chrome. Esses direitos são cedidos obviamente ao Google, através de uma licença «perpétua, irrevogável, mundial, royalty-free e não exclusiva».

    Deixo, de seguida, o texto a que me refiro.

    «11. Content license from you

    11.1 You retain copyright and any other rights you already hold in Content which you submit, post or display on or through, the Services. By submitting, posting or displaying the content you give Google a perpetual, irrevocable, worldwide, royalty-free, and non-exclusive license to reproduce, adapt, modify, translate, publish, publicly perform, publicly display and distribute any Content which you submit, post or display on or through, the Services. This license is for the sole purpose of enabling Google to display, distribute and promote the Services and may be revoked for certain Services as defined in the Additional Terms of those Services.

    11.2 You agree that this license includes a right for Google to make such Content available to other companies, organizations or individuals with whom Google has relationships for the provision of syndicated services, and to use such Content in connection with the provision of those services.

    11.3 You understand that Google, in performing the required technical steps to provide the Services to our users, may (a) transmit or distribute your Content over various public networks and in various media; and (b) make such changes to your Content as are necessary to conform and adapt that Content to the technical requirements of connecting networks, devices, services or media. You agree that this license shall permit Google to take these actions.

    11.4 You confirm and warrant to Google that you have all the rights, power and authority necessary to grant the above license.»

    Responder
  2. Penso que se deu mais um passo no sentido de um cloud computing pessoal.
    O primeiro passo foi dado por Negroponte, com o OLPC (embora de uma forma involuntária).
    Na minha opinião num futuro não muito distante, talvez quando as velocidades de internet forem maiores, ou seja com fibra de óptica, todos nós teremos um servidor em casa ligado 24h durante 365 dias por ano ligado à internet que será acessível a partir de qualquer lado do mundo nos mais diversos periféricos.
    Os portáteis terão tendência a serem mais pequenos e leves e o tamanho do Hd será secundário. Em vez de falarmos em velocidade de processador falaremos em velocidade da placa de rede.

    Responder
  3. Pingback: Memória Virtual | Eis o Google Chrome!

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