Trapalhadas políticas e erros jornalísticos

(Crónica da edição de 9 de Dezembro de 2012)

 

As últimas semanas foram pródigas em confusão informativa sobre as posições do Governo em relação a temas fundamentais de interesse público. Não foram apenas as lamentáveis declarações de sinal contrário (conforme proferidas antes ou depois de o ministro das Finanças alemão se pronunciar sobre o tema) com que os governantes portugueses se referiram à extensão ou não ao nosso país de parte das novas condições concedidas à Grécia para o pagamento da sua dívida, aprovadas na reunião de ministros da zona euro no passado dia 26 de Novembro. Foi também, por exemplo, o caricato folhetim em torno da alegada intenção governamental de impor o pagamento de propinas para a frequência do ensino secundário.

Este último caso, nascido na sequência de uma entrevista dada pelo primeiro-ministro à TVI no dia 28, ilustra bem como às trapalhadas causadas pela mediocridade da comunicação governamental se somam por vezes erros graves da responsabilidade dos órgãos de informação, que ampliam o ruído e a confusão, prejudicando a qualidade do debate público democrático. O PÚBLICO não saiu ileso deste episódio que não dignificou o jornalismo.

Recordem-se os factos. Interrogado na televisão por Judite de Sousa sobre se os cidadãos poderão vir a “pagar pelas escolas públicas” — no contexto dos cortes de quatro mil milhões de euros que o Governo anunciou pretender fazer na despesa pública —, Passos Coelho disse (cito uma transcrição deste jornal) que, “na área da educação, temos alguma margem de liberdade para poder ter um sistema de financiamento mais repartido entre os cidadãos e a parte fiscal directa que é assumida pelo Estado”. Confirmava, assim, a intenção de incluir o sector educativo entre os alvos dos cortes que deverão ser conhecidos em Fevereiro.

Não tendo explicado em que se traduziriam esses cortes, passava a ser obrigação dos media tentar apurar se estavam já estudadas medidas para os concretizar, e qual a sua natureza. Foi o que começou a ser feito logo na manhã seguinte, mas da pior maneira. Com base num despacho da agência Lusa, o Público divulgou às 12h04 do dia 29 a informação errada, que outros órgãos de comunicação também difundiram ao longo do dia, de que o primeiro-ministro afirmara na entrevista que a Constituição “não trava mudanças no financiamento do sistema educativo, que pode assim passar a ser semipúblico com a introdução de co-pagamentos nos níveis de ensino que hoje são gratuitos”.

Esta frase, que Passos Coelho nunca pronunciou, foi de imediato interpretada, nos círculos políticos e em várias redacções, como significando que o Governo se propunha instituir o pagamento de propinas no ensino secundário. Constitucionalistas foram ouvidos sobre a legitimidade desse pagamento num nível de ensino que é hoje obrigatório e alguns apressaram-se a sair em sua defesa com duvidosos argumentos. Durante todo esse dia, e não só, associações de professores e de pais, sindicatos, partidos e personalidades várias vieram a público condenar a ideia atribuída ao primeiro-ministro, enquanto um secretário de Estado “apanhado” numa sessão pública fugia a esclarecer a questão, com evasivas como “é precoce falarmos do que quer que seja” ou “é cedo para discutir essa matéria”, avolumando assim as especulações.

Na edição online do PÚBLICO iam sendo difundidas essas e outras reacções. A voz autorizada de Jorge Miranda era citada a defender a manifesta inconstitucionalidade de taxar o ensino obrigatório, enquanto no Parlamento o PCP requeria a convocação do ministro da Educação para explicar a ideia das “propinas” no secundário, e deputados das vária forças de oposição condenavam com veemência mais um ataque ao Estado social.

Às 19h54, surgia nos ecrãs de quem consultasse o site do PÚBLICO a informação de que o Ministério da Educação garantia em comunicado que “nunca o Governo pôs em causa a gratuitidade da escola obrigatória” (o que valeria a Passos Coelho a acusação de ter sido “desmentido” por Nuno Crato). Na mesma notícia, e sendo já conhecida uma correcção (que não terá primado pela clareza) feita pela Lusa ao seu primeiro despacho sobre o tema, era finalmente assumida a falsidade da atribuição a Passos Coelho da frase sobre “co-pagamentos”. O próprio primeiro-ministro viria a explicar (durante uma visita a Cabo Verde, no passado domingo) que não fizera “qualquer referência a essa matéria”, acrescentando que “não é possível, em termos de ensino obrigatório, criar taxas dessa natureza”.

Note-se que, face à opacidade da declaração realmente feita por Passos Coelho na entrevista à TVI, e à falta, até hoje, de explicações transparentes sobre a matéria, a especulação sobre a introdução de propinas no secundário não era ilegítima. Nem tem de ser excluída liminarmente a tese dos que defenderam que o primeiro-ministro terá pretendido testar as reacções a um projecto desse tipo, que já terá defendido abertamente num passado recente. Esse é, no entanto, o domínio da especulação, não o da informação. E a verdade é que Passos Coelho não disse o que nas primeiras notícias do PÚBLICO se afirmou que dissera, gerando-se com isso uma polémica artificial e um debate público inquinado à partida por pressupostos falsos — o que é o contrário do papel que cabe a um jornalismo responsável.

Na edição em papel do dia 30, o jornal corrigiu novamente o erro de citação, e a partir daí privilegiou, bem, outra abordagem: a de investigar e procurar opiniões qualificadas sobre a natureza das medidas em que poderá traduzir-se, afinal, a ideia de um sistema de ensino com “financiamento mais repartido” entre os cidadãos e o Estado. Fui aliás informado de que os leitores poderão encontrar hoje nestas páginas um desenvolvimento mais aprofundado desse tema, enquanto se aguardam os esclarecimentos que o ministro da Educação irá prestar ao Parlamento.

A confusão lançada pelas primeiras notícias publicadas no dia 29, que não está ainda totalmente dissipada, deveria entretanto, na minha opinião, levar a uma reflexão urgente no interior do jornal sobre processos de trabalho e de organização manifestamente deficientes e que tardam em ser corrigidos. É inaceitável que a falsa citação do primeiro-ministro tenha sido colocada em linha sem que ao menos a importância do tema tivesse levado a um visionamento prévio da entrevista televisiva, e sem qualquer outra diligência de verificação dos factos, ou de procura de explicações suplementares junto de fontes governamentais. É inadmissível que a correcção difundida pela Lusa, ainda que pouco clara, tenha sido ignorada durante várias horas. São preocupantes os sinais de descoordenação entre a edição online e as secções especializadas da redacção.

Pedi explicações sobre este caso a todos os que no PÚBLICO estiveram envolvidos na elaboração e acompanhamento das notícias. Recebi explicações detalhadas — que não é possível, pela sua extensão, reproduzir aqui, mas podem ser integralmente consultadas no meu blogue, alojado no Público Online — das jornalistas Bárbara Wong, Clara Viana, Graça Barbosa Ribeiro e do editor Tiago Luz Pedro, bem como um depoimento do director adjunto Miguel Gaspar, reconhecendo que “a entrevista do primeiro-ministro deveria ter sido revista [mais cedo] para se identificar as expressões exactas que ele utilizou”.

No seu conjunto, essas respostas contribuem para compreender como se desenvolveu o processo de produção da notícia. Para o esclarecimento da questão central (a da publicação precipitada de informações que não correspondiam à verdade), será especialmente útil ler o depoimento de Clara Viana, que, tendo tido um papel activo na correcção da falha informativa inicial, descreve com clareza o que classifica como uma “cadeia de erros lamentável”. Subscrevo a sua conclusão de que “a rapidez não se deve sobrepor ao rigor”, e de que casos como este devem obrigar a uma “reflexão interna”. Tal como penso que Graça Barbosa Ribeiro tem razão em considerar urgente o debate das novas dinâmicas profissionais introduzidas pela informação online, “criando mecanismos de controlo e afinando (…) a articulação entre editores, entre editores e jornalistas e entre jornalistas, especialmente nos casos de trabalho de equipa”.

Ivone Neiva Santos, uma leitora que criticou a notícia sobre as declarações do primeiro-ministro, levanta uma outra questão. Na sua opinião, deveria ter sido assinalada a filiação partidária de dois constitucionalistas citados, ambos ex-deputados do PSD, que defenderam que a possível taxação do ensino secundário seria compatível com o texto da lei fundamental. A questão é pertinente, mas a falta de espaço já referida obriga-me a remeter também a sua mensagem para o meu blogue, onde a leitora e outros interessados encontrarão as explicações do editor e da jornalista a quem coube a tarefa de recolher as opiniões dos juristas.

José Queirós

 

 

Documentação complementar

Carta da leitora Ivone Neiva Santos

(…) Sou leitora assídua do jornal “Público” há muitos anos e entristece-me ver a forma com vem decaindo a qualidade, isenção e rigor do trabalho jornalístico que nos é “oferecido”, sobretudo na edição online, mas infelizmente não só. O motivo da minha exposição (…) relaciona-se com a peça a que faço referência [“Passos abre a porta a pagamentos na educação”], publicada na edição online no passado dia 29 [de Novembro]. A peça chamou-me a atenção porque nesse mesmo dia lera também na edição online do “Económico” uma referência a este mesmo assunto, na qual era citada a opinião do constitucionalista Bacelar Gouveia, sem que fosse feita qualquer referência às ligações do referido constitucionalista ao PSD, partido do qual é militante e foi inclusivamente deputado na última legislatura. Sendo o único “parecer” proposto e sem identificação clara da sua origem, a peça era claramente tendenciosa e, na minha opinião, um mau exemplo de jornalismo.
Ao ver que o jornal “Público” também cita Bacelar Gouveia, identificando-o apenas como “constitucionalista” e ainda recolhe um parecer de outro constitucionalista, Costa Andrade, também com claras ligações ao PSD (pelo qual foi eleito como deputado ao longo de décadas) sem que identificasse claramente essa ligação e não “consultando” outros constitucionalistas, fiz esse mesmo reparo no campo de comentários, o qual não foi aparentemente aprovado pelo “Público”, pois não foi publicado. O meu objectivo seria alertar leitores inadvertidos para a claríssima falta de isenção da “notícia”e o “Público” para o mau jornalismo que a mesma evidenciava. Não me parece que seja questionável que, sobretudo não apresentando um contraditório de outros constitucionalistas, não fosse relevante para o leitor da notícia saber daquelas ligações partidárias.
Na altura, perguntei a mim mesma, estariam aqueles senhores mandatados para eles próprios procurarem os jornalistas para emitirem um parecer favorável ao Governo? Saberiam os jornalistas realmente quem eram aqueles senhores? Se não sabiam, porque não fizeram o seu trabalho? E se o sabiam, porque não os identificaram claramente, da mesma forma que o também citado Júlio Pedrosa é identificado como antigo ministro socialista? Como é evidente que seria mais difícil encontrar um constitucionalista que “abençoasse” esta ideia do que outro que declarasse a sua evidente inconstitucionalidade, porque não procuraram outro constitucionalista, para ao menos oferecer aos leitores uma verdadeira peça jornalística e não servir apenas de veículo de propaganda governamental?
Foi naturalmente com satisfação que vi que numa peça sobre o mesmo assunto publicada na edição impressa de 6ª feira [30.11] já se dizia que “a questão da gratuitidade do acesso divide constitucionalistas” e citavam o constitucionalista Jorge Miranda que se pronunciava pela “manifesta inconstitucionalidade” da medida e perante o retrocesso governamental, até Bacelar Gouveia e Costa Andrade já, digamos, “metiam os pés pelas mãos”. Isso não impediu que a notícia fosse ilustrada com um foto de Bacelar Gouveia defendendo uma “revisão constitucional no sentido de uma onerosidade progressiva do acesso ao ensino”: Mas em que é que ficamos quando na tal peça online se lê que “os constitucionalistas Bacelar Gouveia e Costa Andrade dizem que essa hipótese é, de facto, possível e não colide com a Constituição da República Portuguesa (CRP), que no seu entender apenas estabelece como universal e gratuita a frequência do ensino básico.” Não saberiam os ilustres constitucionalistas que o Governo actual recentemente publicou legislação estabelecendo a escolaridade obrigatória até ao 12º ano? Não me parece que não o soubessem. Às tantas, discute-se se básico e obrigatório significam de facto a mesma coisa, o que é no mínimo risível e é com pena que vejo os jornalistas caírem nestas manobras de diversão conceptuais, como vem acontecendo com “conceitos” como o de “refundação” ou de “renegociação”, com os quais os senhores do momento gostam de nos entreter. O ensino básico não foi “crescendo” de acordo com a progressão do ensino obrigatório? Não se criou o 3º ciclo do ensino básico quando a escolaridade obrigatória foi prolongada até ao 9º ano? Ou então se não é básico, porque é que é obrigatório? E o que é obrigatório paga-se? É um novo imposto? Porque não fazem os nossos jornalistas perguntas? Para que serve um jornalista que não faz perguntas?
Estranho também é na peça ser dito que o primeiro-ministro “foi erradamente citado com tendo admitido a introdução de propinas no ensino secundário”, quando no parágrafo anterior é citada a afirmação de Passos Coelho que aponta precisamente nesse sentido.
Verifiquei que a peça online também foi entretanto completada com o parecer de Jorge Miranda e as novas achegas de Bacelar Gouveia e Costa Andrade, para além da confusa alegada clarificação do que o Primeiro-Ministro dissera ou pretendera dizer.
A forma como decorreu este processo parece-me pouco digna de um jornal dito de referência como o “Público” e quebra a confiança que o leitor deposita no rigor e isenção do trabalho jornalístico que aí é realizado (…).
1 de Dezembro de 2012
Ivone Neiva Santos

 

Perguntas dirigidas à redacção do PÚBLICO

Da exposição da leitora, parecem-me retirar-se principalmente as seguintes questões:

1) Deviam ou não os constitucionalistas ligados ao PSD ter sido identificados como tal?

2) Deviam ou não ter sido ouvidos, logo para a primeira notícia, especialistas de direito constitucional sem ligações à maioria governamental?

3) Há alguma razão válida para que o comentário que a leitora refere ter enviado (e cujo teor não conheço) não tenha sido publicado?

4) Consideram que a leitora tem razão quando escreve “Estranho também é na peça ser dito que o primeiro-ministro ‘foi erradamente citado com tendo admitido a introdução de propinas no ensino secundário’, quando no parágrafo anterior é citada a afirmação de Passos Coelho que aponta precisamente nesse sentido”?

Independentemente do esclarecimento destes pontos, parece terem existido problemas, que poderão ter confundido outros leitores, no modo como este assunto foi noticiado um dia após a entrevista do primeiro-ministro à TVI e nos dias seguintes (até à hora a que escrevo, pelo menos mais nove notícias na edição online — incluindo, a 02.12, o desmentido feito por Passos Coelho em Cabo Verde acerca da alegada intenção governamental de “criar co-pagamentos no ensino obrigatório” — e duas notícias no jornal impresso), o que me leva a formular mais duas questões:

5) Como se explica que o primeiro-ministro tenha sido erradamente citado na notícia original? Li a explicação de que o erro partiu de um despacho da Lusa, mas não deveria ter sido verificado, até face à importância do tema, o que ele realmente dissera na véspera, na entrevista à TVI? E não houve tempo suficiente para esclarecer junto dele ou do seu gabinete o significado do que afirmara na televisão?

6) Não deve o PÚBLICO, face ao relevo que o tema ganhou, e que aparentemente se mantém, explicar aos seus leitores todo o processo de forma mais clara, incluindo o que pode esperar-se na sequência da entrevista do primeiro-ministro?

6 de Dezembro de 2012
José Queirós

 

Resposta da jornalista (e editora online) Bárbara Wong

1. Em relação à questão 5 (…), passo a relatar o que sucedeu:
Na noite de dia 28/11, não vi a entrevista que o primeiro-ministro deu à TVI.
Na manhã de dia 29/11, à vinda para o jornal, nas rádios Antena 1 e TSF ouvi algumas partes da entrevista que, quando cheguei ao jornal, reconheci nos primeiros telexes da Lusa, com as primeiras reacções à entrevista do senhor primeiro-ministro
Quando cheguei ao jornal, onde tenho actualmente o cargo de editora online, comecei a escrever uma notícia com base nas notícias já publicadas pela Lusa com as primeiras reacções dos sindicatos e do ex-ministro da Educação Júlio Pedrosa.
Os telexes da Lusa citavam a frase que tinha ouvido na rádio, em dois canais diferentes, dita pela voz do primeiro-ministro. Portanto, não me suscitou qualquer dúvida citar a frase “não trava mudanças no financiamento do sistema educativo, que pode assim passar a ser semipúblico com a introdução de co-pagamentos nos níveis de ensino que hoje são gratuitos”. Por isso, ao escrever, atribui-a a Pedro Passos Coelho, confiante na Lusa. De sublinhar que esta frase aparecia como uma citação, entre aspas.
Assim que o editor [da secção] Portugal, Tiago Luz Pedro, chegou à redacção e me informou que iríamos pedir mais reacções – um trabalho a cargo da jornalista Graça Barbosa Ribeiro – e decidimos que estas seriam inseridas no texto já começado, eu desliguei-me do tema e vi com menos regularidade os telexes da Lusa sobre esse assunto, uma vez que estava a ser tratado pela secção correspondente. Contudo, recordo-me de ter visto um telex com as reacções do secretário de Estado Casanova de Almeida, onde a frase aparecia, mais uma vez, entre aspas.
Depois de ter saído do jornal, fui contactada pela jornalista Clara Viana que me perguntou se tinha visto a entrevista e ouvido aquela frase. Respondi que não, que a tinha citado a partir da Lusa.
Mais tarde, fui contactada por um assessor do gabinete de imprensa do Ministério da Educação e Ciência, que me informou que aquela frase não tinha sido dita pelo primeiro-ministro, que a Lusa tinha posto um telex com uma correcção, a meio da manhã – que eu não vi; mas que depois voltara a citar a mesma frase no telex com as declarações do secretário de Estado – o que eu tinha visto por se tratar das primeiras declarações oficiais de um membro do Governo à entrevista do primeiro-ministro.
Imediatamente liguei para a jornalista Clara Viana, informando-a do erro que a jornalista já tinha confirmado no visionamento de toda a entrevista. Foi feita a correcção e um pedido de desculpas ao visado e aos leitores do online.
A Lusa não é uma fonte que até agora me cause qualquer dúvida e por isso citei, sem ver a entrevista, com a confiança que aquela frase que eu não ouvira nas rádios tinha sido dita. Afinal todos os órgãos de comunicação social fazem selecção de informação e as rádios podiam não ter pegado naquela frase. Não me era possível visionar a entrevista com as várias funções que tinha e tenho em mãos: arrancar com o dia no online, atribuir trabalhos, editar textos, publicá-los e organizá-los nas páginas do site. Todas essas tarefas me impossibilitam de conseguir acompanhar todas as peças que posso ter começado a escrever logo de manhã.
Por exemplo, ontem e hoje, com a morte do arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer, eu escrevi um primeiro texto, logo de manhã, antes de os jornalistas da Cultura chegarem e depois eles continuaram a completar esses textos, deixando eu de me ocupar com eles e agarrando outras tarefas.
Errei porque confiei na Lusa mas, mal foi identificado o erro, corrigimos imediatamente, pedindo desculpas ao visado e aos leitores.
O imediato do online pode levar-nos a cometer erros. Contudo temos sempre a preocupação de não nos precipitarmos. Ainda esta quarta-feira, chegou-nos a informação que havia um parecer do PGR sobre imagens em bruto da RTP. O “DN” publicou imediatamente e nós fomos confirmar — afinal, o parecer era de 1997. Neste caso concreto lamento, mas era impossível para mim ouvir a entrevista na totalidade e, repito, confiei na Lusa.

2. Quanto à questão 1 e 2, sobre os constitucionalistas:
Também na rádio, ouvi o constitucionalista Bacelar Gouveia, assim identificado —“constitucionalista” — e sem uma palavra sobre a sua cor política. A Lusa também o citava e não o colava a qualquer força política. No entanto, mal tivemos a reacção do constitucionalista Jorge Miranda foi feita uma notícia autónoma que esteve destacada na página principal do PÚBLICO online, bem como na sua página de Portugal. Esteve destacada isoladamente e essa é uma escolha editorial. http://www.publico.pt/sociedade/noticia/jorge-miranda-taxar-o-secundario-e-manifestamente-inconstitucional-1575489

3. Questão 3, sobre o comentário da leitora não ter sido publicado:
Tal como o provedor, também desconheço o teor do comentário da leitora — podemos tentar encontrá-lo mas, para isso, precisamos do nome com que a senhora se identificou. Se tiver feito o comentário de forma anónima, se se lembrar do dia e hora, talvez o encontremos.
Quando é que os comentários são rejeitados? Quando são ofensivos, quando estão escritos em caixa alta, quando fazem insinuações ou acusam as pessoas de algo que não podemos confirmar. Com a nova política de edição de comentários a função de os reprovar não cabe só ao PÚBLICO mas aos leitores registados e com reputação para tal.

7 de Dezembro de 2012
Bárbara Wong

 

 

Resposta da jornalista Clara Viana

1. Um primeiro esclarecimento: quando, no dia 29 de Novembro, cheguei ao jornal já a notícia em causa estava publicada há algum tempo no site. Dizia-se ali que na véspera o primeiro-ministro Passos Coelho dissera na TVI que a Constituição “não trava mudanças no financiamento do sistema educativo, que pode assim passar a ser semipúblico com a introdução de co-pagamentos nos níveis de ensino que hoje são gratuitos”. O meu contributo para esta notícia limitou-se a um ou dois parágrafos a lembrar o enquadramento legal da escolaridade obrigatória e o que está escrito na Constituição a este respeito, o que não justificava sequer que o meu nome fosse acrescentado às assinaturas desta notícia. Dito isto, por ter tido depois um papel activo na correcção do erro e por considerar que o que se passou foi de facto grave, deixo aqui um ponto de situação e algumas considerações:

2. Quando cheguei ao jornal, no dia 29, foi-me atribuído parte do destaque da edição em papel do dia 30, também sobre este caso. A Graça Barbosa Ribeiro faria um texto com as reacções dos constitucionalistas. E eu e a Andreia Sanches tentaríamos perceber, falando com vários interlocutores, que cenários se poderiam concretizar com a declaração de intenções de Passos Coelho. Como nenhuma de nós tinha visto a entrevista na véspera, fomos confirmar num primeiro tempo o que foi dito ali. No site da TVI encontrava-se disponível o mesmo vídeo de dois minutos, que já acompanhava também a notícia publicada no nosso site. Nesse excerto, em lado nenhum Passos Coelho proferia a frase que lhe estava atribuída. Depois de ter confirmado que a frase citada na nossa notícia fora retirada da Lusa, e que ninguém ouvira a entrevista antes, pedi à TVI o vídeo com reprodução integral desta, que só chegou a meio da tarde. Eu e a Andreia ouvimos toda a entrevista (52 minutos): a frase atribuída não existia de facto em lado nenhum, sendo que a parte relativa à educação se esgotava mesmo nos dois minutos incluídos no vídeo que estava no online.

Demos conhecimento deste facto anómalo ao editor de Portugal, Tiago Luz Pedro, e ao director de fecho, Miguel Gaspar. Começámos então, com o editor de Portugal, a preparar a correcção. Como entretanto chegou o esclarecimento que tinha pedido ao Ministério da Educação e Ciência decidimos aproveitar a notícia que iria fazer com esta resposta para fazer a primeira correcção ao que já se encontrava publicado. O que foi feito às 19h54. Nesta notícia reproduzíamos a frase que foi de facto dita por Passos Coelho. O Tiago e a Andreia corrigiram depois as outras notícias que já se encontravam publicadas, pelo que a leitora terá feito alguma confusão quando afirma: “Estranho também na peça ser dito que o primeiro-ministro ‘foi erradamente citado com tendo admitido a introdução de propinas no ensino secundário’, quando no parágrafo anterior é citada a afirmação de Passos Coelho que aponta precisamente nesse sentido”.

3. O que Passos Coelho disse podia de facto abrir a porta ao que era avançado na nossa primeira notícia: pagamentos no ensino secundário. Mas esse era apenas um de vários cenários. Assumimos que era o único, acrescentando a parte do secundário à frase citada pela Lusa e que nunca fora proferida pelo primeiro-ministro. Na minha opinião, houve aqui uma cadeia de erros lamentável.
O que a Lusa fez é inqualificável: não só atribuiu a alguém algo que não foi dito, como não assumiu claramente o erro nas atabalhoadas correcções que fez posteriormente, onde se chamava a atenção apenas para um erro de interpretação no quarto parágrafo….
Quanto ao PÚBLICO cometeu, acho eu, um erro primário ao avançar para uma história com o impacto desta sem antes ter ido à fonte original: a entrevista divulgada pela TVI. Citámos uma frase retirada da Lusa, mas sem citar esta fonte e assumindo, assim, que para nós também era o que Passos Coelho tinha dito.
A rapidez não se deve sobrepor ao rigor. Lamento que depois de detectado o erro, não tenha sido feita qualquer reflexão interna sobre o que nos levou aqui.

4. Não pedi esclarecimentos ao gabinete do primeiro-ministro, tendo-me antes dirigido aos assessores do ministro da Educação, na pressuposição de que este teria de estar a par dos novos planos de financiamento. A resposta chegou ao fim da tarde. Estranhamente, aliás, o gabinete de Passos Coelho não fez qualquer correcção durante todo o dia às notícias que lhe atribuíam uma frase errada. Coube ao MEC fazê-lo.

5. Quanto à pergunta 6, penso que não houve aqui omissão do Público. Na edição de dia 30 e depois na de dia 2, (…) avançámos com cenários com base em declarações de directores, pais e investigadores, e que incluíam até a possibilidade de um aumento das propinas do ensino superior. Na edição de 30, com um texto da Andreia Sanches, elencámos também o que as famílias já gastam na educação. E espreitámos o que se passa no resto da Europa com o ensino obrigatória no que respeita a pagamentos. Tentámos também, sobretudo, não embarcar em especulações com base em cenários avançados por fontes anónimas, como foi o caso do DN. E iremos voltar ao assunto na edição de domingo (…). 

7 de Dezembro de 2012
Clara Viana

 

Resposta da jornalista Graça Barbosa Ribeiro 

Questão 1:
Deviam ou não os constitucionalistas ligados ao PSD ter sido identificados como tal?
Recordo que o objectivo era ouvir o maior número possível de constitucionalistas e que as tentativas de contacto começaram a ser feitas com a expectativa de promover um debate amplo.
O primeiro que consegui contactar foi Costa Andrade, que se limitou a usar argumentação jurídica para fundamentar a sua opinião, que reproduzi numa notícia que foi publicada no online. Neste caso, por não haver qualquer posição política, não considerei relevante dizer que estava ligado ao PSD.
A segunda pessoa a ser ouvida foi Jorge Miranda. Este constitucionalista sustentou uma posição divergente da de Costa Andrade. A partir desse momento, o contraditório estava feito, ou seja, era explícito para o leitor que sobre a mesma matéria os constitucionalistas estavam divididos. Note-se que, para além de integrar a peça principal, esta segunda notícia (“Jorge Miranda: taxar o secundário é “manifestamente inconstitucional”) teve destaque de manchete no online.
Tendo publicado duas posições divergentes continuei a insistir nas tentativas de contacto com os restantes oito constitucionalistas. Consegui ouvir, ao fim da tarde, Bacelar Gouveia. Este constitucionalista já tinha sido ouvido pela agência Lusa, mas estando eu a fazer uma peça sobre o assunto achei que não se justificava aproveitar o trabalho da agência a não ser que, em tempo útil, não pudesse fazer, eu, as perguntas.
Bacelar Gouveia destacou-se dos dois primeiros constitucionalistas por tomar uma posição claramente política e polémica, ao defender que numa revisão constitucional se consagrasse a progressiva onerosidade do acesso à Educação. Neste caso, devia ter estabelecido as ligações políticas do constitucionalista ao PSD, lamento não o ter feito. Essa informação seria útil e necessária para contextualizar a defesa do pagamento do ensino obrigatório. Não tenho nenhuma boa razão para essa omissão que, por outro lado, como é óbvio, não foi consciente, não resultou de uma decisão de ocultar um dado.
Na peça feita para a edição em papel, do dia seguinte (em que já não trabalhava com base em expectativas mas com a certeza de que apenas dispunha das posições de três constitucionalistas) devia ter indicado o posicionamento de cada uma das pessoas ouvidas.
Apesar disso, penso não se pode concluir que o trabalho tenha passado a ser, por isso, desequilibrado e muito menos tendencioso. Os leitores puderam constatar o essencial: que com argumentos técnicos e com base nos mesmos artigos da constituição, especialistas defendem posições não coincidentes (no caso de Costa Andrade e Bacelar Gouveia) ou divergentes (entre estes e Jorge Miranda) em relação à constitucionalidade das taxas no ensino secundário.
Considero curioso e merecedor de reflexão que a mesma leitora que pensa que as notícias publicadas no online não são equilibradas já se mostre satisfeita com a publicada em papel, no dia seguinte, em que são reproduzidas precisamente as mesmas opiniões dos três constitucionalistas. A única diferença é que no lead e no título destacamos que aqueles se dividem, o que não estava escrito, mas era explícito, na edição online. 

 Questão 2:
Deviam ou não ter sido ouvidos, logo para a primeira notícia, especialistas de direito constitucional sem ligações à maioria governamental?
Quando comecei a tentar ouvir constitucionalistas sobre a possibilidade de taxar o acesso ao ensino secundário, não tive, de facto, a preocupação de fazer uma notícia ouvindo académicos ligados à maioria ou à oposição. Procurava uma opinião técnica, especializada e não política (por isso estava a ouvir constitucionalistas e não deputados, por exemplo). A questão era: a Constituição permite taxar o acesso ao secundário? Tendo contactos de onze personalidades com reconhecido mérito nessa área (de áreas políticas diferentes ou não conhecidas), para as onze telefonei, com igual insistência, ao longo de todo o dia. Quatro atenderam os telefones ou telemóveis e uma não quis pronunciar-se, alegando que não dispunha de dados que lhe permitissem fazê-lo.
As notícias com as opiniões dos três juristas foram enviadas para o editor Tiago Luz Pedro e colocadas online pela ordem em que aqueles foram ouvidos, o que fez com que, de facto, o contraditório não fosse imediato.
Acontece que, ao contrário do que se verifica no papel, no online não há limitações de tempo ou de espaço, pelo que temos a possibilidade de acompanhar e de promover o debate sobre determinada matéria publicando diferentes notícias ao longo do dia; por outro lado, aos leitores é claramente indicado que a notícia está “em actualização”. Ou seja, muitas vezes não há uma primeira notícia e uma segunda notícia e, mesmo quando isso acontece, é indicada com clareza (através dos chamados links) a ligação entre as várias peças publicadas sobre o mesmo assunto.
Neste contexto, não penso que fosse necessário esperar por uma opinião divergente para publicar a primeira. Note-se que à posição de Costa Andrade, a primeira a ser ouvida e divulgada, cerca das 12h30, juntou-se, cerca de duas horas depois, também imediatamente após ser recolhida, a de Jorge Miranda, absolutamente divergente, e à qual foi dado destaque na primeira ‘página’.

Questão 5:
Quando o editor de Portugal me contactou, eu estava a tratar outro tema para a edição online. Como combinado, acabei o que estava a fazer e iniciei contactos partindo da questão que, penso, fora levantada em reunião de directores e editores: “a Constituição permite taxar o acesso ao secundário?”
O trabalho de um tema numa lógica de equipa, feito sob vários ângulos por vários jornalistas (como era o caso, segundo o editor) não era inédito no PÚBLICO — longe disso —, pelo que o encarei com toda a naturalidade.
De facto não fui ouvir a entrevista, nem tive noção de que a notícia que estava no online tinha sido produzida através da Lusa e muito menos de que continha um erro. Na verdade, se algumas fontes nos merecem cuidados especiais de verificação, mesmo quando estamos a falar de um dado que parece factual, a Lusa não está entre elas. Não é habitual a agência fazer citações erradas ou, pelo menos, não as corrigir com clareza, como aconteceu naquele caso.
Mas não foi por isso que não fiz qualquer verificação. Devia tê-lo feito? Face aos resultados, terei de dizer que sim. Mas apenas porque agora sei que a falta de verificação deu origem a uma sucessão de erros. Em circunstâncias normais, é natural confiarmos no trabalho que já está realizado e não ir verificá-lo.
Por acaso — mas realmente só por acaso, e disso não me orgulho —, o erro não contaminou a recolha de opinião dos constitucionalistas, já que em todos os casos foi pedido um parecer sobre “a possibilidade de taxar o ensino secundário” e não sobre o anúncio de que tal iria ser feito.
Agora é uma tentação dizer: se não fosse o online, o erro teria sido detectado a tempo. O problema é que há o online, por isso o condicional de nada serve. Nesse campo, penso, temos de amadurecer, criando mecanismos de controlo e afinando também a articulação entre editores, entre editores e jornalistas e entre jornalistas, especialmente no caso de trabalhos de equipa —que são feitos a um ritmo muito diferente daquele a que estávamos habituados e coordenados por editores com múltiplas tarefas. Reflectirmos sobre isto é uma urgência e a falta de tempo para fazer reuniões (ou mesmo a distância física) não é justificação para o adiar. O que estamos a fazer em resposta ao provedor já poderia ter sido feito da mesma forma, através de e-mail, entre nós.

Questão 6:
Penso que tem sido feito o devido acompanhamento do tema, sem cair no erro de entrar no domínio da especulação.

7 de Dezembro de 2012
Graça Barbosa Ribeiro

 

Resposta do editor Tiago Luz Pedro

1. A minha intervenção neste processo foi central a dois níveis: no acompanhamento, ao longo de todo o dia, do tema no online; e no lançamento do destaque que fizemos sair no dia seguinte na edição em papel. Centro-me no primeiro suporte, afinal aquele onde foram publicadas as notícias que mereceram os reparos desta nossa leitora.

2. Quanto “agarrei” o tema para o site fi-lo a partir de uma primeira versão de um texto que já então estava publicado, e onde o primeiro-ministro surge erradamente citado como tendo dito algo que efectivamente não disse na sua entrevista à TVI. Não me apercebi do erro logo nesse instante nem nas horas subsequentes, em que fui actualizando o texto com novas informações que me foram chegando das jornalistas que destaquei para o trabalho. Nada do que ali estava escrito me oferecia dúvidas: afinal, esse — a eventual introdução de taxas ou outras formas de co-pagamento no ensino obrigatório — era o objecto central dos comentários que ouvi de constitucionalistas e de um ex-ministro da Educação na rádio a caminho do jornal, e as declarações que li na notícia como tendo sido ditas por Passos Coelho limitavam-se a confirmá-lo. Mais: a notícia foi-me deixada pela minha colega Bárbara Wong, com quem trabalho há anos e que tem larga experiência no tratamento de temas na área da Educação. 

3. Foi só mais tarde, quando do lançamento do tema no papel, que começámos a aperceber-nos que podíamos ter incorrido num erro. Uma das jornalistas ouviu as declarações do primeiro-ministro num curto excerto da entrevista em vídeo e a frase em questão não constava. Logo aí a Clara tomou a iniciativa de pedir à TVI a entrevista na íntegra, que nos permitiu confirmar que Passos Coelho não tinha, de facto, dito o que lhe atribuíramos. Seguimos então dois caminhos: corrigir as duas notícias que publicáramos no site onde essa citação constava, fazendo-as acompanhar no final de uma nota de esclarecimento aos leitores; e publicar uma nova notícia a partir de uma nota que entretanto nos acabara de chegar do Ministério da Educação e Ciência. Essa notícia (http://www.publico.pt/sociedade/noticia/governo-diz-que-gratuitidade-do-ensino-nao-esta-em-causa-1575525), que passou a ser a notícia principal sobre o tema destacada no site do PÚBLICO, incluía no seu corpo a explicação para o erro.

4. É óbvio que o PÚBLICO errou neste caso e o erro, como todos os erros, é grave o suficiente para que dele devamos tirar as devidas ilações. Não fizemos o que devíamos ter feito: confirmar na fonte original — neste caso pública e acessível — a factualidade do que se pretende noticiar.

5. Sobre a questão central suscitada pela leitora, devo dizer que quando pedi à Graça Barbosa Ribeiro que ouvisse constitucionalistas para o trabalho não estava à procura de alinhamentos partidários ou ideológicos mais à esquerda ou mais à direita, mas tão-só de posições que ajudassem a clarificar o que a Constituição diz sobre a possibilidade de serem introduzidas taxas no sistema público de ensino. Na primeira versão do artigo que me foi deixada estava já a posição de Bacelar Gouveia, por sinal também ela tirada de um despacho da Lusa. Juntámos-lhe depois no mesmo texto a opinião de Costa Andrade, recolhida já pela Graça, e que era de facto coincidente com a primeira. E quando finalmente tivemos uma posição (a de Jorge Miranda) divergente, não só a acrescentámos na notícia principal (o que nos permitiu o necessário contraditório) como a publicámos de forma mais detalhada numa nova notícia, com título próprio. A lógica era essa: ter um longo texto que fossemos actualizando ao longo do dia (e que foi sinalizado como tal) e abrir à sua volta novos textos noticiosos sobre o tema sempre que tal se justificasse, fosse pela relevância ou pela novidade. Fizemo-lo, se a memória não me falha, por quatro vezes: com Jorge Miranda, que pela primeira vez se pronunciava sobre o tema; com a posição do secretário de Estado Casanova de Almeida, que traduzia a primeira reacção de um membro do Governo ao assunto; com a já referida posição do MEC, na notícia em que assumimos o erro da citação de Passos que nunca existiu; e depois com Bacelar Gouveia, já à noite, que finalmente conseguimos ouvir e que acrescentou dados novos ao que até então tinha dito.

 6. Se devíamos ter identificado cada um dos juristas ouvidos de acordo com a sua “filiação” partidária? Sim, como informação de contexto que ajudaria o leitor a melhor enquadrar as posições de uns e outros. Mas confesso que tal nunca me ocorreu, nem esteve nunca no espírito do trabalho levá-lo para um campo mais político. Aliás, a bem do rigor da informação, poder-se-ia sempre dizer que também Jorge Miranda foi deputado na Assembleia Constituinte, em 1974, quando era então militante do PSD…

7 de Dezembro de 2012
Tiago Luz Pedro

 

Resposta do director adjunto Miguel Gaspar

Questão 5:
O erro na citação da Lusa inserido na notícia do online deveria ter sido verificado mais cedo pela redacção do jornal no seu todo, sobretudo após ter sido decidido que esse seria o destaque da edição em papel.
Independentemente da notícia da Lusa, a entrevista do primeiro-ministro deveria ter sido revista para se identificar as expressões exactas que ele utilizou. Enquanto director de fecho por essa edição, assumo esse erro, corrigido depois quando as jornalistas Clara Viana e Andreia Sanches visionaram a entrevista, quando começaram o seu trabalho para a edição em papel.

7 de Dezembro de 2012
Miguel Gaspar

 

 

 

 

Um comentário a Trapalhadas políticas e erros jornalísticos

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