Cristiana Roquinha Cardoso, 18 anos, Ovar

Vou a pé pela rua e vejo imensos panfletos e jornais de publicidade no chão e não suporto a ideia deles ficarem ali. Num acto inconsciente e despreocupado vou apanhando-os a todos à medida que vou seguindo o meu caminho e deposito-os no papelão mais próximo. Há pessoas que me chamam maluca, outras olham-me de lado e outros têm pena de mim.

A ovarense foi bicampeão no campeonato de basquetebol, as pessoas festejaram na avenida, houve muita festa, mas as garrafas de champanhe e de cerveja ficaram todas lá, quer dizer… por acaso não ficaram porque eu não suportava a ideia de ficarem lá e no dia seguinte irem para o lixo, por isso fui buscar um saco e apanhei por volta de 120 garrafas que tiveram um final feliz. Mas mais uma vez as pessoas olhavam-me de lado, tinham pena e gozavam comigo por estar apanhar as garrafas.

Sou escuteira e num acampamento de verão onde estiveram presentes 150 escuteiros, mais de 300 garrafas plásticas viajaram comigo cerca de 140 km porque naquela zona não havia ecopontos e eu não suportava a ideia das garrafas não terem como fim a reciclagem. Desta vez houve pessoas que admiraram a minha atitude, mas outras mesmo sabendo que o 6º artigo da lei do escuta é ‘O Escuta protege as plantas e os animais’ repreenderam-me por achar aquilo absurdo.

Ainda tenho mais episódios, mas estes foram os que me marcaram mais pela repreensão e desprezo por parte das pessoas.

Ás vezes penso que tenho um problema psicológico qualquer por fazer estas coisas, mas quando eu as faço sinto-me uma pessoa realizada e feliz, independentemente de tudo o resto.

E será escusado dizer que aquelas atitudes como: tomar banhos curtos, reciclar, andar a pé, assinar petições ect ect são as coisas mais básicas e normais que cada pessoa deve fazer. Apesar de tudo, sinto-me frustrada por não saber como conseguir fazer mais…

Cada pessoa neste Mundo, nasceu com uma missão. A minha é ser Engenheira do Ambiente (ou qualquer outra profissão do género) para ajudar a salvar o Planeta de alguma maneira.

Continuarei sempre a ‘fazer figuras ridículas’, porque o meu amor pela Natureza é maior do que o meu amor-próprio.

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