Como falar com os mais novos sobre o terror parisiense

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Ilustração de Frédéric Benaglia, publicada no número especial de Astrapi sobre os atentados parisienses de 13 de Novembro

Como sossegar as crianças? Nestes dias de terror parisiense, a interrogação inquieta os pais e os professores franceses. Também em outros países, os educadores têm julgado útil conversar com os mais novos sobre o que se passou. Em França, a imprensa procurou ajudar os educadores e foi escutar quem pode ajudar a preparar uma resposta, mesmo que precária, à dúvida sobre o que se deve dizer e fazer nestas ocasiões. A lista de textos, com conselhos úteis, publicados em jornais, revistas e sites é abundante. Citemos alguns: La Croix (“Attentats de Paris : comment réagir face aux questions des enfants ?”); L’Express (“Comment éviter que les enfants aient peur du terrorisme ?”); Libération (“Comment rassurer mes élèves ? Qu’est ce que je vais leur dire ?”) ; Le Monde (“Attentats à Paris : comment en parler aux enfants ?”) ; Rue 89 e Le Nouvel Observateur (“Comment parler des attentats de Paris aux élèves ? Des profs témoignent”) ; Slate.fr (“Comment parler des attentats à ses enfants ?”) ; e La Vie (“Comment expliquer les attentats aux enfants ?”). Algumas das publicações dão voz a psicólogos, que apresentam alguns conselhos simples, de grande utilidade. Angélique Cimelière, psicóloga clínica, explicou em La Vie o que há a fazer com as crianças que têm entre 3 e 10 anos. Eis algumas recomendações:

Dizer a verdade e sossegar
Importa, em primeiro lugar, não esconder a realidade das coisas. Tratando-se de um acontecimento tão importante, as crianças irão ouvir falar sobre ele fora de casa. É útil, por isso, dizer alguma coisa, por muito pouco que seja. Os pais reagiram perante o que se passou de modos variados. Alguns transmitiram um pânico que as crianças propagaram a outras. O papel dos pais é oferecer segurança aos filhos. Por isso, podem explicar aos filhos que os pais os protegem em casa; os professores, nas escolas; e os polícias, nas ruas.

Escolher as palavras
Não se pode simplesmente dizer que “os maus foram a Paris e mataram pessoas”. Não se pode ter medo das “verdadeiras palavras”: mortes, feridos, medo… Outras palavras serão mais complicadas para as crianças. Como eles já ouviram a palavra “guerra”, é importante dizer-lhes que é uma maneira de falar, que a palavra é usada para tentar resumir a situação, mas que não se está a falar de uma guerra como a dos filmes.

Não adiantar pormenores, mas ficar disponível
Se as crianças não fizerem perguntas, para além das que envolvem informação factual, a que se deve dar resposta, não é necessário ir muito mais longe e adiantar muitos pormenores. Quando não dizem muito, estarão talvez a digerir o que os pais lhes disseram. Ou então não se aperceberam do perigo ou do carácter excepcional da situação. Seja como for, importa que os pais digam que estão sempre disponíveis para conversar sobre o assunto.

Não esconder as emoções
O pai ou a mãe podem dizer que têm medo, mas é útil dizer também que isso é algo passageiro. Mesmo quando se está dominado pela comoção. “Isto faz medo. Mas vai passar. O meu medo vai acabar”. A palavra de ordem é acalmar e explicar. Nestas ocasiões, os adultos passam muito tempo em frente dos canais de televisão informativos. Quando as crianças têm mais de 10 anos, podem partilhar o visionamento de algumas imagens. Se tiverem menos, devem ficar afastadas dos relatos televisivos. Nestes momentos, é muito importante estar com as crianças, dedicar-lhes tempo.

Reagir a tempo
Se depois de um primeiro momento de choque, que é compreensível, a criança não dormir, não comer, se se reparar que ela se esquece das coisas e que não se consegue concentrar porque só pensa nos atentados, convém não hesitar. É útil consultar um psicólogo, antes que a ansiedade tenha tempo para se instalar.

Acompanhar o processo
Perante este drama, para muitas crianças, a escola é uma escapatória. O importante é que o emocional não se sobreponha de tal modo que impeça a aprendizagem. Se não, a ansiedade toma conta de tudo. Os pais devem lembrar aos filhos que estão em segurança na escola.

Ajudar a renascer
Depois da estupefacção e do medo, é preciso renascer. Após o momento de choque, é necessário reagir, resistir. As crianças devem aprender que não devemos dar razão ao nosso medo.

A psicóloga Angélique Cimelière explica também como lidar com os adolescentes: “No plano emocional, os adolescentes ainda estão a quente. É preferível que reajam excessivamente a ficarem indiferentes. É melhor que chorem durante todo o dia do que reprimirem as emoções, que podem explodir mais tarde. E, claro, os pais podem falar com eles com palavras de adultos. Eles estão preparados para as entenderem.”

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