Critérios editoriais 2

Critérios editoriais 2

Este tema é repetido. Eu diria até, repetitivo. Provavelmente num reflexo do estado em que se encontra o debate no espaço público português, em que as principais querelas políticas e sociais se confrontam num pouco estimulante círculo vicioso, (viciado?), quase obsessivo entre os mesmos conhecidos interlocutores. Talvez, por isso, os leitores não levem a mal que volte ao assunto. Aliás, sinto obrigação neste retorno.

Muitos leitores continuam a enviar, indevidamente, para o provedor textos com pedidos de publicação. Por outro lado, outros interrogam-me sobre os motivos de textos não publicados. Manifestam a sua discordância e rapidamente saltam para a acusação de práticas de censura ou de posições sectárias seguidas pelo PÚBLICO. Esclareço que esses textos não se referem apenas àqueles incorporados na designada secção de Cartas à Directora. Contornam o próprio estatuto de artigos de opinião ou de simples pedidos de divulgação de eventos.

Nada disto levantaria considerações numa óptica de que o correio electrónico do provedor dos leitores do Público é um canal aberto e comporta mesmo, da parte dos leitores, um espaço «livre de espírito de confidência». O que, neste caso, reforça a confiança que os leitores depositam na existência de um provedor.

Esta situação de réplica constante por parte dos leitores exige da parte do provedor reflexão em quanto ela configura um certo dilema ultrapassável: Os leitores têm todo o direito em discutir o «seu» jornal, mas também têm o dever de respeitar os critérios editoriais que enformam esse jornal.

É absolutamente respeitável a discordância manifestada por tal editorial, pelo artigo deste ou daquele colunista ou até pela escolha deste ou daquele colaborador, pela divergência acerca de determinados conteúdos informativos. Levar ao provedor dos leitores essas mensagens é a razão de ser da existência desse cargo, criado pelo próprio jornal, na condição e exigência de ele ser um «interlocutor permanente» entre aqueles que produzem o PÚBLICO e os seus leitores. Obviamente, como tal, o provedor não pode refutar-se a este papel e terá de transportar sempre à direcção e ao corpo dos profissionais do jornal, o que pensam os leitores sobre o jornal, as críticas e divergências que estes emitem. E, sinceramente, é o que procuro cumprir.

Porém, há uma barreira que julgo intransponível. Um jornal, e por isso o PÚBLICO, tem um estatuto editorial, tem um corpo de direcção, de jornalistas e outros profissionais, congregados em redor de um projecto com declarada identidade que exercem as suas funções na procura da realização desse projecto. Efectivamente, não obstante, segundo o compromisso do estatuto editorial, a «aposta numa informação diversificada» para um reconhecido «público plural», como sempre em qualquer trajecto de programa humano, há erros, há falhas, há desvios. Mas também é preciso reconhecer que os «critérios editoriais», conceito por mim entendido, na tomada de posição ou de opinião escolhidas, na publicação ou não publicação de determinadas artigos ou cartas, na selecção do leque de colunistas permanentes ou de ocasião, na cobertura ou não cobertura de diferentes eventos, cabem à direcção e aos responsáveis editoriais do jornal. De outro modo, não é possível imaginar a realização factível de um projecto jornalístico.

É incontornável que os leitores são o maior capital riqueza de um projecto jornalístico, como adquirentes da expressão desse projecto, seja na forma papel, seja na forma digital, pela ambiência do universo publicitário que potenciam, seja, sobretudo pela sua qualidade da audiência/comunidade/assembleia que corporizam no espectro da opinião pública e publicada. Mas daí a proclamar o direito de discordância desses «critérios editoriais» com a confusão de práticas de censura ou de sectarismos politico -ideológicos não é admissível. Eu próprio tenho algumas discordâncias. Como alguns leitores, preferiria ver com maior extensão e com uma componente mais polémica a secção de Cartas à Directora. Gostaria, por exemplo, que não obstante a opção clara e legítima de o PÚBLICO pela não opção do novo Acordo Ortográfico, este tema fosse objecto nas colunas do jornal de mais aberta discussão. Entenderia que na secção ou área do jornal sob o título Debate, a controvérsia sobre determinados assuntos, problemas, ou até de simples teses académicas, fosse mais efectiva. Foi nesse sentido que sugeri que os artigos dos arqueólogos Alexandre Monteiro e Luís Vieira de Castro em contraposição ao artigo do correspondente David Keys sobre a nau de Cristóvão Colombo tivessem recebido abrigo nas colunas do jornal. Porém, qualquer destas posições assumidas não me dá direito a falsas admissões da prática deliberada de censura ou inadmissíveis sectarismos num jornal que «tem como limiar de existência a sua credibilidade pública». Critérios editoriais 2

Este tema é repetido. Eu diria até, repetitivo. Provavelmente num reflexo do estado em que se encontra o debate no espaço público português, em que as principais querelas políticas e sociais se confrontam num pouco estimulante círculo vicioso, (viciado?), quase obsessivo entre os mesmos conhecidos interlocutores. Talvez, por isso, os leitores não levem a mal que volte ao assunto. Aliás, sinto obrigação neste retorno.

Muitos leitores continuam a enviar, indevidamente, para o provedor textos com pedidos de publicação. Por outro lado, outros interrogam-me sobre os motivos de textos não publicados. Manifestam a sua discordância e rapidamente saltam para a acusação de práticas de censura ou de posições sectárias seguidas pelo PÚBLICO. Esclareço que esses textos não se referem apenas àqueles incorporados na designada secção de Cartas à Directora. Contornam o próprio estatuto de artigos de opinião ou de simples pedidos de divulgação de eventos.

Nada disto levantaria considerações numa óptica de que o correio electrónico do provedor dos leitores do Público é um canal aberto e comporta mesmo, da parte dos leitores, um espaço «livre de espírito de confidência». O que, neste caso, reforça a confiança que os leitores depositam na existência de um provedor.

Esta situação de réplica constante por parte dos leitores exige da parte do provedor reflexão em quanto ela configura um certo dilema ultrapassável: Os leitores têm todo o direito em discutir o «seu» jornal, mas também têm o dever de respeitar os critérios editoriais que enformam esse jornal.

É absolutamente respeitável a discordância manifestada por tal editorial, pelo artigo deste ou daquele colunista ou até pela escolha deste ou daquele colaborador, pela divergência acerca de determinados conteúdos informativos. Levar ao provedor dos leitores essas mensagens é a razão de ser da existência desse cargo, criado pelo próprio jornal, na condição e exigência de ele ser um «interlocutor permanente» entre aqueles que produzem o PÚBLICO e os seus leitores. Obviamente, como tal, o provedor não pode refutar-se a este papel e terá de transportar sempre à direcção e ao corpo dos profissionais do jornal, o que pensam os leitores sobre o jornal, as críticas e divergências que estes emitem. E, sinceramente, é o que procuro cumprir.

Porém, há uma barreira que julgo intransponível. Um jornal, e por isso o PÚBLICO, tem um estatuto editorial, tem um corpo de direcção, de jornalistas e outros profissionais, congregados em redor de um projecto com declarada identidade que exercem as suas funções na procura da realização desse projecto. Efectivamente, não obstante, segundo o compromisso do estatuto editorial, a «aposta numa informação diversificada» para um reconhecido «público plural», como sempre em qualquer trajecto de programa humano, há erros, há falhas, há desvios. Mas também é preciso reconhecer que os «critérios editoriais», conceito por mim entendido, na tomada de posição ou de opinião escolhidas, na publicação ou não publicação de determinadas artigos ou cartas, na selecção do leque de colunistas permanentes ou de ocasião, na cobertura ou não cobertura de diferentes eventos, cabem à direcção e aos responsáveis editoriais do jornal. De outro modo, não é possível imaginar a realização factível de um projecto jornalístico.

É incontornável que os leitores são o maior capital riqueza de um projecto jornalístico, como adquirentes da expressão desse projecto, seja na forma papel, seja na forma digital, pela ambiência do universo publicitário que potenciam, seja, sobretudo pela sua qualidade da audiência/comunidade/assembleia que corporizam no espectro da opinião pública e publicada. Mas daí a proclamar o direito de discordância desses «critérios editoriais» com a confusão de práticas de censura ou de sectarismos politico -ideológicos não é admissível. Eu próprio tenho algumas discordâncias. Como alguns leitores, preferiria ver com maior extensão e com uma componente mais polémica a secção de Cartas à Directora. Gostaria, por exemplo, que não obstante a opção clara e legítima de o PÚBLICO pela não opção do novo Acordo Ortográfico, este tema fosse objecto nas colunas do jornal de mais aberta discussão. Entenderia que na secção ou área do jornal sob o título Debate, a controvérsia sobre determinados assuntos, problemas, ou até de simples teses académicas, fosse mais efectiva. Foi nesse sentido que sugeri que os artigos dos arqueólogos Alexandre Monteiro e Luís Vieira de Castro em contraposição ao artigo do correspondente David Keys sobre a nau de Cristóvão Colombo tivessem recebido abrigo nas colunas do jornal. Porém, qualquer destas posições assumidas não me dá direito a falsas admissões da prática deliberada de censura ou inadmissíveis sectarismos num jornal que «tem como limiar de existência a sua credibilidade pública».

Tal como escrevia no início não enviesemos mais este sistema público de opinião na actual sociedade portuguesa, agrilhoado num enredo tão circular de pobres obsessões e redutora plêiade de protagonistas, que maquilham de forma oxidante o modo de pensar um outro Portugal.

 

 

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