Ana Bola sem filtro: O que nos sobra servido numa bandeja de prata

O que dá a Ana Bola sem filtro uma estrutura que se aproxima da auto-ficção, tem mais a ver com um aproveitamento tácito da cumplicidade evidente com o público e como a actriz vai deixando de lado as personagens que vai fazendo na televisão para traçar a fronteira que a separa da efemeridade humorística dessas mesmas personagens. A possibilidade de fazer humor a partir de situações reais é o modo encontrado para denunciar uma sociedade transformada em programa de televisão, com risos controlados, banalidades transformadas em grandes feitos, e dramas (económicos, sociais, políticos) em narrativas que nos parecem ficcionais.






As minhas escolhas de 2014 (espectáculos apresentados em Portugal)

Há sempre vários espectáculos que não chegam aos 10 mais, do mesmo modo que há outros tantos que não entram nas nossas listas individuais. Eis as minhas escolhas nas áreas do teatro e da dança.











António e Cleópatra, de Tiago Rodrigues: Habitar o desejo de pertença

É por entender que António é já Cleopatra e que Cleopatra é já António, que Tiago Rodrigues se tenta perceber o mito e permite construir o jogo entre os dois amantes através de olhares que são, também, os olhares que os dois intérpretes, Sofia Dias e Vitor Roriz, lançam entre si e para os espectadores. O jogo entre os dois é, também, um jogo de actores face a uma narrativa, a um desafio, a um corpo estranho (o texto) que precisa ser habitado para poder ser superado.