Muitas falsas notícias e fotografias após os atentados parisienses

P23 falsa solidariedade

As pirâmides de Gizé nunca se apresentaram de azul, branco e vermelho em solidariedade com as vítimas dos atentados terroristas de 13 de Novembro em Paris

É enorme a quantidade de falsas notícias e fotografias divulgadas após os atentados de Paris. Se é verdade que a generalidade tem sido posta a circular através das redes sociais, não é menos certo que os media convencionais também têm ajudado a difundir algumas. Os desmentidos não faltam.
As listas de reposição da verdade são várias. Assaz elucidativa é a que o jornalista Boris Manenti preparou para o Nouvel Observateur (“Attentats à Paris : non, tout n’est pas fiable sur les réseaux sociaux”). Percorrendo-a ficamos a saber que:

  • É falsa a imputação de que um homem apresentado numa fotografia que circulou no Instagram e no Twitter seja um dos autores dos atentados. O rumor foi tão difundido que o visado decidiu apresentar-se na polícia.
  • É falsa outra fotografia que mostra outro homem com um colete à prova de balas e o Corão na mão. Trata-se de uma fotomontagem. No original, o homem tem um iPad e não tem qualquer colete.
  • É falso que tenham sido mortos quatro polícias durante a operação para resgate de reféns do Bataclan.
  • É falso que os terroristas tenham sido mortos em Bagnolet. A fotografia divulgada para o documentar mostra, de facto, quatro criminosos mortos no início de Novembro pela polícia no Brasil.
  • É falso que tenha sido forçada uma barreira policial em Yvelines. O site do diário Le Parisien chegou a noticiar a falsa ocorrência.
  • É falso que tenha havido uma perseguição a alta velocidade em Boulogne-Billancourt. O Journal du Dimanche noticiou-a, mas ela não existiu.
  • É falsa uma das fotografias muito difundidas da sala do Bataclan antes da entrada dos terroristas. A fotografia mostrava realmente o grupo Eagles of Death Metal, mas no Olympia de Dublin.
  • É falso que os Eagles of Death Metal tenham sido mortos. Estão vivos, mas decidiram interromper a tournée europeia, que terminaria no dia 10 de Dezembro em Portugal, para regressar aos Estados Unidos da América.
  • É falso que tenha havido um tiroteio nos Halles.
  • É falso que as fotografias mostrando a capital francesa completamente desertas sejam do dia a seguir aos atentados. As fotografias, realmente, foram tiradas entre 2006 et 2014.
  • É falso que o campo de refugiados de Calais tenha sido incendiado como represália pelos ataques parisienses. Houve um incêndio, mas não teve origem criminosa. Foi provocado por uma vela ou um fogareiro.
  • É falso que as forças de intervenção da polícia tenham lançado um assalto em Estrasburgo.
  • É falso que tenha havido tiros de kalachnikov no Norte de França.
  • É falso que tenha havido um tiroteio no 7.º bairro parisiense, mais precisamente no Hotel Pullman. É certo que a polícia acorreu ao local e cercou o quarteirão, mas ao fim de vinte minutos percebeu que se tratava de um falso alerta por causa de uma brincadeira.
  • É falso que os atentados parisienses tenham suscitado manifestações de júbilo nos territórios palestinianos. A imagem que o certificaria é da agência Reuters, foi tirada em 2012 e mostra a celebração de um cessar-fogo entre o Hamas e Israel.
  • É falso que tenha sido organizada na Alemanha uma manifestação de solidariedade com o povo francês. A fotografia apresentada como sendo dessa iniciativa é de 2014 e retrata uma manifestação de um movimento anti-imigração.
  • É falso que as pirâmides de Gizé se tenham apresentado de azul, branco e vermelho em homenagem às vítimas dos atentados de Paris. A imagem que circulou é uma fotomontagem.
  • É falso que também o Empire State Building se tenha iluminado de azul, branco e vermelho, como relatava o correspondente da BFM TV em Nova Iorque.
  • É falso que um artigo do diário The New York Times laudatório de uma França que acabara de ser atacada pelo terrorismo. Amplamente divulgado o texto é um comentário a um artigo do jornal.
  • É falso que haja uma profecia dos atentados em JeuxVidéo.com. A mensagem original foi completamente modificada, deixando a data original, para levar a crer que houve uma profecia que se confirmou.
  • É falso que Paris Hilton tenha algum problema. Com o surgimento da palavra-chave #PrayForParis em homenagem às vítimas dos atentados, vários internautas pensaram que se trata de uma prece pela socialite Paris Hilton, que não tem qualquer problema.

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