Mentiras de um CEO

O CEO da Teleperformance, uma empresa de call centers, comprou espaço publicitário no DN para fazer publicar uma carta de tom insultuoso, supostamente de “resposta” a uma reportagem minha, publicada no Público.

O CEO João Cardoso inclui na carta longas frases colocadas entre aspas que diz terem sido ditas por mim, na entrevista que lhe fiz. Ora, como o assunto está a dar origem a alguma discussão, só quero esclarecer o seguinte: essas “citações” são totalmente inventadas. Eu nunca proferi aquelas frases, nem nada de parecido. Nalguns casos, trata-se de temas que nem foram abordados na conversa. Quero afirmar, de forma bem clara, que o CEO da Teleperformance, João Cardoso, é um mentiroso e um manipulador, o que me deixa ainda mais preocupado quanto ao futuro dos milhares de trabalhadores da Teleperformance.

Desde a publicação da reportagem, tenho recebido dezenas de emails de trabalhadores dessa empresa, com queixas e relatos de injustiças, humilhações, faltas de respeito.

Eu não tenho nenhum preconceito contra call centers, e, no meu texto, dei voz (e não questionei a boa fé) aos que pretendem atrair esse tipo de investimento para Portugal. Mas penso que a carta deste CEO e a forma como a fez publicar mostram bem a arrogância e prepotência a que chegou certo tipo de empresários e gestores. E o seu desprezo pelo jornalismo.

O próximo passo será comprar quatro páginas de um jornal nacional, para lá publicar a “reportagem” “verdadeira” sobre os call centers portugueses?

Eu, que aos 53 anos continuo a fazer reportagem todos os dias, sinto que o cerco à nossa liberdade e independência se aperta cada vez mais.

Os prepotentes sentem-nos frágeis, e vão crescendo em abuso. É verdade que estamos mais fracos, mas o meu maior desgosto é ver que, muitas vezes, é entre os próprios jornalistas que se encontram os mais empenhados em destruir a profissão.

Estamos minados, pelo trabalho precário, os salários baixos, os despedimentos, mas seremos eliminados em pouco tempo, se estivermos uns contra os outros, e não resistirmos. Se não tornarmos bem claro perante os biltres da sociedade, que, sim, o jornalismo está em crise, mas ainda não morreu. Ainda aqui estamos.

(Post publicado no grupo Jornalistas, do Facebook)

36 comentários a Mentiras de um CEO

  1. Eu até acredito que o Sr Eng João Cardoso esteja convencido de que está a fazer um bom trabalho.
    Dou-lhe uma sugestão: já ouviu falar naquele programa televisivo em que os CEOs de algumas empresas se disfarçam de trabalhadores e fazem o trabalho deles durante alguns dias? Já considerou essa possibilidade? Sem câmaras, claro. caso contrário era ver supervisores e ACMs aos saltinhos e a mostrarem serviço como nunca. Que é o que acontece quando algum superior está presente ou algum cliente visita as instalações.
    Sim, porque eu já trabalhei na TP. Não digo que tudo seja mau, mas numa empresa que vive de pessoas, para pessoas, não há dúvida de que não se sabe lidar com as mesmas. Temos pessoas a comandar campanhas sem qualquer experiência de trabalho, saíram da faculdade ou do secundário, para ali entraram e ali ficaram. Nunca viram mais nada, nunca trabalharam numa empresa em condições e tratam os gestores abaixo de cão. Não têm qualquer formação enquanto líderes, auto promovem-se constantemente, dão exemplos do quão maravilhosos eram quando estavam a atender chamadas, mas depois quando por algum motivo tem de assumir alguma chamada são uma perfeita vergonha de acordo com os próprios parâmetros por si definidos.
    Gritam desalmadamente porque estão chamadas em espera, a tal ponto que o cliente se apercebe do outro lado da linha, dizem que tens de vender e cumprir, mas se estás a esclarecer o cliente à 4 minutos tens de te despachar. Lá se vão os objectivos e a excelência da chamada. E viva o ordenado mínimo no fim do mês, que não chega nem para pagar a renda de uma casa, em muitos casos. Sim porque sempre se arranja forma de retirar prémios e incentivos.
    Isto já para não falar de responsáveis que levam pessoas para dentro de salas, fechadas, onde são ameaçadas de tudo e mais alguma coisa. Sim, há quem o faça.
    Num serviço de apoio ao cliente fortemente marcado pela vertente comercial, o incentivo e a motivação são feitos sob o disfarce da ameaça constante de despedimento ou retirada de incentivos no final do mês. Uauuu! Que motivação que isto dá. Já para não falar nos colegas estrangeiros que fazem exactamente o mesmo trabalho mas que ganham bem mais. Pedem-se nativos de Francês, de Alemão… Eu falo Português nativo, porque é que sou tão mal paga??
    Méritocracia sim, desde que sejam amiguinhos dos mesmos e bebam uns copos foram do horário de trabalho. Gente que todos os dias entra em conflito com os clientes nas chamadas, que está constantemente de baixa, que não cumpre com os KPI’s e cujos contratos são sempre renovados, enquanto que outros, por pura embirração pessoal por parte dos ACM’s, mas que cumprem, se vêm no olho da rua em 3 tempos. Mais vale cair em graça que ser engraçado. E compensa.
    Já agora, “Best Place To Work” como? Sim, nós respondemos aos inquéritos, mas tendo em conta aquilo que os colegas partilham em relação aos mesmos, parece-me algo dúbio que tenham ficado em primeiro lugar: cadeiras que não se podem regular, ar condicionado sempre demasiado quente ou frio, salários vergonhosos e incentivos que desaparecem, supervisores que não supervisionam nem ajudam, explique lá como é que estão em primeiro lugar? A não ser que os inquéritos sejam “supervisionados”, não? Ou isso, ou os colaboradores são todos mentirosos.
    Sr. João Cardoso, disfarce-se, misture-se, e talvez encontre uma realidade muito diferente daquela que julga existir.

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  2. Vim aqui parar por intermédio de um video publicado no Youtube pelo mais recente sindicato dos trabalhadores de call center. Pelo que vejo o confronto aconteceu no ano passado, apesar de ainda agora ter comentários.
    Fiquei espantado como o Pedro Moura não vez a folha ao CEO da Teleperformance. O não tem os contactos certos ou é uma pessoa mansa! Eu estou do lado do Pedro Moura, mas acho que deveria ter puxado dos seus galões e envergonhado o CEO da Teleperformance na praça publica.
    Você como jornalista sabe muito bem que podia ter ido mais além, sem ter sido necessário violar o seu código deontologico . O CEO da Teleperformance aprendia uma vez por todas que com a liberdade de espressão não se brinca.

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  3. o Sr Cardoso está a vender gato por lebre …. Devia ter vergonha na cara. Trabalhei lá e sei perfeitamente do que estou a falar… Sabem enganar a maravilha! Exploração, falsas promessas, estabilidade nula, precariedade alarmante, ameaças, contratos fictícios, valor acordado não pago, irregularidades …. enfim, uma vergonha de companhia que se gaba de ser number 1 …. deixa-me rir… a tua companhia está na linha de mira do sindicato Tás logado? … ouviste? … falta pouco para toda gente saber das vossas manias. Há de chegar o dia em que ninguém vai desejar trabalhar na vossa empresa. Só basta alguma reportagem na TV… e vais abaixo…. Só criam empregos precários e não ajudam em nada a economia…. Além disso, mandam vir cá trabalhadores de lá fora a ganhar o dobro dos que os portugueses…portanto não diminui em nada o desemprego local ….. Cardoso , és mesmo Português? Tratando os teus dessa forma, duvido muito…Mais um vendido ! Enfim. Viva Portugal! Abaixo aqueles que vendem o nosso país a multinacionais que só veem cá explorar o povo… Abaixo o fascismo laboral, mantendo o nosso país pobre para trair tubarões financeiros.

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  4. todo o post é preocupante mas do que sinto mais medo é desse cerco ao jornalismo livre. Homem grite sempre eo máximo que possa, eu e muitos outros que conheço presam muito gente que estas disposta a não se calar perante cardosos miseraveis. nao podemos fazer muito mas pode contar connosco ao seu lado para rechaçar esses criminosos morais.

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  6. A Teleperformance é uma empresa com uma fachada maquilhada para esconder a verdadeira decadência que nela abriga.
    Esta empresa é um antro de exploração. Por troca do ordenado mínimo os seus funcionários são sujeitos a todos os tipos de pressões. chegou-me pro várias ocasiões a ser oferecido pelo ordenado minimo trabalho em full-time mas em dois locais diferentes, um em Oeiras e outro no prior Velho…teria de comprar dois passes e andar a correr para os dois lados dia sim dia não…ABSURDO
    Quando indiquei que a oferta era incompativel com o que procurava ainda fui tratada com desdém e foi-me dito pela responsável de recursos humanos que deveria gostar de receber o subsídio de desemprego…nem o recebia mas, SIM preferia se fosse o caso.
    Muitas outras empresas há tal como esta, é o caso da SITEL que é irmã gêmea desta. Tem histórias para preencher um livro do género de terror.
    Depois temos o BES Contact e os call centers massivos das operadoras móveis enfim..
    Espero que cada vez mais se cheguem à frente as vítimas destas empresas e contem as suas histórias.
    Histórias de promessas de prémios que nunca são pagos mesmo quando os objectivos são atingidos…despedimentos por carta com datas alteradas para a pessoa só saber que foi despedida no seu ultimo dia de trabalho, despedimentos sem direito a NADA enfim venham meus caros e falem porque a crise tem cara e já vem detrás a exploração

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    • Nunca ouvi falar de exploracao na Sitel. O trabalho às vezes é puxado, mas mais do que isso nao se passa lá. Já trabalhei na TP também e posso dizer que apesar de serem as duas Call-Centers,a Sitel nao segue a mesma politica da Teleperformance e garantidamente nao tem o mesmo CEO, ou eu seria o primeiro a demitir-me.

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  8. João Cardoso, rapa (ou pinta) o cabelo, põe um bigode e vai trabalhar incógnito no “paraíso” e depois fala!!!!! Ou então assegura que os inquéritos internos são MESMO anónimos (o último deu-me vontade de rir! Feito a meias…)

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  9. Não fui seu aluno e se calhar tinha orgulho em sê-lo,
    Fui trabalhador da teleperformance e não tenho orgulho em ter sido! best place to work? Numa cave, sem luz directa, ar condicionado incapaz de tirar o ar saturado por respiração de 18 pessoas fechadas, casa de banho com hora préviamente marcada (2h de antecedência) e se tiver a “picar” não se vai ao wc, etc. Bom?! Muito bom! Já para não falar na méritocracia…

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  10. Confesso que fiquei um pouco chocada (não sei se será o termo mais aconselhado a este estado de espírito entre a notícia e a forma de reação à mesma), mas, e isto desculpe-me o Srº jornalista, parece-me demasiado excessivo. Com todo o respeito pelo seu trabalho enquanto investigador e porta-voz do povo, mas o ambiente que se vive dentro da Teleperformance não é nada como o que foi retratado. Trabalho na empresa há 6 anos e, nunca houve um único dia que não me dessem os bons dias e tratassem pelo nome. Entendo os preconceitos contra os call centres, porque eu mesma antes de ter entrado na Teleperformance e já com uma vasta experiência em outros contact centres, pensava igual. O que mudou? O respeito que têm pelos colaboradores, o espírito de equipa, a possibilidade de progressão na carreira, o sorriso, a confiança e tantas outras qualidades que poderia indicar mas não me quero alongar. E o CEO? Não corresponde de todo à imagem de homem frio e insensível. É uma pessoa calma, inteligente e que sim, pasmem-se, quando passa por nós cumprimenta-nos e recebe-nos sempre com um sorriso. A mim e aos restantes três mil colaboradores. Somos uma verdadeira família, claro que uns mais contentes do que os outros mas isso existe em todas as empresas. E quem disse que os call centers é a solução dos desesperados engane-se porque lá aprendemos tantas competências que facilmente são atrativas para outras empresas e que enriquecem o nosso currículo. Só para terminar, gostaria de referir que apesar de ser um ramo ainda mal pago, não é porque não tem pessoas competentes ou porque querem explorar os empregados..,perguntem ao governo porque é que um trabalhador tem de descontar para andar a pagar aos que, tendo possibilidade de trabalhar, preferem ficar em casa. Aí é que somos explorados. Esta é só a minha opinião.

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  11. Confesso que fiquei um pouco chocada (não sei se será o termo mais aconselhado a este estado de espírito entre a notícia e a forma de reação à mesma), mas, e isto desculpe-me o Srº jornalista, parece-me demasiado excessivo. Com todo o respeito pelo seu trabalho enquanto investigador e porta-voz do povo, mas o ambiente que se vive dentro da Teleperformance não é nada como o que foi retratado. Trabalho na empresa há 6 anos e, nunca houve um único dia que não me dessem os bons dias e tratassem pelo nome. Entendo os preconceitos contra os call centres, porque eu mesma antes de ter entrado na Teleperformance e já com uma vasta experiência em outros contact centres, pensava igual. O que mudou? O respeito que têm pelos colaboradores, o espírito de equipa, a possibilidade de progressão na carreira, o sorriso, a confiança e tantas outras qualidades que poderia indicar mas não me quero alongar. E o CEO? Não corresponde de todo à imagem de homem frio e insensível. É uma pessoa calma, inteligente e que sim, pasmem-se, quando passa por nós cumprimenta-nos e recebe-nos sempre com um sorriso. A mim e aos restantes três mil colaboradores. Somos uma verdadeira família, claro que uns mais contentes do que os outros mas isso existe em todas as empresas. E quem disse que os call centers é a solução dos desesperados engane-se porque lá aprendemos tantas competências que facilmente são atrativas para outras empresas e que enriquecem o nosso currículo. Só para terminar, gostaria de referir que apesar de ser um ramo ainda mal pago, não é porque não tem pessoas competentes ou porque querem explorar os empregados..,perguntem ao governo porque é que um trabalhador tem de descontar para andar a pagar aos que, tendo possibilidade de trabalhar, preferem ficar em casa. Aí é que somos explorados. Esta é só a minha opinião.

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  12. Quando li a reportagem relembrei-me o quanto fácil é aos Media denegrir ou idolatrar algo ou alguém.
    Da mesma maneira que uma moeda tem 2 lados distintos o mesmo acontece com quase tudo na vida, um “verdadeiro” jornalista procura a verdade o que obriga a olhar para a moeda de vários ângulos. O jornalista sensacionalista só olha para o ângulo que lhe der mais proveito (chocante/humilhante/escandaloso…) enfim aquilo que “vende”. Esta reportagem do sr. jornalista demonstrou bem o quanto pode uma má reportagem denegrir uma imagem (deste caso de uma empresa) podendo ter consequências directas num futuro (angariação de negócios,colaboradores,etc). O poder dos media é assombrante e poucos portugueses têm essa noção, a manipulação de palavras e sentido das frases transcritas transforma uma pessoa que ajudou uma velhinha a atravessar uma rua num ladrão que tentava arrancar-lhe a mala do braço, mais uma vez cabe ao jornalista procura a verdade no meio das versões existentes da historia.
    A reportagem foi demasiado tendenciosa e pecou em muito pela falta de visão do outro lado da moeda, neste caso as coisas que se fazem/fizeram de bem na empresa como por exemplo quanto estes callcenters ajudam a empregar ex-emigrantes que retornam ou mesmo os seus filhos que os acompanham de regresso á pátria . Apesar de existirem coisas que podem ser melhoradas nos callcenters, também existe muito de bom/bem feito, não as irei enumerar aqui para não ser tendencioso e fazer exactamente aquilo que é detestável no jornalismo.
    A liberdade de expressão e da imprensa é muito bonita, mas muito perigosa pois permitir escrever num local onde milhões de pessoas têm acesso e depois de se criar a imagem do “ladrão” nenhuma desculpa escrita á posterior vai fazer conseguir “apagar” o rotulo, até porque quase ninguém lé o quadrado minúsculo numa folha estrategicamente escolhida.
    Sr. Jornalista aquele que não reconhece que errou nunca estará disposto a melhorar.
    Não fazendo de advogado de deus ou do diabo é apenas a minha opnião.

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  13. Estranho que eu trabalhe nesta empresa à mais de um ano, me sinta bem nela, nunca me tenham tratado mal, sinto que se preocupam comigo e nunca tenha visto nada remotamente pareceido ao descrito – aliás alguns dos pontos vão contra a avaliação dos próprios superiores.

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  14. Mas alguém com um QI superior ao de uma galinha acredita em sequer uma palavra do que o CEO (olha que título pomposo) desse antro escreve?! O mundo está farto e careca de saber que a grande maioria dos call centers são piores que “o deus me livre”, em todos os aspectos. Faz tempos que aprendi que se cheira a bosta e parece bosta, É BOSTA, por muita tinta dourada que esse ser lhe ponha em cima!! Quase toda a gente que trabalha num call center fa-lo porque não tem outra alternativa.

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  16. Aconselho o Sr. CEO João Cardoso a ler as reportagens feitas pelo Jornalista Paulo Moura aquando da queda de Khadafi na Libia. Na minha opinião, as melhores reportagens de guerra feitas para jornais portugueses em muitos anos. Mais, enquanto o Sr. CEO estava recostado na sua cadeira a dar ordens a escravos “485€”, este Sr, Jornalista estava na Turquia a ser espancado para nós termos um pedaço do que se estava a passar por lá. Tenha vergonha do que faz e sinta-se um priviligiado por ter sido entrevistado por Paulo Moura.
    Nota: não conheço o jornalista em questão, apenas sou leitor do Publico e admiro o trabalho do mesmo.

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  17. O melhor de tudo (que poderia ser publicado) é o facto da Teleperformance contratar com a Emprecede.

    Alguém sabe onde está a Emprecede? Junto a praia da Fonte da Telha. Uma moradia que da para ver no Street View.

    Será que uma ama de chaves trata dos contratos mensais e só quando não está de férias declara os descontos a Segurança Social?

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  18. Eu li a reportagem e conheço pessoas que trabalham na Teleperformance. Até achei que o jornalista foi muito suave na descrição que fez. A realidade das pessoas que trabalham nessa empresa é bem mais negra. O assédio moral é o prato do dia de quem sabe que não tem futuro, mas vai aguentando por falta de alternativas. Se o senhor João Cardoso, distinto CEO com vocação para negreiro, tivesse algum bom senso, ficava calado. Mas como o decoro e a inteligência são atributos que ainda não se compram, o senhor João Cardoso faz uso daquilo que tem e sabe: o insulto e manipulação.

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  19. As Mentiras de um CEO ou Mais Histórias de um Revolucionário Anarquista

    O jornalista Paulo Moura diz em mensagem publicada hoje, 22 de Agosto, no blog do Público, que eu, CEO da Teleperformance, publiquei uma carta em resposta ao seu infame artigo sobre os Call Centers, em que incluo “longas frases colo¬cadas entre aspas” e que “essas citações são total¬mente inven¬tadas”. Diz este jornalista que nunca pro¬feriu aque¬las frases “nem nada de pare¬cido”. E acrescenta: “Nal¬guns casos, trata-se de temas que nem foram abor¬da¬dos na con¬versa. Quero afir¬mar, de forma bem clara, que o CEO da Teleper¬for¬mance, João Car¬doso, é um men¬tiroso e um manip¬u¬lador”.

    Pois bem Sr. Paulo Moura, não só o sr. disse essas frases, como as publicou na peça. Pois é, pasme sr. jornalista, esses disparates entre aspas são extraídos da sua própria peça! Concordo consigo, parece difícil que alguém diga tais enormidades, mas o sr. não só os diz, como os escreve e publica!

    Bem sei que para si será um tormento ler a prosa que escreve. Não se preocupe porque não está só, todos os seus leitores sentem o mesmo. Por isso, para o poupar a essa tortura, indico mais abaixo precisamente em que local da sua peça está cada uma das barbaridades que reproduzo na minha carta resposta.

    O sr. jornalista volta depois a colocar a sua capa de justiceiro, afirmando: “João Car¬doso, é um men¬tiroso e um manip¬u¬lador, o que me deixa ainda mais pre¬ocu¬pado quanto ao futuro dos mil¬hares de tra¬bal¬hadores da Teleperformance”. Enternecedor, não é? Ele já estava preocupado antes da entrevista – isso já todos tínhamos percebido – e agora ficou ainda mais preocupado.

    Nesta sua mensagem, o sr. jornalista mostra-se também cansado do pesado fardo que carrega: “Os pre¬po¬tentes sentem-nos frágeis, e vão crescendo em abuso. É ver¬dade que esta¬mos mais fra¬cos, mas o meu maior des¬gosto é ver que, muitas vezes, é entre os próprios jor¬nal¬is¬tas que se encon¬tram os mais empen¬hados em destruir a profissão.”

    Claramente este sr. está cansado de ser jornalista, queixa-se de falta de corporativismo dentro da sua classe e procura uma outra actividade. Sendo eu um amante da imprensa e do jornalismo, conte desde já com o meu apoio! É um favor que faz ao jornalismo em Portugal.

    O Sr. Paulo Moura acrescenta ainda que “a carta deste CEO e a forma como a fez pub¬licar mostram bem a arrogân¬cia e pre¬potên¬cia a que chegou certo tipo de empresários e gestores. E o seu desprezo pelo jornalismo.”

    Como sabe, ao longo de mais de uma semana após a publicação da sua peça, eu fiz todas as diligências para falar consigo, no sentido de obter os seus comentários à minha resposta e para a conseguir publicar no Público. O melhor que consegui foi uma posição escrita do Público a negar a publicação com base em vários argumentos, um dos quais que a resposta teria “excesso de palavras” (uma violação da Lei de Imprensa, que nos artigos 24, 25 e 26 diz que a resposta pode ter a mesma dimensão que a peça que a originou).

    Claro que para si seria muito melhor poder escrever tudo o que quisesse e ofender quem lhe apetecesse, sem que ninguém pudesse responder. Essa sim, seria na sua opinião uma sociedade com “respeito pelo jornalismo”.

    Termino reproduzindo as citações que inclui na minha resposta e que como poderá verificar escreveu mesmo na sua peça:
    “Posso saber por que está de pé?”: Coluna 1, linha 9
    (sic) “uma chamada interna “: Coluna 1, linha 9
    “cala a boca”: Coluna 2, linha 1
    “se não estás satisfeita, a porta da rua é ali”: Coluna 2, linha 4
    “O ambiente não é de campo de concentração”: Coluna 2, linha 21
    “João Cardoso refere repetidamente as distinções… pelo Great Place to Work, ou pela revista Exame”: Coluna 2, linha 28
    “são países convenientes, porque apresentam estruturas de custos muito favoráveis”: Coluna 5, linha 1
    “ou seja, há pessoas que trabalham com razoável competência por salários miseráveis”: Coluna 5, linha 4
    “os salários tendem a aumentar nesses países … à medida que vão criando know-how”: Coluna 5, linha 8
    Sobre Portugal: “um país pobre com uma boa rede de fibra”: Coluna 6, linha 22
    “na Teleperformance nunca lhe disseram bom dia e nunca a trataram pelo nome“: Coluna 9, linha 56
    “como não tem alternativas, decidiu levar a sério o seu emprego”: Coluna 9, linha 45
    “os indianos só fazem o que lhes mandam. Quando é preciso decidir ou tomar decisões (sic), passam a um superior”: Coluna 10, linha 34
    Seguidamente a resposta contém duas frases que não foram efectivamente escritas pelo jornalista. Reproduzem meramente o sentimento que demonstrou durante a entrevista e que viria a ser reproduzido na peça, de incompreensão perante a razão que poderia levar um alemão ou um finlandês a vir trabalhar na Teleperformance Portugal. Incompreensão que continuou a demonstrar mesmo depois de poder verificar que centenas de pessoas já tomaram essa opção. No final dessas duas frases, eu tive o cuidado de apontar: “(nota importante: as palavras do sr. cético poderão não ter sido exatamente estas)”.
    “O que convence um finlandês a vir trabalhar para um Call Center em Portugal é o clima e o estilo de vida, a oportunidade de vir a conhecer pessoas e ter uma experiência, enquanto ainda lhe pagam alguma coisa por isso”: Coluna 9, linha 15
    “São estes elementos, segundo o CEO, que a Teleperformance coloca nos anúncios de emprego publicados na Finlândia”: Coluna 9, linha 23. Nota: eu passei meia hora a explicar que o projecto que temos para atrair profissionais para Portugal, mas o sr. jornalista mais uma vez não conseguiu compreender.
    “Os últimos governos dotaram o país de uma boa infraestrutura tecnológica, baixaram os salários e aumentaram o desemprego até ao ponto de terem grande parte da população desesperada,(…). Um bom trabalho, na perspetiva das multinacionais. Para elas é perfeito: um país desenvolvido e miserável ao mesmo tempo.”: Coluna 11, linha 7.
    “Misturam tudo isto (…) com referências à Primavera Árabe e às manifestações no Brasil”: Coluna 18, linha 7.
    “pela natureza do seu trabalho e vínculos contratuais, tendem a estar dominadas pelo medo”: Coluna 18, linha 12.

    Ficamos agora todos à espera de novas histórias deste temerário Revolucionário Anarquista.

    João Cardoso
    CEO Teleperformance

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    • É evidente que as frases da carta do CEO que são inventadas não são as que eu escrevi na peça, são as que ele diz que eu proferi na entrevista. Dessas, ele não transcreve nenhuma, neste comentário. Mas dá-se ao trabalho de reproduzir mais de uma dúzia de frases da reportagem, assinalando os números das linhas… Mas passa pela cabeça de alguém que eu fosse dizer que são falsas frases que estão publicadas na minha reportagem? Isso é um absurdo tão grande!
      O CEO diz também que andou atrás de mim uma semana, e que o seu Direito de Resposta foi recusado “com base em vários argumentos, um dos quais” o “excesso de palavras”. Pois os “vários argumentos” (pela informação que obtive, porque, obviamente, a decisão de não publicar a carta foi da Direcção do jornal, não minha) foram o tom insultuoso da carta, o facto de não negar nem acrescentar nada de concreto, e o propósito exclusivo de atacar a credibilidade do jornalista e do jornal.
      Parece-me que, mais uma vez, o propósito do CEO é manipular. Só que agora, já um pouco zonzo com a fúria, perdeu a pose e adopta o tom (que porventura lhe é habitual) de quem está a falar com estúpidos.
      As pessoas não são estúpidas, sr. CEO. E se existe, na opinião pública, uma imagem negativa em relação aos call centers, o sr, com o seu estilo, só está a contribuir para a piorar.

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      • Caro Paulo Moura,

        Na semana passada ao passar pela Av. infante Santo, reparei que ali existia um edifício da Teleperformance e lembrando-me da sua reportagem “Os cal centres vão salvar a economia portuguesa” resolvi entrar e deixar um CV e solicitar um formulário. Em suma,

        por que tinha tempo, resolvi fazer uma pequena investigação pessoal. Sou advogada e devido há minha actividade profissional conheço várias pessoas que “viveram” momentos de verdadeiro “assédio moral” noutros Call/Contact centers, nomeadamente da TvCabo/Zon/Optimus Zon e da PT Contact onde outras empresas do designado trabalho temporário colocam/cedem trabalhadores.
        Para meu espanto ontem contactaram-me via telefone e convocaram-me para uma entrevista. Hoje ás 10:00h em ponto lá estava para falar com Andreia Rodrigues, a recrutadora.
        Colocou-me questões após me ter informado que estava a recrutar “comerciais” para contactar clientes afim de vender seguros de saúde da MeetLife. Entre as questões colocadas sobre a minha experiência profissional (Licenciatura em Direito e advogada no activo mas sem experiência de Telemarketing/Vendas apesaer de a ter em front line – outbound e inbound – e backoffice) perguntou-me a ideia que tinha de um vendedor tendo eu respondido o que pensava e ter referido enquanto consumidora o tipo de qualidades que distinguiam um bom vendedor de um excelente vendedor referindo exemplos práticos, por mim vividos, indiquei que estava disposta a tentar aliás porque possuo uma característica que consta do lema da empresa “comitment” e que na minha vida profissional nas minhas” alegações” socorrendo-me da lei em vigor, tento “convencer” o Tribunal da procedência dos meus argumentos, um vendedor tenta vender um produto convencendo o potencial comprador da necessidade/qualidade/satisfação/vantagens que terá, no caso, com a subscrição do Seguro de Sáude utilizando argumentos apropriados, caso a caso, ao cliente com quem está a falar, via telefone e que era necessário possuir inteligência emocional para perceber, pelas respostas do potencial cliente se obterá um redondo não, um talvez ou …uma venda. Referi tambem estar ciente da dificuldade de efectuar estas vendas dado a quantidade de familias a reduzir despesas e das que nem despesas podiam fazer. E acima de tudo, um comercial tinha de estar bem informado sobre o produto até para responder com segurança e rigor a qualquer questão que lhe fosse colocada “fora” do “script” e era benefico “acreditar” no produto e não “enganar” sobre o mesmo induzindo o potencial cliente em erro. O que daria azo a reclamações e muitas, poderiam trazer descrédito á empresa.
        A recrutadora, anotou, anotou (desconheço se anotou na realidade o que lhe disse) e entregou-me uma folha de papel com horários e valores hora, assim como, uma folha onde constava um número de telefone para o qual devia hoje contactar após as 20:00h para saber o resultado da entrevista.
        Assim fiz. Estranhamente informam-me que como não tinha experiência como comercial não tivera parecer favorável para passer á 2ª fase, ora, considero que se precisasse mesmo daquele trabalho, teria perdido o meu tempo dado ter afirmado durante a entrevista que nunca tinha trabalhado em Telemarketing ou na area comercial e durante a mesma nada me foi dito sobre este facto. E concluo que a recrutadora robóticamente perdeu o dela…se era necessária experiência…a entrevista tinha terminado ali ou como o mesmo constava do CV nem deviam ter contactado quem não correspondia ao perfil pretendido. No minimo o mau servico começa no recrutamento! Madalena Guimarães

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    • Caro Eng. João Cardoso, como empregada da Teleperformance admito que os exemplos referidos no artigo tenham sido exemplos extremos, mas concordo que muita coisa corre mal na empresa e que existem muitos casos dos quais nem deve saber. O mal como foi dito num comentário que já li normalmente vem das pessoas directamente acima dos agentes, isto é dos supervisores, ACMs e por aí fora. Aconselho a fazer uma pesquisa mais intensiva com os operadores para perceber o verdadeiro estado de espirtio deles trabalhando da Teleperformance e também o aconselho à entregar a todas as pessoas numa hierarquia superior aos agentes uma definição da palavra “meritocracia”.

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    • Fazer uma reportagem, ou seja, cumprir o seu trabalho, faz de Paulo Moura um “revolucionário anarquista”?! Então todos os jornalistas são temerários revolucionários anarquistas…
      Sr. João Cardoso, caso não se tenha apercebido, com as suas intervenções está a criar muito mais má publicidade para a Teleperformance do que qualquer artigo ou reportagem poderia originar. Espanta-me que enquanto CEO não saiba disto.
      Além do mais, o seu tom ofensivo por contraste ao tom neutro do jornalista Paulo Moura, levam qualquer leitor a considerar que você não está a ser objectivo nem imparcial nas suas afirmações.

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    • Como ex-empregado da Teleperformance, confirmo que o Sr Paulo Moura tem toda razão. Até foi manso na sua descrição… Se calhar havia de baixar do seu trono dourado para ver a realidade dos seus empregados …. A forma de tratar o vosso pessoal é simplesmente vergonhosa… Aliás como é que pode estar de consciência tranquila e gabar-se de atrair mercados para cá graças a crise e aos salários baixo aqui praticados? … Entre um revolucionário anarquista e um negreiro ….. a escolha está feita … o Sr Paulo Moura arrisca a sua vida desvendando verdades por aí fora enquanto que outros usam a mentira para se safar neste pequeno recanto da Europa ….

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  20. Não li qualquer notícia , mas é bem verdade que os jornalistas não fazem as perguntas certas principalmente aos políticos.Agora seria boa altura para questionar os políticos no que diz respeito dos cortes. Em vez de cortar nos salários , na saúde e na Eduação, porque não cortar antes na Assembleia da República na Presidência da República. Fico-me por aqui

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