Leitura recomendada: 3‑6‑9‑12. Computadores, telemóveis e tablets. Como crescer e progredir com eles

P23 Tisseron livro

Serge Tisseron é um dos autores preferidos deste blogue. Psi­canal­ista e psiquia­tra infan­til, conjuga uma vasta experiência com uma reflexão atenta para nos oferecer obras de grande utilidade, escritas de um modo acessível a um vasto público. São muitos os que podem tirar um amplo proveito da enorme sabedoria de Serge Tisseron. É, pois, natural que se enfatize a importância da edição portuguesa, pela Gradiva, deste 3‑6‑9‑12. Computadores, telemóveis e tablets. Como crescer e progredir com eles. Trata-se de uma obra cuja leitura vivamente se recomenda aos pais e a todos os que, de algum modo, lidam com crianças. Quem, no Natal, quiser oferecer um livro a algum educador, encontra-se perante a obra certa.
Aqui fica um extracto do texto introdutório de Serge Tisseron:

3-6-9-12 é uma regra que evoca claramente quatro etapas essenciais da infância: aos 3 anos é a entrada no pré-escolar; aos 6 no primeiro ciclo; aos 9 é o acesso ao domínio da leitura e da escrita e aos 11-12 a passagem para o segundo ciclo. Mas é também um excelente ponto de referência para saber em que idade e como introduzir os diferentes ecrãs na vida dos nossos filhos. Do mesmo modo que existem regras para a introdução dos lacticínios, dos legumes e da carne na alimentação de uma criança, também é possível conceber uma dieta de ecrãs, para aprender a usá-los correctamente, tal como aprendemos a alimentar-nos bem. Mas para isso será necessário resistir a duas tentações: as tentações de idealizar e demonizar estas tecnologias. De facto, esperar milagres dos ecrãs seria tão inútil como querer passar sem eles. São apenas ferramentas. Não se lhes peça mais do que aquilo que podem dar, mas aprenda-se a pedir tudo o que têm para nos oferecer! E, para começar, introduzam-se no momento certo e no seu devido lugar.
No entanto, devemos reconhecer que estabelecer um roteiro de ecrãs para cada idade está longe de ser fácil. Tudo depende da maturidade da criança, da relação que tem com os pais e do que é normal fazer-se em casa, na escola e com os amigos. A ideia surgiu-me em 2007, logo depois de ter lançado uma petição para proibir canais de televisão destinados a crianças com menos de 3 anos. Foi nessa altura que imaginei a regra “3-6-9-12” como um meio de responder às questões mais prementes, lembrando aos pais, de um modo fácil de memorizar, quatro chamadas de atenção: “3” significa evitar deixar uma criança com menos de 3 anos em frente a uma televisão; “6” não oferecer uma consola de jogos individual antes dos 6 anos; “9” acompanhamento da Internet entre os 9 e os 11-12 anos; “12” não deixar que a criança se ligue de forma ilimitada à Internet, quando tiver idade para navegar sozinha.

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