Uma polémica de todo evitável

Uma polémica de todo evitável

Não se percebe como um partido em franca ascensão de credibilidade social e política no quadro partidário português vai comprar uma desqualificada “guerra de alecrim e manjerona”. Em boa verdade, até duvidei trazer este assunto a esta página. Não recebi qualquer queixa contra o PÚBLICO pela publicação da notícia de 26.02.2016 sobre o cartaz do BE «Jesus também tinha 2 pais». O mesmo se diga sobre o comentário que as jornalistas Maria João Lopes e Leonor Botelho escrevem sob o título «O Jesus Cristo do Bloco de Esquerda foi mesmo o superstar do dia». Todavia, porque foi a notícia escrita por Maria João Lopes, «Campanha do BE assinala adopção por casais gay», (PÚBLICO, 26. 02.2016), que deu repercutida dimensão pública ao polémico cartaz, julguei não dever o provedor ficar em silêncio sobre a questão.

1.Quanto à divulgação feita pelo PÚBLICO (creio em primeira mão) não vejo sentido qualquer recriminação. O PÚBLICO deu a notícia e não lhe cabia optar pela antecipada censura da mesma. Não sei se foi o Bloco que procurou o PÚBLICO para dar publicidade ao assunto ou se foi o jornal que captou a notícia. Parece-me ser a primeira versão, pois é o próprio Bloco que, através de Sandra Cunha vem dizer que se pode ler este cartaz integrado, como uma pequena peça, «numa campanha que marca esta conquista enorme do fim da discriminação na lei por causa da orientação sexual». E esclarece o objectivo da campanha: «Consideramos que, apesar de esta conquista na lei ter sido o culminar de uma série de reivindicações, importa ainda continuar esta batalha na sociedade: mudar mentalidades, destruir preconceitos (…) fazer corresponder o fim da discriminação na lei, às mentalidades, e à sociedade».

De facto, uma das características associadas ao lançamento de campanhas propagandísticas ou comerciais é a provocação de polémica. Mas se a polémica tem um efeito “boomerang” (isto é, volta-se contra os promotores) borra-se a pintura e os efeitos perversos são inevitáveis. O reconhecimento já declarado de Cristina Martins de que o cartaz “foi um erro”, repetido aliás por Marisa Matias e outros membros do BE, exprimem a constatação de que o tiro saiu pela culatra e o BE cometeu um espalhanço inoportuno e muito penalizante para um partido que, mais do que nunca, precisa de confirmar que a sua ascensão de representatividade na sociedade portuguesa corresponde a um fenómeno sério, novo e profundo nos paradigmas da vida política e que não se pode entreter com brincadeiras de mau e injustificável gosto. Aliás uma realidade ainda pouco entendida na grande opinião pública e, normalmente, disfarçada pelos comentadores e analistas políticos. (Vá se lá perceber, ou bem se percebe, porquê). Não era preciso e nada oportuno ao BE ter que vir a juntar estes cacos.

2.Uma outra reflexão que o assunto me merece é a desproporcionada contracampanha desferida por parte das autoridades religiosas e do oportunismo sempre vigilante dos partidos da direita. Estamos em tempos de tudo, menos de “guerras” e disputas por motivos religiosos. Voltar a linguagens de idade média ou de cheiro a Inquisição, como o de cartazes «blasfemos e ofensivos» em nada dignifica a Igreja. A Igreja Católica nestes tempos que vão correndo controversos e exasperantes para a serenidade dos povos tem muito mais com que se preocupar do que dar atenção e também ajudar à polémica de cartazes de teor pueril, de mensagens inconsistentes e atraiçoadoras para os seus próprios autores.

E, provavelmente, para pôr fim a este desalinho, o melhor é transcrever parte de uma longa carta que recebi do leitor Carlos Eduardo da Cruz Luna, confesso membro activista do BE: «Creio que, por vários motivos, o cartaz não serve a ninguém na defesa da adoção por homossexuais. Principalmente não serve a quem a defende. Pela ilogicidade e primarismo de que dá mostras. Eu, ateu, membro e ativista do Bloco de Esquerda, manifesto-me a favor da “retirada” do dito cartaz da circulação. Não pretendo com estas palavras obrigar a que tal seja feito, ou iniciar um qualquer movimento organizado. Quero somente exprimir a minha opinião, enquanto membro dum partido de esquerda, revolucionário, em que há opiniões diferentes livremente expressas. Faço-o porque acredito na solidez duma argumentação bem fundamentada, e rejeito a necessidade de mergulhar em qualquer forma de metafísica.»

 

10 comentários a Uma polémica de todo evitável

  1. O mais longo dos dias
    ​Assim mesmo, se alonga na direção da noite que se abate sobre a esquerda brasileira após quase quinze anos de poder. Uma grande, enorme, imensurável oportunidade perdida para levar o gigante deitado em berço esplêndido, ao patamar de uma grande nação, semeando o respeito, a honestidade de propósitos e a inclusão como exemplo para o mundo. Sim, ouvíamos o discurso contra a corrupção, incrédulos, mas acreditando na esperança vencendo o medo na direção de um país mais justo. O cenário era o mais oportuno, principalmente ancorado em reservas marítimas do ouro negro, sobrevalorizado e enchendo os cofres da nação. Faltou ouvir as vozes que chamavam a atenção para a oscilação do mercado mundial de commodities.
    Entretanto, apoiado nas mesmas alianças e esquemas de corrupção que sempre marcaram a política tradicional em nosso país, a esperança no poder virou um grande arranjo que repartiu o país pela ganância de grupos de interesse interessados apenas em tomar para si a riqueza da nação. Fala-se em um período em que os pobres foram mais felizes e abastados, mas de fato o que tiveram para si ? A condição de comprar um celular, politicas de desoneração para facilitar aquisição de eletrodomésticos ou o estímulo a construção civil. A ausência de políticas públicas sérias, acompanhado por uma gestão incompetente, culminando com repasses ao programa-símbolo através do uso de contas públicas sem a contrapartida de saldos, levando ao estelionato social.
    Agora tem início a noite que se abate sobre a esquerda do país, que se debate em convulsões não para evitar a prisão inexorável do líder maior, procurando esticar ao máximo esse longo dia que se perpetua em discursos que procuram reafirmar a política de pérolas aos pobres, mas que entregou o ouro para banqueiros, ruralistas, empreiteiras, grandes empresários, em troca de propinas sem qualquer preocupação com políticas ou gestão da coisa pública com eficiência e probidade.
    Lamentável. Getúlio por muito menos deu um tiro no peito e hoje é uma referência longínqua na História.

    Prof. Dr. Sérgio Mattos-Fonseca, D.Sc.

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  2. O vosso jornal, assim como grande parte dos média ocidental, faz propaganda homossexual diariamente. Gostava de saber quem é o responsável pela publicação desse tipo de propaganda? Será por pressão dos accionistas da empresa, escolhas editoriais, os anunciantes, jornalistas homossexuais ou é o regime político? É uma vergonha o que se passa no média mainstream (MSN), não admira que estejam a perder leitores em massa para os média alternativo. Talvez seja necessário uma nova lei, tal como na Rússia contra a propaganda homossexual? Os comportamentos desviantes não deviam ser promovidos! Haja consciência social e civilizacional.

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