Primeiro de Maio

Vital Moreira, cabeça de lista do PS às eleiçoes europeias, desce a avenida, no sentido contrário ao da manifestação. Acabou de cumprimentar os dirigentes da CGTP e dirige-se ao Martim Moniz, acompanhado por Vitor Ramalho e Ana Gomes. Um grupo corre em direcção a ele. “Traidor! Cabrão!”, gritam. Outros manifestantes aproximam-se, curiosos, apertando o grupo provocador contra a comitiva socialista. Há encontrões. Ana Gomes é empurrada, água é lançada sobre Vital Moreira. “Traíste o povo, filho da puta! Avô Cantigas! Traidor! Traidor!” Aperta-se o cerco à volta do candidato, que quer responder aos manifestantes, sempre com um sorriso. Mas Vitor Ramalho puxa-o. “Ele é um provocador, não tinha nada que vir aqui”, comenta Jorge, que vem ao 1º de Maio como quem vai a Fátima.
Mas uma jovem vem lançada, a correr, aos gritos. Precipita-se sobre o grupo que cerca Vital Moreira. “Párem! Não façam isso! A democracia é de todos!”, brada Ana Rosa para os manifestantes que já estão em cima do socialista, numa embriaguês de violência. Todos se voltam, subitamente domados pela veemência da rapariga. Ana Rosa consegue chegar a Vital Moreira. Olha-o nos olhos: “Quero pedir desculpa”.
A pequena multidão aguerrida dissipa-se. Vital Moreira segue o seu caminho e Ana Rosa afasta-se em sentido contrário, sozinha. “É isto que vai abrir os telejornais. Acabámos de perder a manifestação”.

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