Festival de Almada em 2030

Desde sábado, houve de tudo, para todos os gostos:

um monólogo de instrução aos actores em geral e de homenagem a um em particular, Para Louis de Funès, de Novarina, numa espécie de sermão vieirino menos bom, cuja prosa refulge, mesmo assim;

Nora, uma versão da Casa de Boneca, de Ibsen, em que tudo se passa em frente às visitas, como se as personagens competissem pela atenção e aprovação de uma terceira personagem, nós, os espectadores — isto ao mesmo tempo que ficam mais claras as razões que cada personagem tem (em especial Krogstad, o chantagista, que noutras mãos passaria por ser apenas mais um tosco vilão de melodrama) e é bem visível a transformação emocional das personagens, feita pelos actores, ao longo da acção da peça;

Fantasia Fausto, a partir de Goethe, um recital de piano e declamação feito por um dos marabus do teatro ocidental, Peter Stein, com inquestionável maestria, erudição e germanidade;

e as duas peças inspiradas em Fernando Pessoa, Hábito, a partir d’ O Livro do Desassossego, e Lisboa, um espectáculo de rua no Largo de São Carlos.

Hoje continua o Herodíades na Teatro da Politécnica, repete o Stein no São Luiz e estreia no Teatro Nacional Dona Maria II A Véspera do Dia Final (na foto), uma criação original de Yael Ronen, a mesma encenadora que conseguiu juntar alemães, israelitas e palestinianos no palco (aqui, em Third Generation), e que desta vez traz uma peça-catástrofe – passada em 2030 – ao teatro em cujo solo, pouco mais ou menos, se fez tanto pogrom. Amanhã podem ver-se A Véspera do Dia Final, outra vez, e Dois de Nós, de Ana Pepine e Paul Cimpoieru, em Almada.

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