O atelier… Feito à sua medida.

O atelier… Como escrever com tecido e linhas a história do vestido ideal?

A maioria de nós tem memória das nossas avós falarem na ida à modista, e dos nossos avôs ao alfaiate, onde elaboravam com o acompanhamento destes “mestres” o seu guarda-roupa.

Algumas avós que sabiam confeccionar, entretinham-se a elaborar os seus próprios vestidos, nas icónicas máquinas Singer, 1º movidas a pedal, muitas herdadas – ricamente ornamentadas a dourado com motivos Arte-nova ou Deco, depois as eléctricas – na sua maioria portáteis, dentro de “caixas-surpresa”, engenhosamente pensadas. Faziam-se noitadas a estender tecidos, a traçar moldes a giz, a recortar, a coser e finalmente a fazer provas. Parafraseando uma dislexia interessante de uma amiga, que pode resumir este processo: “cheira a tesoura”.

Tudo isto numa época, não muito distante, onde o pronto-a-vestir ainda não se tinha massificado e tão pouco tornado tão acessível. Comentava-se e estudava-se os modelos nas revistas que chegavam dos estrangeiro, com a finalidade de os reproduzir.

Nos anos 50, em Paris, generaliza-se a venda de moldes associada a revistas da especialidade, uma forma das grandes casas de alta-costura “democratizarem ou rentabilizarem a moda”, na altura só acessível as carteiras mais recheadas. Tudo isto alimentava uma geração de mãos muito hábeis e com um perfeito entendimento do que é uma peça de roupa e de toda a sua complexidade.

Havia a corrida às revistas com moldes em papel dos mais recentes modelos, facilmente entendidos, adaptados e reproduzidos; o ritual da ida às “casas de tecidos” escolher a preciosa matéria prima que daria forma aos tão desejados modelos. Tudo muito à pressa para estar-se sempre na linha da frente, e ser-se a primeira a “estar na moda”.

Muitos destes “mestres” e muitas destas “avós” já partiram, perdendo-se muito desta cultura. A evolução, o progresso, a vida moderna impediram a transmissão directa, de uma geração para outra, de muito deste conhecimento. Em pleno Séc. XXI estas actividades são cada vez mais raras. Contudo, nas últimas décadas do Séc. XX, criaram-se cursos de design de moda, facultando   algumas das ferramentas do passado, mas também novas técnicas: ergonomia, psicologia da cor, ilusão óptica, “draping” ou “moulage”, etc… Uma espécie de alquimia para valorizar o corpo humano.

Actualmente umas das vertentes do trabalho de um designer de moda pode ser o atendimento personalizado em atelier, criando para o cliente um coordenado exclusivo – arquitectado tendo em conta exigências particulares – para um ocasião especial, por exemplo: um casamento, uma comemoração, uma festa temática. Neste serviço poderá redescobrir o prazer de criar uma peça pensada especificamente para si, tendo em consideração o seu imaginário, o realizar de uma fantasia, a materialização de um sonho.

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