A conversar com 250 mil no Facebook

Hugo Torres, jornalista e gestor de comunidades

A “timeline” do PÚBLICO no Facebook recupera os mais importantes marcos do jornal desde a fundação, em 1989

A Internet acabou com a exclusividade do jornalismo num dos seus papéis tradicionais: servir de intermediário entre a realidade e os seus leitores, não só na recolha e publicação como na hierarquização da informação. Ouvimos e lemos variações desta ideia das bocas de jornalistas, académicos, gestores e marketeers, para anunciar a morte dos jornais ou o nascimento de um paradigma completamente distinto de produção, leitura e disseminação de notícias. É que por muito que o diagnóstico seja idêntico, a leitura que dele se faz pode diferir bastante.

As redes sociais estão no centro desta discussão. São muitos os que, hoje, as utilizam como feed de notícias. Se a informação que os jornais produzem por lá não passa, talvez seja porque nunca existiu. Ou porque os nossos “amigos”, com quem temos em comum tantos interesses e valores e espantos, não as acharam suficientemente estimulantes para as reproduzir nos seus murais e, por consequência, nos nossos. Ou, ainda, porque não fomos directamente à origem, às páginas dos jornais, à procura. Seja qual for a razão, a informação não nos chega.

Claro que continuam a existir os que correm todas as suas fontes de informação, uma a uma, quando querem ficar a par do que se passa no mundo (e na rua ao lado). Os que vão directamente aos jornais sem esperar que a informação lhes chegue através de outros sites, os que reconhecem uma marca de informação e querem conhecer a sua interpretação dos acontecimentos – na Internet e no papel. Os que procuram informação deliberadamente.

Nas redes sociais, que frequentamos como um grande café de bairro, saltando de mesa em mesa e de conversa em conversa, não queremos saber de tudo o que acontece e é feito no mundo: queremos falar sobre o que de mais interessante se passou durante o dia, os temas mais “quentes” – e confiamos nos nossos amigos para nos sugerir esses temas para conversar.

Quando um dos nossos “amigos” no Facebook é um jornal, não queremos que ele nos massacre com toda a informação que avança a cada hora; queremos que, tal como o Zé ou a Maria – que são irmão e namorada de liceu, ou amigo de casa e colega de trabalho –, esse jornal nos mostre o que de mais interessante tem nas suas páginas para lermos e discutirmos. E queremos que, se possível, nos dê tempo para ler e comentar e partilhar essa informação.

É assim que o PÚBLICO trata a sua comunidade no Facebook, como se estivesse no centro de uma mesa de café, a lançar temas pertinentes de conversa para 250 mil pessoas. Sim, 250 mil pessoas. Seguidores. E um alcance semanal (ou seja, uma audiência semanal) de mais de 750 mil. É a maior comunidade de um órgão de comunicação generalista português na maior rede social do planeta. E continua a crescer.

No PÚBLICO, acreditamos que é essa capacidade de mediar os conteúdos que chegam a uma audiência tão alargada que faz com que os leitores de notícias no Facebook (tendencialmente, todos os utilizadores) nos continuem a seguir e sejam cada vez mais. Isso e o valor intrínseco do PÚBLICO, claro. Mas o que diz essa conclusão? Que a Internet e as redes sociais, em particular, não retiraram ao jornalismo a função de hierarquizar informação, de destacar, de mostrar aos leitores o que é mais importante – ou interessante. Mudaram-na apenas de sítio. Mais uma vez.

É certo que nem sempre acertamos nos temas de conversa, que por vezes falhamos por completo o que, a certa hora, interessa a quem está no Facebook. E somos chamados à pedra quando somos desinteressantes, quando cometemos um erro, uma gralha, quando nos falha a mão. Os nossos leitores nas redes sociais são tão exigentes como os que nos lêem em qualquer outra plataforma ou formato. A grande diferença é que podem imediatamente dizer o que pensam e partilhar isso com as pessoas que lhes são mais próximas (e estas com as que lhes são mais próximas e…).

Podemos ser qualificados como o melhor jornal num minuto e como o pior no seguinte. Ou – o que acontece na maior parte do tempo – passarmos completamente despercebidos, acabando as notícias por ser os temas de conversa. É isso que queremos. E é por querermos gerar debate e partilhas que, ao contrário do que ainda fazem muitos jornais, não descarregamos automaticamente toda a informação que produzimos para o Facebook. Há sempre um trabalho de edição, de hierarquização (destaque), para que as conversas sejam sempre sobre os assuntos mais relevantes e interessantes, para que os assuntos não se sobreponham e haja tempo para os discutir. É preciso tempo para discutir.

O PÚBLICO gere assim as suas comunidades porque não quer apenas aproveitar-se de uma grande quantidade de seguidores no Facebook (ou no Twitter) para gerar pageviews; quer fazer parte delas.

Acham que está a correr bem? Conversamos na caixa de comentários.

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