“O Facebook devia-nos pagar a todos”

Ilustração de Jordan Awan que acompanha o texto “O Facebook devia-nos pagar a todos”, de Tim Wu, publicado na New Yorker

Ilustração de Jordan Awan que acompanha “O Facebook devia-nos pagar a todos”, de Tim Wu, publicado na New Yorker

Alexandra Lucas Coelho escreve hoje, no PÚBLICO, uma crónica, intitulada “Facebook: não é grátis nem nunca será”, merecedora de ampla ponderação. Um extracto:
Facebook should pay all of us (O Facebook devia pagar a todos nós), escreve esta semana no site da New Yorker Tim Wu, professor de Direito na Universidade de Columbia. Vale a pena ler e partilhar (estou fora da rede há semanas, imagino que muita gente o tenha feito no Facebook). Algumas das sínteses de Wu: o Facebook é um modelo de negócio; o modelo de negócio do Facebook assenta na informação entregue pelos seus utilizadores; os utilizadores do Facebook não têm consciência do valor do que entregam (dados pessoais, fotografas, vídeos, textos, sons), ou de como isso pode ser transformado em dinheiro, alimentando esse e outros negócios, por exemplo publicidade dirigida. E o mais provável é que ainda não tenhamos visto nada. ‘Uma das razões pelas quais Zuckerberg é tão rico’, escreve Tim Wu, ‘é que o mercado de capitais parte do princípio de que, em algum momento, ele vai engendrar uma nova forma de extrair lucro de toda a informação que acumulou sobre nós.’ Wu acha provável que ‘a maior inovação do Facebook não seja a rede social em si mas a criação de uma ferramenta que convenceu centenas de milhões de pessoas a entregarem tanto em troca de tão pouco’. O Facebook não é a única rede ou ferramenta que o faz, mas nenhuma outra convenceu tanta gente a dar tanto. Isto só é possível porque uma peça decisiva dessa ferramenta é convencer-nos do contrário, de que temos acesso a tanto por nada. Num universo consumista, anunciar-se como grátis é uma arma poderosa, o utilizador sente-se agradecido, Quando, na verdade, se trata de ‘uma gigantesca transferência de muitos para poucos’ com um risco claro: quanto mais informação as pessoas entregarem, mais vulneráveis ficarão. Wu fala sobretudo de uma vulnerabilidade comercial, mas podia falar de política ou de sexo. Vulnerabilidade a qualquer tipo de intromissão, agressão, exploração. Quem acha que não paga, ou não tem noção do que paga, ou acha que recebe muito em troca de pouco, não fará exigências. E nunca o futuro foi tanto o próximo segundo. Tudo será muito rápido.”

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