Regresso aos erros

(Crónica da edição de 11 de Dezembro de 2011)

É um exemplo entre muitos. Apesar de atraído pelas “excelentes fotografias de Daniel Blaufuks”, o leitor Carlos Coutinho, de Matosinhos, não chegou a ler a reportagem intitulada Sob o signo de W.G. Sebald, anteontem publicada no suplemento Ípsilon. Explica porquê: “(…) Na legenda da fotogafia da primeira página li, com espanto: ‘Quando nos anos 90 W.G. Sebald escreveu ‘Os Anéis de Saturno’ e referiu um funeral em Framingham Earl, teria-lhe ocorrido…’. E já não li mais. ‘Teria-lhe’ (…)? Numa reportagem que certamente terá sido dispendiosa, em Inglaterra, sobre um escritor? Ao que chegamos!”

O leitor terá assim perdido a também excelente peregrinação literária com que a autora do texto, Susana Moreira Marques, assinalou o décimo aniversário da morte de Sebald, mas a sua irritação é compreensível. Tal como é compreensível que pergunte “se actualmente já não existe aquela simpática figura que antigamente tinha um lugar de responsabilidade em qualquer jornal ou editora, chamado ‘revisor de texto'”. A verdade é que essa figura já só existe residualmente. O número de profissionais a quem cabe zelar pela correcção da escrita dos textos do PÚBLICO diminuiu drasticamente nos últimos anos e vários procedimentos de controlo de qualidade foram eliminados (há uns meses, citei aqui o depoimento de um desses profissionais, explicando que certos suplementos do jornal, como o Ípsilon, já “não são revis­tos, salvo espo­ra­di­ca­mente”).

Tendo já abordado mais do que uma vez o tema dos erros de redacção e edição, procuro evitar que este espaço se transforme num mostruário semanal das falhas apontadas pelos leitores. Penso que, para além de algumas medidas já recomendadas, aparentemente sem grandes resultados práticos, não há muito a acrescentar quanto ao essencial do que está em causa. E o essencial é que, quaisquer que sejam as restrições financeiras, há limites abaixo dos quais um jornal de qualidade não pode descer sem desmerecer esse rótulo. É uma questão de respeito pelos direitos dos consumidores.

Não posso, no entanto, ignorar o facto de ser esse o motivo de uma grande parte das queixas que recebo, nem deixar de constatar que os responsáveis editoriais continuam aparentemente a subestimar a legítima irritação manifestada a este respeito por muitos compradores do jornal. Suspeito que só a pressão dos leitores, e uma maior visibilidade das suas reclamações, poderá colocar o problema do controlo de qualidade dos textos no nível adequado das prioridades editoriais.

Não se trata apenas dos erros de português. A falta de cuidado na composição dos títulos é frequente. “Futebol / Eleições na Federação vão eleger os novos corpos dirigentes“, lia-se na edição de ontem, a abrir as páginas de desporto. Por vezes parecem inspirados na peculiar escrita do telégrafo de ontem ou das mensagens dos telemóveis de hoje, suprimindo artigos, pronomes, preposições (“Cavaco defende redução TSU se aumentar produção bens para exportação“, “Cuba aprova lei que permite privados vender e comprar casas“,”Confiança afunda na zona euro…”, são exemplos detectados por leitores do Público Online).

Outras vezes os títulos são enganosos, afirmam coisa diferente do que dizem as notícias. “Hospitais pagam por cesarianas sem justificação“, lia-se anteontem em chamada de capa para a notícia de que um grupo formado para estudar a reforma hospitalar propõe precisamente que venha a ser ponderada uma penalização financeira para essas situações. Semanas atrás, o leitor Alfredo Pereira criticava o título “Governo proíbe políticos de receberem avenças na RTP” (estava em causa, não a prepotência sugerida, mas uma indicação do Governo à administração do canal público para eliminar avenças pagas a comentadores que fossem titulares de cargos públicos), enquanto Sebastião Oliveira chamava a atenção para o erro de se titular “Indignados marcam nova concentração no dia de aprovação do OE” quando se pretendia dizer “para o dia da aprovação do OE”. Outro leitor notava que a frase “(…) um dia depois de a agência Moody’s alertar para a solidez da dívida francesa” significava o contrário daquilo que se quis noticiar.  E Ricardo Ferreira condenava a “assertividade” do título “Afinal Van Gogh não se suicidou, foi vítima de uma bala perdida“, para uma notícia que se limitava a relatar a publicação em livro de uma nova tese, não comprovada, sobre as circunstâncias da morte do pintor.

Em matéria de títulos, valerá a pena recuar até à edição de 25 de Setembro passado para recordar, como exemplo de flagrante descuido no fecho da primeira página, o título “Estes são os dez actores que vale a pena ver na nova temporada“, sob uma fotografia em que se vêem… sete pessoas. “O título estava feito, não havia foto conjunta dos dez, o director de fecho não reparou” na incongruência — é o que me foi explicado. Não é aceitável.

Como não é aceitável que se identifique Georges Braque como “escritor” (pág. 3 do P2 de 17.11; chamada de atenção da leitora Alda Nobre). Ou que se escolha, para ilustrar uma nota de efeméride sobre a data em que Fidel Castro se tornou presidente do Conselho de Estado de Cuba, intitulada “2 de Dezembro de 1976”, uma imagem em que se vê o líder cubano ao lado de Che Guevara, falecido em 1967 (pág. 2 do P2 de 2.12; reclamação do leitor Pedro Amorim). Ou, mais grave, que não se perceba a diferença entre percentagens e pontos percentuais, ao escrever-se que o PSD perdeu 15,6% dos votos na Madeira (ao passar de 64,2% dos sufrágios em 2007 para 48,6% este ano), quando 15,6 são os pontos percentuais perdidos. “Se o jornal pretendia dar a informação em percentagem, deveria ter escrito que o PSD perdeu 24,3% dos votos”, pois “um jornal como o PÚBLICO não pode (não deve) cometer erros destes” (pág. 3 e Editorial de 10.10; citações de uma mensagem de Daniel Amaral).

Outras falhas, mais frequentes na edição online, são as que decorrem de erros de tradução ou de má compreensão de textos em idiomas estrangeiros, para que têm alertado especialmente leitores que consultam a imprensa internacional. É uma questão que já aqui abordei (crónica de 9 de Outubro passado) e que ganha nova visibilidade e importância com a útil iniciativa da direcção do jornal de passar a publicar regularmente artigos de opinião de conceituados colunistas internacionais. A tradução desses textos deve ser irrepreensível, como defende o leitor Pedro Amorim, que tem razão quando nota que o título do recente livro de Henry Kissinger (On China), citado num artigo de Dominique Moisi (edição de 23.11) não significa “Na China”, como se escreveu, mas, por exemplo, “Da China” ou “Sobre a China”.

Pior é quando a tradução não é sequer efectuada, levando ao uso impróprio de termos ou vocábulos estrangeiros nas páginas do jornal. Será de preguiça ou de obtusidade que devemos falar quando vemos, como aconteceu há algum tempo numa página dedicada à situação na Palestina, uma fotografia legendada com a frase “Manifestação ontem em West Bank…”? De laxismo editorial podemos falar certamente.

Alguns dos leitores que apontam a frequência de erros de redacção e edição queixam-se também de que são geralmente ignorados os comentários que enviam para o PÚBLICO, e nomeadamente para as caixas de comentários da edição online. Veja-se o caso de Francisco Feio, que leu a notícia “Degas e Picasso sem compradores em leilão nos Estados Unidos” (Público Online, 02.11), em que se escreveu que tinham “apenas sido compradas cerca de dois terços das 82 peças levadas à praça”, para uns parágrafos adiante se concluir que “mais de metade das obras” ficara “por vender”. O seu comentário, a alertar para a incongruência, acabou por ser publicado, mas o texto não foi alterado.

A permanência em linha, na edição para a Internet, de erros repetidamente denunciados é incompreensível e desanima os leitores mais empenhados. Bruno Almeida apresenta um caso caricato: estão quase a passar três anos sobre a publicação na edição online (secção “Ecosfera”) de uma notícia intitulada “EDP vai elevar para quatro o número de centrais de biomassa em 2009“, em que os valores de potência energética das ditas centrais são persistente e erradamente referidos como “megavolts”, e não como “megawatts”. Até hoje, os avisos dos leitores não foram suficientes para que se alterasse o texto.

O leitor Pedro Amorim, anteriormente citado, apresenta-se como leitor fiel e admirador deste jornal e sintetiza o que muitos outros pensarão: “No PÚBLICO os erros ocorrem diariamente. Os leitores detectam e informam, o provedor investiga e lamenta, a directora explica, os responsáveis justificam e desculpam, o PÚBLICO desculpa e promete, mas a verdade é que nada muda. Se os leitores são eficazes a detectar erros e gralhas, porque não consegue o PÚBLICO implementar um sistema que detecte os erros (…)?”.

Por mim, não direi que “nada muda”. Um dos sinais positivos que devo sublinhar é o facto de finalmente se ter tornado habitual a sinalização e a explicação adequada das correcções introduzidas nas notícias online. Mantenho, no entanto, que a frequência de erros em ambas as edições do PÚBLICO é superior ao que é tolerável num jornal de qualidade. E que não é prestada a atenção suficiente à intervenção crítica dos leitores.

 José Queirós

 

 

Documentação complementar

Algumas mensagens de leitores, apontando erros no PÚBLICO

 Já não existem revisores?

Leitor do Público desde o número zero, venho notando com tristeza que a falta de qualidade do seu jornalismo (ou jornalistas?) tem aumentado assustadoramente, talvez contrastando com a nova orientação ideologicamente neoliberal e a diminuição do número de folhas do jornal. Qualquer dia acaba…Vem isto a propósito da reportagem inserida hoje [09.12.11] no “Ípsilon” (pág.8), intitulada Sob o signo de W.G. Sebald, que é ilustrada com excelentes fotografias de Daniel Blaufuks. No que diz respeito ao texto, na legenda da fotogafia da primeira página li, com espanto, “Quando nos anos 90 W.G. Sebald escreveu “Os Anéis de Saturno” e referiu um funeral em Framingham Earl teria-lhe ocorrido…”, e já não li mais. “Teria-lhe”? Numa reportagem que certamente terá sido dispendiosa, em Inglaterra, sobre um escritor? Ao que chegámos! Também me interrogo se actualmente já não existe aquela simpática figuraque antigamente tinha um lugar de responsabilidade em qualquer jornal ou editora, chamado “revisor de texto”.
9 de Dezembro de 2011
Carlos Coutinho
Matosinhos

 

A verdade é que nada muda

Mais um erro. P2 de sexta [02.12.11], secção “No passado”. O título é 2 de Dezembro de 1976 e a foto, tema central desta secção, mostra Fidel Castro e Che Guevara. Acontece que o Che morreu em 1967… No Público os erros ocorrem diariamente. Os leitores detectam e informam, o provedor investiga e lamenta, a directora explica, os responsáveis justificam e desculpam, o Público desculpa e promete, mas a verdade é que nada muda. Se os leitores são eficazes a detectar erros e gralhas, porque não consegue o Público implementar um sistema que detecte os erros antes da edição impressa ou on-line? Considero-me como “vosso amigo”, admiro e defendo o jornal, sorvo a sua informação num muito agradável ritual diário, mas (…) estou convencido de que jornais como o NYT ou o Guardian não apresentariam uma foto com o Che Guevara e uma legenda referindo o ano de 1976.
4 de Dezembro de 2011
Pedro Amorim
Porto
 

Tradução incorrecta

O Público de hoje [24.11.11] publica um artigo de opinião de Dominique Moisi, ao qual dá destaque, numa extensa nota que chama a atenção para importância e qualidade do Project Syndicate, através do qual o Público proporciona aos seus leitores artigos de opinião de elevada qualidade. Queria chamar a sua atenção para a importância que a tradução destes artigos assume. O de hoje contém um erro de tradução que a meu ver justifica esta carta e que julgo merecer atenção e, por certo, reparo. O autor cita um recente livro de Kissinger e refere o seu título, o qual surge no Público em inglês (“On China”) seguido da tradução para português, “Na China”. Creio que a tradução correcta seria “Sobre a China” ou “A propósito da China”, o que faz uma grande diferença.
24 de Novembro de 2011
Pedro Amorim
Porto

 

Pintor, não escritor

 Tenho estado calada no que a erros do Público diz respeito, porque, em geral, os que tenho detectado ou são já rotina (a “praga do catual” – faltas de concordância e assim), ou não me merecem reparos de maior. Mas desta vez, e lido o Público de hoje, 17 de Novembro, detectei um erro inadmissível, que urge reparar: Caderno P2, pág. 3, secção “Escrito na Pedra”, com uma citação, aliás interessantíssima, de Georges Braque. Ora o problema é que, como julgo ser do conhecimento universal, Braque foi um pintor  (um dos maiores, aliás…) e não, como vem identificado, um….”escritor”. Ou o/a responsável por esta secção é ignorante, ou a revisão (a existir) estava distraída. Urge assim rectificar o erro na secção “O Público errou” para repor a verdade e não levar os leitores ao engano. Confio que é o que o Público vai fazer, a bem do rigor e da aplicação, na prática, do tão propalado “jornalismo de referência”, que não se compraz com disparates deste teor.
17 de Novembro de 2011
Alda Nobre
Lisboa

 

Ignorar os avisos

 Toda a gente erra. Toda a gente tem o dever de se enganar uma, duas vezes, até mais, não é isso que está em causa. Mas quando é avisado do erro que está a cometer e continua a fazer o mesmo algo não está bem.Passando ao caso concreto. Pedia-lhe que abrisse este link, onde poderá ver vezes sem conta escrito potência em unidades de megavolts: http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354887. Ora essas unidades não existem. O correto é megawatts. Tal como é dito pelos inúmeros comentários a esta notícia. Confesso aqui que não sei até que ponto podem reeditar uma notícia que já foi lançada. Mas a verdade é que se a mesma continua acessível (online) devia poder-se alterar.
8 de Novembro de 2011
Bruno Almeida

 

Comentários inúteis?

[Acerca da notícia “Degas e Picasso sem compradores em leilão nos Estados Unidos”, de Cláudia Carvalho, publicada a 02.11.11 no Público Online:] custa-me a perceber porque é que quando comentamos as notícias chamando a atenção para os erros (alguém por favor explique aritmética básica à Cláudia), para o abuso da colagem de fragmentos de notícias de outras fontes (no caso a BBC e o El País) e ainda para a não compreensão do que se leu no original (no caso o titulo da obra do Picasso), os comentários nunca são publicados…. Alguém explica? Não é suposto que os comentários também sirvam para isto? Estarei a violar alguma regra dos comentários? Fui dos primeiros a aplaudir a moderação de comentários, mas se é para isto não vale a pena. Neste caso foi sobre a notícia de um leilão de obras de arte em Nova Iorque; tem acontecido noutros. E por regra, nunca são publicados.
4 de Novembro de 2011
Francisco Feio

 

Preposições

No terceiro parágrafo a contar do fim [ na notícia “Igreja ‘não deve temer a verdade’, reage José Rodrigues dos Santos”, de Natália Faria, publicada a 27.10.11 no Público Online] escreve-se “confrontar o leitor perante”. Creio que isto é um erro grosseiro. O verbo confrontar é seguido pela preposição “com”. O vosso jornal tem responsabilidades e este erro é inadmissível.
29 de Outubro de 2011
Alda Correia

 

Coisas que fazem confusão

Há duas coisas que me fazem confusão nesta notícia [“Afinal Van Gogh não se suicidou, foi vítima de uma bala perdida“, de Cláudia Carvalho, publicada a 17.10.11 no Público Online]. A primeira são os títulos – “Pintor foi morto por um adolescente”, “Afinal Van Gogh não se suicidou, foi vítima de uma bala perdida”. A autora parece dar como certa a teoria dos dois autores do livro “Van Gogh – The Life”, quando o próprio Museu Van Gogh recomenda cautela na sua aceitação. É verdade que no corpo da notícia fica evidente que esta é apenas uma tese, mas não é isso que os títulos indicam. Não é necessariamente verdade que “Van Gogh não se suicidou” nem que “foi morto por um adolescente”, e julgo que devia ser evitado este grau de assertividade quando se trata de uma tese não provada e claramente polémica. Em segundo lugar, o título do livro é apresentado como “Van Gogh: The Life have claimed”. Aqui trata-se claramente de má tradução, incompreensível porque o título assim apresentado nem sequer faz sentido em inglês. Numa pesquisa rápida dei com uma notícia na BBC que diz “Vincent van Gogh did not kill himself, the authors of new biography Van Gogh: The Life have claimed.” Julgo que vem daqui o erro. De qualquer forma, não há grande desculpa para ele (o título da notícia da BBC é bem mais correcto: “Van Gogh did not kill himself, authors claim”; aquele “authors claim” faz toda a diferença!).
17 de Outubro de 2011
Ricardo Ferreira

[Nota: o segundo erro criticado pelo leitor foi entretanto corrigido. J.Q.]

 

Interessante, mas trapalhão

O Público Online é a plataforma de informação mais interessante – no âmbito dos órgãos da imprensa escrita, nacionais – da Internet. Mas é também o mais “trapalhão” em termos de forma e de conteúdos: erros ortográficos, texto não “justificado”, construções incorrectas. Vejamos este exemplo: “Governo proíbe políticos de receberem avenças na RTP” [Notícia de Leonete Botelho, a 15.10.11, no Público Online]. Será mesmo que o Governo pode impedir quem quer que seja de receber avenças na RTP ou, tão só, proibir a RTP de pagar essas avenças?É que são coisas diferentes!
15 de Outubro de 2011
Alfredo Pereira
 

Percentagens

Leio o PÚBLICO desde que nasceu e continuo a considerá-lo o melhor jornal diário que se publica no país. (…) Na edição do PÚBLICO de hoje [10.10.11], a propósito das eleições legislativas da Madeira, diz-se em vários pontos do jornal, incluindo o Editorial, que o PSD passou de 64,2% dos votos em 2007 para 48,6% dos votos em 2011, ou seja, perdeu 15,6% dos votos. Não é verdade: a perda foi de 15,6 pontos percentuais. Se o jornal pretendia dar a informação em percentagem deveria ter escrito que o PSD perdeu 24,3% dos votos [48,6 : 64,2 – 1 = -0,243]. (…) Um jornal como o PÚBLICO não pode (não deve) cometer erros destes.
10 de Outubro de 2011

Daniel Amaral

 

Que português é este?

Na altura em que escrevo (21.09.11, às 17:46) esta notícia [no Público Online] apresenta como título “Cavaco defende redução TSU se aumentar produção bens para exportação”. Um título destes é aceitável? Que português é este? São talvez as coisas mais fáceis de evitar e que, por não o serem, pior impressão criam de um jornal do nível do Público.
21 de Setembro de 2011
Ricardo Ferreira

O título da capa de 25 de Setembro

Pergunta dirigida à direcção editorial

O título “Estes são os dez actores que vale a pena ver na nova temporada”, sob uma fotografia que mostra sete pessoas (capa de 25/09), levantou alguma perplexidade. Há alguma explicação que possa ser dada?
J.Q.

Resposta da directora do PÚBLICO

É uma escolha infeliz. Por vezes fazem-se títulos sem termos a fotografia em página, concentrando-nos no texto e na discussão com o autor e editores do texto. Neste caso, como é aliás frequente, experimentámos vários títulos até chegarmos a este. Trabalhámos, por exemplo, sobre a ideia de “os novos actores da temporada não terem nem quererem ter glamour”, pois essa é uma atitude que une todo o grupo. Mas quando “puxámos” a fotografia para a página percebemos que não fazia sentido pois, excepcionalmente, o grupo está glamoroso na produção que fizemos. Regressámos à estaca zero. Sobre o que é este trabalho? O que queremos dizer ao leitor? O que é importante sublinhar? Fomos então para a ideia mais simples, ou seja, dizer apenas ao leitor quem eram aquelas pessoas. São, diríamos, caras desconhecidas e por isso optámos por um título de apresentação. E daí o tom tão directo, como se estivéssemos a ver o leitor espreitar para a capa e nós disséssemos: “Este é um trabalho sobre os 10 actores que você não conhece mas que vão marcar a nova temporada”. Um problema óbvio: na foto estão apenas sete dos 10 escolhidos e entrevistados. Não pareceu, mas no Público sabemos contar até 10!
30 de Setembro de 2011
Bárbara Reis

 

 

 

 

 

 

 

 

Deixar um comentário

O seu email nunca será publicado ou partilhado.Os campos obrigatórios estão assinalados *

Podes usar estas tags e atributos de HTML:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>