“Plongée dans le roman portugais”

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Plongée dans le roman portugais”, anuncia a primeira página da edição de fim-de-semana do Libération. Não é, exactamente, um mergulho no romance português, mas as três páginas que o jornal dedica a Gonçalo M. Tavares (“Dense avec les mots”), a Valter Hugo Mãe (“‘Montrer l’humanité dans le sens de sa splendeur, c’est de la provocation. J’écris pour lancer ce défi-là’”) e, em menor medida, a Valério Romão e a Rui Zink (a propósito dos livros Autismo e A instalação do medo) talvez possam ser aproveitadas numa aula de Português ou de Francês.

Três filmes de jovens portugueses na Cinemateca Francesa

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Dezasseis estudantes portugueses, com idades compreendidas entre os 8 e os 18 anos, vão apresentar em Paris, na Cinemateca Francesa, nos próximos dias 8, 9 e 10, três filmes-ensaio, realizados no âmbito de uma iniciativa pedagógica de iniciação ao cinema.
Os alunos da Escola Secundária de Camões, Lisboa; Escola EB1 do Vale da Amoreira, Moita; da Escola Secundária de Serpa e da Escola EB 2,3 Abade Correia da Serra, de Serpa, que participaram no programa pedagógico Cinema, cem anos de juventude, irão encontrar-se com colegas da Alemanha, Bélgica, Bulgária, Espanha, Finlândia, França, Itália, Lituânia, Reino Unido, Brasil, Cuba e México para partilharem experiências cinematográficas e assistir a cerca de 40 filmes, entre os quais os seus “Passeio no Campo”, “A Gota de Água” e “Amarelo Preto Preto”.
Os cineastas e os professores que orientaram esta iniciativa estarão presentes e aproveitarão para fazer o balanço anual deste programa pedagógico e preparar o do próximo ano lectivo.
Esta iniciativa pedagógica é promovida em Portugal pela Associação Cultural Os Filhos de Lumière, no âmbito de uma parceria com a Cinemateca Francesa, que coordena o programa geral, e a Cinemateca Portuguesa, integrando “O Mundo à Nossa Volta”, patrocinado pelo Programa PARTIS, da Fundação Calouste Gulbenkian. As Câmaras Municipais de Lisboa, Moita e Serpa, além de outras entidades, também apoiam os jovens cineastas.

Muhammad Ali (1942-2006)

P23 Ali Argentina Clarín
P23 Ali Brasil_Folha de S. Paulo
P23 ALi Dinamarca Politiken
P23 Ali EUA NYP
P23 Ali França Libération 1
P23 Ali India AajkaalP23 Ali Irão ShahraraP23 Ali Israel HaaretzP23 Ali Jamaica The GleanerP23 Ali Japão Asahi ShimbunP23 Ali Nova Zelândia NZHP23 Ali Portugal PúblicoP23 Ali Turquia Yeni Hayat
A morte de Muhammad Ali encontra-se nas primeiras páginas da imprensa que hoje é possível encontrar nos quiosques de todo o globo. “Na hora da sua morte, o grande Ali agiganta-se”, diz o Clarín. Os jornais aqui apresentados, entre muitos outros possíveis, comprovam-no, documentando bem a notoriedade planetária de um dos maiores desportistas do século XX.
● Argentina – Clarín
● Brasil – Folha de S. Paulo
● Dinamarca – Politiken
● Estados Unidos da América – New York Post
● França – Libération 
● India – Aajkaal
● Irão – Shahrara
● Israel – Haaretz
● Jamaica – The Gleaner
● Japão – Asahi Shimbun
● Nova Zelândia – New Zeland Herald
● Portugal – PÚBLICO
● Turquia – Yeni Hayat

Claudio Magris e o excesso de informação

Claudio Magris [Foto: Alexandre Ribeiro WAPA/NFactos]

Claudio Magris [Foto: Alexandre Ribeiro WAPA/NFactos]


Estamos a viver a IV Guerra Mundial”, diz, hoje, no Diário de Notícias, Claudio Magris. Na entrevista concedida a João Céu e Silva, o escritor reflecte sobre o excesso de informação: “Há demasiada informação atualmente para percebermos o que está mesmo a acontecer. Falta a síntese e verifica-se a tendência para a repetição das notícias, o que faz perder a lógica do que é importante e altera a perceção da realidade. Como se a sociedade liquidasse a importância, mesmo que falsa, dos acontecimentos”.

Trívio n.º 2, continua a aventura noticiosa de dois agrupamentos de escolas e de uma escola secundária

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Entre uma reportagem sobre um colóquio de António Damásio na escola de que é patrono, acompanhada de uma entrevista concedida pelo cientista, e uma saborosa receita de queijadas, evocadas numa passagem de Os Maias, devidamente citada, muito há para ler no n.º 2 do Trívio, o jornal do Agrupamento de Escolas das Laranjeiras, do Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais e da Escola Secundária de Camões.
O jornal coordenado por Lígia Arruda, Lurdes Castanheira e Teresa Saborida, professoras bibliotecárias das Escolas Secundárias D. Pedro V, António Damásio e Camões, noticia abundantes actividades realizadas nos diversos estabelecimentos de ensino. E é sobretudo para isso que um jornal escolar deve servir.
A literatura ocupa um espaço noticioso assinalável. O actor António Fonseca esteve na Escola Secundária D. Pedro V para uma espécie de aula sobre Os Lusíadas. A aluna Carolina, do 12.º ano, turma 2, enalteceu-a: “Iniciativas como esta facilitam a apreensão dos conteúdos programáticos pelos alunos, uma vez que lhes são proporcionadas perspectivas diferentes de abordagem aos conteúdos literários, despertando a curiosidade pelo conhecimento da obra e mostrando que um texto de difícil leitura, como é o caso de Os Lusíadas, é uma obra cuja audição – na voz de quem com tanto gosto e entusiasmo se dedica há alguns anos à divulgação de uma das obras maiores da literatura portuguesa – torna fácil e atraente a compreensão do poema”.
As iniciativas escolares às vezes acarretam alguma ansiedade. Falando sobre “O dia dos pequenos escritores famosos”, Vitória dos Santos Alves, aluna do 4.º ano, turma B, do Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais, confessa-a: “Estávamos todos muito nervosos, principalmente eu, mas a nossa professora deu-nos um beijinho ‘de boa sorte’ para nos motivar e acalmar”. Mas tudo correu bem: “Eu e as minhas colegas fomos dar autógrafos e escrever dedicatórias nos livros. Os pais estavam muito felizes e a professora estava muito orgulhosa dos seus meninos”.
A notícia de Beatriz Silva, aluna do 11.º ano, turma A, da Escola Secundária de Camões, sobre uma aula de Maria Alzira Seixo, que evocou Vergílio Ferreira e Mário Dionísio, dá pormenorizadamente conta de um momento assaz interessante. O relato refere que, na audiência, esteve presente o escritor Mário de Carvalho, antigo aluno do liceu e dos professores Vergílio Ferreira e Mário Dionísio. Mário de Carvalho “deixou o seu testemunho emocionado, no qual referiu a boa relação que teve com ambos. Em relação a Mário Dionísio salientou o seu carácter irónico e sarcástico e sobre Vergílio Ferreira frisou o facto de este ser próximo dos alunos, tratava-os por tu e encorajava-os no exercício da escrita”.
O n.º 3 do Trívio deve ficar pronto em breve. Aqui o aguardamos com enorme expectativa. Está a correr muito bem esta aventura pioneira, que juntou dois agrupamentos de escolas e uma escola secundária para realizar um jornal em comum.

Façam filmes e participem no 10.º Concurso de Vídeo Escolar 8 e Meio

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O Clube de Cinema 8 e Meio da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, dirige, como felizmente é habitual, um estimulante convite aos estudantes do ensino secundário: façam filmes e participem no 10.º Concurso de Vídeo Escolar 8 e Meio.
O concurso, que, como relembra a organização, é o maior evento português dedicado ao cinema no âmbito do ensino secundário, tem vários prémios. Para o 1.º, haverá 600 euros; para o 2.º, 400; e para o 3.º, 200.​
Há ainda o prémio do público, decidido pelos espetadores presentes na cerimónia pública de encerramento do evento, e o prémio para o melhor filme realizado por um aluno da escola organizadora.
O regulamento e a ficha de inscrição encontram-se aqui.

Um Conto de Verão para ver mais logo na Cinemateca

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Um Conto de Verão, de Éric Rohmer, é o filme que o Cineclube das Gaivotas exibe hoje, às 18h30, na Cinemateca Portuguesa. A iniciativa integra-se na iniciativa 7 dias com os Media.
O Cineclube das Gaivotas resultou de uma iniciativa da associação cultural Os Filhos de Lumière, enquadrada no projecto europeu Moving Cinema, que pretende desenvolver estratégias que ajudem os jovens a descobrir, a conhecer e a gostar do cinema nacional e do mundo. A concretização destes objectivos passa pela criação de grupos de jovens programadores e pela dinamização de projecções-conversas, encontros e outras actividades pedagógicas.

40 anos de El País

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O diário espanhol El País celebra hoje 40 anos de existência. Em “Um tempo extraordinário”, o director do jornal, Antonio Caño, assinala várias mudanças que, desde então, se verificaram no campo da informação. A forma de fazer o El País em pouco se parece com a de há 40 anos, diz Antonio Caño, acrescentando que, na realidade, em pouco se parece com a de há alguns anos. O texto de aniversário refere as ameaças (“a maior é a do desemprego e do empobrecimento da profissão jornalística”) e os desafios (“transformação digital é, provavelmente, o maior desafio que a humanidade vive desde a revolução industrial, e nenhum sector está a salvo”). Mas, no meio do “tom lúgubre que domina as notícias”, Antonio Caño detecta “uma força transformadora que nos permite conceber o futuro com esperança”.

A dsaparição

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A revista francesa Books recorda hoje, a propósito da evocação que a Google faz da celebração dos 80 anos do nascimento do escritor Georges Perec (1936-1982), que o crítico literário René Marill Albérès escreveu no jornal Les Nouvelles Littéraires um texto sobre La Disparition sem nunca mencionar aquilo que se encontra no coração do romance e constitui o seu artifício principal: a omissão total da letra “e”. Albérês, então considerado como um dos mais reputados especialistas em literatura francesa contemporânea, não reparou que Perec escreveu todo o romance, que tem cerca de 300 páginas, sem empregar uma única vez a vogal mais usada da língua francesa. Em homenagem a esse prodígio, a Google fez desaparecer a sua letra “e”.

140 anos de Corriere della Sera

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O diário italiano Corriere della Sera comemora hoje 140 anos. A recordação que, por isso, o jornal oferece aos leitores é um interessante suplemento de 96 páginas, que serve para recordar, decénio a decénio, os principais acontecimentos ocorridos em Itália e no mundo, que o jornal noticiou ao longo da sua existência. Amanhã, nova prenda: dois desenhos de Anselm Kiefer.

[Agradecimento a Paulo Terroso]

Enviem-nos os vossos jornais

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Os fins de período lectivo são as ocasiões em que é habitual proceder à distribuição de jornais e revistas escolares. Os primeiros começam agora a chegar à redacção do PÚBLICO no Porto. E é com gosto e atenção que os lemos.
Os estabelecimentos de todos os graus de ensino que quiserem enviar as suas publicações podem fazê-lo para:
PÚBLICO na Escola | Eduardo Jorge Madureira
Praça Coronel Pacheco, 2
4050-453 Porto

Histórias de vida no Pisca de Gente

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As sete páginas com testemunhos de vida de familiares de alunos tornam imperdível a leitura do número de Natal do Pisca de Gente, o jornal da Escola Básica Integrada da Praia da Vitória. Nelas se encontram pequenas biografias, maioritariamente de mães e de pais, muito interessantes, redigidas por José Guilherme Brito, Beatriz Ribeiro, Filipa Bettencourt, Miguel Fontes, Ana Nunes, Alexandra Félix, Madalena Borges, Rita Medeiros, José Brito, Sara Brasil, Alexandra Félix e Simão Barros, alunos da turma G do 6.º ano. É, de facto, “um precioso trabalho”, como diz, em editorial, Carlos Bessa, coordenador do jornal.
“É importante estar atento aos desafios que o mundo nos coloca, acreditando que somos capazes de corresponder e de prosperar”, refere, na apresentação do dossier, a professora Maria João Vieira, que nota ainda que os “sonhos” se alcançam “pela perseverança, esforço e disciplina pessoal”.
Na dinamização deste trabalho, Maria João Vieira teve a excelente ideia de, tomando em boa conta a importância que o neurologista Alexandre Castro Caldas confere ao escrever com a mão, incentivar todos os alunos a escreverem manualmente os textos.
O Pisca de Gente, cuja primeira página merece elogio, pode ser lido no Calaméo ou no issuu.

Biblioteca Pública de Braga expõe as primeiras páginas dos jornais portugueses dos dias do fim da II Guerra Mundial

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Poder observar as manchetes dos jornais portugueses que assinalaram o fim da II Guerra Mundial é razão suficiente para justificar um visita à exposição “70.º aniversário do fim da II Guerra Mundial”, que se encontra no átrio da Biblioteca Pública de Braga, na Praça do Município, até ao dia 31 de Dezembro.
Além de destacar o impacto que este acontecimento teve na imprensa nacional, a mostra apresenta um conjunto de obras sobre a II Grande Guerra Mundial, estruturando-se em torno de diversos núcleos temáticos que destacam, por exemplo, os protagonistas mundiais, as figuras portuguesas ou os judeus em Portugal.

“Os media e a crise dos refugiados” para educar para os media e defender os direitos humanos

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Oferecer pistas e ferramentas para um posicionamento crítico e esclarecido sobre a crise dos refugiados é o objectivo de Os media e a crise dos refugiados. Agenda de Actividades, que o Seminário Permanente de Educação para os Media, do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, apresentará nos próximos dias. Manuel Pinto, Sara Pereira e Maria José Brites, coordenadores da publicação, explicam na introdução que a Agenda reúne 29 propostas de actividades, na sua maioria dedicadas a crianças e jovens.
“Abrindo com um conjunto de propostas que pretendem reflectir e analisar o conceito, a situação e as rotas dos refugiados, as actividades seguintes apresentam diferentes ângulos de abordagem desta problemática, recorrendo aos media ora como objecto de exploração e análise, ora como recurso de aprendizagem”, dizem os coordenadores. As sugestões de trabalho escolar pretendem “inspirar todos aqueles que pretendam compreender melhor, ou ensinar a compreender melhor, as circunstâncias, causas e características da movimentação de centenas de milhar de pessoas oriundas da Síria, e em geral do Médio Oriente, assim como de África”.
Manuel Pinto, Sara Pereira e Maria José Brites explicam que, com a Os media e a crise dos refugiados, se pretende ainda educar para os media, promovendo a análise do modo como eles têm tratado o problema: “os aspectos que mais salientam, as imagens que publicam, os sons que propagam, os problemas que (não) explicam, as histórias que (não) apresentam, bem como as zonas de silêncio e de nebulosidade que nos podem impedir de ver e de ler melhor o mundo em que vivemos”.

Está a emocionar as redes sociais

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Um expediente benigno para aumentar o número de visualizações de um site consiste em apresentar um vídeo (ou, mais raramente, uma imagem) com, por exemplo, um bombeiro, uma criança, um polícia ou um sem-abrigo a fazerem qualquer coisa simpática a, por exemplo, um cão, um cavalo, um gato, um orangotango ou um sem-abrigo. Com as imagens, que, pelo que se diz, estão sempre “a correr o mundo”, surge invariavelmente um comentário: “estão a provocar emoção nas redes sociais”. A afirmação parece tornar irresistível uma espreitadela.

Trívio, três escolas secundárias juntam-se para fazer um novo jornal escolar

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Agora publicado pela primeira vez, Trívio é também o primeiro jornal escolar que o PÚBLICO na Escola recebe no período lectivo que está quase a findar. A nova publicação é uma iniciativa de Lurdes Castanheira, Teresa Saborida e Lígia Arruda, professoras bibliotecárias das Escolas Secundárias António Damásio (Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais), Camões (escola não agrupada) e D. Pedro V (Agrupamento de Escolas das Laranjeiras) para dar voz ao que se passa nos seus estabelecimentos de ensino e nas respectivas zonas de influência: Olivais, Arroios e S. Domingos de Benfica.
A escolha do nome Trívio (em latim: Trĭvĭu-, de tres: três e vía: caminho) é justificada, no editorial assinado por Lígia Arruda, da Escola Secundária D. Pedro V, por ser “o nome dado, na Idade Média, ao conjunto de três matérias ensinadas nas universidades no início do percurso educativo: gramática, lógica e retórica” e por poder “significar o local exacto em que desembocam três ruas e/ou três caminhos”. E as três ruas das escolas encontram-se no Trívio para dinamizar um trabalho colaborativo susceptível de dar visibilidade ao que de melhor fazem alunos e professores.
O editorial apresenta um conjunto extenso e diversificado de objectivos a prosseguir pelo jornal de 24 páginas, designadamente o desenvolvimento de “uma política de cooperação e parcerias em áreas estratégicas para a comunidade escolar”, o incentivo do “hábito da leitura e da escrita” ou o estímulo do senso crítico.
Entre o que poderia ter merecido destaque de primeira página, encontram-se duas entrevistas a visitantes das escolas do Trívio: uma a Humberto Rosa, director de adaptação e tecnologias de baixo carbono na Comissão Europeia e ex-secretário de Estado do Ambiente, feita por Bárbara Araújo, Pedro Costa e Carlos Silva, alunos do 11.º ano; outra a Alexandre Quintanilha, deputado e ex-director do Instituto de Biologia Molecular e Celular, realizada por Joana Rocha, Rita Cunha, Afonso Fernandes e Carolina Nicola, também do 11.º ano. Na primeira página do segundo número do Trívio é provável que haja referência a alguma reportagem ou entrevista ao neurocientista António Damásio que, na passada quinta-feira, foi à escola secundária de que é patrono falar sobre “O estado do mundo – o estado da ciência”.

“Cinco olhares sobre Auschwitz” para ver no Porto

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Cinco olhares sobre Auschwitz” é o título de uma exposição de fotografia que hoje é inaugurada no Porto, na Casa das Associações, Rua de Mouzinho da Silveira, 234/6/8. A iniciativa da Escola Profissional Raul Dória, que tem o apoio dos pelouros da Juventude e Cultura da Câmara Municipal do Porto, mostra trabalhos da autoria de alunos e professores portugueses, alemães, polacos, romenos e gregos, todos eles envolvidos num projecto de aprendizagem e de pensamento crítico, intitulado “Local Traces of Jewish life in Europe”, sobre a vida e influência cultural dos judeus nos cinco países.
No âmbito do projecto, está prevista a edição online de um livro com os resultados de uma pesquisa realizada ao longo de dois anos sobre a herança judaica. A obra, segundo Suzana Melo, professora da Escola Profissional Raul Dória e uma das dinamizadoras do projecto, contribuirá para “uma compreensão inter-regional e multidimensional da história judaica em cada região e país, abarcando todo o património cultural, desde a língua, tradições populares, passando pela gastronomia até à arquitectura e produção artística”. Segundo Suzana Melo, “Local Traces of Jewish life in Europe” quer fomentar “o caminho para a tolerância e o diálogo intercultural, que fomenta o respeito pelo outro e pela diferença, que combate o medo e a ignorância, actuando junto dos nossos jovens, procurando educá-los e ensiná-los a compreender a História e a compreender o outro”.

A “mulher kamikaze” que não era a “mulher kamikaze”

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As fotografías de Nabila Bakkatha foram amplamente divulgadas pela primeira vez nas páginas do diário britânico Daily Mail. O jornal apresenta-a como a “rapariga que se tornou ‘La Femme Kamikaze’”, a terrorista que se terá feito explodir no dia 18 de Novembro em Paris, num edificio em Saint-Denis. As imagens que a retratam circulariam, a seguir, através da imprensa internacional, sobretudo dos jornais britânicos e franceses. Mas Nabila Bakkatha, “deitada na banheira”, não é a “mulher kamikaze” que o Daily Mail denuncia. A verdadeira terrorista chamava-se Hasna Ait Boulachen e os jornais desconhecem-lhe o rosto. O diário espanhol El Mundo ouviu há dias Nabila Bakkatha sobre os prejuízos causados pela troca de identidades (“Nabila Bakkatha, la falsa kamikaze de Saint-Denis que todos creen muerta”). A mulher que vive em Marrocos relata que ficou sem trabalho e que uma parte da família e dos amigos a repudiou por causa da falsa acusação e da verdadeira fotografia no banho.
Um lugar-comum frequentemente referido para defender a relevância do trabalho jornalístico sustenta que, perante a má informação que abundantemente circula através da Internet e das redes sociais, se torna indispensável a leitura da imprensa, por aí se encontrar uma informação credível, devidamente confirmada. Os constantes exemplos de mau jornalismo não permitem corroborar o uso genérico de tal argumento.

“A música como instrumento de inclusão da comunidade cigana” para escutar hoje na RadioActive


A música como instrumento de inclusão da comunidade cigana” é o tema do programa que o projecto Multivivências E5G apresenta hoje, às 17h30, na RadioActive. A emissão prolonga a anterior, que apresenta a música na comunidade cigana de Ponte de Anta, em Espinho. O programa inclui uma entrevista com Davi Botas, que interpretará algumas das suas canções.
O projecto Multivivências apresenta-se com o objectivo geral de promover a inclusão escolar da comunidade cigana, “através da mediação social e comunitária, promovendo a educação não formal como metodologia para a inclusão dos seus jovens nos contextos formais de educação”.
À hora marcada, o programa pode ser escutado em directo aqui, mais tarde, aqui, em podcast.

Leitura recomendada: 3‑6‑9‑12. Computadores, telemóveis e tablets. Como crescer e progredir com eles

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Serge Tisseron é um dos autores preferidos deste blogue. Psi­canal­ista e psiquia­tra infan­til, conjuga uma vasta experiência com uma reflexão atenta para nos oferecer obras de grande utilidade, escritas de um modo acessível a um vasto público. São muitos os que podem tirar um amplo proveito da enorme sabedoria de Serge Tisseron. É, pois, natural que se enfatize a importância da edição portuguesa, pela Gradiva, deste 3‑6‑9‑12. Computadores, telemóveis e tablets. Como crescer e progredir com eles. Trata-se de uma obra cuja leitura vivamente se recomenda aos pais e a todos os que, de algum modo, lidam com crianças. Quem, no Natal, quiser oferecer um livro a algum educador, encontra-se perante a obra certa.
Aqui fica um extracto do texto introdutório de Serge Tisseron:

3-6-9-12 é uma regra que evoca claramente quatro etapas essenciais da infância: aos 3 anos é a entrada no pré-escolar; aos 6 no primeiro ciclo; aos 9 é o acesso ao domínio da leitura e da escrita e aos 11-12 a passagem para o segundo ciclo. Mas é também um excelente ponto de referência para saber em que idade e como introduzir os diferentes ecrãs na vida dos nossos filhos. Do mesmo modo que existem regras para a introdução dos lacticínios, dos legumes e da carne na alimentação de uma criança, também é possível conceber uma dieta de ecrãs, para aprender a usá-los correctamente, tal como aprendemos a alimentar-nos bem. Mas para isso será necessário resistir a duas tentações: as tentações de idealizar e demonizar estas tecnologias. De facto, esperar milagres dos ecrãs seria tão inútil como querer passar sem eles. São apenas ferramentas. Não se lhes peça mais do que aquilo que podem dar, mas aprenda-se a pedir tudo o que têm para nos oferecer! E, para começar, introduzam-se no momento certo e no seu devido lugar.
No entanto, devemos reconhecer que estabelecer um roteiro de ecrãs para cada idade está longe de ser fácil. Tudo depende da maturidade da criança, da relação que tem com os pais e do que é normal fazer-se em casa, na escola e com os amigos. A ideia surgiu-me em 2007, logo depois de ter lançado uma petição para proibir canais de televisão destinados a crianças com menos de 3 anos. Foi nessa altura que imaginei a regra “3-6-9-12” como um meio de responder às questões mais prementes, lembrando aos pais, de um modo fácil de memorizar, quatro chamadas de atenção: “3” significa evitar deixar uma criança com menos de 3 anos em frente a uma televisão; “6” não oferecer uma consola de jogos individual antes dos 6 anos; “9” acompanhamento da Internet entre os 9 e os 11-12 anos; “12” não deixar que a criança se ligue de forma ilimitada à Internet, quando tiver idade para navegar sozinha.

Ah, ça ira

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A cimeira do clima das Nações Unidas começou hoje em Paris. Um jornal alemão, o berlinense Die Tageszeitung, assinala-o apresentando uma manchete em francês: “Rien ne va plus”. No chão de Paris, como em outras primeiras páginas se pode ver (nas do austríaco Kleine Zeitung, do belga De Morgen, do canadiano The Globe and Mail, do português PÚBLICO ou do taiwanês United Daily News, por exemplo), depuseram-se sapatos e botas. Foram lá postos por gente que julga que o caminho para salvar o planeta está longe de ser fácil. Mas: “Ah, ça ira, ça ira, ça ira”.